Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.
Jennifer Aniston, a eterna Rachel Greene da famosa série Friends, foi até a internet pedir que seus fãs não votem no rapper/socialite Kanye West. Aniston disse que não encontrava mais maneiras de dizer que não é engraçado votar em West e o cantor reagiu dizendo que seu trabalho mais famoso, a série Friends nunca teve graça.
Olha, eu concordo com os dois, num sabe? Realmente Kanye West é daquelas figuras doidas que podem acabar fazendo expressiva votação só pela sacanagem de um eleitorado zueiro. Pensa só, quantos doidos você já não viu ganhando eleições só porque o povo que votou em maioria, tava de birra em votar nos candidatos de sempre? Eu sou carioca, e uma clássica eleição daqui do RJ foi em 1988, quando numa candidatura de brincadeira, o famoso e folclórico Macaco Tião, do Jardim Zoológico carioca, quase foi eleito prefeito. Falo mais disso em outra hora, mas o fato é que muitos já se beneficiaram disso.
Aniston, a única do elenco de Friends a ter tido uma carreira ainda com brilho e relevância desde 2004, ano do fim da série, é uma pessoa engajada, sendo participante de diversas frentes de ativismo social, como caridade para órfãos, institutos de tratamento de câncer, causas LGBTQ+ e por aí vai. Dá pra entender porque ela não vê nenhuma graça em um rapper/socialite com problemas de comportamento e opiniões conservadoras se candidatando a qualquer coisa, né?
Ma Saga, e a tal da treta? Concordou com os dois, mas ficou do lado de quem? Olha, jovem, Friends é uma das séries mais alienadas do mundo. Meia dúzia de playboy branco vivendo seus grandes dramas de gente trabalhadora com pais ricos. Nenhuma diversidade, assuntos tratados com imaturidade e um dos maiores exemplos é o próprio personagem de Aniston, a menina que deixa de ser patricinha pra virar garçonete e numa mentira de currículo, arranja emprego numa renomada loja de departamentos e moda. Quem nunca, né? Antes da metade eu já não me importava se Rachel e Ross iam voltar, e até torcia pra eles nunca mais se verem.
Por outro lado, West sempre demonstrou um comportamento errático e, nos casos que teve uma regularidade, foi para atos polêmicos, como invadir palco pra protestar contra premiações ou declarações estranhas se não pra chamar atenção, talvez por demonstração de algum descontrole psicológico.
Mas o fato é que Friends é um troço sem graça que terminou há mais de 15 anos e a atriz que representa a série nessa discussão, está muito mais antenada do que sua personagem. Nossa, mas anos-luz. E a vida é feita do agora, mesmo que o passado conte pra dar direção e aprendizado. Hoje, Jennifer Aniston defende a vida social, o direito ao respeito a pessoas que ainda hoje não podem andar livremente sem o risco de levar um pisão no pescoço até a morte ou um tiro nas costas. E West... bem, é um preto rico, famoso e conservador, né?
Não posso salva-lo só porque ele chamou um filho de North West (Norte Oeste ou Noroeste). Quanto a isso, tivemos aqui Gonzaguinha que teve uma filha Com Sandra Pêra e a registrou Amora Pêra. E era dos nossos. Então, na discussão dos gringos pop, votei na Rachel.
Friends completa 25 anos de sua exibição inicial... e 15
desde seu apoteoticamente final ‘nhé’. Ok, é uma das séries mais bombadas da
história estadunidense, gerou vários bordões famosos e soube lidar com os
maiores clichês de modo a se tornar referência para os mesmos. Sério, quando
assisto The Big Bang Theory ou How I Met Your Mother, posso pegar uma cartela
de bingo e marcar cada situação clichêzenta que aparece. Desde o protagonista
apaixonado pela colega de apartamento/trabalho/faculdade/melhor amiga/namorada
do melhor amigo/vilão até as soluções fáceis do tipo, um relacionamento que não
tem futuro logo recebe uma viagem para o exterior ou algum vacilo de uma das
partes.
Mas não é disso que eu ia falar. Para o parágrafo
anterior eu só digo uma coisa: Drama de gente branca. É uma tonelada de gente
branca, linda, sensual e metida a engraçadinha. Não tem pra onde olhar sem
olhar um branco fazendo piadoca ou dramalhão com alguma situação idiota. E qual
é o problema, tio Saga? Bem gafas (meu modo de chamar de gafanhoto de forma
fofa), acontece que além da total falta de diversidade, há outros traços de
como a série Friends era vendida como um sonho, uma catarse, um modelo do que o
jovem branco estadunidense queria pra sua própria vida. E não tá errado, mas há
muita babaquice envolvida. Tanto, que quando a gente reassiste, no meu caso, já
tendo passado pela fase da juventude sonhadora e com os pés no chão pela quilometragem
na estrada, percebe que é uma série de preconceitos e conservadorismo que
assusta. Afinal, era uma série pra juventude e tals... mas quando a gente nota,
está lá sendo martelado por versões sensuais, engraçadas e sedutivas de como
devemos ser o american way of life dos novos tempos.
“Ain, Saga, mas eram outros tempos...”. Olha, gafas, lá
por 1994, época que estreou a série, era bem difícil sim saber das lutas das
minorias e grupos historicamente oprimidos na sociedade. Mas não eram tão
invisíves, mesmo em tempos pré-memes. Lembro de um comercial institucional em
que a atriz, negra, falava como alguém que avisava a seu último peguete pra fazer
teste pra AIDS, pois ela descobriu que tinha, mas não sabia se tinha passado ou
pego dele. O problema é que se hoje é difícil, imagine naqueles tempos
escalarem atores negros pra paéis principais... Acontece que gerou burburinho e
o Movimento Negro protestou que justo na hora da irresponsável sexual é que
colocaram uma negra e nunca pra vender a cerveja sedutiva da moda ou mesmo em
cima de um trio elétrico cantando e envolvendo o público. Houve quem retrucasse
dizendo que o negro era um insatisfeito e com mania de perfeição. Oras, eu lá
com uns 12 anos acompanhei isso por jornais, então, sabemos que não eram outros
tempos tão distantes. Os meios de comunicação é que ficaram mais dinâmicos.
E isso tudo eu disse pra enumerar algumas situações onde
Friends foi babaca. Em comemoração aos 25 anos da série mais fútil da TV
gringa:
1 – Homofobia
Esse é o tópico mais evidente desde o primeiro episódio.
A primeira temporada inteira é dividida entre Ross lidando com sua separação, a
gravidez de sua ex e a vida dela com uma outra mulher. É constrangedor o quanto
a plateia ri toda vez que ele ou alguém faz piada pelo fato de duas mulheres
quererem viver uma vida fora dos rótulos heteronormativos e ainda sim serem
felizes e realizadas. O tanto que Ross demonstra ser um moleque mimado com
necessidade de aprovação é perturbador. Aliás, todo o elenco! São jovens entre
25 e 30 anos de idade que se comportam como se tivessem 18. Soa tudo como
aquele amigo que zomba de você pra pagar de engraçado, mas que é mais ofensivo
do que legal. O famoso ‘rir de' e não 'rir com’.
E não só Ross, Chandler é antena de piadas sobre gays
também. Quem conhece os bastidores da série (sim, conheço muuuito, porque
assisti bastante) sabe que o ex-colega de facul de Ross era para ser gay, mas
isso foi modificado até a definição do formato e detalhes da série. Ele é confundido com gay porque não é um
pegador ou pelo nível de seus gostos e assuntos, seu pai é transformista e sua
mãe é escritora de livros de cunho sexual, o que o constrange e o faz o
estereótipo do filho de pais divorciados e lar problemático, engraçadinho da
turma que usa o humor como defesa psicológica. E não esqueçamos da vez em que
Chandler e Ross zoavam seus passados amorosos até que Ross diz que nada é tão
engraçado do que o amigo ter beijado uma
travesti sem perceber. Tem um vídeo no youtube em que um internauta separou
todos os momentos homofóbicos de Friends. Deu quase uma hora.
2 – Gordofobia
A gordofobia é quase toda sobre Monica. Vários flashbacks
retratam Monica como uma adolescente obesa e isso só muda lá pelas tantas da
série quando ela resolve emagrecer ao ouvir ofensas de Chandler atrás da porta.
Os próprios amigos vivem fazendo comparações grotescas e o roteiro sempre
empurra a jovem para o público como alguém desregrada e gulosa. Enfim, tireoide
é bananada, gorodo, pros roteiristas, é comilão mesmo.
3 – Machismo
A palavra aqui é Joey. O cara passou dez anos destratando
e usando mulheres e os amigos em volta apenas falavam pra ele coisas como ‘você
nunca liga para as mulheres’ e estão ok com isso. Ninguém o confronta.
Inclusive a regra macho-alfa de não namorar a irmã do amigo foi mote várias
vezes da série. Só Chandler não tem uma irmã para ser assediada pelos amigos,
mas sua mãe deu uns pegas em Ross. Tipo, homens adultos controlando a vida
sexual e afetiva de mulheres adultas com a desculpa de ‘proteger quem se ama’.
Nunca protegem homens, certo?
4 – Racismo
O racismo não ocorre apenas pelas palavras de ódio ou
violência física. Exclusão também é racismo e nessa Nova York dos sonhos dos
anos 1990, o negro só aparece como porteiro, guarda, colega mudo de sala de
reunião e essas coisas. Pois nos anos 2000, a série resolve dar papéis de maior
destaque a negros. No caso, negras. Agora repare: Gabrielle Union apareceu na
série como uma nova vizinha tendo sua atenção disputada por Ross e Joey. Os
dois chegam a fazer uma aposta ridícula estabelecendo valores a serem gastos
com agrados à moça pra ver quem faturava a gatinha. Tendo assustado-a com tanta
idiotice, voltam a ser amigos e a jovem caiu no esquecimento.
Depois, aparece Aisha Tyler como uma doutora da mesma
área científica que Ross, mas que está tendo um namoro com Joey. Aquele dilema
forçado do tipo, combina com um, mas namora o outro (olha o que eu falei sobre
clichês requentados lá no começo). Resumindo, fica aquele triangulo amoroso até
que Ross conquista a doutora e Joey se sente livre pra ir atrás de Rachel (hein?!).
Mas o foco aqui é o fato de quando a coisa parece se encaminhar, a mulher volta
com o ex anterior a Joey e Ross de modo ridículo e volúvel. E essa foi a
participação mais expressiva de pessoas negras em 10 anos de Friends. De resto,
fomos representados por seguranças, enfermeiros figurantes, taxista, porteiro,
figurante 2 e essas coisas.
Conclusão
O que podemos conceituar sobre a série é que ela não foi
tão ousada – como dizem os produtores e fãs – em fazer um casamento lésbico ou
mostrar relacionamentos interraciais, por exemplo. Nada disso era parte do
elenco principal. Caso houvesse rejeição, era só eliminar a ex lésbica e sua
companheira ou a namorada de outra etnia que não branca. Ou ainda, um possível
protagonista gay. Nenhum protagonista foi ‘maculado’ pelo estigma da rejeição
conservadora. Isso, no fundo, é manter as coisas exatamente como estão. Como em
How I Met... que num personagem só usou a ‘cota’ racial e sexual fazendo um
meio-irmão de protagonista negro e gay, mas não tendo coragem de usar isso no
núcleo do elenco principal. E olha que a série terminou bem depois de Friends...
Outros tempos? Nada mudou.
E não vou falar das incongruências da série, como o
núcleo Rachel-Monica-Ross-Chandler que demonstram não se conhecerem tão bem no
início as série, mas em flashbacks mais tarde em outras temporadas, é provado
que se conheciam até por relacionamentos ainda em época de escola/faculdade. Ou
Ross mal vendo seu filho mais velho, Bem, que foi o mote da primeira temporada,
terminando até com promessas de amor eterno e acompanhamento intenso de seu
crescimento... E não vou falar de certas situações feitas apenas pra série
parecer lega Le descolada. Nem da condição de vida de jovens com empregos meio
lá meio cá vivendo em apartamentões imensos. Mesmo o da Monica sendo herança da
avó, ainda não justifica sustentar aquele imóvel sem ajuda em pleno centro de
Nova York. E Rachel que foi de patricinha mimada a garçonete e numa mentira de currículo, entrou para o ramo da moda até receber proposta internacional de trabalho? Acontece toda hora na vida, né?
Então, Saga
Enfim, quando se passa tanto tempo assistindo TV, filmes,
lendo, etc, você acaba desenvolvendo um senso crítico mais apurado e quando
isso se dá ao longo da vida (sério, tenho gibis e DVDs aqui de quase 20 anos
atrás, só porque me desfiz de coisas mais antigas), então, desenvolvendo
consciência para assuntos mais sérios e relevantes na sociedade, mas ainda
adorando cultura pop/nerd, posso dizer de carteirinha que muita coisa hoje envelhece
mal porque foi calcado em um senso comum que mudou. Ficou datado e
ultrapassado. Parece vintage pra muitos, mas não se sustenta. Lembrei de uma
reprise d’Os Trapalhões onde Jorge Lafond é o alvo de tantas piadas
ridicularizando seus trejeitos afeminados que mudei de canal.
Uma coisa é o cara usar seus trejeitos pra fazer uma
caricatura que soe simpática ao público, outra coisa são outros personagens
ficarem correndo em volta, cada um a seu momento se revezando pra fazer
comentários que o tornam uma piada oca. Eu odiaria estar no centro de uma roda
onde cada “amigo” fizesse um comentário pejorativo sobre minha pele, meu cabelo
ou estereótipos e comparações com objetos de cor preta. Odiaria. Então, Friends
é isso. Até Os Simpsons hoje me soam mais como um aglomerado de piadas do que
uma sátira em si. Hoje, acho Homer Simpson um bolha e Marge Simpson a versão
desenhada da Nenê Silva, d’A Grande Família, aquela que é tão condescendente
que. Literalmente, não existe.
É isso, gafas, saganauta (Rá!)! Ficamos por aqui, por
enquanto, mas depois sei que vou lembrar de algo mais a dizer ou alguma outra
produção que não tenha passado legal pelo fator ‘relevância na passagem do
tempo’. Ainda assisto a vários episódios de todas as séries aqui mencionadas
porque sim, tem momentos muito legais, mas não me peça pra adorar, muito menos
defender porque é como defender um rodízio de sorvetes pra quem tem intolerância
à lactose. É gostoso, mas vai dar merda! Rá!
Seinfeld: O maior mérito foi não ter deixado a (não) temática da série se perder em nome de mais audiência.
Essa história bem que poderia começar com uma passagem do
meu querido seriado Seinfeld. Em diálogo com Elaine, Jerry resmunga que a amiga
de Elaine que se aproxima o desagrada por ter o costume de cumprimentar as
pessoas beijando no rosto (coisa, que vemos nos filmes e séries, que não é um
hábito muito estadunidense, né?). Aí a conversa vai mais ou menos assim:
Jerry: Oh, não, lá vem sua amiga beijadora de rostos.
Elanie: Qual o problema?
Jerry: A obrigação de ter que beijar, e se eu não quiser?
Elanie: Jerry, é só uma saudação.
Jerry: Tocar nos seios seria uma saudação mais legal.
Elanie: Ah, é? Porque não fazer logo sexo pra cumprimentar
as pessoas?
Jerry: Elaine, agora você está sendo ridícula.
O divertido – e nonsense – diálogo serve pra demonstrar o
que eu gostei de imediato em Sheldon Cooper (The Big Bang Theory - TBBT). A
série é auto-proclamada nerd e nem vou – dessa vez – entrar no mérito de como a
produção fez o dever de casa de se consultar com cientistas, mas que o bichinho
da audiência fez sua espinha dorsal transformar os personagens em caricaturas
de Ross (Friends). Enfim, depois eu falo mais disso, o foco aqui é o Sheldon
primordial, aquele que iniciou o seriado, um cara tão desapegado das relações
sociais que nos fazia – através, principalmente de Penny e Leonard (os seres
mais sociais do início da série... tá, mais Penny, Leonard era só na pretensão)
vermos como certos hábitos de nossa sociedade não fazem sentido. Talvez por
terem se modificado tanto desde a origem desses costumes ou só porque migraram
de um local para outro sem ter o mesmo contexto, sei lá.
Sinto falta daquela personalidade ácida e friamente crítica
do Dr. Cooper, como quando ele questiona Penny sobre o meio-sanduíche do
cardápio da Cheesecake Factory. Seria um sanduíche “usado”? Teria ele a
obrigação de esperar que alguém pedisse a outra metade pra seu pedido ser
atendido? Se aquele era o tamanho padrão, porque não chamar apenas de pequeno
sanduíche? Sacou? Ou coisas como sua pesquisa pra saber que tipo de bebida ou
comida oferecer a alguém chateado como forma social de conforto. Quem é fã do
estilo stand up de comédia, como eu, certamente adora esse tipo de observação
das minúcias do cotidiano (coisa que me fez adorar até hoje séries como
Seinfeld e a mais recente Community, por exemplo), coisas que podem começar com
o clássico “já notaram...?”.
Antes, Sheldon era praticamente um crianção no trato social
– mas com uma lógica quase irrefutável - com os amigos tendo que explicar a ele
coisas que já aprendemos desde bebês, como ser gentis mesmo quando não
queremos, por convenção social, ir a lugares ou evitar situações pra não magoar
ou pra agradar outrem. Mas pegaram o caminho fácil do clichê e rapidamente ele
se tornou o amigo chato metido a sabidão, que os outros pareciam apenas aturar
(não sei porque, já que ele muitas vezes é tão chato quanto Barry Kripke). E
hoje em dia está pior. Quanto mais a série avança, mais ele se torna um quase
antagonista, causando transtorno aos próximos e destilando prepotência até ser
frequentemente evitado pelos seus, não lembrando mais aquele ser tão fora da
realidade que podia ver o quão absurda é a sociedade, o que explicava sua falta
de compreensão em ver que seus amigos queriam tanto fazer parte disso. Agora
ele é escada para as peripécias de Amy Farah Fowler (Blossom... quer dizer,
Mayin Byalik).
Te desafio a não lembrar francamente de Friends e dos motes "aprontando as maiores confusões no maior clima de azaração".
Sheldon não contesta mais paradigmas, agora ele tem manias,
fobias e TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Com tantas deixas-pastelão pra
vermos Sheldon gritando, desmaiando ou sendo ridicularizado pelos amigos (que
são bullies no seu próprio mundo a essa altura), não faz sentido pra mim que
ele não seja uma espécie de antagonista, como Will wheaton foi pra ele até
metade da série. Sheldon se tornou seu próprio metalingüístico BAZINGA! Era pra
ser uma piada e se tornou outra de outro tipo.
Agora TBBT é só esse Clube do
Bolinha X Clube da Luluzinha com lições de amizade no final de cada episódio e
uma piadinha rápida pra terminar em clima de comédia. Virou comédia romântica,
que assim como o samba-canção, é mais o segundo nome do que o primeiro.
Ross Geller é irmão mais velho de Monica, amigo de faculdade (e cunhado) de Chandler, amigo de Joey e Phoebe e mantém uma relação emancebada com Rachel (amiga de colégio de sua irmã, com quem tem uma filha, Emma). Ross também é pai de Ben, de seu primeiro casamento, com Carol (lembra? Aquela que assumiu sua homossexualidade ainda grávida, indo morar com Susan). Mas isso é conhecido do grande público. Essa biografia vem pra mostrar os anos perdidos de Ross. Aquele espaço entre o final do colégio e a faculdade, antes de conhecer Carol.
Ross tinha vergonha de seu nome do meio, Eustace (quem não teria?), então, o nerd começou a espalhar que seu nome do meio era, na verdade, James. Com a mentira aceita pelos colegas de curso de paleontologia, Ross ficou conhecido como Ross "Jim" Geller. Isso o ajudou a se enturmar e esquecer traumas de infância, quando seu pai o constrangia apresentando revistas de nudez feminina para que o garoto tivesse um acompanhamento didático no seu aprendizado sexual. Se ele se envergonhasse menos, talvez não tivesse passado pelo vexame com a torta de maçã.
Mas Ross cresceu, deixou o apelido de lado e formou-se em paleontologia. Agora ele não estraga bolos de casamento com pelos pubianos recém-raspados, nem mantém relações com tortas de maçã recém-tiradas do forno. Seu filho, Ben, descobriu ter um irmão gêmeo e, para não ficar na atmosfera sufocante de decepção pelo fato escondido por seus pais, o garoto foi passar uns tempos num cruzeiro.
Há boatos de que a pequena Emma também teria uma irmã gêmea. O que levanta algumas suspeitas:
1) Teria Ross, um projeto de "fabricar" bebês com os genes Geller num megalomaníaco plano de dominar o mundo da paleontologia?
2) Seria, o Sr. Geller, na verdade, um cientista louco abusando de métodos de clonagem, pensando em uma possível necessidade de doação de rins?
Há quem diga que a juventude de Ross-Jimbo foi um verdadeiro pastelão americano, mas que jovem - de qualquer grupo - nunca aprontou as maiores confusões no maior clima de azaração, não é verdade?
Informação de última hora: O pager que Ross dá a Carol, quando grávida de Ben, tem o sugestivo número: 55-JIMBO. Confira na série. Não falo mais nada.