DIVAGAR É PRECISO

Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Tiago Leifert diz para participante negra que "esse negócio de representatividade não leva a nada"


Tiago Leifert deu um show de grosseria e até de antipatia a grupos de militância na última terça (20). A participante Nayara disse a que veio dentro da casa enquanto negra, de comunidade, jornalista e fez questão de expor seu lado ativista e defender o que acredita.

O que houve?

Então, Tiago Leifert falou para ela, em seu discurso de eliminação, coisas como 'esse negócio de representatividade não leva a nada', como quem justifica que ali é um programa apenas de entretenimento e não para raciocinar.

Tá, mas e daí?

Também reflete a ideologia da mídia de massa, né? Afinal, se o povo começa a questionar seu lugar e o lugar dos ricos donos e contratados da emissora, adivinha o que acontece? Revolução. E é melhor pra eles fazer com que nós, negros ativistas, jornalistas contestadores, pareçamos um bando de revoltadinho neurótico. Aliás, dada a enorme rejeição atribuída a ela (em torno de 92%), não me surpreenderia que a emissora tenha dado uma mãozinha ao público médio sem paciência pra levante de bandeiras ideológicas. Já pensou, a globo dá uma bobeira e Nayara começa a falar sobre a falta de negros em 90% das produções da TV? Seria loko e eu adoraria, mas se eles apoiam golpes políticos, não vão detonar uma moça que defende uma causa de justiça social? Ora veja...

Conclusão

Quando eu começava a simpatizar com ele, Tiago Leifert dá essa bola fora de não só representar (olha que ironia) a mentalidade da classe rica e televisiva brasileira, como também expôs uma pessoa a constrangimento de forma arbitrária. Neste momento, acho Tiago Leifert farinha do mesmo saco rasgado pelo diabo que tantos outros. Alguém lembra do William 'é coisa de preto' Waack. É como eu sempre digo, quem tem algum preconceito, não importa se é amigo de facebook ou sorridentes apresentadores de TV, alguma hora vai soltar uma pérola pra cair a máscara.

Já que falei de Waack, lembram que eu já tinha mencionado internet afora que a Globo só o afastou pra que não queimasse seu filme e não porque é contra o racismo? Pois é, Waack caiu num video em off, Leifert caiu em rede nacional ao vivo. Dizer que uma ação desagradável é coisa de preto quando você nem sabe quem o fez é a mesma coisa que falar pra uma ativista negra que representatividade não leva a nada. Lembro-me de um Programa Eliana quando Gilberto Barros participou de um quadro estilo 'pra quem você tira o chapéu' e ele 'curtiu' Glória Maria. Quando ele começou a justificar sua admiração pela jornalista por vencer na profissão sendo mulher e sendo negra num meio que não dá muitas oportunidades... ZAP! Eliana o cortou pedindo que prosseguisse para a próxima personalidade. Ou Eliana não tinha tantos méritos quanto a colega e se mordeu de inveja ou não gosta muito de lembrar que é de um grupo privilegiado. Mas voltando ao apresentador que não quer ideologias no seu programinha...

Faça-me o favor, dizer que ninguém está interessado pelo lado jornalista de uma pessoa é como dizer que não quer ver seu lado carinhoso, é uma parte de nós, uma nuance do perfil psicológico. Ela não pediu pra escrever uma matéria, apenas usou sua habilidade de observação dos fatos. Mas esse é o Brasil, ou melhor, a camada que o comanda: Não quer ninguém levantando bandeira em um meio de comunicação de massa porque vai despertar muita gente. E povo que pensa não para pra ssistir BBB, no sentido de que não oferece um conteúdo intelectual, tá, não estou dizendo que quem assiste é burro, nada disso. Estou dizendo que numa sociedade mais evoluída, BBB não precisaria lutar contra militâncias. Elas seriam parte possível integrante do seu conteúdo.

O próprio Leifert não faz mais parte do jornalismo, então não deveria criticar jornalistas. Branco e de família abastada, não deveria falar sobre negros pobres e apresentador de TV, não deveria usar seu microfone como arma pra humilhar publicamente pessoas. Ah, e enquanto ser humano, pois infelizmente ele é, também fica muito feio não ter educação. Sobretudo por ser, supostamente, bem criado e com condições que a maioria neste país não tem.

Nunca vi BBB como uma ferramenta de burrice. Apenas não gosto do tipo de programa, mas não julgo quem se entretém nisso. Agora, o que o novo apresentador fez foi um desserviço. Quando eu era moleque, aprendi que se não sei de um assunto, melhor não falar nele, porque alguém pode estar de fora olhando e pensando 'Ei, só fala m...'. E Tiago Leifert se mostrou muito bem formado como apresentador bilingue, afinal, fala português e várias bostas. Até entendo que o público do programa não seja o mais cabeça e politizado pra ficar se falando em causas sociais, muito menos negritude, porque o povo gosta mesmo é de história de superação, até de brother de família rica (?!), mas um pouco de educação e bom caráter, poderia ser usado em um 'olha, vc acha que esse assunto te aproxima do grande público?' e não um 'representatividade não leva a nada/não interessa seu lado jornalista'.

Vamos lembrar um pouquinho Bial e fazer um pequeno discurso sobre Leifert.

Hoje nós temos celulares, enquanto molécula, viramos sociais enxertos de capacidade não tolhida de racionalizar raciocínios e pessoas, então, quem tem telhado de vidro, quando come se lambuza, Tiago, representatividade importa sim! E você é o vencedor do BBB18 no quesito falar besteira! Venha pegar seu troféu Pelé, afinal você é nosso poeta da nova geração. No rol da fama ao lado de Luciano Huck, Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, Alexandre Frota e meu vizinho que fica gritando gol quando o time ainda tá passando pelo meio de campo.

Só falta vir a público e dizer que foi mal interpretado ou que foi entendido fora de contexto e que o que importa mesmo é que somos todos humanos. Vivem falando isso depois de soltarem suas opiniões, como se trabalhar com comunicação desse margem pra esses 'escorregões' a toda hora.

Fontes:

https://vejasp.abril.com.br/blog/pop/tiago-leifert-polemica-eliminacao-nayara-bbb18/

https://diversao.r7.com/prisma/odair-braz-jr/tiago-leifert-foi-de-uma-grosseria-total-com-a-eliminada-nayara-21022018

https://www.diarioonline.com.br/entretenimento/fama/noticia-488422-.html

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Jojô Toddynho e o tiro no preconceito


Mês passado aconteceram duas coisas interessantes na minha vida... eu sei, falando assim, parece que minha vida é um tédio, mas tô falando de duas coisas diretamente ligadas ao assunto que tratarei aqui e agora, ok? Rá!

Pois bem, li que Jojo Toddynho estaria já definida como a autora do hit do verão carioca de 2018: Que tiro foi esse. Primeiro, pensei que era uma daquelas forçadas de barra da mídia pra fazer vender um produto só na lábia, como aqueles camelôs que te empurram uma mercadoria 'pra acabar', sendo que tem uma caixa novinha pra abrir escondida. Ou ainda, pensei que poderia ser aquelas ondas de influência de público médio, tipo 'espalha que todo mundo gosta que as pessoas vão se sentir na necessidade de gostar também' e aquelas coisas de paris.

Mas não... quer dizer, até tem esse apelo da mídia e o pessoal do marketing trabalha pra isso, mas tem algo mais nesse hit. É uma moça pobre, preta e gorda, então, já tem todo meu apoio e prestígio, afinal, ela é uma fiel representante da camada social a qual pertenço e ver alguém sair de baixo pra mostrar a cara com algo que não violenta física ou psicologicamente ninguém, é sempre um prazer. Mas a galera do contra vem dizer umas coisas que, pelamordedeus...

Como eu disse, a música tem algo mais, ela gerou um meme: As pessoas se filmam simulando cair 'de tiro' no início da música. E é aí que entra o primeiro ponto do mês passado. Eu, que já tinha ouvido falar na música, nunca tinha visto o tal meme acontecendo, mas fui tocar numa festa em que o dj do intervalo teve que repetir a intro da canção umas 15 vezes pra que vários participantes - adultos e crianças - fizessem a tal brincadeira. Só um adendo: Ri bastante da cara do dj, mal disfarçando o constrangimento. Então, lembrei que vi gente criticando que era uma apologia ao crime, banalização da violência, ou até que só o susto do gesto inusitado já perturbava.

Ora, gente... O refrão fala em tiro, mas dá pra notar já no começo que é uma gíria pra algo no sentido de 'arrebentou a boca do balão' (gíria velha, mas que dá uma noção do sentido do meme atual). E as pessoas caem no chão no sentido de que ficaram tão impressionadas que não só o queixo, mas a pessoa toda tombou de admiração. Aliás, falando em tombar, 'tombar' é um gíria nova - popularizada por Karol Conka e que tem o mesmo sentido, mas em primeira pessoa, partindo de quem fala. Pra resumir, uma pessoa que 'causa um tombamento', ela vai ouvir dos amigos 'que tiro foi esse, viado?', sacou? Ou você vai dizer que 'tombar' é incentivas as pessoas a se jogarem no chão, literalmente?Então, segurem as tarraquetas quanto ao suposto mal da violência sendo ensinada através de Jojô Maronttini (nem ela sabe de onde saiu esse sobrenome artistico, mas entendo ela, pois eu também não poderia usar oficialmente o nome de uma bebida - marca registrada - para fins comerciais próprios).

Já que vimos que Jojô Toddynho/Maronttini não inventou a violência urbana com um bordão irônico, vamos ao outro ponto: Escrevi questionando as críticas da sociedade de que os tempos de hoje estariam muito imorais, que antigamente não era assim. Sei, no país que foi fundado por invasores europeus e que trouxe africanos escravizados há mais de 500 anos, HOJE é que a sociedade está condenada... Na música é a mesma coisa. Vivemos no país onde um grupo criado, há mais de 20 anos no estado mais negro fora da África (Bahia) 'enalteceu' a figura da loira e da morena enquanto as próprias eram vistas como bundas rebolativas em canções de duplo sentido... Também tivemos uma cantora que há 40 anos rebola e geme entre programas de auditório e pornochanchadas e sertanejos nascidos em centros urbanos fazendo pose de playboy caipira que só bebe e transa...

Pabblo Vittar e Karol Conka
No fim, é aquele negócio, ninguém questiona que Renato Russo falava 'gosto de meninos e meninas', mas Pabblo Vittar 'é uma bichona escrota'. Ou, mais antigo, quando surgiu o 'quadradinho de quatro', tinha um monte pra fazer piadinha de que o Bonde das Maravilhas teria aprendido a contar até quatro por isso, sem analisar que 'quadradinho' era um movimento de quadris e pernas, um passo ensaiado e não a figura geométrica. Tanto é que o tal quadradinho pode ser feito em pé ou de quatro. É uma questão de posição do corpo na hora da dança e não de geometria avançada.

Mas tem muito disso, quando a arte parte do povo, a sociedade joga m... de cima pra baixo pra esculachar quem já passa a vida penando em trabalhos duros e pouca grana. Quando um pobre alcança uma evolução social, parece errado pra essa gente que gosta de falar 'tinha que ser pobre'. É bem verdade que há muito pouco de contestação social nas músicas mais populares. Vemos o funk e o pagode, por exemplo, querendo usar o que o rico usa, querendo provar pro vizinho que sabe curtir a vida com o que a mídia ensina como o bonito, mas quase não vemos um desses popstars questionando: 'ae, porque um país tão rico tem tanto pobre?'.

Bonde das Maravilhas
Mas é coisa que a própria sociedade (alta) ensina e a mídia massifica. Qual é a cultura geral? De que dinheiro não traz felicidade e o pobre vai achando que muito dinheiro na mão é pra gastar e que não dá certo. Olha como Lula foi tratado enquanto presidente do país sendo o presidente que criou ou pos pra funcionar direito inúmeras maneiras de ascensão das classes mais baixas... Mas estou divagando...  Em outra hora eu entro pra valer (UIA!) no assunto. Por enquanto, vamos dançar conforme a música ou não, você tem o direito de não dançar, só não encha o saco tentando desdançar dos dançantes.

Aguardando os próximo capítulos, onde vão falar que 'sambar na cara' é apologia a agredir os outros com um pisão na face. Quanta bobagem. Agora veja uns exemplares.

O original.


O meme







quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Susana Werner e o peso de ser mulher na sociedade


Júlio César, ex-goleiro da seleção brasileira de futebol, aceitou voltar para o Flamengo, time que o projetou, ainda na década de 1990. Essa é a notícia da seção esportiva dos noticiários. Mas, a situação envolve uma questão social aí. Ao aceitar, Júlio demonstrou fazê-lo por si só, por um desejo, uma vaidade de encerrar a carreira onde tudo começou. Sabe, aquele capricho de homem chegando à meia-idade? Então, tem o cara que arranja uma namoradinha novinha, tem o que compra um carro novo possante e, entre outros, tem o que quer se aposentar nos braços da torcida que levantou sua bola, há algumas décadas.

Mas isso trouxe consequências. Susana Werner, ex-modelo, atriz e atual empresária, fez um vídeo onde desabafa sobre a situação. Ela afirma estar bem, mas 'tristinha', enquanto a torcida do 'mais querido' está feliz. Ela informa que a decisão de retornar ao Brasil, foi unilateral, pois, segundo ela, não seria possível pensar em mudar tanto de vida depois de estabelecer a família em Portugal, onde o goleiro atuava até há bem pouco tempo. São seus negócios (ela é dona de loja lá), são as atividades dos filhos (um deles é jogador de futebol), além da própria educação dos garotos, que vivenciam um calendário diferente para o ano letivo, se compararmos o ano brasileiro com o lusitano.

Nitidamente abalada ainda com a reviravolta, Susana deixa claro que segura a barra dos negócios e da criação dos filhos enquanto o 'homem da casa' vai viver seus desejos particulares para conquistar suas vontades imediatas. O que acontece daqui a três meses? Júlio volta pra casa com um troféu de 'conjunto da obra' e avisa que agora sim, vai poder se dedicar à família? Depois que satisfizer seu ego e simbolicamente 'gozar' de seu desejo viril, ele volta? Ou ainda acharia legal que a família é que se deslocasse inteira da Europa para cá (RJ)? Ou, ainda, será que ele está feliz assim? Tipo, cachorro muito tempo na coleira (que é coo muitos veem o casamento e as responsabilidades com a família).

Enfim, o recado foi dado, Susana mostrou ser a mente pensante da família e a pessoa que leva em consideração as vidas e opiniões de quem está à sua volta. Só sinto muito por ela, que ela peça 'desculpas' no vídeo ao dizer que 'homens são egoístas', ainda tentando explicar não ser feminista (como se ser feminista e dizer que homens supervalorizam seus egos fosse algo errado). Sim, nós homens, somos egoístas e isso não é só isoladamente comportamental, é um hábito, um senso comum, uma tendência cultural. E precisa mudar. E é aí que entra o feminismo, também.

Vamos lá, quem é acostumado, desde criança, a brincar como se cuidasse de uma criança (boneca) ou emulando afazeres domésticos (casinha)? Sim, a menina/mulher. O menino/homem que brinca assim, será alvo de olhares e comentários estranhos da maioria dos adultos e de muuuitas outras crianças que vão aprendendo cada um em suas casas a reproduzir essa bizarrice travestida de normalidade. Então, não me surpreende que aprendamos que as meninas têm que tomar conta de casa, lavar, passar, cozinhar, cuidar de filho e que os meninos devem ir para a rua, brincar de bombeiro, astronauta, policial, cowboy ou qualquer coisa que não seja 'de menina'. A noção do brincar para meninas sempre envolve a responsabilidade que herdará da mãe, já o menino, esse é pra sair e se divertir. No caso do exemplo do texto, é pra largar tudo em Portugal e jogar bola com os amigos no Rio de Janeiro.

Fico pensando que Susana é até uma sortuda. Não, não vou relativizar sua vida com a de ninguém, porque apesar de não ser o fim do mundo, ver uma pessoa tão próxima simplesmente mandar um 'valeu, vou ali fazer o que eu quero e você segura as pontas por aqui' é pra devastar um coração. Mas só vamos tirar um minutinho pra lembrar de todas as moças periféricas, pobres, negras, que nem tiveram a oportunidade de construir um patrimônio com seus companheiros e já foram abandonadas com os filhos e, talvez, a casa para cuidar. Muitas vezes essas moças já cresceram nessas condições, ajudando mães a criar irmãos e filhos e vendo marmanjos indo embora geração após geração... Enfim, só pra meditar mesmo, mas entro nesse assunto outra hora.

No mais, fiquemos solidários a Susana Werner e seus filhos e nossos votos de que tudo é uma lição na vida. Ela supera. Como eu disse, muitas não conseguem nem montar uma casa pra criar seus filhos sem marido, então, ter negócios e um patrimônio em Portugal deve ajudar, pelo menos, na parte material. Que bom que ela tem pelo que ficar onde está. Não está sem eira-nem-beira, a dor é no coração e na confiança em quem deveria zelar pelos seus. Mas não tiremos a responsabilidade de Julio Cesar, muito menos vamos amenizar o peso de suas atitudes com o clássico 'ele é homem, é assim mesmo'. Lembrem-se que o maior ídolo do futebol mundial, Pelé, tem uma terrível mancha dessas na vida, ao abandonar uma filha que ele não reconheceu nem com exame de DNA comprovando a paternidade. A mulher já faleceu e nem os netos o cara enxerga. Vergonhoso.

 Julio Cesar pode ser egoísta e isso pode ser muito influenciado pela cultura machista em que vivemos. Nem todos se desconstroem, e nem todos se conscientizam, mas o machismo não mata apenas na parte da violência. Será que se Susana é quem fosse tentada a satisfazer um desejo imediato do ego e largasse o cara com as crianças e o emprego, ela seria vista como um motivo pra festejar? Não! Ela seria execrada por ser uma mãe que não pensa nos filhos antes de tudo. Assim deveriam ser os homens também. Na hora de posar de macho-alfa, todo marmanjo parece ter entre as pernas a razão da própria criação do universo. Na hora de declinar um convite inútil simbólico pra continuar ganhando em euro na cidade onde sua família é estabelecida e bem sucedida... aí, bem, aí, o meninão quer brincar com aquele seu carrinho de bombeiro na rua, enquanto a menina 'brinca' de casinha.


Agora veja o que essa atitude do goleiro pareceu:



Fontes: https://noticias.r7.com/prisma/tres-pontos/o-pito-publico-de-susana-em-julio-cesar-e-uma-licao-para-os-homens-30012018

http://www.virgula.com.br/famosos/susana-werner-chora-e-reclama-que-goleiro-julio-cesar-abandonou-a-familia/


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Black-Ish e a tradução mais bizarra de todas


Sabe quando um pequeno detalhe tira todo o peso do sentido de algo? Tipo, uma vírgula que muda uma frase ou um penteado que muda o rosto de alguém? Pois bem, isso acontece com uma série em específico muito legal e eu vou explicar qual é o problema.

Entendendo a série

Black-ish é uma série daquelas típicas ‘sitcom’, mas – graças a Olodum – não tem risadinhas forçadas, muito menos as piadinhas forçadas que as estimulam na edição. É a história de uma família negra de classe média alta e seu ‘líder’ tentando passar para seus filhos a cultura de negro do subúrbio que ele viveu, mas não seus filhos, dada a condição financeira/social a que ele pode lhes proporcionar.

Tudo é interessante ali, porque a esposa de Dre (o pai da família), Bow, é filha de uma mulher negra com um homem branco, então também entra a questão multirracial (que aqui no Brasil é mais tipicamente miscigenada), o que também gera situações interessantes para ela mesma e para seus filhos (sério, assista ao episódio em que ela se vê em crise de identidade por ver seu filho namorar uma branca e a explicação animada de como a negritude mestiça é vista/se vê socialmente lá). Também tem a questão do consumismo e poder aquisitivo de todos e o modo como é mostrado que negros que ascendem socialmente tendem a se esquecer de suas raízes passando a conviver com mais brancos e com melhor situação financeira.


Mas então qual o problema, Saga?

Oras, gafas (diminutivo carinhoso para gafanhoto), o problema é que no Brasil, não temos uma cultura de mídia voltada para o negro como existe nos EUAses. Lá, mesmo que a maioria raspe a cabeça, estique os fios ou mesmo use perucas de cabelo lisos, ainda há uma forte noção enquanto grupo sociocultural com identidade e público próprios. Lembremos que lá teve uma guerra civil e conflitos urbanos por direitos civis dos negros. Aliás, lá, negros são minoria, não só em representação social e política, mas também em quantidade populacional (pouco mais de 10%, até a última vez que li sobre o assunto), então, lá, o branco é o público ‘top of mind’, aquele principal que a mídia se interessa.

Sendo assim, a série, enquanto produto comercial, é feito para negros, em primeiro lugar, e demais raças que se interessem pelo assunto. Ao contrário daqui, não existe segmentação, o branco sempre é o priorizado, apesar de o público que assiste aquie é negro/pardo e é mais de 50% da população. Então, ocorreu um problema na tradução que, acho eu, na minha inútil opinião, tenha a ver com tudo isso: A falta de representatividade significativa, falta de conscientização dos responsáveis e traduções ruins.

A tradução não é lá essas coisas

Sempre falo, e já escrevi neste blog, mais de uma dúzia de vezes, que a sociedade – aqui, nos EUAses e em todo o mundo – o público privilegiado sempre é o branco. Logo, o branco é o ‘normal’, enquanto nós, negros deste exemplo, somos o ‘exótico’, aquele que é visto como um brasileiro com ressalvas (lembro logo que racistas me mandam ‘voltar pra África’, mas não pensam em ‘voltar pra Europa’). Enfim, sendo assim, a série ganhou uma tradução, no mínimo, preguiçosa, de tão  genérica.

Eu falo, porque, o branco sendo o público-alvo da mídia brasileira, seria normal não quererem abordar o tema ‘negro’ no título nacional, afinal, infelizmente, muito negro aqui ainda acha que deve viver à sombra do branco, e as emissoras são comandadas por brancos ricos que não se interessam (lembra do horrível Sexo e as Nega?). Só o dia em que o negro abrir a boca pra gritar, todos ao mesmo tempo, que queremos nos ver mais representados. Aí, vão se ligar que somos maioria dos consumidores do país, mas estou divagando. Colocaram o nome, em português, de ‘Família Desajustada’.


Mas o que tem a tradução, afinal, Saga?

É o seguinte, se você traduzir 12 years a Slave como ‘Um tempão ralando’, daria a noção de que o protagonista passou 12 anos escravizado? Então, não seria uma boa maneira de traduzir o emblemático  12 Anos de Escravidão, né? Ou Amistad. Imagina se traduzem o filme como ‘Um navio muito louco’. Não fala que se tratou de um navio negreiro, saca?

Pois bem, Black-ish traz a temática no nome, que tem até uma definição do dicionário na abertura dos episódios. Trata-se de algo que poderia ser traduzido no sentido de ser um assunto relacionado à negritude, assuntos de uma família negra, sacou? Quando chama de Família Desajustada, eles podem estar descrevendo qualquer família, porque toda família é, em algum nível, desajustada.

Como eu falei aqui no blog, se você põe um ator branco pra interpretar o Super Choque, por exemplo, você descaracteriza o personagem, pois, ele foi criado negro, justamente, pra ser a representação dos negros de subúrbio. Um cara branco, além de ser minoria nos guetos, não passaria pelas mesmas situações e não alcançaria o público negro da mesma forma. A tradução de Black-ish tem esse efeito. Era pra já trazer no carta ode visita que é uma temática negra, e se perdeu no título em português.

Família desajustada pode se aplicar a negros, brancos, chineses, nativos americanos, mas Black-ish é um nome que evoca a série de corpo e alma. Existem os casos de traduções literais (A Anatomia de Grey/Grey’s Anatomy) e existem as adaptações fiéis (Era Uma Vez/Once Upon a Time), mas essa, de Família Desajustada, trabalha ao contrário, dando uma ideia de que o a temática é de uma família problemática e não de uma família negra aprendendo a conviver com os tempos diferentes em que a ascensão social melhorou para alguns.



Enfim, muito besta essa tradução, seria como traduzir Titanic como ‘Um navio que afunda’, matando o assunto diretamente tratado no título. Já dá até pra imaginar a descrição do locutor se Black-ish passasse na globo: Esse tremendo malandrão vai comandar as maiores confusões dessa família no maior clima de loucuras da pesada. Dá pra imaginar que o público vai assistir achando que é um pastelão rasgado e não uma discussão bem humorada, porém direta, sobre a vida de uma família negra e sua localização de identidade social.

Só hoje em dia é que os valores se inverteram?!

Pessoas que acham que hoje em dia é que os valores estão invertidos... Aloou!
 

Vamos pegar o hoje e analisar que há uma falta de ética tremenda, suborno e desvio de verba pública entre governantes e parlamentares, até golpe político a gente vê. Temos uma pá de gente apoiando políticos apenas porque seguem a mesma religião e essa mesma galera apoia gente que esteve lá na época em que o país estava congelado no passado e afundado em dívidas. Aliás, alguns dos apoiados dessa turma religiosa, que se diz cristã, mas acumula riqueza material, contrariando o grande JC, destilam ódio pela sexualidade alheia, usam religião pra promover discórdia entre seus fiéis e aqueles que não seguem seu código humano de conduta submissa. Defendem e/ou justificam violência contra mulher, racismo pra eles é só piada e essas coisas... Ufa... Tá uma barra, né?

Ok, mas vamos fazer uma regressão nessa linha do tempo louca só pra gente ver se é só o hoje mesmo que tá caótico, tá? Olha, há uns 12 ou 13 anos, o país ganhava um assunto político tremendo pra se falar em todo canto. Um esquema de suborno que ganhou o simpático apelido de mensalão. Entre os mesmos parlamentares que estão lá ainda, se revezando e ganhando o voto do teimoso do povo que insiste em se gabar de não querer saber de política.

Voltando um pouco mais, lá pelo ano 2000, eu, por exemplo, entrava nessa loucura de briga de foice chamada mercado de trabalho. Era governo FHC/PSDB, o desemprego estava nas alturas (exemplos de mudanças drásticas dentro da minha própria casa com desemprego e privatizações) e meu primeiro emprego foi uma terceirização ganhando um, então, salário-mínimo: R$ 300,00. Aliás, líquido mesmo, era em torno de R$220,00. Concursos públicos congelados e faculdades públicas sucateadas.

Lembrando que durante o maravilhoso (#sqn) governo FHC (1994-1998/1998-2000), depois de muito privatizar e chamar aposentados de vagabundos, foi em sua gestão que vivemos um racionamento de energia (que só alarmou a população e gerou umas taxas a mais com a desculpa de que eram precauções futuras). Teve a galera dos ‘anões do orçamento’, ali por 1995 e arredores. Em 1996, matavam sem-terras como moscas e o mundo assistia horrorizado.

Alguns anos antes, em 1990, o – então – candidato Lula, era mostrado como um ignorante de pai e mãe pela edição de um debate tendencioso, onde quem ganhou foi Fernando Collor, expulso da presidência do país num dos maiores escândalos políticos já vistos por aqui, quiçá, no mundo, em 1992. A Globo continua apoiando aquela mesma galera e não aprendeu nem a disfarçar com o tempo. Ah, isso, 5 anos depois de o primeiro presidente eleito democraticamente ter sido substituído pelo vice, já que falecera sob circunstâncias estranhas na véspera de assumir o cargo. Esse vice que assumiu em seu lugar era José Sarney, esse mesmo, dono do Maranhão, pai da Roseana e que fazia parte de um partido que estava lá nos altos escalões da ditadura.

Aliás, nessa época, 1985, encerrava-se oficialmente, um período iniciado há uns 50 anos, quando vivíamos sob as botas de chumbo e miras de morte em uma ditadura que torturava e matava gente só por pensar diferente do governo (todos que sobreviveram ou ganharam fama de rebelde, louco ou terrorista). E essa ditadura, veio por meio da deposição de um outro presidente eleito democraticamente, João Goulart, Jango, apontado em diversas pesquisas da época como muito querido e popular pelo povo. Defendia a Reforma Agrária... que até hoje se faz de tudo pra que não ocorra, ao contrário da reforma da previdência e trabalhista, onde direitos básicos de décadas estão sendo modificados. Sabe quem apoiou o golpe e se tornou um gigante em sua área de atuação? Rede Globo. Pois é, a platinada não nasceu esse baluarte da comunicação. Puxou muito saco pra chegar onde chegou.

Antes desse golpe (que os responsáveis mentiam dizendo ser uma medida de defesa contra um suposto golpe comunista no país, que nunca ocorreu e muitos deles hoje admitem que nunca houve essa ameaça), teve a ditadura de Getúlio Vargas, que era visto como homem do povo, mas enquanto fazia agrados culturais por um lado, estabelecia suas vontades ideológicas de acordo com seus aliados, brasileiros ou estadunidenses. Em seu Estado Novo, 1937, a pobreza foi escondida e a negritude foi maquiada de ‘mulato’ ou ‘miscigenado’, porque pegaria mal uma população predominantemente preta num país que queria – ele – pra um modelo ‘europeu tropial’ e ainda defendendo o ‘american way of life’.
 
E o que houve com a população negra que era escondida da mídia de Gegê? Duas décadas antes, estava sendo expulsa para a criação de favelas, subsistência, subemprego (biscates), falta de saneamento, educação e propenso à criminalidade. E de onde veio isso? Diretamente do fim da escravidão, que, se hoje reclamam que cotas seriam ‘racismo inverso’, quando assinaram as leis que foram liberando os negros da ganância e maldade dos brancos fazendeiros, simplesmente expulsaram essa população das fazendas e jogaram na rua, sem qualquer plano de inclusão social. Não éramos cidadãos, e sim, ‘aquele neguinho’, a empregada, o serviçal... aquele que até hoje ‘tem cara de empregado/bandido’...

Enfim... Voltamos numa rápida conversa, coisa de uns 130 anos e vimos que muuuita coisa aconteceu. Se pararmos pra pensar que parece muito pra um indivíduo, mas para uma sociedade, 130 é o tempo de uma ida ao banheiro, devido à quantidade de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Pense que a escravidão, sendo um crime contra a humanidade, foi ‘aceita’ por toda a sociedade, inclusive pelas igrejas (que tinham poder político e nada fizeram enquanto instituição). E, só no Brasil, essa violência generalizada contra o negro aconteceu por mais de 300 anos, respingando em seus descendentes até hoje. Ou seja, mudar hábitos de grupos grandes demora.



Isso porque não abordei os estereópticos preconceituosos com gays, mulheres bonitas e burras, religiões afro discriminadas, exclusão de negros na mídia, representatividade alcançada às duras penas de forma mínima, celebridades falando e fazendo o que querem e saindo impunes enquanto pobres vão presos por nada e não aparece um promotor pra libertá-los, enfim, tendeu, né?

Daí, concluímos o quê? Antigamente não era mais ético nem mais moral... Só não tinha internet pra espalhar a fofoca.

Assédio não é uma inocente cantada


A cultura do assédio é tão naturalizada que muitos nem sabem diferenciar um flerte de um assédio.
É só se questionar se você está dando opção à pessoa de dizer não e seguir com a vida.
Se você tenta controlar a decisão de modo a parecer que a pessoa te deve obediência... Já passou do flerte no primeiro não. É assédio há tempos essa 'conversa.'

Homens têm muito isso programado pela sociedade, essa ideia de que o não quer dizer sim e que a mulher só diz não pra fazer o cara persistir até ela ceder. Olha, num flerte, há troca, a coisa é correspondida, as cantadas vêm dos dois lados. Se um cara acha que precisa puxar o braço da mulher, mexer em seu cabelo ao passar por ela numa balada ou ficar ‘sufocando’ a garota, então, esse cara é um assediador – e possivelmente um sociopata.

Vemos sempre notícias do tipo que um cara agride uma mulher porque ela disse não, aí, o cara se ‘justifica’ dizendo que ela que provocou (com roupas, gestos e supostos olhares) e não sabe que muito antes da agressão, ele já agia feito um opressor/agressor/predador. O corpo é dela e a cabeça é dela, parceiro. 

Se ela não quer, não rola. Imagine um machão desses sendo assediado por um outro homem, por exemplo. Rapidamente o machinho quer até brigar, porque acha um absurdo. São origens diferentes, mas é a mesma situação: Alguém querendo ser dono de você quando você quer continuar com sua vida sem esses malas incomodando.

A cultura do estupro, a cultura do machismo, do assédio, é tudo página diferente do mesmo livro social que condena a mulher a tudo e safa o homem de tudo desde de imemoriáveis tempos, porquestão de religiões que enaltecem homens como os grandes provedores da humanidade e as mulheres como as que ou traíram ou foram submissas.


Precisamos combater isso e precisamos também – muito – falar isso entre nós, homens. Questione-se se você se incomoda e porque esse assunto te incomodaria, pois, se você não vê necessidade de se achar soluções para lidar e punir o assédio, talvez seja parte do problema. Reflita!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Brigitte Bardot contra acusações de assédio em Hollywood

Brigitte Bardot antes e hoje.
Brigitte Bardot falou recentemente que a maioria das atrizes que afirmam terem sido vítimas de abuso por parte de atores, diretores e produtores está sendo hipócrita, pois, segundo Bardot, muitas mulheres se insinuam para os homens em troca de trabalhos. Ela segue a onda de outra atriz francesa, Catherine Deneuve, que há pouco tempo assinou um manifesto com mais 100 atrizes francesas repudiando movimentos contra o assédio moral/sexual. Depois, Deneuve pediu desculpas às vítimas de assédio e alegou que só queria se manifestar contra possíveis acusações. Não me surpreende, já que Bardot já foi preconceituosa contra muçulmanos, gays, imigrantes, mendigos, etc. Aliás, ela afirma nunca ter sido vítima de assédio, até gostando de ser elogiada (como quem não sabe diferenciar um flerte, uma cantada de uma situação abusiva e opressiva).

Bom, que bom que esse assunto ainda está no começo, na grande mídia, pois existem diversas possibilidades de caminhos a seguir. Eu vou deduzir algumas aqui para esse tipo de comportamento. A primeira coisa é você nem ter provas de nada e já deduzir que as acusações são falsas. Existe gente que só quer aparecer ou ainda se beneficiar ou prejudicar alguém? Sim. Podem existir acusações falsas por aí? Sim. Mas, pra ter chutado tão seguramente que movimentos em prol de vítimas de abusos são besteira por haver casos assim, das duas, uma: Ou elas são do tipo que se insinuaram muito em troca de papéis (e se foi, particularidades delas), ou estavam sendo assediadas e não só nunca perceberam (tempos em que isso era naturalizado, cultural) como ainda acharam que estavam no controle da situação (de ser objeto).

Graziella Moretto e Pedro Cardoso.
Há também a possibilidade de saberem alguma coisa por baixo dos panos que não sabemos. Alguma corrente interesseira da qual fizeram parte, ou apenas tomaram conhecimento, ou, confirmando meu ponto anterior, acharam que eram jogadoras espertas e estavam sendo apenas peças no tabuleiro. Lembro de Pedro Cardoso, ator, que há alguns anos, se indispôs com a mídia, paparazzi e essas coisas e nesse bololô da sua fama de resmungão (ninguém gosta de quem vai contra o senso comum), ele fez denúncias públicas sobre diretores que criavam cenas de sexo e nudez feminina, apenas para fazerem sessões prive com seus amigos e se gabarem de terem despido essa e aquela atriz. Uma total demonstração de machismo, de ‘poder’ sobre a mulher. Em tempo, a própria esposa do ator, a também atriz, Graziella Moretto teria sido vítima de uma dessas ‘pegadinhas’. Eles, inclusive, têm até uma peça juntos criticando o machismo.

Catherine Deneuve antes e hoje.
Enfim, como falei, não que Bardot e Deneuve não tenham lá sua razão pra falarem o que falam, mas acho que o momento não é de refrear essa tendência de denúncias. É justamente o contrário, vamos ouvir todo mundo e se for comprovado que não foi bem assim, ok, mas evitar o assunto logo quando ele tá se expandindo é covardia. Faz parecer que as atrizes veteranas querem esconder algo ou se promoverem sendo o pessoal ‘do contra’, que toma esse posicionamento babaca sempre que algum grupo socialmente oprimido denuncia o crime que sofre historicamente. É quando falam que é ‘mimimi’ ou ‘patrulha do politicamente correto’, quando querem ter resguardado o direito de ofender e agredir e tentar calar as vítimas na base da chantagem emocional.

Tipo aquele valentão que bate no nerd e o faz parecer ridículo se o nerd correr para denunciá-lo. Neste caso, o valentão não está desafiando o nerd (‘vai correndo contar pra mamãe’), ele está desesperadamente torcendo pra que o nerd se sinta envergonhado, pois sabe que entrando a autoridade (a lei ou, no exemplo, a mãe) na história, ele corre muito mais risco de pagar pela ofensa ou agressão.


No mais, sempre vai ter a turma do ‘ah, você tá fazendo tempestade num copo d’água’. Pegue o copo com água, jogue na cara do intrometido que nem foi chamado na conversa e siga denunciando, apoiando e debatendo o assunto. Assédio é crime, gente, não é um mero bate-boca de esquina. Pessoas se traumatizam, se deprimem, isso afeta o ser humano e as pessoas à sua volta.


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Flavio Rico e o politicamente correto

Existe uma questão que quando começou a se popularizar na boca da galera, já nesses tempos em que a internet no celular , pra muitos, é fonte incontestável da verdade, não teve o devido desenvolvimento conceitual e já foi tão banalizado que as pessoas que ainda usam o termo, não fazem ideia de como explicar ao certo o que significa. Eu vou tentar dar (UIA!) meu parecer.

Primeiramente fora temer,  estabelecendo o mote deste texto: O blogueiro Flávio Rico, muito experiente no ramo televisivo, tendo trabalhado em grandes emissoras de hoje e de outrora, já deixou claro, em seu blog, que não viu racismo na declaração 'é coisa de preto', de William Waack. Tendo defendido, inclusive, que houve um exagero, que conhecendo o jornalista há muitos anos, ele não teria demonstrado racismo, apenas um mal entendido que, segundo Rico, seria só uma questão de um pedido de desculpas público e segue o baile.

Não apenas isso, Rico esteve recentemente no Altas Horas e foi perguntado por um jovem da plateia sobre o que ele achava do 'politicamente correto', sendo respondido prontamente com um 'muito chato'. E é aí que eu começo a fazer das minhas e vou discorrer sobre o assunto com uma análise do lado que sofre o racismo e que não se vê na TV em 95% das situações mostradas. Vamos lá? Vamos.

A começar pela defesa de William Waack, ele defendeu de forma mais amena (e igualmente corporativista) um argumento que Rachel Sheherazade falou. Segundo a moça que defende linchamentos e justiçagens de playboys delinquentes, Waack foi vítima do 'hipocritamente correto', numa nítida alusão ao termo que, hoje, sem muita descrição conceitual, significa, pra 'eles', ter que segurar a língua pra não falar besteira e tocar um processo. Ou seja, neste caso, demonstra ser "Flávio Rico = Sheherazade". Ponto muuuito contra ele, mas prossigamos.

William Waack, pra quem ficou por fora no fim do ano passado, foi filmado - e vazado - declarando ser 'coisa de preto' quando alguém passa na rua buzinando, incomodando sua atuação no estúdio de jornalismo. Essa atitude, para Rico, não é racismo e por quê? Porque eles se conhecem há décadas e nesse tempo de amizade, ele nunca viu racismo da parte do amigo de olheiras. Oras, se você nunca reparou racismo nele em décadas, só pode significar duas coisas: Ou você é tão racista quanto ele e lhe parece normal atribuir julgamentos e comentários pejorativos a nós, negros (e sabe lá mais quem); ou você pode até ter se surpreendido só agora, mas não isenta 'é coisa de preto' de ser racista.

Ou foi enganado por muito tempo, ou foi distraído por muito tempo. Mas o que vai te ajudar, leitor internauta amigo, a formar sua opinião, vai ser o seguinte: Aquele 'muito chato' que Rico respondeu pode ser interpretado até como uma crítica justa, porque existe muita coisa aí que é exagero e moralismo (que sempre é falso, no máximo, hipócrita). Primeiro, a gente tem que entender que 'politicamente correto' é um termo antigo e significava, basicamente, fazer o tipo 'piada de salão', ser moralmente adequado ao contexto geral da sociedade.

De uns anos pra cá, principalmente no humor, algumas pessoas forçaram tanto a barra, que o termo 'politicamente correto' passou a se chamar de 'patrulha', como se fosse uma perseguição aos 'pobres coitados' comediantes que só queriam fazer suas piadas preconceituosas sem serem processados. Dito isso, o que Flávio Rico quis dizer com 'muito chato'? Bem, no complemento de sua resposta, ele falou que era muito chato ter que ficar se policiando sobre o que falar, pra não dar confusão lá na frente...

Então, eu, particularmente, concluo que o que incomoda a ele é o mesmo que incomoda a Danilo Gentili ou Rachel Sheherazade, por exemplo... É um cara branco, rico (perdão pelo trocadilho) que trabalha num meio onde uns 90% dos contratados e privilegiados são brancos e ricos, sendo que esse meio trabalha sustentado pela maioria negra/parda da sociedade. Deve ser muito chato pra esses caras quererem tornar públicas suas piadas internas preconceituosas e se verem diante de um paredão de opiniões opostas. Pra eles, é patrulha, pra gente é justiça.

Antes de fazer minha reflexão conclusiva, deixa eu dizer o que seria, de fato, politicamente correto: Seria ser parte do grupo que defende os costumes do senso comum, o 'moralista', aquele que quer tudo tão certinho que chega a ser forçado, correto? Então, meus amigos, pra mim, quem realmente tenta manter os costumes como sempre foram há décadas, séculos, é justamente essa turma do preconceito aí, que quer estar acima do bem e do mal pra falar e ofender quem quiser, sem se importar com sentimentos alheios. Na minha visão, ELES deveriam ser chamados de politicamente corretos. O que fazemos ao nos tornarmos militantes de causas sociais, é justamente propor e promover a revolução dos costumes que atrasam a sociedade, buscando mudanças mais justas para todos.

Enfim, defender uma atitude racista já é se tornar, no mínimo, cúmplice, pois racismo é crime, não é só uma opinião. Aliás, crime e desvio de caráter, pois se a opinião carrega essa ideologia cruel e retrógrada, além de criminoso, boa gente não é... não para negros. E se um homem branco e rico acha que o politicamente correto é chato, só pode estar incomodado com a falta de liberdade absoluta de expressão... Sem perceber - ironicamente tendo experiência de anos na TV - qual o limite da comunicação.

E quando um cara - com tantos anos na TV - acha chato ter que escolher melhor o conteúdo que vai publicar, ou ele não é tão bom assim ou ele é tão preconceituoso que não poder ofender um grupo socialmente oprimido lhe causa urticária. Não sabe filtrar pra se expressar ou é do mal. Se não vai falar com respeito aos outros, se não se coloca no lugar do outro pra entender o que ofende, então era melhor abandonar esse meio e fazer alguma outra coisa pra viver, que não dependa de informar coisas ao público.

"Nada descreve melhor o caráter dos homens do que aquilo que eles acham ridículo." - Johann Goethe.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Ratinho faz declaração homofóbica e deve responder na justiça

"Você acha que tinha 'viado' naquele tempo? É muito 'viado': é 'viado' às seis da tarde, é 'viado' às oito da noite, é 'viado' às nove da noite, é 'viado' às dez da noite, é muito 'viado'. Eu não sei o que está acontecendo, não tem tanto 'viado' assim. Ou tem? Será?".

A tonelada de fofura (#sqn) acima foi expelida por Carlos Massa, o Ratinho, apresentador famoso por promover bizarrices em seu programa, desde que deixou de ser apresentador de jornalísticos ‘mundo-cão’, discípulo de Alborghetti.

Bem, não é de hoje que Ratinho diz ter assistido a algum programa da Globo pra detonar em críticas moralistas (certa feita, não lembro em que programa era convidado, chegou a dizer que o Brasil precisava de mais religião, e não educação, por exemplo). Ele sempre fala que viu o programa concorrente e diz que aquele programa lá é que está acabando com a moral do país – e não o seu, com aqueles figurantes contratados pra se passarem por familiares encrenqueiros.

Mas a questão aqui é que a declaração que inicia este texto foi proferida e sim, é homofóbica em cada letra e fio do bigode do bronco televisivo. A Defensoria Pública acora quer que ele seja indiciado e o SBT, que costuma não comentar assuntos internos, deve deixar o bacana segurar a bananosa sozinho. O que é até justo, considerando que ele falou por ele mesmo, as emissoras adoram afirmar que suas opiniões não são emitidas por seus contratados e o que Ratinho fez, além de um monte de baboseiras, foi exercer homofobia pura pra cima dos gays.

Perceba dois fatores no acontecido:

1 – Ratinho ofendeu diretamente gays nas produções da Globo. Ele não criticou nem aqueles clichês, como dizer que a emissora está acabando com a decência (porque a opção seria desligar a TV e ele não quer isso).

2 – Depois de cuspir impropérios como dizer que ‘naquele tempo não tinha isso não’ (ignorando que a violência e o moralismo faziam muito mais gente ficar dentro do armário do que hoje), ele demonstrou se incomodar mais com a representação de gays do que com qualquer outra coisa.

Como bônus, depois de ser confrontado na internet, veio com aquele bordão displicente e cínico de tão desrespeitoso que é: “Era só brincadeirinha”. Pois é, Rato, vai segurar a peia na justiça, porque se homofobia não é previsto como crime, ela se encaixa fácil em injúria. Se fosse o caso, poderia se enquadrar até em agressão ou tentativa de homicídio. Não é crime, mas delata muito o caráter de alguém que usa e defende esse tipo de discurso. Afinal, ele quis jogar a opinião de seu público contra a concorrência usando a homossexualidade como o ‘mal’ que ela propaga.

No fundo, tanto globo quanto SBT são farinhas do mesmo saco, visto que Silvio Santos já trabalhou na platinada e igualmente à família Marinho, se beneficiou de amizades no alto escalão do governo em época de ditadura para conseguirem ou crescerem com suas concessões radiodifusoras. E Ratinho, individualmente, não me surpreende, mas seria legal ele responder de fato, pra servir de exemplo e mostrar que justiça não é só pra se clamar quando eles querem fazer discurso demagogo contra corrupção na política, mas também em nome do respeito à diversidade cultural, social, comportamental que seja que temos por aí.

Esse tipo de gente não pensa que sua conversa de ‘brincadeirinha’ pode fazer qualquer idiota na rua se achar representado até na TV, achando legal e normal ofender gays e tratar a situação como um erro, uma imoralidade...

Vamos fazer um exercício de reflexão? Lá vai: Pabblo Vittar e Thammy Miranda são constantemente alvo de piadas de quem acha que o diferente é um brinquedo pra se divertirem às custas... Suzane Von Richthofen e Guilherme de Pádua são héteros (pelo menos Suzane era até o momento que a fez tristemente famosa). Pense no que é realmente crime e se homossexualidade está lidada a isso.


Agora, Ratinho... Quem muito desdenha quer comprar? Rrratinho nho nho!

Fontes:

http://odia.ig.com.br/diversao/celebridades/2018-01-08/defensoria-publica-pede-punicao-de-ratinho-por-discriminacao-homofobica.html

https://diversao.r7.com/prisma/keila-jimenez/apos-detonar-gays-na-novela-da-globo-ratinho-diz-que-foi-apenas-uma-brincadeira-08012018

https://diversao.r7.com/prisma/keila-jimenez/ratinho-pode-responder-na-justica-por-homofobia-08012018

PS: Em resposta a isso, André Gonçalves diz que o melhor papel de sua carreira foi um gay (se referindo a Sandrinho, da novela A Próxima Vítima). Já Marco Feliciano, um pastor evangélico que destila discursos de ódio variado, disse que é uma 'ditadura gay' contra Ratinho... Nhé, nessa hora a gente só olha pra onde ele não está e muda de assunto, porque esse cara não tem a mínima condição de falar em comportamento social, já que vive da fé alheia na religião e na política.

Luan e Vanessa - Quatro semanas de amor


Sabe os episódios de Os Simpsons ou Family Guy, que passam os primeiros 5 minutos em uma situação que leva a outra completamente diferente e o restante todo do programa vai ser sobre o novo assunto? Este texto é isso, sem explicar muito.

Bem, começou com uns vídeos de ‘fail’ que eu assistia e me deparei com um ratinho branco e gordo que fica ‘triste’ ao ter oferecido – e negado em seguida – algo como um pedaço de fruta, caroço de ameixa, ou sei lá. Na edição do vídeo, o ratinho faz cara de triste, desiste do alimento e não aceita nem com a pessoa esfregando a coisa na carinha desolada dele (ou dela). Nessa hora, toca The Sound of Silence, de Simon & Garfunkel e é hilário como a canção ilustra a ‘mágoa’ do pequeno roedor.



“Ma o que pega, Saga?”, o que pega, meu caro gafanhoto é que a primeira frase da tal música sempre me lembrou muito o primeiro verso de Quatro Semanas de Amor , versão de Luan e Vanessa para Sealed With a Kiss (Jason Donovan) e que foi sucesso brutal lá nos idos de 1990, sendo uma das músicas mais tocadas do ano. Hoje, é, na verdade, o único sucesso da dupla, que se tornaria um casal e hoje, uma família com um casal de filhos e que vive nos EUAses.



A história, pra quem lembra, foi que Vanessa Camargo Delduque de Carvalho estava saindo do Trem da Alegria, pois estava nitidamente crescendo, o que não condizia com a proposta intantil do grupo... er... infantil. Tinha já 14 anos no ano de 1988, quando se deu sua saída. Ela, então, conheceu Luciano Chaves de Carvalho, o Luan, e formaram a dupla.Também fora integrantes de um grupo de música católica chamado Cantores de Deus e depois de 6 anos, deixaram o conjunto e se mudaram para os states e ter sua própria produtora musical.





Enfim, é isso, um verso de uma música levou a outra e eu queria muito postar esse clipe aqui, porque achava aquela interpretação toda performática de uma breguice tão constrangedora quanto fofa... bem como namorados são mesmo, né? A gente acha lindo, mas tipo... ah, vá. Hahaha. 


E repararam no início da coreografia. Eu lembrava até da carregada de colo no final, mas essa deitada de cabeça perto da virilha eu só recordei quando assisti agora de novo pra escrever. 



Isso me faz lembrar uma cena de Caminho Para El Dorado, quando nitidamente o casal se levanta em posições diferentes, tipo... não estavam só se beijando.



Rá!