Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pelé, o poeta, ataca novamente

Pelé, 'big mouth strikes again', o poeta, falou que o racismo era coisa que ele sorria e deixava pra lá. Comparou xingar um negro de macaco a chamar um japonês de japonês, argentino de argentino... Cara, eu aceito que fale até besteira, mas falar merda não. Ele não é um dos nossos.


Eu sou preto. Desde que nasci. Antes de nascer. Sempre fui. Mesmo quando aprendi que teria que ser 150% bom em tudo que fizesse, só pra compensar o fator étnico, que “só” o máximo não seria o suficiente para nossa sociedade. Mesmo quando ria junto com os piadistas que queriam aparentar condescendência com minha ‘condição’, mostrando-se em um outdoor como desencanados com seu racismo por ter um ‘bom crioulo’ ao lado e deixando-os tranqüilos por evitar aborrecimentos a eles. Mesmo quando percebia os olhares de desprezo, como quem se alivia por ver que eu era o pequeno Cirillo, querendo adentrar um mundo que não era meu, em busca de aceitação. ‘Bom crioulo’? Na verdade eu era um bom bicho de estimação. O Sexta-Feira de Robinson Crusoé. O ajudante, alívio cômico. Tão sagaz pra tanta coisa, no entanto... Eu era o Pelé, quando poderia ser o Barbirotto (caso jogasse futebol com Chaves).

Na verdade, não daria pra ser o Pelé, não tenho tanta poesia nas veias e nem tampouco sua perspicácia de se manifestar em momentos tão oportunos. “Quem cede a vez não quer vitória” já diz o verdadeiro poeta, Jorge Aragão em seu hino Identidade. Pelé é um ‘bom crioulo’, um ‘preto de alma branca’, enfim, não é, nem de longe, representatividade para o combate ao racismo. Sua conversa é tão vazia que eu até acho que ele deve falar essas asneiras por puro lazer, só de sacanagem. Como o rei do futebol já demonstrou gostar mais de dinheiro e influências no alto escalão do que de reconhecimento de paternidade, acho que ele é um daqueles aspones sociais que fica apostando. Sem brincadeira, imagino claramente ele apostando com um amigo e, perdendo o certame, tem que pagar a prenda vindo a público pra abrir o engolidor de dinheiro dele. Paulo Cézar Caju é que tá certo, disse, recentemente, que ele teria uma grande representatividade pela fama que ganhou jogando futebol, mas, o poder corrompe.

Paulo Cézar Caju, tricampeão mundial em 1970 e apoiador dos Panteras Negras. Esse
me representa.

Então, voltando ao início, eu sou preto onde quer que eu for. Seja no lazer dos pagodes da vida, onde a negritude predomina orgulhosa de sua identidade, seja nos ambientes caucasianos e privilegiados sociais. Sou preto indo pro trabalho, sendo perseguido na loja como um tipo suspeito, sou preto escrevendo isso aqui ou lendo uma HQ de super heróis. Agora, Pelé, muito mal é preto na cor da pele e, vendo seu círculo social, suas companhias femininas e tudo mais, nota-se que nem isso ele seria se houvesse opção de mudança. Enfim, o deus do futebol, novamente, deixou sua santidade poética pra abrir a boca no momento oportuno, mas com o conteúdo mais nojento do que aquele cara que tampa uma narina e assoa a outra ao ar livre, na sua frente e contra o vento.

Ele dizer que no tempo dele apenas sorria e ignorava não era lidar com o racismo. Vamos convencionar uma coisa? Paremos com essa palhaçada de que é só parar de falar em racismo que ele some. Isso só satisfaz o racista qu8e não terá que dar explicações sobre suas atitudes, mas continuará a exercê-las. Como você resolveria uma fratura exposta? Operando ou cobrindo com um lençol pra não chocar quem olhar pra ela? É tipo isso, não se recolve nada apenas deixando de acreditar, como sempre falo. O nome disso é FADA. Fadas são assim, você deixa de acreditar e elas morrem. Racismo a gente combate orientando os nossos, debatendo pra que nossa argumentação chegue até o racista e ele sinta-se constrangido em nos humilhar em nossa negritude pra que seus brios sejam valorizados. Não estamos aí pra curar carência de superioridade de ninguém e Pelé, o Poeta, pratica um desserviço tamanho na causa, que merece um boicote não só da negritude, mas da categoria social jogador de futebol.


Jogadores são tão suscetíveis à ilusão de amor dos fãs que podem até se distrair, não Aranha, que sabe que muitas vezes é apenas tolerado porque é jogador e famoso, mas muitos podem acabar olhando pro Pelé e achando que ele presta pra mais alguma coisa além de figurar em replays ad eternum de seus jogos de 50 anos atrás. Juro que quando vi que ele tinha se pronunciado sobre o caso, antes de abrir o link, achei que ele fosse mandar a máxima: “Aranha, eu já fui preto e sei o que você tá passando, entende”. Entende? Eu não. Ou seu rei é maluco ou tá danado. E quanto à negritude, vamos tesouro, não se juntem a essa gentalha.    

Percebe o perigo que é deixar um aloprado desses à solta na sociedade. Olha o apelo que ele tem com jogadores iniciantes.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Aranhas, Macacos e racistas sem perdão

Grêmio excluído da Copa do Brasil. Cabe recurso. Árbitros suspensos e multados por não terem anotado nada sobre o episódio. Razoável. Vários torcedores gremistas suspensos do estádio. Pouco. Já é um começo e que sirva de exemplo, mas não é disso que vim falar. Volto ao problema maior: A negação do racismo. Patrícia Racista gritou ‘ma-ca-co’ para Aranha. Ponto. Todo mundo achou uma pena e um exagero que ela tenha sido demitida, tenha tido sua casa apedrejada, recebido ofensas e ameaças via internet e sua família tendo que se esconder. O argumento é que foi um momento de emoção de jogo. Como se estádios fossem locais de santificação do pior do ser humano. 400 jovens negros morrem todos os dias num mês e ninguém chora na mídia. Uma racista fdp sofre retaliação por um ato de responsabilidade apenas dela mesma e chovem defensores da não-violência. Quem vive pela espada, jovens...

1reproducaolance Aranha decidiu que não vai perdoar Patricia, a gremista racista que o chamou de macaco. Ele não a quer ver nunca mais em um estádio. Frustrou a TV Globo, mas faz um bem para a sociedade brasileira...

Aí, veio outro argumento furado: Talvez ela nem seja racista, foi só um xingamento, se chamasse ele de viado não ia ser homofobia. Claro que não, jovem. Primeiro, xingar um negro de macaco é racismo sim, depois, é tão escancarado que você não vê um jogador branco ser alvo de sons simiescos e receber bananas em sua direção. Então, paremos de tapar o sol com a peneira, ok? Que aqui não tem achismo nem achômetro, tem quem sofre isso na pele desde sempre. Outra, se Aranha fosse abertamente gay, xingá-lo de viado seria mesmo homofobia, porque atribuiria juízo de valor sobre a sexualidade da pessoa. Como ele não é, seria o mesmo que chamá-lo de velho, apesar da intenção ser ofender, ele não é, então não implica juízo de valor. Agora, comparar um negro a um bicho legal, mas que não é gente de verdade, ah, isso sempre foi e sempre será racismo. Como diminuir uma mulher em sua feminilidade ou um idoso por sua avançada idade, sacou? Não foi aleatório, é como aquele outro discurso besta de ‘piada pode tudo, é só uma piada’. Não, nem líder político está acima do bem e do mal, porque um espaço de entretenimento seria palco sem lei? Vá te catar.

Aí, Aranha dá uma entrevista e diz que não perdoará a jovem que o ofendeu. Pobre racista, ofendeu e nem pra ser perdoada? Que peninha, Globo, não vai ter final de novela com abraço e beijo de perdão. Vamos a algumas considerações do goleiro? Bem:

"Eu sei que muitas vezes eu não sou aceito, eu sou tolerado. Porque sou o goleiro do Santos, bicampeão mundial. E porque eu tenho um carro bonito, porque eu compro isso, eu compro aquilo. Então muitas vezes eu sou tolerado, não sou aceito. Eu já morei em prédios, minha família está de testemunha, que não me davam nem bom dia."

Nessa aí, já morre aquela lenda decorada de que o problema do Brasil é só a pobreza. Acabando a pobreza, ainda tem racismo, tá?

"Essa mocinha aí nunca mais deve pisar num estádio. As pessoas que vão assistir aos jogos têm que se comportar, a principal punição tem que ser nunca mais pisar em estádio."

Estádios não podem ser mais paraísos para racistas. Chega dessa palhaçada de que se for num momento de emoção, você pode extravasar por meio de racismo. Que paguem e paguem caro.

"Eu tenho dó dela. Como ser humano e pelas consequências. Se ela for presa, não vai ter o tratamento que eu acredito que tenha fora da cadeia. Porque o sistema é pesado e cruel. E, mesmo no crime, tem certas regras e atitudes condenáveis."

Isso, pra lembrar que o Brasil tem uma das maiores populações carcerárias do mundo e, adivinha a etnia predominante, sendo o país que se estruturou no racismo até hoje? Siiim, mais de 60% de nossos presos são negros. Isso serviria de lição, não é? Nhá... Olha o que a torcida do Grêmio canta para seus adversários, neste caso, contra o Bahia depois do episódio citado:

"Somos campeões do Mundo
E da Libertadores também
Chora macaco imundo
Que nunca ganhou de ninguém

Somos a banda mais louca
A banda louca da Geral
A banda que corre
Os macacos do Internacional"

Fofo, não? Engraçado, depois de episódios como o de Aranha, o normal seria uma faixa enorme repudiando o racismo, mas enquanto o Grêmio tenta engendrar recurso pra se desvincular de seus torcedores babacas, uma facção inteira o contradiz em alto e bom som. Isso por quê? Novamente, racismo, puro e simples.

De onde vem essa história?

1reproducaointer Aranha decidiu que não vai perdoar Patricia, a gremista racista que o chamou de macaco. Ele não a quer ver nunca mais em um estádio. Frustrou a TV Globo, mas faz um bem para a sociedade brasileira...

A exemplo de outros clubes, como Vasco e Fluminense, o Internacional – principal rival porto-alegrense do Grêmio, já tinha negros em suas fileiras, quando não era comum, e ganhava adoidado, ao passo que o Grêmio não admitia negros por ordens do grupo de alemães que doou seu primeiro estádio. Ou seja, “Colorado, time dos macacos”. Seguiu-se desde a década de 1930 com o Inter solapando a tricolorzada por uns 20 anos até que o Grêmio passou a aceitar negros, por pura necessidade de se equiparar na força e habilidades atribuídas ao negro como naturais aptidões. Mas, claro, com a maquiagem da diversidade. Não vou entrar, dessa vez, no mérito racista que isso engloba, como a coisa de ‘ferramenta pra entreter branco’, mas fica a informação, foi como adotar um galo mais nervoso para a rinha. Mas o ranço ficou até hoje.

Conclusão


Pense que a Lei Áurea tem apenas 126, dos quais, apenas os últimos 62 tiveram participação negra no Grêmio. Pouco, né? E ainda tem gente que acha que o racismo ficou no passado. Ainda hoje muitos lugares vêem o negro como exótico estrangeiro folclórico. Um bicho. Uma coisa. Acham que na pele negra não dói tanto, nos ouvidos negros não ofendem tanto... Então eu digo, pra quem tem peninha de patrícia: adote um racista e leve pra casa Na hora de julgar se ela merece mesmo tanta retaliação, olhe bem pro semblante de Aranha ao denunciar ao árbitro o racismo que lhe agredia em seu local de trabalho e me reflita: Aquilo é a cara de quem tinha o combinado social de ser ofendido e levar numa boa? Aquela é a cara de quem não tem uma família que vai se ofender junto? Aquela é uma cara de quem é raro no Brasil, não se estendendo a ofensa a todo negro com alguma consciência social?



Fonte: Cosme Rímoli.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Carta aberta a Wanderley Luxemburgo

Caro Wanderley,

O senhor afirmou não ter visto racismo nos gritos histéricos (ma-ca-co) de Patrícia contra Aranha. Disse que foi mais um ato no calor da emoção, o time dela perdia e saiu, ou coisa que o valha (Pra variar as Organizações 'não-somos-racistas' Globo descolaram mais um apoio de argumentos pouco relevantes no apoio à Patricinha racistinha).

Disse o senhor, ao jornal O Globo: — "Aquela menina deve ter amigos negros, com quem convive. Eu olhei a forma forte como ela falou macaco, será que ela não tem amigo preto? Colocam como racismo no futebol uma coisa que é totalmente diferente. Aquilo nada mais é do que a ira momentânea, provocada pela rivalidade no futebol, que faz a pessoa ultrapassar o limite da educação. É falta de educação, não racismo."

Primeiro, professor, racismo é uma tremenda falta de educação. Se aquela menina tem amigos negros e ofende um negro de fora do grupo como 'macaco', ou ela é maluca, ou eles o são. Não é a sanidade deles que discuto aqui, é sua autoridade no assunto, tendo já levado processo por ter 'brincado' de chamar um jogador de 'picolé de asfalto'. Só nessa, já entendo pra que lado sua autoridade no assunto pende. Se pra você futebol e sociedade se separam como Terra e Marte, então o maluco sou eu e quando dizem 'o problema é social', significa que na verdade não há problema, pois, não é racismo porque é dentro do futebol, não vai ser racismo quando for na quadra da escola de samba, não vai ser racismo porque vai ser dentro da escola, dentro da TV, dentro de sei lá mais o quê.

O senhor acha que racismo é apenas o ato de excluir o negro proibindo-lhe a presença e o acesso a um determinado ambiente? Olhe bem para a Tv, Wan, vê quantos negros você vê lá entre as arquibancadas e o gramado, quando passa uma partida de futebol. Ali tem exclusão, é racismo? Duvido que você diria, neste exemplo, pois, você vai se esgueirar para outro nível do racismo velado: A busca por atos extremos. Poderá dizer que não é racismo porque não teve xingamento. E se tiver, não vai admitir, porque não teve exclusão, xingamento e agressão, e depois vai renegar porque não teve xingamento, exclusão, agressão e um cartaz de anúncio de ato racista (além de amigos ou parentes negros, lembrando, se tiver negros por perto, não é racismo, né?)... No fim das contas, vai dizer que o negro é que vê racismo em tudo e se faz de vítima pra justificar seus fracassos sociais. Menos no futebol.

Voltando, então, pro senhor, foi um ato de impulso? Como na raiva, como no porre? Você sabe que atos impulsivos de gente raivosa ou bêbada, são atos que estavam escondidos pela camada da postura social, não é? São coisas que saem ao menor sinal de descontrole porque estavam lá o tempo todo. Muita coisa pode ser atribuída a um gesto isolado de emoção desvairada. Vamos ver o que mais é o tal do "calor da emoção"?

- Quando um jovem negro é hostilizado por ser negro e ter cara de 'suspeito';
- A prisão de um negro porque tinha cabelo black e andava na rua à noite, sem direito a telefonema, nem advogado (e nem visita do pai militar reformado, porque como um negro teria posição social de classe média, né?);
- Toda vez que o corpo negro cai no chão baleado e ganha um histórico criminal no mesmo segundo, pra que o ato emocionado do Estado seja apoiado pela sociedade do caos-espetáculo;
- Também é no calor da emoção que mulheres negras são relegadas à cozinha e à cama, onde podem ser atacadas por algozes sexuais de forma a liberar seus instintos e ainda manterem sua postura conservadora da sala de visitas pra lá;
- É calor da emoção, quando uma mãe de família favelada é baleada e arrastada pelas ruas do subúrbio, ato emotivo pra ocultar um ato policial escuso anterior;
- É calor das emoções quando você é perseguido e assassinado e tem a cena do crime modificada para incriminar o que estava limpo... Enfim, são tantas emoções, como diria o poeta.

Agora, se o racismo vira apenas um ato emocionado, além de ser vindo do coração do racista, Luxa, ainda demonstra o que a pessoa já sentia e só deixou escapar. Sinto muito, técnico de futebol de passado conturbado, mas afirmar que xingar um negro de macaco, porque está num estádio, é calor da emoção, então, isso só confirma o racismo e não o descarta.

É calor da emoção, é um jogo de futebol e vale tudo... vale tudo? Pra mim, quem defende racista, racista é. Está, na verdade, garantindo costas quentes na possibilidade de precisar do mesmo apoio no futuro, quando disser algo também 'no calor da emoção'. Torno a falar, se fosse calor da emoção, seria 'fdp', 'babaca', 'pereba', etc. Se não se xinga jogador branco de macaco, então sabemos muito bem pra onde essa emoção foi direcionada. Tive uma epifania: Eu não sabia que o Brasil era um país tão emocionado há tantos séculos.

Luxa, falar nunca foi seu forte, vai discutir com o Romário que você lembra disso rapidinho, tá? Por enquanto, deixa o assunto pra quem entende. Vai chutar sua bolinha aê, que seu dinheiro não vem da sua carreira como pesquisador sociológico. Deixa pra quem entende do assunto e sofre na pele o que pra você não importa (mas tá se metendo mesmo assim). Acabamos de passar por uma Copa cuja temática recorrente foi o combate ao racismo com faixas, cartazes, gritos, jogadores xingados e até personalidades midiáticas querendo aparecer comendo bananas e vendendo camisetas. Tudo isso foi só emoção? Acho que não.

E, Jornal O Globo, a opinião dele não 'foge ao senso comum', ela é uma opinião leiga qualquer, só que com seu alto-falante, pra ver se afrontam, mais uma vez, o movimento negro do Brasil. No mais, um sorriso negro, um abraço negro pra vocês.

Fernando Sagatiba

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Racismo amigo, racismo condescendente


2014 está sendo um ano muito positivo para debates sobre racismo. Diria até afirmativo. Teve o concurso da nova Globeleza – e seus desdobramentos -, teve o filme 12 Anos de Escravidão, Lupita Nyong’o eleita a mulher mais bonita pela revista People (e a avalanche de ‘foi pra cumprir cotas, mas eu não sou racista’), teve o equivalente a um jogo de futebol inteiro em evidência (jogadores, árbitro, etc) na questão de ofensas racistas, bananas, macacos, personalidades da mídia oportunistas tentando faturar e, mais recentemente, um casal “inter-racial” de jovens mineiros passando seu quinhão de racismo diário na internet, a Folha usando uma modelo negra (que você vai me dizer depois de que trabalho) para apoiar o racismo institucional contra cotas (explicar a ausência de negros em seu próprio veículo é o que ninguém lá faz), a Globo usando negros para defender uma jovem racista que, nitidamente, gritou ofensas para o goleiro Aranha (Santos F.C) e para o Brasil inteiro. Bem, é sobre esse final que eu quero falar no momento.


A jovem Patrícia, foragida até o momento que escrevo, gritou taxativamente ‘ma-ca-co’ (imagine a cena dramática e em câmera lenta apenas alguns minutos após o crime ser filmado no jogo entre Grêmio e Santos). Ela não gritou só para um atleta, gritou para o Brasil todo. Confirmou que o propblema do Brasil é social... RACISMO é um problema social e no âmbito institucional. Nada que surpreenda no país que seqüestrou e violentou negros por mais de 300 anos, sendo o último a largar do osso e por pressões internas e externas. Há quem diga que isso é um probleminha isolado, que o negro se faz de vítima. Mas, pra essa gente, eu nem dou papo (MENTIRA! Sempre faço comentários sobre). Mas o negócio dessa vez é a rapidez com que a Globo descolou amigos negros para Patrícia (porque, você sabe, quem tem amigos negros nunca poderia ser racista. #sqn). Uma rapidez que alerta para uma coisa: A naturalização do racismo por parte dos não negros e a internalização dessa aberração pelo próprio negro.

Amigos negros de Patrícia Moreira defendem e não crêem em racismo  (Foto: Diego Guichard)
Amigos de Patrícia acham que ela se deixou levar pela emoção do momento.

Veja bem, quando você considera alguém ‘amigo’, essa pessoa é branca e você negrx e, diante das ofensas proferidas por sua amiga branca a outros negros você não se ofende também, amizade, amigo é o C***. Essa pessoa está é sendo condescendente contigo. No melhor estilo Faustão, que foi se “justificar” por seu comentário ‘cabelo de vassoura de bruxa’ com um papinho besta ‘eu tenho funcionários negros, vamos mudar de assunto que tem coisa mais importante pra pensarmos’. Até aí, gente boa, qualquer senhor de engenho do século XVIII poderia dizer que não era racista, pois tratava seus escravos com a maior cordialidade, apenas punindo os errados. Faz sentido pra ti? Pra mim não, pois, é uma mentira tão retumbante quando ‘aguarde o contato que a gente te liga, mesmo que seja feedback negativo’. Mas, voltando aos amigos de Patrícia, eles foram arrumadinhos pra defenderem alguém que fugiu. Se excluiu perfis da internet e escafedeu-se, lindxs, não tá tão certa assim de sua inocência.

Segundo Faustão, seu racismo se justifica porque vários negros trabalham "com" ele. Eu vejo umas três pessoas em frente às câmeras só. Sacou o "com"?

Mas isso acontece muito. Você é ‘tolerado’ por alguém, mas quando alguém com os mesmos traços seus o incomoda, aí ela fala tudo aquilo que você ouve dos outros, dos não amigos. Tipo você dizer que tem amigos gordos e os respeita. Mas se um gordo de fora do círculo te incomoda, você grita impropérios justamente sobre a forma física da pessoa. Deixa eu explicar a diferença: Se a pessoa te respeitasse pelo que você é, ao brigar com alguém parecido contigo nessa característica, ela não ia usar esse ponto como arma. Ela nem teria esse pensamento. Se usou isso, usou porque usaria contra você também, mas, provavelmente, no caso de Patrícia, tudo isso pode ter sido usado contra seus “amigos”, tendo sido abafado como ‘piada’, ou como aquela desculpa esfarrapada do racista: Ele usa o racismo pra parecer descolado e desapegado da idéia, mas está destilando de modo a você sofrê-lo e ainda agradecê-lo. “Pô, fulano é muito desencanado com racismo, a gente vive rindo com suas piadas”.



A genialidade do racismo está nisso, nele ser folcloricamente conhecido como ‘velado’ e estar escancarado. O melhor disfarce é estar na vista de todos. Quem desconfiaria que um crime pesado desses teria essa cara de pau? Pois é, aqui tem. Patrícia virou vítima, coitadinha, foi ameaçada, talvez tenha sido um mal entendido. Lembro-me de uma passagem pessoal. Estava em Cabo Frio com uma tchurminha da pesada aprontando as maiores confusões no maior clima de azaração quando, numa ida ao mercado, estávamos em 2 ou 3 carros e um colega do carro de trás buzinou. Fiz um gesto, como quem diz ‘passa por cima se está com pressa’ e ele se projetou pela janela do carona gritando “sai daê, macaco!”. Não tive reação, depois não lembro se chamei ele pra porrada, mas o fato é que, enquanto classe média, o racismo aparece de forma mais sutil do que se eu fosse mais rodado àquela altura – com uns 19 anos. Nessa, ninguém NINGUÉM falou nada. Nem um ‘para de falar m...’. Nada, ninguém tomou partido do único preto do grupo (o outro preto do grupo não se assumia muito como tal por ter mãe branca, não sei como está hoje aquela cabeça).

Percebe como o Faustão e cia não são racistas, porque têm negros a sua volta? é assim que 'não somos racistas' na mente deles.

Assim como Patrícia, aquele indivíduo não foi questionado por ninguém. Se eu fizesse questão, provavelmente iriam defendê-lo como um incompreendido. Mas, a questão é simples: Se ele quis responder uma zoação à altura, porque não me xingou de babaca? Porque sua primeira reação foi me ofender em minha negritude? Se me chamasse de ‘viado’, seria homofobia? Será que respostas assim, no calor da emoção representam o legítimo racismo? Eu respondo no próximo bloco parágrafo.   

Olhe, o rapazote não me xingou de babaca, porque, na cabeça dele e de muita, mas muita, gente no Brasil, ser negro é ter um alvo certo de ofensa. Não foi um xingamento aleatório, ele quis usar isso, quem sabe, já não tinha pensado isso em outras oportunidades, apenas não tornando público. Tanto é que, meu questionamento sobre a palavra ‘viado’ não foi à toa. Se a questão fosse envolvendo sexualidade, seria um xingamento homofóbico sim, mas como eu não sou, caso chamasse, não seria homofobia. Do mesmo jeito que bater num homem chamando ele de ‘mulherzinha’ não vai enquadrar ninguém na Lei Maria da Penha, sacou? Pode ter sido no calor das emoções que o dito cujo tenha me respondido um deboche com racismo, pode ser que Patrícia tenha apenas se exaltado, mas... e daí? Quero mais que pague pelo crime que cometeu. Esse é o segredo da longevidade do racismo, essa vontade louca de negá-lo, de distorcê-lo até se tornar banal. Quem vive na pele sabe e, quando se conscientiza disso, não tem falsa amizade que sobreviva. Raiva e porre podem deixar você exaltado, mas o que é dito na raiva e no cachaçal foi pensado sóbrio e na hora da calma com certeza. Eu tenho amigos gays, gordxs, caucasianxs, evangélicxs, etc. Pode ter certeza, que, numa discussão, a única coisa que eu não faço é usar o traço que nos difere como ofensa, nem dentro, nem fora do meu grupo social. Justamente por que sei o que é ser ofendido em algo que é parte de sua identidade e, quando vivo isso, não é nada legal. E se um amigo meu ofende um negro de fora da galera por ele ser negro, aaah, não precisa nem olhar mais na minha direção e acharia muito justo que alguém me excluísse do convívio se eu demonstrasse tamanha contradição.

Nego, estão botando tudo em você e você tá achando normal. Quando abrir a mente, vai ver o que está passando batido bem na sua cara.



Amizade não é dizer ‘ele é preto, mas é meu amigo’ e não é freqüentar folcloricamente os lugares comigo. Na verdade, antes de amizade, a humanidade está em se respeitar o próximo. Quem garantiu a Patrícia que Aranha ia levar numa boa seus gritos histéricos? Se eu chamo um amigo de fdp, preciso ter certeza que nosso código de convívio social permite a certeza de que é só uma brincadeira, do contrário ele se invoca comigo por eu ter xingado sua mãe e aí? Vou ficar remediando que foi só um lapso? Não, amigos de Patrícia, ela não é sua amiga se anda com vocês e mantém guardado um arsenal de xingamentos por sua etnia predominante. Vão defender alguém mais defensável, tipo Coração Gelado ou Doutor Gori.

Doutor Gori explica a Spectreman que seu objetivo era acabar com a humanidade... para salvar a natureza. Muito mais fácil de defender uma jovem emocionada que se torna racista apenas durante 90 minutos.

Desafio do Kame Hame Ha

Depois do necknomination, da bebida alcoólica no c* (que eu já falei aqui), o recente desafio do balde de gelo e o desafio do make, pessoas ao redor do mundo praticam o desafio do Kame Hame Há. 



Em entrevista, Mestre Kame, conhecido como Tartaruga Genial, afirmou que essa é uma prática de décadas entre seu grupo de amigos, mas só agora, com o advento da internet, alguns jovens começaram a se desafiar para ver quem aderia a essa campanha pela Bulma pelada nua valorização do Ki, a energia interior de cada ser.  


Nota do autor: Essa é uma notícia inútil que falha enquanto passatempo e como piada. Volte a seus afazeres, esse foi só um intervalo pra distrair a mente.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Jennifer Aniston, conversa com a Tânia Mara, fia

Dia 6 de agosto, a cantora Tânia Mara (quem?), esposa do diretor global e cinematográfico Jayme Monjardim (aaaah!) deu (UIA!) uma declaração polêmica... polêmica? Nhá, vamos parar de banalizar o termo, antes de mais nada, porque polêmico é algo que divide opiniões e não dá pra traçar um padrão de certo e errado (como a legalização do aborto ou da maconha, que falo em outra hora). Voltando, a declaração da jovem é, no máximo, estourando, impensada. E eu explico por quê.
Ela disse, à revista Caras (que não é referência pra debates sérios, mas vá lá, calhou de ser nessa oportunidade):

A mulher não pode nascer, viver na terra, sem gerar uma (criança). Acho absurdo quando algumas falam que não querem engravidar, que não nasceram para ser mãe. Não sabem o que estão perdendo. Estão perdendo a verdadeira vida”.

Marido e filha de Tânia.

Que pérola pesada, hein?! Bem, nessa aí, ela já discriminou as mulheres que não podem ter filhos por questões biológicas (impossibilidades genéticas, acidentes, doenças ou cirurgias vitais) e as que, por amargos da vida, não tenham encontrado a oportunidade de gerar sua própria criança. Será que mães adotivas e ‘do coração/de criação’ não contam pra ela? Putz, Tânia, essa sua definição de ‘mulher-só-vale-casada-e-com-filho-do-próprio-ventre’ é muito excludente, cara! Faz umas emendas aí, umas medidas provisórias, sei lá... Esse clube fica muito restrito com essa definição quadrada e fechada. Fiscal de úteros agora, jovem?


Ah, vale lembrar que muitas mulheres optam por não ter filhos por saberem que não têm o tal instinto materno, coisa que muita cabeça teleguiada não admite e tem filhinhos pra abandonar na lixeira, nos rios, hospitais, sem falar em abortos bizarros nas mãos de açougueiros. Também há as mulheres que não geram filhos por consciência financeira, sabem que seu orçamento pode não dar a vida confortável para a família, então adiam suas intenções familiares. Planejamento, amiga, é muito válido quando seu companheiro (no caso de ter um) não é um famoso profissional da comunicação e entretenimento, além de herdeiro de uma famosa cantora e um milionário quatrocentão. Tem gente que não acerta na loteca, chuchu.

E, pensando que a nossa fiscal de útero da família brasileira possa apenas ter se expressado mal, vamos mudar a estrela da vez pra responder a declaração tchubiruba da irmã de Rafael Almeida (quem?), o ex-pianista mudo daquela novela (hein?!). A madrasta do Jayme Matarazzo precisa levar um lero com uma conhecida nossa: Rachel.

Irmão de Tânia.
Enteado de Tânia.

Jennifer Aniston deu (UIA!²) uma entrevista a Carson Dale, no programa The Today Show e falou o que eu mesmo falaria, por ideologia, mas, vindo de uma mulher, pra mim, isso é muito mais válido, agrega mais à causa. A questão surgiu após uma foto da eterna Rachel de Friends, onde ela aparecia com uma barriguinha fora do padrão ‘chapada-pra-dentro-anoréxica’, logo gerando fofoquinhas sobre uma suposta gravidez, lembrando que a atriz é noiva do ator Justin Theroux desde 2011. Sendo assim, ela só precisou um UMA frase pra colocar esse tipo de fiscalização do juízo de valor opressivo sobre a mulher em nossa sociedade no seu devido lugar: No ‘não-é-da-sua-conta’, perto do ‘Deus deu uma vida pra cada um, não gostou compra um gato’.

Jennifer Aniston na premiere de

Bem a frase é tão legal, mas tão legal, que vou pedir licença pra repetir a frase inicial, da cantora nora da Maysa pra te contextualizar melhor, ok? Lá vai:

Tânia Mara: “A mulher não pode nascer, viver na terra, sem gerar uma (criança). Acho absurdo quando algumas falam que não querem engravidar, que não nasceram para ser mãe. Não sabem o que estão perdendo. Estão perdendo a verdadeira vida”.


Jennifer Aniston: “Eu não tenho esse tipo de urgência de coisa a ser feita e isso não significa que falhei em algo no meu feminismo. Eu tenho o meu valor como mulher, independente disso”.

Nem todo mundo precisa seguir o manual da boa mulher obediente, Tânia, algumas têm seus próprios planos e não sua vida. Fique feliz pela SUA família, SUA maternidade, mas não torne público um pensamento que é seu - e da sociedade programada, em geral, reconheço - mas na vida de cada um, a gente de fora é só figuração, ok?

Fonte: Extra. e Extra.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Teórico político russo Mikhail Bakunin é acusado de tramar manifestações políticas violentas


Mikhail Bakunin citado em ligações interceptadas e torna-se suspeito de integrar a organização de protestos 
violentos. Olha, não duvido que se a sociedade aderisse a uma corrente minimamente similar ao que o clássico teórico político pensava, muita gente hoje seria, sim, uma ameaça ao sistema estruturado na exploração da maioria pobre para obter lucro para uma minoria rica. Muito disso se viu entre 1964 e 1984 aqui no Brasil e em diferentes períodos pelo mundo, sobretudo no continente Americano, e nem era exatamente Bakunin o citado, era mais Marx (que era fichado no temível Dops dos anos de chumbo), mas estou divagando.


Em primeiro lugar, preciso externar exatamente como me sinto diante dessa notícia – e minha fatídica descoberta de que não era apenas um meme de internet, a coisa rolou mesmo. Em duas palavras: Welcome Maguila. Quem não lembra daquela história folclórica sobre nosso ainda mais folclórico ex-pugilista? Ah, não se ligou? Deixa eu falar, rapidamente. Maguila (estimo melhoras) teria chegado aos EUAses e, retornando ao Brasil, comentou que queria dar umas porradas num tal de Wel, pois o mesmo, sabendo que Sr. Adilson Rodrigues chegaria por lá, mandou instalar uma faixa com o seguinte deboche: “Wel Come Maguila”, o que era uma óbvia afronta à masculinidade do grandalhão.



Piadas à parte, vamos com mais piadas (sério, você achou que o mote do texto seria falar sério sobre esse absurdo?). A ‘terrorista’ Sininho foi presa,  acusada de protestos violentos que só ocorreriam no dia seguinte (?!) então partida final e cerimônia de encerramento da Copa 2014. A fonte da denúncia era um ex-colega manifestante que havia sido expulso por usar de violência até contra colegas de protesto, tendo agredido e quebrado o braço de uma mulher. A expulsão gerou a vingança em forma de denúncia e, pra um movimento alardeado pela mídia como ‘sem lideranças’, trataram de achar rapidamente um nome e um rosto pra direcionarem a desinformação popular. Se o mito da caverna de Platão é o pai de Matrix, Minority Report é o hoje.

Tom Cruise está procurando Bakunin e VOCÊ agora, bitch! Cuidado com o que você só vai fazer amanhã. 

No frigir dos ovos, Bakunin, mais do que um acusado de manifestação social hoje, e, óbvio, um dos pais do anarquismo, se tornou o novo ‘receita de miojo pra não te entediar’, né? Aquela coisa que é pega lá no meio da conversa e o interlocutor – ou interceptador, no caso – não presta à atenção, nem se dá à decência de pesquisar num Google da vida. Dar conta de Amarildo, por exemplo, nem se fala mais, e tantos outros. Na verdade, nem pesadíssimas vigas de metal, nem helicópteros entorpecidos são achados e, do jeito que as coisas vão, não duvido de a justiça apresentar Bakunin – ou algum nêgo ensangüentado jurando sê-lo.



Vivemos em tempos em que dizer o bordão ‘Freud explica’ é quase uma assinatura de denúncia de envolvimento do nobre psicanalista em qualquer tramoia política violenta. A culpa é da estrela, não é Bucky?

James Buchanan Barnes, Bucky, conhecido como Soldado Invernal, ex-parceiro do Capitão América. Note, assim como
a cerveja Heineken, também ostenta uma estrela vermelha, numa nítida alusão ao PT e uma descarada campanha eleitoral
favorável à presidentE Dilma.
Vamos aguardar os próximos capítulos.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dunga retorna à seleção Brasileira de Futebol

Bem, assim como nosso cenário político, parece que só as mesmas 4 pessoas podem ser eleitas para os mesmos cargos se revezando entre si. Nada de renovação, sempre os mesmos medalhões de sempre pra manter o povo com o pessimismo imbecil de que não adianta mudar, é melhor votar no que já tem aí.

Complexos de vira-latas afora, isso está acontecendo com o futebol também. Sabe o que eu acho? Bem feito! Já cansei, particularmente, dessa ideia... "ideota" de que o povo sofrido precisa se alegrar pelo futebol. O que precisa te alegrar é sua família, seu trabalho, artes que você, eventualente admire (música, cinema, quadrinhos, teatro, etc), agora, você projetar em um esporte a alegria e alívio de seus 'ais'? Qual é, esporte é pra perder e ganhar, não adianta achar que você tem sempre que ganhar e se perder é porque foi vendido. Infantilóide isso.

Agora, vamos à pauta: Dunga voltou e trouxe um monte de Zangados... mentira! Quero dizer, o ex-jogador Dunga ter voltado à seleção é verdade e as piadas infames com os sete anões da Branca de Neve só estão esperando pra retornarem, mas isso não importa, o que eu queria era uma desculpa pra fazer piada com a total falta de classe do capitão do tetra contra Alex Escobar, ex-âncora do Rock Bola jornalista de Rede Globo, em uma coletiva de imprensa durante a Copa de 2010 (aquela que foi vendida para a Espanha... oh, wait!).


Veja o acontecido.


Briga de cachorro grande. Você se meteria numa treta entre Globo e CBF?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Por quê Facebook ignora denúncias étnicas?

Respondendo ao título: Porque é conivente com os denunciados. Mas, calma, que tem mais.

Faça as contas e imagine se varia ao redor do mundo. Abaixo, os números são do Facebook estadunidense, mas como a política se estende conforme o alcance da empresa, veja só as proporções de funcionários de lá:

57% - brancos
34% - asiáticos
15% - mulheres
4% - latinos
3% - mestiços
2% - negros

Foto: Algo me diz que não é aleatório o fato de a empresa simplesmente defecar para denúncias tão nítidas de racismo, machismo, etc. O que é grave pra eles é um sobrenome infeliz parecido com palavrão, fotos de modelos caracterizados de orixás ou mães amamentando.

Bem, isso explica bastante o porquê de denunciarmos incansavelmente as mais variadas ofensas étnicas. de gênero, orientação sexual, etc.

Foto: O que dizer de uma empresa que não tem negros? Não vê motivos pra alarde com racismo, não o sofre.
Já não acredito em inocência nem em ignorância, se NÃO fere apolítica da empresa, então ela é conivente com o racismo.

Isso ajuda a compreender o por quê de uma foto de modelos caracterizados de orixás é constantemente denunciada - mas aí, a denúncia é acatada.

Iansã e Xangô. Podem dizer que é o seio da modelo, mas tenho convicção de que foi maldade de fanáticos religiosos a denunciarem a foto.

Isso só não explica como nomes - infelizmente - relacionados a palavrões têm suas contas deletadas, assim como uma mãe, por postar fotos amamentando.

piroca1.jpg1 Free Piroca
Por causa do sobrenome, o cara foi deletado.


Seio nu amamentando, agora pode
Foto: Nina Lima / Agência O Globo
Por causa do seio nu, a mãe teve foto deletada, gerando protestos na internet.

Qual é, 'Feici', que porra de política de uso essa empresa tem que pune quem não fez nada e deixa passar quem nitidamente quer ofender pra pagar de valente em sua tchurminha de sexta série? Conivência com um crime é crime também. Estamos de olho.

Diversidade cultural e étnica nas HQs e no cinema

É engraçado como chamamos o racismo no Brasil de ‘velado’, se ele é descarado. Descarado e burro. Sorry pela redundância, mas os argumentos racistas não duram mais que um casamento de subcelebridades. Velado. Talvez, uma corruptela, ou uma ironia, sei lá, mas a verdade é que falar em tema racial no Brasil deixa muita gente desconfortável. Minha primeira teoria é de que se te deixa sem graça, você tem culpa no cartório, ainda posso diluir isso numa espécie de desconforto criado pelo senso comum, não necessariamente uma culpa ativa, mas uma culpa passiva, aquela que você aprende desde cedo como tabu e não quer ser o ‘chato’, ‘rebelde’ ou ‘paranóico’ a levantar na rodinha (UIA!) de conversa. Mas, como eu não tenho embaraço e se já sofro na pele, falar nisso é o mais fácil, vamos à questão: Até que ponto um personagem conhecidamente caucasiano, quando criada uma versão de outra etnia, é descaracterizá-lo e a partir daonde isso é diversificar culturalmente uma obra artística?

Falo isso sem pesquisa direcionada, apenas o que vou lendo por aí em textos, notícias, seções de comentários e opiniões variadas. É uma questão que sempre se faz presente, pois, os quadrinhos começaram a se popularizar numa época em que o racismo era quase uma instituição. Daí, você tem – vamos falar mais sobre as gigantes Marvel e Dc, por hora, ok? – inúmeros personagens caucasianos, estadunidenses e patriotas. Eram tempos de 2ª Guerra e o sentimento de catarse levava o povão a vibrar com Superman e Capitão América estapeando alemães e japoneses (representantes de nazistas, na época) em páginas de histórias em quadrinhos. É por esse início culturalmente caucasiano que os poucos negros retratados eram os bandidos, os alívios cômicos, aquelas caricaturas estilo ‘Tom depois da explosão’, com lábios grossos e aparência nitidamente tribal africana. Os poucos personagens positivamente representativos, que vieram depois, sempre traziam ‘negro’ em seus ‘nomes de guerra’: Raio Negro, Pantera Negra e outros, tipo... Tocha Humana?!.


É, é sobre o último que eu começo falando (porque os últimos serão os primeiros, Rá! Mentira, é que ele é objeto da pauta mesmo, mas estou divagando). Recentemente anunciaram um reboot geral na franquia cinematográfica do Quarteto Fantástico, então começaram as especulações de elenco, diretor e essas coisas. Normal. Aí, anunciaram Michael B, Jordan, negro, para interpretar Johnny Storm/Tocha Humana (que fora interpretado pelo, hoje, Capitão América, Chris Evans). Criou-se um burburinho e até gritaria na internet porque o personagem, nas HQs, originalmente é caucasiano e irmão de Susan ‘Sue’ Storm/Mulher-Invisível, que será interpretada por Kate Mara, que é caucasiana. Bem, a primeira leva de revoltadinhos já poderia ser rechaçada porque Johnny e Sue PODEM NÃO SER IRMÃOS nessa nova versão, ou um dos dois ser adotado, mas calma que tem mais coisa aí.

Num trocadilho dos mais safados, Chris Evans passa a 'tocha' pra Michael B. Jordan.

Por exemplo, assim como o presidente estadunidense é negro, o novo Capitão América também o é, no momento. Trata-se de Sam Wilson, o Falcão, clássico parceiro de aventuras do Capitas bandeiroso. Acontece que, desde os tempos antigos quando o Falcão era apenas um ajudante, pra cá, muita coisa mudou na sociedade mundial. O próprio Barack Obama é uma prova irrefutável. Assim, quem não aceita um Capitas negro, não pode ser apenas por ‘costume’, já que as artes refletem muito mais a realidade hoje em dia. Veja os filmes do Thor, eram pra ser todos de tipos físicos nórdicos e seu grupo de amigos é justamente multi-étnico. Influenciou em alguma coisa? NÃO! Não fez diferença modificar esse fato, assim como o Rei do Crime, naquele infame filme Demolidor (com Bem Afleck e Jennifer Garner) não se alterou usando o saudoso Michael Clarke Duncan no lugar de um grandalhão caucasiano. É isso, o resto é necessidade de inércia que não convém à humanidade.

falcamerica Stuart Immonen Rick Rmender Marvel Now falcão Capitão América

“Aiiin, Saga, mas eu queria ver se fosse o contrário, se pegassem um personagem negro e transformassem em branco pra você ver, tipo o Pantera Negra!”. Primeiro, gafanhoto, você tem que achar uma diversidade de personagens negros pra pensar no por quê de ‘desfazer’ a identidade étnica de uma minoria absoluta. Depois, você teria que ter um motivo, pois, já temos Tempestade, uma negra, africana com olhos azuis e cabelos ondulados brancos, reforçando a ideia de que os poucos personagens negros sempre são brancos pintados, como Barbies feitas apenas pra ‘calar a boca’ de quem reclama da falta de diversidade. Repare nas imagens abaixo, a personagem da direita, XS, da Legião dos Super Heróis é negra, mas devido aos traços 'caucasianos' o hábito fez o colorista meter traços loiros nela, percebe o padrão?



Voltando, (T’Challa) o Pantera Negra é o atual rei de Wakanda (chegou a estar casado com Tempestade), país fictício dentro da África, filho do rei anterior, T’Chaka, da tribo dos Panteras, cujo símbolo é uma Pantera Negra, mesmo nome do título dado a seu líder. Ou seja, se você torná-lo branco, você tira TODA a essência do personagem, ao contrário de um Tocha Humano negro que, sendo ou não irmão da Mulher Invisível, só precisa ser um porraloca e – desculpem o trocadilho – um plaboy esquentadinho inconseqüente.


É importante falar também que a aceitação é bem mais tranqüila quando falamos, por exemplo, em Lanterna Verde. O nerd dos quadrinhos até sabia, mas a maioria do público ‘leigo’ aceitou o Lanterna Verde John Stewart numa boa, naquele desenho da Liga da justiça, sendo ele o ÚNICO Lanterna de etnia negra. Alicia Masters, namorada do Coisa no filme anterior do Quarteto foi interpretada por Kerry Washington, sendo branca nas HQs e isso também não influenciou. Luke Cage, o herói de aluguel dos guetos é negro e um dos poucos com traços mais tipicamente negros (e não só o branco tingido da maioria).


A maioria dos personagens foi concebida caucasiana porque foi criada por caucasianos que visavam o mercado da época, segregado racialmente, os caucasianos é que consumiam. Da mesma maneira que a grande maioria, se não todos, os criadores daqueles tempos eram homens, o que explica a maioria das personagens femininas serem meras donzelas em apuros e, observando um pouco mais, quase nenhuma era super sem ter sua contra-parte original masculina, tipo Supergirl, Batgirl, etc. Só lembro fácil da Mulher Maravilha, pra falar em heroína autônoma, mas depois falo mais sobre isso.

Pelos trajes, você nota que tipo de público concebe as personagens, suas roupas e indica para que público elas são.

Ah, tem também o Miles Morales, o Homem-Aranha do universo Ultimate da Marvel, da mesma maneira que Nick Fury, brancão nas HQs regulares, fez tanto sucesso em sua versão ‘sósia de Samuel L. Jackson’, também Ultimate, que foi levado para o projeto Vingadores no cinema, vivido justamente por Mr. Sam ‘modafóckin’ Jackson. Teve até uma piada do personagem sobre sua semelhança com o ator no primeiro arco de histórias dos Supremos (Os Vingadores do universo Ultimate).



Então, caras, não é mudar a etnia que prejudica um personagem, é a representatividade dele. Há anos que temos personagens gays, por exemplo, e recentemente, alguns ganharam bastante destaque. Nesses casos, acho que vale mais dar uma de gente sensata e esperar por uma boa história contada direitinho do que já ficar cagando regra criando realidades imaginárias e julgando o que ainda não aconteceu. Isso é coisa de fanboy descontrolado por hormônios adolescentes. 


Sabe o que é mais legal? As crianças de hoje, diferente das crianças da minha geração - inclusive, óbvio, eu mesmo - vão poder brincar e conversar sobre o assunto de uma maneira bem mais natural e inclusiva. No meu tempo, eu só poderia escolher entre ser o Mussum, o Tião Macalé ou o Jorge Lafond. Se eu ousasse falar algo como 'eu sou o Homem-Aranha', iam me arrumar algum 'sobrenome' tipo, 'depois do incêndio', 'depois de pintar' ou ainda 'de chocolate'. Ir contra a diversidade cultural nas artes é ir contra a diversidade cultural na vida. Deixa cada um ser de um jeito e se reconhecer na grande mídia assim.
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