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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Frozen: Um grito congelante por igualdade?



E se o poder de gelo de Elsa fosse uma alegoria para a 'frieza' com que são vistas as mulheres homossexuais, tornando-as diferentes da maioria da população? 

Ela só seria aceita - ou pelo menos respeitada - por seu povo quando sua irmã demonstrasse o verdadeiro amor de defendê-la e apoiá-la perante aqueles que a odeiam apenas por ela ser quem é. 

Aí, ela não precisaria viver à parte da sociedade, feliz em ser ela mesma, mas incompleta por estar distante de quem ama. Poderia viver em seu próprio povo como a pessoa normal que é, apesar de diferente da maioria.


E na música principal do filme? Frases bem decididas sobre deixar uma vida convencional pra trás em troca de liberdade de ser e as inúmeras referências ao frio fora da vida comportada deixada pra trás e o fato de não precisar mais se conter ou se esconder agora que 'eles sabem'... Pense nisso enquanto assiste ao vídeo lá no final do texto. Coloco até uma livre tradução minha. 

Seria, Elsa, um grito aflito por respeito e amor? É claro... que são apenas suposições dessa minha mente estranha, assim como há, também, teorias de que Anna é uma alegoria ao feminismo, percebendo que não precisa de um homem para ser feliz ou vendo que seu amor verdadeiro não deva passar por esse homem antes de sua própria família, etc... 


Adoro teorias, mas me conformo que sejam apenas isso. Não tira o valor da possibilidade, até porque, cinema é bem isso aí, a imaginação viajando pelo tema proposto.

Afinal, convenhamos, se você tem mais de 8 anos de idade, o filme é bem raso pela história contada sem quase desenvolvimento de profundidade dos personagens. Aliás, isso até reforça minhas teorias, afinal, trabalhar demais a personalidade de um personagem poderia torna-lo muito pouco sutil, não dando chance às várias teorias que podem surgir. Imagina quantos debates se pode levantar sobre esses pontos de vista? 

Bem mais interessante que ficar pensando em porque Anna se dispôs a casar com o primeiro que apareceu, sem nem conhecer, ou porque Elsa conseguia controlar a criomancia (poder sobre o frio) de luvas e não sem elas... Sacou? Isso faz o filme parecer raso, diferente da minha proposição de que ele tenha sido uma forma subliminar de driblar o conservadorismo da sociedade e sugerir a discussão até entre quem nem percebeu as analogias.

Divertido pensar em pessoas discutindo sobre a solidão de Elsa e a carência de Anna sem entenderem que podem estar defendendo a liberdade afetivo-sexual e igualdade de gêneros, coisa que eu sei que muita gente seria contra só porque acha errado por contrariar a 'tradicional família brasileira' (portuguesa cristã da inquisição dos últimos dias medievais, né?).


Enfim, Frozen é muito mais legal vista por um ângulo assim. Conservadores e discriminadores que se lasquem, o mundo é de quem evolui para o amor ao próximo e Darwin um dia comprova que essa espécie preconceituosa vai sumir por não evoluir (ou não assumir, né... quem desdenha...vai saber). 

Anyway, let it go...


A neve brilha branca na montanha esta noite
Nenhuma pegada pode ser vista
Um reino de isolamento, e parece que eu sou a rainha
O vento está uivando
Como se essa tempestade rodopiasse dentro de mim
Não consegui conter
o céu sabe que eu tentei

Não os deixe entrar, não os deixe ver
Seja a boa menina que você sempre teve que ser
Esconda, não sinta, não deixe que eles saibam
Bem, agora eles sabem

Deixe ir, deixe ir
Não posso mais suportar
Deixe ir, deixe ir
Dou as costas e bato a porta
Eu não me importo com o que eles vão dizer
Deixe a tempestade desabar

É engraçado como um pouco de distância
Faz tudo parecer pequeno
E os medos que uma vez me controlaram
Não chega nem perto de mim
Bem aqui no ar frio, eu finalmente posso respirar
É tempo de ver do que sou capaz
Testar os limites e descobrir
Sem certo, nem errado, sem regras pra mim
Estou livre!

Deixe ir, deixe ir
Eu sou uma só com o vento e o céu
Deixe ir, deixe ir
Vocês nunca vão me ver chorar
Aqui estou e aqui vou ficar
Deixe a tempestade desabar

Meu poder flui do ar até o chão
Minha alma são fragmentos congelados 
Girando por toda parte 
E um pensamento cristaliza
Como um raio congelante
Eu nunca vou voltar, o passado está no passado

Deixe ir, deixe ir
E eu vou surgir como o despontar do amanhecer
Deixe ir, deixe ir
A garota perfeita se foi
Aqui estou, na luz do dia
Deixe a tempestade desabar
O frio nunca me incomodou mesmo

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Por que ‘X-Men’ falhou terrivelmente com a humanidade?



Bem, pro título não ficar muito comprido, explico que estou me referindo ao universo cinematográfico e não à equipe de mutantes em geral, muito menos especificamente no material-fonte, ou seja, HQs. E, sim, sei que ficou um titulozinho safado, dando a entender que eu falaria até, quem sabe, do aspecto fictício de alguma aventura específica. Ou não, sei lá.

Aliás, se quiserem saber mais sobre o que eu acho dos mutantes dos quadrinhos, já falei do fantástico arco Deus Ama, O Homem Mata (Conflitode Uma Raça), onde William Stryker quer provar que mutantes não são humanos e sim, aberrações ameaçadoras enquanto ele mesmo defende essa monstruosidade de preconceito, já citei as linhas gerais da criação do núcleo mutante diante das causas sociais de grupos discriminados, e até num texto antigão, de 2009, quando eu ainda assinava Fernando Garcia (de onde vem o nome desse infame, porém honesto blog - Rá!), sobre o que se perdeu com o tempo na série (e suas milhares de revistas banalizadoras de causas). Mas, vamos à questÃ.



No cinema a questão mutante fica muito restrita apenas ao fato de os personagens serem mutantes, não dando muita profundidade às analogias que a série faz nos quadrinhos, como homossexualidade, antissemitismo, racismo, etc. Um lampejo de profundidade, vemos algo que se aproxima dos quadrinhos quando Wolverine, Vampira, Homem de Gelo e Pyro (UIA!) conversam com os pais de Bobby e sua mãe reage como se o filho estivesse saindo do armário (“Filho, já tentou não ser isso?”). Até que a cena é maneira, nada pesada, mas um tanto intensa, o que compensa – quase – o primeiro filme, onde Magneto tem um verdadeiro plano Power Rangers de transformar todos em mutantes pra que não discriminem mais uns aos outros... Sério? É algum vilãozinho das Três Espiãs Demais?

Além de a humanidade acabar inventando outro motivo pra discriminar, onde esse plano retrata a luta diária contra discriminações? Se Magneto fosse real, ele ia transformar todo mundo em judeu? Em gay? Enfim, to me fazendo entender? Não se luta pra tornar o outro em semelhantes, se luta pra que haja respeito ao diferente, catzo! Nisso, os filmes falham, já que focam demais no Wolverine e aquele passado escroto – que já desvendaram, mas eu gostava quando era só um mistério de um cara esquisitão. Aliás, se o primeiro bota Magneto como o vilão da semana e o segundo é um revezamento de explosões, com outra vez, Xavier sendo posto fora de combate e, outra vez, Wolverine lutando pra descobrir seu passado. E no 3º filme então, são só cenas de ação, diálogos estranhos e outra vez Xavier fora de combate e outra vez, Wolvie sendo o Charles Bronson com garras.



Nada muito representativo se lembrarmos que X-Men foram criados na década de 1960 e Magneto com Xavier representam Malcolm X e Martin Luther King Jr, na luta pelos direitos civis dos negros nos EUAses daquele tempo. Enquanto Magnus/Malcolm tem a visão radical de que estamos em guerra e precisamos defender os nossos como for, Xavier/Luther King prega a harmonia entre as raças diferentes num mundo de paz. Ok, num primeiro momento, os quadrinhos vacilaram trazendo apenas jovens brancos estadunidenses entre os protagonistas, ou seja, mutante pode, mas nada muito ‘étnico’ (o que foi melhorado na segunda formação com integrantes de vários países do mundo, mas não é sobre gibi aqui).

Nos primeiros filmes, apenas Tempestade é preta, e é a Hale Berry, então, seria como ver uma novela com uma negra só sendo a Taís Araújo, saca? Não é desafio à diversidade quando o nome já vem brilhando. Aliás, muito pouco se diversificou. Aí, veio o reboot, que na verdade, virou prequel – e que teve seu próprio prequel na continuação (hein?!) – Primeira Classe. Tinha um negro no elenco principal. E adivinha só? Não só foi o primeiro a morrer, como foi o único! Parabéns, jovens diversificadores! Vocês criam uma franquia cinematográfica para uma série que representa lutas sociais de aceitação contra a discriminação e o único preto morre antes que a verdadeira aventura comece.

X-Men - Dias de um futuro esquecido


Tá, tenho dois adendos, você, se assistiu atentamente feito eu, notou que tem outra pessoa negra ali, mas além de se encaixar no exemplo ‘Taís Araújo’ (pois é filha de Lenny Kravtz com Lisa Bonet), ainda se bandeia pro lado do vilão. A outra questão é que o personagem morto tem o codinome de Darwin, porque seu poder é se adaptar para sobreviver. Tipo, cria guelras se estiver embaixo d’água, tem a pele de pedra ou metal para suportar temperaturas muito altas, etc... Aí, o que acontece... Ele explode com uma ‘bomba’ implantada pelo vilão na sua boca... Tipo... Cara, nenhum poder dele poderia cuspir a energia fora ou ficar altamente resistente a uma explosão?


Enfim, X-Men, do diretor Bryan Singer falha terrivelmente no que diz respeito a grupos excluídos socialmente. Na verdade, pelo fato de o diretor ser gay assumido, pesa ainda mais, já que seria o primeiro a saber como é isso bem na pele. Juro que até gosto da franquia, mas essa deturpação de valores me incomoda. Nem a troca de trajes individuais e coloridos (o que reforça, nos quadrinhos, as identidades próprias e características de cada um) por genéricos casacos de motoqueiro me importariam tanto se o roteiro tivesse uma linha mais simples de ‘temidos e odiados pelo mundo que juraram proteger’. E ainda dava pra colocar ótimas sequências de ação e humor, afinal, foi isso que tornou os personagens queridos nas HQs: Um novelão com aventura, romance e humor, no melhor estilo ‘essas feras vão aprontar as maiores confusões no maior clima de azaração’, da Sessão da Tarde. Rá!

X-Men - Apocalipse


Ps.: Tentaram esboçar um arrobo de diversidade no Dias de Um Futuro Esquecido com Tempestade e Bishop negros, a Blink chinesa, além do Apache (nativo estadunidense) e Mancha Solar (que é brasileiro e preto, ou deveria, tendo sido criado assim no gibi)... Mas a grande verdade é uma só: Tem mais personagens azuis do que negros. Tipo Maurício de Souza que tem mais personagens animais antropomórficos do que negros.



Ps²,: Sim, eu notei que Alexandra Shipp (sempre linda) é negra e apareceu nesse mais recente Apocalipse, mas aí, no máximo, voltaram ao status quo 'Taís Araújo', tipo, tem uma negra de novo, ela é a Tempestade.  

Bryan Singer, o diretor.


O X-man Darwin virou até piada na web, como o que tem o grandioso poder de se adaptar pra sobreviver e é o único que morre. Na dúvida, morre o preto. Repare em outros tantos filmes que quando não é o preto é o latino, é o japonês... enfim, o recado deles é nítido, né?


"Se adapta para sobreviver a qualquer coisa... único x-man que morre"



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Racismo, preconceito e discriminação não são a mesma coisa


Racismo, preconceito e discriminação, em geral,
É uma burrice coletiva sem explicação, afinal
Que justificativa você me dá pára um povo que precisa de união (...)

Pra falar sobre consciência negra, nunca deixo de lembrar da primeira canção direcionada a criticar o racismo que eu parei pra esmiuçar e começar a entender aquele fenômeno que, estranhamente, apenas eu passava, quando em determinados locais onde eu era claramente negramente minoria. Digo porque sou filho da classe média remediada, confortável, daquele tipo de negro que nunca passou necessidade, sempre teve acesso a escolas e faculdades particulares, cursos extra-curriculares e outros confortos que fazem de mim minoria absoluta, não por ser negro no Brasil (que somos mais de 50%), mas por ser negro em ambientes comumente caucasianos. Falo da letra de Lavagem Cerebral, de Gabriel, O Pensador. Lembro que eu tinha uns 11 anos e vidrei naquele estilo de cantar tão direto, sem muita poesia, havia uma certa fúria irônica que me cativou pela pré-adolescência iminente e contestações auto-contidas (sem falar nos casacos com capuz que gosto até hoje, rá!). 

Tenho esse vinil até hoje.

Pulando rapidamente para alguns meses atrás, quando um camarada das antigas me questionou sobre o assunto, achei que valia a pena transformar aquela rápida troca de mensagens facebookianas em texto e o dia não poderia ser mais oportuno. Pois bem, você aprendeu nas aulinhas de moral & cívica (tá velho, hein, veio!) um monte de baboseiras e nem sabe. Tanto muitos não sabem que repassam aquelas bizarrices como verdades. Por exemplo, o negro “veio” para o Brasil onde criou o Samba e outras distorções sutilmente descaradas que nos impediam de ver a real situação. Por isso que tem tanta gente achando que fazemos alrde à toa quando denunciamos o racismo. Nunca conseguiram tirar o papelão com paisagem bonita da frente do rosto pra ver o mundo real. Daí, lembrei que o referido amigo me perguntou a diferença ente racismo, preconceito e discriminação, o que me fez lembrar logo da canção de Pensador, O Gabriel (hein?!) e me trouxe à caneta (TECLADO!)  para devidos esclarecimentos enegrecimentos. E vamos fazer isso na ordem que o famoso rapper enumerou (até porque, não sei mais falar em outra ordem sem sentir que há algo de errado no campo da força jedi, de tão entranhada que a canção está no meu ser (UIA!)).


Racismo: É o sistema de poder entre raças. Eu sei, eu sei, você vai cuspir que #somostodoshumanos, mas chamando de raça ou etnia, não somos todos iguais, mesmo que sendo todos humanos, ok? Racismo é quando uma raça (europeu, por exemplo) estabelece que precisa dominar outras (indígenas e africanos, por exemplo) e se sentir superior. Simples assim. É por isso que não há racismo inverso nenhum. Pro negro dominar o branco, teríamos que destruir nossa linha temporal e acessar uma viagem no tempo pra reconstruir a realidade de modo a ver a colonização partir da África para as Américas utilizando mão-de-obra européia. Aí sim, veríamos o resultado do racismo praticado por negros pra cima do resto do mundo. Não adianta vir dizer que sofreu racismo inverso porque foi xingado na fila do pão, ok? Xingar, qualquer um xinga de tudo. Eu já fui xingado de ‘viado’ e nem gay eu sou. Logo, não posso dizer que sofri homofobia, sacou? Não banalizemos conceitos pra não ficarmos com cara de babaca nem a bunda exposta na janela.

Preconceito: É o ato de formar uma opinião sem base de conhecimento para tanto. Sabe quando você só ouve uma música de um artista e já quer falar se ele é bom ou ruim? Então. Não adianta a maior certeza que você tiver, se não ouviu o restante da obra do artista, sua opinião é apenas um chute. Preconceito é isso, um chute. E, em se tratando de relações sociais, sempre é um chute no saco. Tiro no escuro. Aliás, no negro e em qualquer outro grupo social. Na verdade, o preconceito não é sinônimo de racismo e aparece em qualquer assunto. Veja outros exemplos: “Favelado” é mal educado, gay é promíscuo, homem não presta, artista é drogado, etc. Preconceito é uma corruptela daquele jogo de palavras ‘pré-conceito’, ou seja, ao passo que um conceito é uma definição – exata ou aproximada – de algo, o pré-conceito é justamente o que acontece quando você formula essa definição sem ter observado o bastante pra diminuir as chances de falar merda algo que fuja à realidade.

Discriminação: Discriminar é distinguir, separar, destacar e por aí vai. Num âmbito geral, nem é uma palavra pejorativa, pois você pode discriminar o trigo do meio do joio, saca? Mas, estamos falando em relações sociais, onde discriminar é dar um destaque a alguém ou a um grupo de maneira que o(s) afetado(s) serão destratados ou ignorados. Isso, a exemplo do preconceito, também não é “privilégio” do negro, pois deficientes são discriminados, gays, roqueiros e muitos outros grupos.


Bônus:  Estereótipo: O estereótipo vem da padronização genérica. É a formulação de um tipo específico de determinadas características que vão ser a base de julgamento das pessoas que acatarem essa programação de suas mentes. Há muita gente aí que acha que precisa ter uma referência. Eu digo assim: BULLSHIT!!! Foi por passar anos em frente à TV que eu também achei que nunca seria considerado bonito, inteligente ou legal. Eu nunca fui aqueles estereótipos da TV, nem da capa da revista e nem era tão caricato quanto os estereótipos em que poderia me encaixar, como o negro engraçado da turma.

Do estereótipo, vem o julgamento de bom/mau, feio/bonito, etc. Desse julgamento, vem o preconceito, que gera a discriminação. E quando se trata de negritude, de juízo de valor de acordo com a etnia predominante, esse processo se chama racismo. É só reparar, fazer piada com preto sempre é mais fácil, sempre é mais fácil achar que o bandido é o preto, o favelado é que é significância de atraso social na cabeça da sociedade hipócrita, que acha que o cara vai pra favela porque quer e não a sociedade que criou essa situação. São os ritmos negros que as pessoas atribuem ao sexo banalizado, falta de planejamento familiar e é a religião afro que é vista como suja e demoníaca.


Racismo, preconceito e discriminação não são a mesma coisa, assim como música, dança e canto também não, mas esbarram na mesma matriz de conversa (já fui melhor nas analogias).

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