Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

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terça-feira, 1 de junho de 2021

Mulher é presa por injúria racial, mas liberada após pagar fiança de mais de 2 mil reais no RJ

 


Ana Paula de Castro Batalha é o nome da ‘princesa’ que consumia no Baródromo (Maracanã) e, diante de uma conta errada, entregue por uma garçonete negra, xingou a mesma de ‘negra fedorenta’ e a acusou de tentar passar-lhe a perna.

Primeiro de tudo, o nome e a cara que tem que aparecer numa notícia de crime é a do criminoso e não da vítima, beleza? Então, preservo a funcionária. Mas a racista... foi presa. O bar publicou uma nota de repúdio, mas não é sobre isso que eu ia falar. É a partir disso.

A criminosa foi enquadrada por injúria racial que, ao contrário do racismo, tem fiança. Pagou mais de R$ 2.200,00 e saiu, depois de ter sido confrontada por clientes próximos, também negros, a quem ofereceu mais racismo e homofobia. Sobrou até pra outra funcionária (nordestina), ofendida com xenofobia. Quer dizer, um ser humano maravilhoso, né?

Mas a reflexão que lanço é a seguinte: Aquela turma que sai em defesa de branco, que acredita em racismo reverso... Agora estão em silêncio, percebe? Quem está quieto diante de coisas assim, que ocorrem todo dia, mas espera novembro pra dizer que somos todos humanos. Cadê?

O Brasil é um grande centro de gerenciamento de ‘síndrome de mucama’. Vê a negada levar no lombo toda hora e acha normal, justo até. Mas se um branco quebra uma unha, mel dels, vamos salvar essa alma injustiçada pela vida. Parabéns pela raiz bem germinada, Europa.

Fogo nos racistas. E todos os seus simpatizantes. Me empresta a manopla, Stark. Por essa causa, eu me sacrifico.

PÁ! Todos os racistas e simpatizantes correndo em chamas e a gente esguichando gasolina neles. Rá!


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Jojô Toddynho e o tiro no preconceito


Mês passado aconteceram duas coisas interessantes na minha vida... eu sei, falando assim, parece que minha vida é um tédio, mas tô falando de duas coisas diretamente ligadas ao assunto que tratarei aqui e agora, ok? Rá!

Pois bem, li que Jojo Toddynho estaria já definida como a autora do hit do verão carioca de 2018: Que tiro foi esse. Primeiro, pensei que era uma daquelas forçadas de barra da mídia pra fazer vender um produto só na lábia, como aqueles camelôs que te empurram uma mercadoria 'pra acabar', sendo que tem uma caixa novinha pra abrir escondida. Ou ainda, pensei que poderia ser aquelas ondas de influência de público médio, tipo 'espalha que todo mundo gosta que as pessoas vão se sentir na necessidade de gostar também' e aquelas coisas de paris.

Mas não... quer dizer, até tem esse apelo da mídia e o pessoal do marketing trabalha pra isso, mas tem algo mais nesse hit. É uma moça pobre, preta e gorda, então, já tem todo meu apoio e prestígio, afinal, ela é uma fiel representante da camada social a qual pertenço e ver alguém sair de baixo pra mostrar a cara com algo que não violenta física ou psicologicamente ninguém, é sempre um prazer. Mas a galera do contra vem dizer umas coisas que, pelamordedeus...

Como eu disse, a música tem algo mais, ela gerou um meme: As pessoas se filmam simulando cair 'de tiro' no início da música. E é aí que entra o primeiro ponto do mês passado. Eu, que já tinha ouvido falar na música, nunca tinha visto o tal meme acontecendo, mas fui tocar numa festa em que o dj do intervalo teve que repetir a intro da canção umas 15 vezes pra que vários participantes - adultos e crianças - fizessem a tal brincadeira. Só um adendo: Ri bastante da cara do dj, mal disfarçando o constrangimento. Então, lembrei que vi gente criticando que era uma apologia ao crime, banalização da violência, ou até que só o susto do gesto inusitado já perturbava.

Ora, gente... O refrão fala em tiro, mas dá pra notar já no começo que é uma gíria pra algo no sentido de 'arrebentou a boca do balão' (gíria velha, mas que dá uma noção do sentido do meme atual). E as pessoas caem no chão no sentido de que ficaram tão impressionadas que não só o queixo, mas a pessoa toda tombou de admiração. Aliás, falando em tombar, 'tombar' é um gíria nova - popularizada por Karol Conka e que tem o mesmo sentido, mas em primeira pessoa, partindo de quem fala. Pra resumir, uma pessoa que 'causa um tombamento', ela vai ouvir dos amigos 'que tiro foi esse, viado?', sacou? Ou você vai dizer que 'tombar' é incentivas as pessoas a se jogarem no chão, literalmente?Então, segurem as tarraquetas quanto ao suposto mal da violência sendo ensinada através de Jojô Maronttini (nem ela sabe de onde saiu esse sobrenome artistico, mas entendo ela, pois eu também não poderia usar oficialmente o nome de uma bebida - marca registrada - para fins comerciais próprios).

Já que vimos que Jojô Toddynho/Maronttini não inventou a violência urbana com um bordão irônico, vamos ao outro ponto: Escrevi questionando as críticas da sociedade de que os tempos de hoje estariam muito imorais, que antigamente não era assim. Sei, no país que foi fundado por invasores europeus e que trouxe africanos escravizados há mais de 500 anos, HOJE é que a sociedade está condenada... Na música é a mesma coisa. Vivemos no país onde um grupo criado, há mais de 20 anos no estado mais negro fora da África (Bahia) 'enalteceu' a figura da loira e da morena enquanto as próprias eram vistas como bundas rebolativas em canções de duplo sentido... Também tivemos uma cantora que há 40 anos rebola e geme entre programas de auditório e pornochanchadas e sertanejos nascidos em centros urbanos fazendo pose de playboy caipira que só bebe e transa...

Pabblo Vittar e Karol Conka
No fim, é aquele negócio, ninguém questiona que Renato Russo falava 'gosto de meninos e meninas', mas Pabblo Vittar 'é uma bichona escrota'. Ou, mais antigo, quando surgiu o 'quadradinho de quatro', tinha um monte pra fazer piadinha de que o Bonde das Maravilhas teria aprendido a contar até quatro por isso, sem analisar que 'quadradinho' era um movimento de quadris e pernas, um passo ensaiado e não a figura geométrica. Tanto é que o tal quadradinho pode ser feito em pé ou de quatro. É uma questão de posição do corpo na hora da dança e não de geometria avançada.

Mas tem muito disso, quando a arte parte do povo, a sociedade joga m... de cima pra baixo pra esculachar quem já passa a vida penando em trabalhos duros e pouca grana. Quando um pobre alcança uma evolução social, parece errado pra essa gente que gosta de falar 'tinha que ser pobre'. É bem verdade que há muito pouco de contestação social nas músicas mais populares. Vemos o funk e o pagode, por exemplo, querendo usar o que o rico usa, querendo provar pro vizinho que sabe curtir a vida com o que a mídia ensina como o bonito, mas quase não vemos um desses popstars questionando: 'ae, porque um país tão rico tem tanto pobre?'.

Bonde das Maravilhas
Mas é coisa que a própria sociedade (alta) ensina e a mídia massifica. Qual é a cultura geral? De que dinheiro não traz felicidade e o pobre vai achando que muito dinheiro na mão é pra gastar e que não dá certo. Olha como Lula foi tratado enquanto presidente do país sendo o presidente que criou ou pos pra funcionar direito inúmeras maneiras de ascensão das classes mais baixas... Mas estou divagando...  Em outra hora eu entro pra valer (UIA!) no assunto. Por enquanto, vamos dançar conforme a música ou não, você tem o direito de não dançar, só não encha o saco tentando desdançar dos dançantes.

Aguardando os próximo capítulos, onde vão falar que 'sambar na cara' é apologia a agredir os outros com um pisão na face. Quanta bobagem. Agora veja uns exemplares.

O original.


O meme







terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Só hoje em dia é que os valores se inverteram?!

Pessoas que acham que hoje em dia é que os valores estão invertidos... Aloou!
 

Vamos pegar o hoje e analisar que há uma falta de ética tremenda, suborno e desvio de verba pública entre governantes e parlamentares, até golpe político a gente vê. Temos uma pá de gente apoiando políticos apenas porque seguem a mesma religião e essa mesma galera apoia gente que esteve lá na época em que o país estava congelado no passado e afundado em dívidas. Aliás, alguns dos apoiados dessa turma religiosa, que se diz cristã, mas acumula riqueza material, contrariando o grande JC, destilam ódio pela sexualidade alheia, usam religião pra promover discórdia entre seus fiéis e aqueles que não seguem seu código humano de conduta submissa. Defendem e/ou justificam violência contra mulher, racismo pra eles é só piada e essas coisas... Ufa... Tá uma barra, né?

Ok, mas vamos fazer uma regressão nessa linha do tempo louca só pra gente ver se é só o hoje mesmo que tá caótico, tá? Olha, há uns 12 ou 13 anos, o país ganhava um assunto político tremendo pra se falar em todo canto. Um esquema de suborno que ganhou o simpático apelido de mensalão. Entre os mesmos parlamentares que estão lá ainda, se revezando e ganhando o voto do teimoso do povo que insiste em se gabar de não querer saber de política.

Voltando um pouco mais, lá pelo ano 2000, eu, por exemplo, entrava nessa loucura de briga de foice chamada mercado de trabalho. Era governo FHC/PSDB, o desemprego estava nas alturas (exemplos de mudanças drásticas dentro da minha própria casa com desemprego e privatizações) e meu primeiro emprego foi uma terceirização ganhando um, então, salário-mínimo: R$ 300,00. Aliás, líquido mesmo, era em torno de R$220,00. Concursos públicos congelados e faculdades públicas sucateadas.

Lembrando que durante o maravilhoso (#sqn) governo FHC (1994-1998/1998-2000), depois de muito privatizar e chamar aposentados de vagabundos, foi em sua gestão que vivemos um racionamento de energia (que só alarmou a população e gerou umas taxas a mais com a desculpa de que eram precauções futuras). Teve a galera dos ‘anões do orçamento’, ali por 1995 e arredores. Em 1996, matavam sem-terras como moscas e o mundo assistia horrorizado.

Alguns anos antes, em 1990, o – então – candidato Lula, era mostrado como um ignorante de pai e mãe pela edição de um debate tendencioso, onde quem ganhou foi Fernando Collor, expulso da presidência do país num dos maiores escândalos políticos já vistos por aqui, quiçá, no mundo, em 1992. A Globo continua apoiando aquela mesma galera e não aprendeu nem a disfarçar com o tempo. Ah, isso, 5 anos depois de o primeiro presidente eleito democraticamente ter sido substituído pelo vice, já que falecera sob circunstâncias estranhas na véspera de assumir o cargo. Esse vice que assumiu em seu lugar era José Sarney, esse mesmo, dono do Maranhão, pai da Roseana e que fazia parte de um partido que estava lá nos altos escalões da ditadura.

Aliás, nessa época, 1985, encerrava-se oficialmente, um período iniciado há uns 50 anos, quando vivíamos sob as botas de chumbo e miras de morte em uma ditadura que torturava e matava gente só por pensar diferente do governo (todos que sobreviveram ou ganharam fama de rebelde, louco ou terrorista). E essa ditadura, veio por meio da deposição de um outro presidente eleito democraticamente, João Goulart, Jango, apontado em diversas pesquisas da época como muito querido e popular pelo povo. Defendia a Reforma Agrária... que até hoje se faz de tudo pra que não ocorra, ao contrário da reforma da previdência e trabalhista, onde direitos básicos de décadas estão sendo modificados. Sabe quem apoiou o golpe e se tornou um gigante em sua área de atuação? Rede Globo. Pois é, a platinada não nasceu esse baluarte da comunicação. Puxou muito saco pra chegar onde chegou.

Antes desse golpe (que os responsáveis mentiam dizendo ser uma medida de defesa contra um suposto golpe comunista no país, que nunca ocorreu e muitos deles hoje admitem que nunca houve essa ameaça), teve a ditadura de Getúlio Vargas, que era visto como homem do povo, mas enquanto fazia agrados culturais por um lado, estabelecia suas vontades ideológicas de acordo com seus aliados, brasileiros ou estadunidenses. Em seu Estado Novo, 1937, a pobreza foi escondida e a negritude foi maquiada de ‘mulato’ ou ‘miscigenado’, porque pegaria mal uma população predominantemente preta num país que queria – ele – pra um modelo ‘europeu tropial’ e ainda defendendo o ‘american way of life’.
 
E o que houve com a população negra que era escondida da mídia de Gegê? Duas décadas antes, estava sendo expulsa para a criação de favelas, subsistência, subemprego (biscates), falta de saneamento, educação e propenso à criminalidade. E de onde veio isso? Diretamente do fim da escravidão, que, se hoje reclamam que cotas seriam ‘racismo inverso’, quando assinaram as leis que foram liberando os negros da ganância e maldade dos brancos fazendeiros, simplesmente expulsaram essa população das fazendas e jogaram na rua, sem qualquer plano de inclusão social. Não éramos cidadãos, e sim, ‘aquele neguinho’, a empregada, o serviçal... aquele que até hoje ‘tem cara de empregado/bandido’...

Enfim... Voltamos numa rápida conversa, coisa de uns 130 anos e vimos que muuuita coisa aconteceu. Se pararmos pra pensar que parece muito pra um indivíduo, mas para uma sociedade, 130 é o tempo de uma ida ao banheiro, devido à quantidade de coisas acontecendo ao mesmo tempo. Pense que a escravidão, sendo um crime contra a humanidade, foi ‘aceita’ por toda a sociedade, inclusive pelas igrejas (que tinham poder político e nada fizeram enquanto instituição). E, só no Brasil, essa violência generalizada contra o negro aconteceu por mais de 300 anos, respingando em seus descendentes até hoje. Ou seja, mudar hábitos de grupos grandes demora.



Isso porque não abordei os estereópticos preconceituosos com gays, mulheres bonitas e burras, religiões afro discriminadas, exclusão de negros na mídia, representatividade alcançada às duras penas de forma mínima, celebridades falando e fazendo o que querem e saindo impunes enquanto pobres vão presos por nada e não aparece um promotor pra libertá-los, enfim, tendeu, né?

Daí, concluímos o quê? Antigamente não era mais ético nem mais moral... Só não tinha internet pra espalhar a fofoca.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

E a cura da homofobia? Cadê o projeto?



Tão ridículo quanto possa parecer é um juiz se preocupar em aprovar 'cura gay'. Sério, no mesmo país onde um outro juiz libera um tarado da prisão ou alivia agressões físicas como 'pequeno corretivo físico', sem contar com o juiz que quer virar popstar perseguindo um ex-presidente enquanto o atual, que chegou lá por meio de um golpe, está lá de boas... Daí, que o tal juiz de lá do caixa-prego pra permitir que haja 'reorientação sexual' para gays que, eventualmente, não queiram ser gays... Existem tantas, mas tantas questões a se levantar sobre isso que eu vou só sobrevoar algumas.

Há pouco tempo, escrevi sobre uma teoria minha de que Frozen poderia ser uma alegoria a uma possível homossexualidade de Elsa, seu afastamento de seu povo por não ser aceita como é e por ter cansado de ser a menina boa das conveniências da sociedade... Pois bem, lembrei que já escrevi aqui também sobre uma cena de X-Men 2, quando Bobby Drake, o Homem de Gelo, revela à sua família ser um mutante.

Diante do choque de seu povo, sua mãe pergunta se ele já tentou não ser ‘isso’ (mutante, ou gay, se você usar a referência na vida real). Além do gelo ser o poder da pessoa questionada, a ideia de que o outro deve mudar pra agradar a maioria é o ponto da questão. Será que temos o direito de querer que o outro seja como nós achamos que tem que ser? Mesmo que fosse um gesto lindo de boa vontade, será que a simples cogitação de aceitar um tratamento desses já não indica que os errados são os que pressionam pela mudança? Com que direito? Haver gays obriga um hétero a virar gay? Por isso a fobia? Por isso a homofobia?



Nem se chama mais ‘homossexualismo’, pois o termo com sufixo ‘ismo’, neste caso, era uma menção pejorativa de ‘doença’. Há décadas que isso mudou e agora vem esse retrocesso. Na boa, acho que isso cai com o tempo. A gente faz barulho num primeiro momento, mas depois isso se apaga. É que a era da internet faz parecer algo intenso, porque por alguns dias, a notícia é viralizada com intensidade. Depois passa, então, vamos apenas aproveitar a onda de maconha que essa gente tem no cérebro por achar normal que gays possam ser lobotomizados com autorização judicial e isso não seria indicação de que o mundo precisa explodir o quanto antes, pra não piorar a fita do universo. Mas, voltando...

Quantos aceitariam fazer como a Vampira, de X-Men 3, e abandonar tudo pra ser ‘normal’, apenas porque a sociedade vê como anormal algo que é normal? E quantos cobrariam que o próximo se transformasse sabendo que isso pode trazer toda uma gama de frustração e infelicidade, além de auto-punição e pouca auto-estima? E mais, com tanta criminalidade, corrupção, ‘jeitinho brasileiro’, exploração da fé alheia, trocas de favores e interesses, racismo, machismo, etc, etc... Com tudo isso de realmente errado no país e no mundo, é a homossexualidade que eles querem ‘redirecionar’ para o ‘normal‘? Muito estranho e tendencioso... fascista até.

Acho que se propuséssemos a reorientação religiosa, por exemplo, ou a reorientação de interesses, tirando a ambição pelo dinheiro, eles iriam chiar. A reorientação para deixar as pessoas livres sem insistência em seguir regras sociais pra obedecer instituições religiosas, como quem faz o que o próprio pai manda... Acho que essa moda não pega, né? É tudo parte de um plano maior, um levante nazi-fascista silencioso que está aumentando. Da última vez, virou o que chamamos de ditadura militar, hoje em dia, com tanto bolsomerda por aí, sei lá...



Aff... no geral, essa tal ‘cura gay’ só vai gerar uma guerra ideológica que eles mesmos vão perder, essa gente que defende qualquer forma de discriminação, seja oficial ou por piadinha que for... Nunca se pode ir contra o povo. Já estou ligando pra um monte de amigues pra perguntar se estão bem, afinal, o que vai dar de atestado médico e aposentadoria por invalidez nos memes não está no gibi (nem no congresso). Agora, veja você, sugerir e aprovar a lavagem cerebral (sim, é isso que essa tal cura/reorientação é) ... Feliz 1717!!!

Próximos passos: Choques elétricos para curar esquizofrenia, queimar pessoas sob acusação de bruxaria, a classe burguesa dançando um minueto entre uma execução e outra, mas com a diferença que hoje em dia tem internet e celulares com câmeras. Pessoas morrem por ser gays, ou seja, outras pessoas MATAM gays. Não são os gays que precisam ser curados, mas os psicopatas que têm peito pra agredir e matar apenas por maldade.


P.s: Não se propõe cura pra quem tem cisma com gay também não? Acho que esse pacotão de absurdo pode fazer sentido se você pagar um tratamento psicológico pra quem toma conta da vida dos outros em vez de respeitar e parar de olhar pela janela alheia... Na boa, pra mim, isso é coisa de quem adoraria se libertar das amarras do preconceito auto-imposto e vestir a bandeira do arco-íris. Mas como não pode porque teme o preconceito, acaba não se aceitando nem aceitando os que têm coragem, ou são menos sutis em demonstrar quem são. Sabe quando um preguiçoso odeia ver um trabalhador porque isso o fazx parecer ainda mais preguiçoso pra sim mesmo? Pois é...

"Algumas pessoas são gays. Supere isso!". É o Magneto falando, caras, deixa de preconceito e vai viver!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Silvio Santos: Ditadura e Preconceito na Comunicação Brasileira


É inegável o tino comercial de Senor Abravanel, vulgo, Silvio Santos. Também é bem verdade que este texto não visa simplesmente ser um difamador de celebridades, mas algumas considerações nada lisonjeiras eu preciso fazer aqui sobre a participação dele em nossa sociedade, enquanto formador de opinião.

Primeiramente fora temer eu preciso fazer toda uma sala e estabelecer o cenário: Silvio Santos recentemente contratou “Marcão do Povo”, um desses apresentadorezinhos escalafobéticos discípulos dessa linha metida a cientista social que em vez de jornalismo, acha que representa alguma autoridade e fica gritando revoltinha contra o mundo-cão que eles mesmos massificam no subconsciente da população. Obviamente que o mundo é um lugar complicado e perigoso, mas deu pra sacar de que tipo de programa eu to falando, né?

Bem, acontece que o tal do apresentadorzinho chamou a cantora Ludmilla de ‘macaca’, em decorrência de noticiar aquele episódio da Kátia. Disse ele que era um maneirismo de dizer que era ‘pobre’ e todo aquele teatrinho que o racista usa pra ser racista, mas não ter coragem de assumir. A própria Record demitiu ele da afiliada depois do episódio e Silvão faz o quê? Contrata o cara. Sim, racista tem emprego na TVS(BT). E vou te dizer porque isso não me surpreende.

Silvão de boas curtindo com presidente Figueiredo

Além de a emissora do Baú ser uma tremenda casa da mãe Joana, onde quem decide tudo é o próprio dono, sem diretoria pra delegar funções, o jornalismo, o entretenimento, tudo isso é apenas mote pra manter suas vendas em alta (imagine agora uma daquelas imagens JEQUITI surgindo rapidamente na tela). Além disso tudo, Silvio já tinha defendido Raquel Sheherazade com a falsa defesa da ‘liberdade de expressão’ naquela ocasião em que ela apoiou o linchamento de um menor infrator por uma gangue de playboy de ficha corrida na polícia aqui no Rio de Janeiro.

Também é Silvio o responsável por contratar Danillo Gentilli, aquele pseudo-comediante que, a exemplo de Silvio, é só um bajulador preconceituoso. Sacou quando falei que Gentalha é ‘a exemplo‘ de Silvio? Pois é, a complicação que explica o atual cenário do SBT é que Silvio tinha amizades-fãs no alto escalão do governo Figueiredo (não perca o vídeo lá no final do texto) e ‘ganhou’ a concessão pra uma emissora onde, em São Paulo, operava a clássica TV Tupi (Canal 4-SP), tanto que a posição da antiga Tupi aqui no Rio (Canal 6) ficou com a família Bloch e se tornou a Rede Manchete. Note como o jornalismo, de maneira geral, é basicamente o mesmo nas emissoras. Note que eles não são críticos com quem não interessa e só falam o que o povo se acostumou a escutar como o certo. Note que eles não entram em polêmicas que não lhes convêm.

Ambas vieram com uma proposta simples, ser a pseudo-concorrência da Globo e fazer mais do mesmo. Você que não sabe, a Globo obtinha altas vantagens durante a ditadura pela parceria com o grupo Time-Life junto ao governo. Enquanto o governo apertava o pescoço da população e vendia barato o que é nosso pra gringolândia, a gringolêndia (leia-se os EUAses) ganhava um canal direto pra impor sua cultura diretamente nas mentes mais fracas. A TV não é uma força da natureza que brota de dentro do aparelho. É feito por pessoas com amizades próximas na política e essa classe rica vai vendendo o estilo de vida que eles acham melhor pra eles e o povo vai aceitando como quem segue o manual do bom cidadão escrito pelo próprio deus judaico-cristão.


Então, ficou essas décadas todas, desde 1980 e alguma coisa: A globo obtendo prestígio junto à classe política da ditadura, junto a parcerias gringas, se fazendo de talentosona e a concorrência acomodada, ali, mordendo sua fatia, coisa que você percebeu, com certeza. O que pode não ter percebido é que Silvio é tão grato à ditadura, que um dia eu assistia a um quadro seu de imitadores e um tiozinho foi de Presidente Figueiredo para repreensão de Silvão. Ele não via com bons olhos uma imitação a uma figura a quem ele tinha gratidão pela concessão de seu canal. Aliás, um de seus jurados lá nos primórdios de emissora era parente do então presidente militar Figueiredo.

A palavra concorrência nesse contexto é tipo futebol, não adianta brigar hoje porque amanhã o rival vira colega. E a comunicação no Brasil é comandada pelos mesmos poucos grupos. Veja só como os Marinho (globo), Abravanel (SBT), Civitá (Grupo Abril), Macedo (Record) e Saad (Band) participam do cenário midiático nacional. São poucos nomes para se comunicar com mais de 200 milhões de cidadãos. E considerando que a TV chega a mais de 95% da população, imagine o que acontece na comunicação em massa. Sim, dominação mental.


Nenhum deles pode dizer que é a favor do país ou que é patriota. Os patriotas que desejavam um país democrático e justo foram mortos ou exilados. Ou foram calados ou desacreditados. A TV Excelsior foi uma que teve portas fechadas porque sua cúpula era contra ditadura. Apoiou Kubstchek, Jango e todos eles foram limados do circuito. Quem era contra ditadura, morria, era expulso do país, preso ou tinha que se calar. Lembra da letra de Comportamento Geral, de Gonzaguinha? ‘Você deve aprender a baixar a cabeça e dizer sempre muito obrigado...’. Pois é.


Então, o que aprendemos hoje, crianças? Que Silvio Santos faz muito bem o papel de velho gagá, tiozão engraçado da festa, mas fez muito melhor seu papel de comerciante bem relacionado. Dizem que ele não apoiou a ditadura, mas se beneficiou dela... Tendo em vista as contratações que faz (Marcão, Gentili, Sheherazade, Mara ex-Maravilha...) só posso concluir que santo também não é. Note agora os que se destacaram muito e foram alçados ao status de reis por amizades nos lugares convenientes, mesmo que se fazendo de surdo para os gritos dos oprimidos... Pelé, Roberto Carlos e toda essa galera. 



Diga-me com quem andas e te direi quem és.    




domingo, 5 de fevereiro de 2017

Marchinhas, brasileiros acomodados e o que é proibido é gostoso


Reparei que a principal queixa de quem não aceita o banimento de certas marchinhas carnavalescas preconceituosas é o simplório: "ah, mas eu aprendi pequeno e elas são tradicionais". Nem chega a uma camada mais profunda (UIA!) de questionar se não era pra já ter acontecido isso muito antes ou se vale o debate.

Nisso, a gente conclui que o problema da humanidade é ver e se acostumar e temer mudanças porque isso tira a pessoa do seu mundinho de pleno conhecimento, seu lugar comum, seguro. Admitir mudanças é abrir a mente a um novo pensamento, mesmo que dê merda e você acabe voltando, mas pelo menos se desafiou a conhecer novas visões.

Já ouvi de tudo, que preconceituoso é quem critica as letras (oi?!), que são tradicionais, portanto, inquestionáveis, que se for no carnaval, então vale até preconceito e até comparações com outras músicas, naquelas simplificações, tipo: Se 'O teu cabelo não nega' for machismo e racismo, então, Garota de Ipanema é um assédio porque elogia moça enquanto anda... Calma lá... Se Garota de Ipanema é assédio, eu não sei, mas é muito diferente de chamar um gay por uma apelido pejorativo ou dizer a uma mulher negra que dar uns pegas sem compromisso vale, desde que não se misture as cores.

Essas letras retratam uma realidade que ainda existe, só que hoje, os alvos dessas letras 'leves e bem humoradas' têm poder de resposta. Quem não se ofende com elas, ok, mas elas são deboches com tipos tidos como folclóricos, como o negro, o gay, o índio, etc. Nunca foi certo, mas antes, era padronizado que certos grupos podiam ser ofendidos. Não sei o que tem de tão carnavalesco um cara se vestir de mulher negra se fazendo de caricatura. E se você ri diante de uma mulher negra sambando, não sou eu que sou o chato, você é que tem problemas psico-neurológicos graves.

Muita gente traz isso na auto-estima, aliás e de tão conformista com a ofensa, nem se incomoda. Tipo cachorro que apanha, mas se mantém fiel ao dono. Você já viu folclorizarem e tratarem como exótico o branco de cabelo cortado e liso? Não, né? E já se perguntou porquê? Porque, simplesmente, vivemos num país colonizado por brancos e tudo que aprendemos socialmente, veio daquela etnia, daquela 'casta' européia.


Fica mais fácil entender que o branco tenha sido o invasor e também o dominante social. Se infiltraram nas mais diversas culturas pra dissolve-las e deixar sua marca, como em um gado. Não à toa, esses ricos deixaram herdeiros que até hoje compartilham a enorme riqueza que nós, a maioria, produzimos pra eles e isso inclui sistemas complexos como a comunicação de massa. Entende porque o protagonista da novela é branco em 99% das novelas?

Então, divaguei legal nessa, lembrando os velhos tempos do meu primeiro blog, só pra dizer que vale a pena tentar ver um sentido em vez de apenas reagir por reflexo, como quem esfrega o braço durante picada (UIA!²) de mosquito. Somos (ou deveríamos ser) racionais, então, raciocinemos.

E sabe o que eu reparei também? Essas marchinhas são muito famosas, mas nem de longe são as mais tocadas pelas pessoas que eu vejo reclamarem. É o lance que o brasileiro adora, de se é proibido, então eu quero, é mais gostoso. As marchinhas estavam lá, ninguém ligou. Disseram que serão banidas 'ah, qual é o problema com a letra? Vou cantar só por isso'. Aff... crescer todo mundo cresce, evoluir é que é o desafio, como diz uma música minha.



Vamos ver uns exemplos que os acomodados não querem enxergar porque, realmente, a maioria das pessoas apenas ouve a música, não percebe que músicas são textos e, como tal, precisam ter uma coerência fora da melodia, por mais que haja liberdades poéticas e artísticas. Até o Djavan segue uma lógica (toda própria, mas segue). Então, vamos ver trechinhos das letras:

"O teu cabelo não nega, mulata / porque és mulata na cor / mas como a cor não pega, mulata / mulata eu quero teu amor". Você repara no restante da letra e percebe que o autor (o clássico Lamartine Babo, dos hinos de futebol famosos) está nitidamente falando em dar uns pegas na pretinha, já que não vai rolar nada sério mesmo. E pra falar mulata, ou a musa inspiradora era preta e ele tem vergonha de dizer que gostou da preta, ou é daquelas pessoas negras de pele clara, tendo a etnia definida, não na cor, mas na textura de cabelos. Pura filosofia de patrão visitando a senzala pra se lambuzar e voltar pra casa grande.

"(...) será que ele é transviado / mas isso eu não sei se ele é / corta o cabelo dele / Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é (...)". Caras, sério que ninguém vê maldade nisso? Desde a escola que a gente via os gays sendo motivo de deboche. Andando isolados ou com os pouquíssimos que não se afastavam por medo de virar motivo pra chacota junto. E vejo muita gente dizendo que não tem maldade, mas faz comentários parecidos no dia a dia.

"Maria Sapatão / de dia é Maria / De noite é João / O sapatão está na moda / o mundo aplaudiu / é um barato, é um sucesso / dentro e fora do Brasil". Aparentemente, ela apenas constata o fato de mais pessoas saírem do armário a cada geração, mas repare na comparação 'sapatão/homem'. Um estereótipo ridículo, pois gera comentários como 'fulana é sapatão?! mas não parece, é tão bonita!'. Cria e reforça uma ideia de que por ser homossexual, a pessoa automaticamente se torna o sexo oposto. E como a feminilidade da mulher é quesito de escala de valor (mais delicada e frágil, mais conveniente pro homem machista), logo, a mulher masculinizada se torna alvo do ódio homofóbico e piadas de mesmo tom.

Não tem marchinha zoando o playboy hétero que adora futilidades e gasta a mesada do papi enchendo a cara nas casas de show badaladas, né? É tão inocente que só zoa aqueles que já apanham na vida real só por serem o que são? Repensa o seu preconceito antes de achar que não tem nenhum.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Por que ‘X-Men’ falhou terrivelmente com a humanidade?



Bem, pro título não ficar muito comprido, explico que estou me referindo ao universo cinematográfico e não à equipe de mutantes em geral, muito menos especificamente no material-fonte, ou seja, HQs. E, sim, sei que ficou um titulozinho safado, dando a entender que eu falaria até, quem sabe, do aspecto fictício de alguma aventura específica. Ou não, sei lá.

Aliás, se quiserem saber mais sobre o que eu acho dos mutantes dos quadrinhos, já falei do fantástico arco Deus Ama, O Homem Mata (Conflitode Uma Raça), onde William Stryker quer provar que mutantes não são humanos e sim, aberrações ameaçadoras enquanto ele mesmo defende essa monstruosidade de preconceito, já citei as linhas gerais da criação do núcleo mutante diante das causas sociais de grupos discriminados, e até num texto antigão, de 2009, quando eu ainda assinava Fernando Garcia (de onde vem o nome desse infame, porém honesto blog - Rá!), sobre o que se perdeu com o tempo na série (e suas milhares de revistas banalizadoras de causas). Mas, vamos à questÃ.



No cinema a questão mutante fica muito restrita apenas ao fato de os personagens serem mutantes, não dando muita profundidade às analogias que a série faz nos quadrinhos, como homossexualidade, antissemitismo, racismo, etc. Um lampejo de profundidade, vemos algo que se aproxima dos quadrinhos quando Wolverine, Vampira, Homem de Gelo e Pyro (UIA!) conversam com os pais de Bobby e sua mãe reage como se o filho estivesse saindo do armário (“Filho, já tentou não ser isso?”). Até que a cena é maneira, nada pesada, mas um tanto intensa, o que compensa – quase – o primeiro filme, onde Magneto tem um verdadeiro plano Power Rangers de transformar todos em mutantes pra que não discriminem mais uns aos outros... Sério? É algum vilãozinho das Três Espiãs Demais?

Além de a humanidade acabar inventando outro motivo pra discriminar, onde esse plano retrata a luta diária contra discriminações? Se Magneto fosse real, ele ia transformar todo mundo em judeu? Em gay? Enfim, to me fazendo entender? Não se luta pra tornar o outro em semelhantes, se luta pra que haja respeito ao diferente, catzo! Nisso, os filmes falham, já que focam demais no Wolverine e aquele passado escroto – que já desvendaram, mas eu gostava quando era só um mistério de um cara esquisitão. Aliás, se o primeiro bota Magneto como o vilão da semana e o segundo é um revezamento de explosões, com outra vez, Xavier sendo posto fora de combate e, outra vez, Wolverine lutando pra descobrir seu passado. E no 3º filme então, são só cenas de ação, diálogos estranhos e outra vez Xavier fora de combate e outra vez, Wolvie sendo o Charles Bronson com garras.



Nada muito representativo se lembrarmos que X-Men foram criados na década de 1960 e Magneto com Xavier representam Malcolm X e Martin Luther King Jr, na luta pelos direitos civis dos negros nos EUAses daquele tempo. Enquanto Magnus/Malcolm tem a visão radical de que estamos em guerra e precisamos defender os nossos como for, Xavier/Luther King prega a harmonia entre as raças diferentes num mundo de paz. Ok, num primeiro momento, os quadrinhos vacilaram trazendo apenas jovens brancos estadunidenses entre os protagonistas, ou seja, mutante pode, mas nada muito ‘étnico’ (o que foi melhorado na segunda formação com integrantes de vários países do mundo, mas não é sobre gibi aqui).

Nos primeiros filmes, apenas Tempestade é preta, e é a Hale Berry, então, seria como ver uma novela com uma negra só sendo a Taís Araújo, saca? Não é desafio à diversidade quando o nome já vem brilhando. Aliás, muito pouco se diversificou. Aí, veio o reboot, que na verdade, virou prequel – e que teve seu próprio prequel na continuação (hein?!) – Primeira Classe. Tinha um negro no elenco principal. E adivinha só? Não só foi o primeiro a morrer, como foi o único! Parabéns, jovens diversificadores! Vocês criam uma franquia cinematográfica para uma série que representa lutas sociais de aceitação contra a discriminação e o único preto morre antes que a verdadeira aventura comece.

X-Men - Dias de um futuro esquecido


Tá, tenho dois adendos, você, se assistiu atentamente feito eu, notou que tem outra pessoa negra ali, mas além de se encaixar no exemplo ‘Taís Araújo’ (pois é filha de Lenny Kravtz com Lisa Bonet), ainda se bandeia pro lado do vilão. A outra questão é que o personagem morto tem o codinome de Darwin, porque seu poder é se adaptar para sobreviver. Tipo, cria guelras se estiver embaixo d’água, tem a pele de pedra ou metal para suportar temperaturas muito altas, etc... Aí, o que acontece... Ele explode com uma ‘bomba’ implantada pelo vilão na sua boca... Tipo... Cara, nenhum poder dele poderia cuspir a energia fora ou ficar altamente resistente a uma explosão?


Enfim, X-Men, do diretor Bryan Singer falha terrivelmente no que diz respeito a grupos excluídos socialmente. Na verdade, pelo fato de o diretor ser gay assumido, pesa ainda mais, já que seria o primeiro a saber como é isso bem na pele. Juro que até gosto da franquia, mas essa deturpação de valores me incomoda. Nem a troca de trajes individuais e coloridos (o que reforça, nos quadrinhos, as identidades próprias e características de cada um) por genéricos casacos de motoqueiro me importariam tanto se o roteiro tivesse uma linha mais simples de ‘temidos e odiados pelo mundo que juraram proteger’. E ainda dava pra colocar ótimas sequências de ação e humor, afinal, foi isso que tornou os personagens queridos nas HQs: Um novelão com aventura, romance e humor, no melhor estilo ‘essas feras vão aprontar as maiores confusões no maior clima de azaração’, da Sessão da Tarde. Rá!

X-Men - Apocalipse


Ps.: Tentaram esboçar um arrobo de diversidade no Dias de Um Futuro Esquecido com Tempestade e Bishop negros, a Blink chinesa, além do Apache (nativo estadunidense) e Mancha Solar (que é brasileiro e preto, ou deveria, tendo sido criado assim no gibi)... Mas a grande verdade é uma só: Tem mais personagens azuis do que negros. Tipo Maurício de Souza que tem mais personagens animais antropomórficos do que negros.



Ps²,: Sim, eu notei que Alexandra Shipp (sempre linda) é negra e apareceu nesse mais recente Apocalipse, mas aí, no máximo, voltaram ao status quo 'Taís Araújo', tipo, tem uma negra de novo, ela é a Tempestade.  

Bryan Singer, o diretor.


O X-man Darwin virou até piada na web, como o que tem o grandioso poder de se adaptar pra sobreviver e é o único que morre. Na dúvida, morre o preto. Repare em outros tantos filmes que quando não é o preto é o latino, é o japonês... enfim, o recado deles é nítido, né?


"Se adapta para sobreviver a qualquer coisa... único x-man que morre"



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Patrícia Abravanel: Desinformação por má fé ou por ignorância?




Só pra constar, polêmica é algo que divide opiniões, o que essa moça falou foi puro preconceito, ignorância e desinformação. Se foi maldade ou burrice, aí, sim, é polêmica, sacou? Eu sei, eu sei, muita gente já deve estar dizendo que foi apenas um deslize ou que a opinião dela é sagrada e acima do bem e do mal, diferente do julgamento que alguém assim faria do vizinho ou da namorada do genro, porque artista parece que fica invulnerável ao erro pro seu fã clube, mas vamos, lá, vamos ao texto.

Quando Patrícia Abravanel começou a despontar na TV, todos sabiam que ela podia ser filha do homem do baú, mas nunca alcançaria o status místico que Silvio Santos tem enquanto pessoa pública. Ponto. Guarde a palavra ‘mística’, ainda vamos voltar de/com força nela. A própria “apresentadora” (Patrícia ‘obrigado por tudo papai’ Abravanel) já tinha dito isso e num teleton desses chegou a tomar um espaço – ao que parecia – não ensaiado pra falar uma parábola/metáfora sobre um bicho ou uma semente (sei lá o quê, esses papos de auto-ajuda) que era visto como esquisito e que encontrava seu caminho para deslanchar e surpreender a quem não apostou em seu sucesso. Estava na cara que ela falava dela mesma (deve ter sido aquela que a família pegava no pé por não saber fazer nada, palpite inútil meu). Estava na cara do pai também que aquele foi um improviso do tipo ‘filha, quer chamar atenção, mas não assim, né? ‘constrangimento no ar’’.


Enfim, ela até que se saiu bem como apresentadora e seu jeito meio bobinha cativou o público do pai (que tiazinha de auditório não vai achar uma graça a filha biruta de seu ídolo maior na TV?). Mas mal começou e já tá apodrecendo no pé. Além das recentes declarações hipócritas de que respeita (?!) homossexuais, só não achando ‘normal’ – e ainda enfiando umas de que isso não é preconceito (é sim), apenas sua opinião (preconceituosa), eu lembro que ela já tinha se expressado assim há um tempo, quando mãe e filha participavam de um quadro onde lavavam a roupa suja por que a filha era uma dançarina de pole dance lésbica e sua mãe não gostava de nada disso. Em geral, os colegas de bancada da filha do Senor entenderam que a mãe até poderia estar preocupada com o preconceito contra a filha, mas que a jovem era dona da própria vida e uma mãe de verdade apóia sua cria pra enfrentar tudo junto. Mas patricinha não, ela tinha que falar que a mãe estava certa, que se preocupava com a filha, que queria uma vida ‘normal’, ‘regular’ (eufemismos pra conservadora e preconceituosa) e blá, blá, zzzZZZZZZZ.


Sono. Muito sono dessa menina. Mas vamos continuar. Depois de ter levado resposta firme até do sobrinho famoso (do tipo que realmente tem talento artístico além do sobrenome e da conta bancária de papis), eis que a jovem lança o seguinte:

"Países muito místicos muitas vezes tem consequências; 
o povo deixa de trabalhar. Países mais racionais,  que têm 
uma fé em Deus, mas que acreditam no esforço, no suor, 
no trabalho. Em se portar, em ter um casamento e ter que 
cuidar dele, esses países vão mais pra frente"
ABRAVANEL, Patrícia – Dicionário bilíngue: Português e várias bostas.

Caras... falar bosta deve ser um idioma bem concorrido nesse povo de mídia convencional, hein! Só bilíngüe ilustre. Memes por natureza. Patricinha só não pensou (ÓBVIO!) que misticismo por misticismo, acreditar numa religião que fala em adorar um ser que nunca viu e num homem – que pode até ter sua contraparte histórica, mas nenhuma comprovação sobrenatural – é responsável por transmutar água em vinho, alguns pães em milhares, curar e ressucitar pessoas e, ele mesmo, voltar da morte com feridas e tudo pra falar que legal que seus amigos acreditavam nele. Patrícia, misticismo é tipo... isso que você defende, sua preconceituosa. Se quer atribuir miséria à África, saiba pelo menos duas coisas básicas: África é um CONTINENTE e não um país, ou seja, é muito grande e tem miséria assim como tem belezas naturasi e riquezas. O problema é que os colonizadores dos EUAses, que tanto adoras, foram europeus, aqueles que exploraram tanto o continente-mãe que agora deixou essa fama lá. E vamos parar com essa visão besta de que em África só tem tribos e rituais místicos, essa visão é equivocadamente idiota. Com tantas ferramentas pra se informar, só posso imaginar que é muita má fé de uma pessoa que trabalha num veículo de comunicação de largo alcance, como a TV aberta.


Eu já tinha ouvido essas b$%stas de outros evangélicos ao longo da vida. Já vi esses falsos crentes se fazendo de povo santo pra condenar a pobreza em países não cristãos. Tanta mentira pra parecer que seu clube é o melhor que até inventam que o inimigo de sua mitologia não está em sua mitologia e sim na dos outros. Eu entendo que os líderes religiosos deles tenham interesse em ganhar fiéis por medo e ódio ao diferente deles, porque trocando auto-estima alheia por ódio ao diferente, eles garantem fidelidade dessa gente sem auto-confiança, garantindo que usem seu dinheiro e adoração exclusivamente para sua panela... mas seguidores com essa pinta? Quem disse que educação de ponta salva da oligofrenia? Agora fique com algumas das reações ao festival de baboseira que a talentosa filha de Silvio Santos grunhiu com a convicção de jogador brasileiro explicando porque levou sete gols numa semifinal de copa do mundo em casa:





Merecido. Palmas para paty, troféu Luciano Huck de abobrinhas podres emitidas! 

Patrícia, calada, tem o potencial poético do próprio rei das bizarices Pelé, entende?

Fonte: O Dia

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Quando falar sem pensar era a lei





Sabe um negócio que é de cair o cu da bunda umbigo da barriga? Gente que acha que tem a maior opinião embasada sobre algo porque olhou no jornal da tv ou na capa do tablóide na banca e já quer sair por aí cagando cuspindo sobre tudo. Sabemos que os sentidos são as características que nos fazem nos relacionarmos copm o mundo externo (ao corpo), então, é pelo olfato que relacionamos boas e más experiências co odores, paladar na boca e por aí vai até a visão... A visão é um troço engraçado. Dizem alguns cientistas que é nosso sentido mais fraco, menos exato, mas que não temos noção por não compararmos a outras, pois, seria impossível adotar olhos de uma águia, por exemplo, só pra ver a diferença. Agora, a visão mental das pessoas, essa sim é das piores.

Basta um coleguinha postar algo que uma turba inflamada já estará com seus martelinhos pra julgar e com foices, ancinhos e tochas pra condenar. As pessoas não estão com pique de parar um segundo pra dar um google e saber outros pontos de vista. Simplesmente porque de alguma forma, acham que só aquela olhadela que deram na postagem - que, diga-se, já vem manipulada pra se adequar à visão do 'postador' - é o suficiente pra falar como se soubesse do assunto. É aquele velho clichê da hipocrisia, falar o que quer e escutar o que não quer. Quanta gente você não vê postando frases de efeito de auto-ajuda do tipo 'falar de mim é fácil, difícil é ser eu' ou similares tipo 'quem me vê não sabe o que passei pra chegar até aqui', mas é só o apresentador escalafobético da tv gritar em direção a si que o candengo já tá falando como se aquela notícia, gravada e editada fosse a própria realidade acontecendo diante de seus olhos. Pra quem faz isso, meu mais sincero: Bleh!

Por falar em apresentadores, esses caras pagam de juízes, acham que são cientistas políticos, policiais, economistas e... apresentadores. Apenas respiram senso comum, trabalham pra gente rica que tem muitas amizades em empresariados, politicagens e outras bossas e os pagam pra falarem que pobre tem que morrer, que bandido tem que ser morto, mas não tem um entendido deses que pare pra realmente pensar, se é que conseguiriam. Ninguém pensa 'ei, mas de onde será que sai tanta criminalidade quando se trata de favela?'. Não, é sempre o mesmo discurso demagogo de defender 'trabalhador' e exaltar o ânimo da plateia pouco exigente contra o marginal. Nenhum desses palhaços levanta questões quanto a uma solução na origem do problema, querem é ver tiro comendo solto e tem um monte de distraído que vai na onda.

Outro dia, o tal Forcolen se defendia de críticas quanto à redução da maioridade penal. Sempre levantamos que num país onde juiz bêbado passa pela Lei Seca dirigindo e ainda consegue o afastamento da fiscal que o autuou, defender redução da maioridade penal ou pena de morte é, no mínimo, instaurar uma nova ditadura. Aí, o dito cujo fala que se a maioria nas cadeias e comunidades é negra, então é normal que se crie esse conceito do negro sempre suspeito/culpado. Pô, a gente luta tanto por justiça social e essas relíquias da idade média atrasam nossa conversa em uns 400 anos. E esse tipo ´[e tão prepotente que acha que porque tem um microfone e uma câmera ligados, que eles realmente têm o que falar. Na boa, não fico 1 segundo gastando minha vida diante de um mala desses. Esses caras não tem a menor base pra entrar numa conversa, seriam os caras que pra tratar um vazamento, mandaria alguém (porque só são valentes no estúdio) jogar papelão por cima da poça, mas não pensaria em que defeito o registro ou o encanamento tem.

E o engraçado é que eles e seu público só sabem falar do que é notícia, ou seja, não sabem nada da realidade, apenas escolhem algum tema com frases preconceituosas o suficiente pra ficar muito tempo repetindo-as e alfinetando os que tentam pensar. Não é que defendamos criminalidade, mas é muito diferente um moleque crescer na favela sem nada, muitas vezes num lar desestruturado e se jogar na criminalidade porque não aprende conceitos que pra muitos são leis da natureza, como amor ao próximo ou limite do que pode ou não. Muitos até sabem, mas se você não tem nada num undo que te orienta a competir com o próximo por status... enfim, não vou desviar muito, voltando, é diferente um pivete de um estelionatário empresarial. Não é a mesma origem que essas 'vertentes' criminais possuem.



Olha só, não tem milhares de postagens sobre as criminosas 'gatas' que vira e mexe dão notícia na net. Os playboys que espancaram um pivete no Flamengo e o acorrentaram tinham ficha muito mais suja e pesada que o próprio menor que agrediram... não teve corrente defendendo 'tem tudo que morrer', então, só embaso minha opinião de que esse gado de manobra do senso comum deveria se calar, pois, como eu digo, gosto é tipo bunda, cada um tem o seu, não é porque tem que deve dar e não é porque dá que os outros precisam aceitar. O interessante é que muito preconceituoso adestrado se sente muito gente da gente ouvindo O Rappa, banda que é assumidamente engajada em causas sociais, como você nota no clipe abaixo, A minha Alma (A paz que eu não quero), onde você vê imagens de uns 15 anos atrás reproduzindo o que estamos vendo este mesmo ano, a caminho das praias da Zona Sul carioca, onde o governo do estado e do município estão oprimindo a população pobre. Quem aposta num arrastão programado ou incentivado? Porque se você para os menores antes que cheguem à praia, mas a violência aumenta... bem... pense, desgraça, pense.


E este é o 'Gigante' hoje em dia.


terça-feira, 16 de junho de 2015

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata - Conflito de uma raça



Como hoje em dia está muito fácil se falar besteira pela internet, até porque internet provém dois fatores muito importante pra besteiras mil se propagarem: 1, ela dá a sensação de valentia e impunidade que nenhuma cachaça braba consegue e 2, ela é igual papel em branco, aceita qualquer abobrinha sem restrição, o que provavelmente dá a ideia de que o emissor/divulgador da falácia pense ser sinal divino de que está certo.



Mas vamos falar de coisa boa, uma das séries que mais permeou meu imaginário infanto nerd juvenil desde o final dos anos '80 e início dos anos '90: X-Men. Pois bem, os 'xisméin' possuem uma historiografia vasta de aventuras espaciais, quebras massa e muito novelão também (porque você pode combater o crime e ter uma D.R antes do churras de fim de semana, não é mesmo?). Então, o que acontece, estou falando de uma aventura especificamente, e no tema que tornou os filhos do átomo referência no assunto: Diferenças e respeito à diversidade. Já falei antes que a mutação genética a que são acometidos (por fatores diferentes, mas com a mesma raiz) pode ser encarada de diversas maneiras na sociedade e esse é o grande barato da série. Sempre achei estranho que um soldadão usando um soro seja herói nacional, mas um adolescente, porque nasceu assim, é odiado (e nem tô falando ainda do Homem-Aranha, visto como ameaça por alguns porque usa uma máscara e escala paredes... bem, seria estranho mesmo).

Entonces, falemos de O Conflito de uma Raça - também conhecido na tradução literal de Deus ama, o homem mata. Nela, o ex-militar, reverendo fundamentalista Stryker (você já o viu nos filmes da franquia cinematográfica como militar) está propondo que se "limpe" a humanidade dos mutantes. Daí, eu retomo o conceito básico da abordagem mutante: a homossexualidade. Muito recentemente um garoto de 14 anos foi brutalmente assassinado só porque era gay e uma foto de uma travesti assassinada há alguns anos está correndo internetES afora como 'a mulher trans que encenou uma crucificação' na parada LGBT, sob comentário do "bispo" que postou como 'justiça divina'. É mentira, falo logo, não era a mesma mulher trans, crucificação não é direito autoral da bíblia e sim um método de tortura muito antigo e isso é uma estupidez. Veja que eles são absurdamente parecidos com um personagem de quadrinhos, meus caros. O irracional personagem alega que é um instrumento de deus pra justificar seu ódio e sentimento de vingança contra quem não lhe fez nada, apenas porque é diferente.

Note que assim como a sociedade média faz com gays, negros, pobres e outros grupos que não estampam a grande mídia como protagonista de novela, os mutantes da ficção são vistos como uma subespécie de humano, acredite, essa é a verdadeira razão para não aceitarmos que um negro seja chamado de macaco, já que isso não é só um apelido - afinal, existem macacos amarelos, brancos, cinzas e outras cores - mas o teor de associar negros a um animal que lembra muito, mas não é gente de verdade é que é o que pega. Assim como ele aponta pra Noturno e desdenha de sua 'humanidade', deixando de lado que é uma pessoa com sentimentos, com desejos, sonhos e personalidade. Quem definiu o que é ser humano? E porque justamente esses 'normais' é que acham que podem definir quem não é? O que os interessa tanto a vida alheia? Sabiam que desde a família real portuguesa que só vem maluco pra cá? Esse conceito de família tradicional não pode ser pré-definido já que fomos governados por um bonachão que andava com comida nos bolsos, uma rainha ninfomaníaca, um príncipe, depois imperador - tarado e muitas outras mirongas. Enfim, falei demais, veja numa página só como Chris Claremont já demonstrava sua preocupação genial com a sociedade há mais de 30 anos atrás (a saga é de 1982, junto comigo, rá!).

Veja na página emblemática, esse diálogo e troque ali, no lugar dos X-men, algum grupo discriminado (mas discriminado mesmo, do tipo que morre por ser o que é e não esse mimimi de 'ain, eu sofro preconceito por ser homem, branco, hétero, etc').



"Graças a você e a pessoas como você, os mutantes têm vivido dias de medo e desespero (...) Será que rótulos arbitrários são mais importantes que o modo como vivemos? E o que dizem de nós, mais importante do que o que realmente somos?" - Scott Summers/Ciclope.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Racismo, preconceito e discriminação não são a mesma coisa


Racismo, preconceito e discriminação, em geral,
É uma burrice coletiva sem explicação, afinal
Que justificativa você me dá pára um povo que precisa de união (...)

Pra falar sobre consciência negra, nunca deixo de lembrar da primeira canção direcionada a criticar o racismo que eu parei pra esmiuçar e começar a entender aquele fenômeno que, estranhamente, apenas eu passava, quando em determinados locais onde eu era claramente negramente minoria. Digo porque sou filho da classe média remediada, confortável, daquele tipo de negro que nunca passou necessidade, sempre teve acesso a escolas e faculdades particulares, cursos extra-curriculares e outros confortos que fazem de mim minoria absoluta, não por ser negro no Brasil (que somos mais de 50%), mas por ser negro em ambientes comumente caucasianos. Falo da letra de Lavagem Cerebral, de Gabriel, O Pensador. Lembro que eu tinha uns 11 anos e vidrei naquele estilo de cantar tão direto, sem muita poesia, havia uma certa fúria irônica que me cativou pela pré-adolescência iminente e contestações auto-contidas (sem falar nos casacos com capuz que gosto até hoje, rá!). 

Tenho esse vinil até hoje.

Pulando rapidamente para alguns meses atrás, quando um camarada das antigas me questionou sobre o assunto, achei que valia a pena transformar aquela rápida troca de mensagens facebookianas em texto e o dia não poderia ser mais oportuno. Pois bem, você aprendeu nas aulinhas de moral & cívica (tá velho, hein, veio!) um monte de baboseiras e nem sabe. Tanto muitos não sabem que repassam aquelas bizarrices como verdades. Por exemplo, o negro “veio” para o Brasil onde criou o Samba e outras distorções sutilmente descaradas que nos impediam de ver a real situação. Por isso que tem tanta gente achando que fazemos alrde à toa quando denunciamos o racismo. Nunca conseguiram tirar o papelão com paisagem bonita da frente do rosto pra ver o mundo real. Daí, lembrei que o referido amigo me perguntou a diferença ente racismo, preconceito e discriminação, o que me fez lembrar logo da canção de Pensador, O Gabriel (hein?!) e me trouxe à caneta (TECLADO!)  para devidos esclarecimentos enegrecimentos. E vamos fazer isso na ordem que o famoso rapper enumerou (até porque, não sei mais falar em outra ordem sem sentir que há algo de errado no campo da força jedi, de tão entranhada que a canção está no meu ser (UIA!)).


Racismo: É o sistema de poder entre raças. Eu sei, eu sei, você vai cuspir que #somostodoshumanos, mas chamando de raça ou etnia, não somos todos iguais, mesmo que sendo todos humanos, ok? Racismo é quando uma raça (europeu, por exemplo) estabelece que precisa dominar outras (indígenas e africanos, por exemplo) e se sentir superior. Simples assim. É por isso que não há racismo inverso nenhum. Pro negro dominar o branco, teríamos que destruir nossa linha temporal e acessar uma viagem no tempo pra reconstruir a realidade de modo a ver a colonização partir da África para as Américas utilizando mão-de-obra européia. Aí sim, veríamos o resultado do racismo praticado por negros pra cima do resto do mundo. Não adianta vir dizer que sofreu racismo inverso porque foi xingado na fila do pão, ok? Xingar, qualquer um xinga de tudo. Eu já fui xingado de ‘viado’ e nem gay eu sou. Logo, não posso dizer que sofri homofobia, sacou? Não banalizemos conceitos pra não ficarmos com cara de babaca nem a bunda exposta na janela.

Preconceito: É o ato de formar uma opinião sem base de conhecimento para tanto. Sabe quando você só ouve uma música de um artista e já quer falar se ele é bom ou ruim? Então. Não adianta a maior certeza que você tiver, se não ouviu o restante da obra do artista, sua opinião é apenas um chute. Preconceito é isso, um chute. E, em se tratando de relações sociais, sempre é um chute no saco. Tiro no escuro. Aliás, no negro e em qualquer outro grupo social. Na verdade, o preconceito não é sinônimo de racismo e aparece em qualquer assunto. Veja outros exemplos: “Favelado” é mal educado, gay é promíscuo, homem não presta, artista é drogado, etc. Preconceito é uma corruptela daquele jogo de palavras ‘pré-conceito’, ou seja, ao passo que um conceito é uma definição – exata ou aproximada – de algo, o pré-conceito é justamente o que acontece quando você formula essa definição sem ter observado o bastante pra diminuir as chances de falar merda algo que fuja à realidade.

Discriminação: Discriminar é distinguir, separar, destacar e por aí vai. Num âmbito geral, nem é uma palavra pejorativa, pois você pode discriminar o trigo do meio do joio, saca? Mas, estamos falando em relações sociais, onde discriminar é dar um destaque a alguém ou a um grupo de maneira que o(s) afetado(s) serão destratados ou ignorados. Isso, a exemplo do preconceito, também não é “privilégio” do negro, pois deficientes são discriminados, gays, roqueiros e muitos outros grupos.


Bônus:  Estereótipo: O estereótipo vem da padronização genérica. É a formulação de um tipo específico de determinadas características que vão ser a base de julgamento das pessoas que acatarem essa programação de suas mentes. Há muita gente aí que acha que precisa ter uma referência. Eu digo assim: BULLSHIT!!! Foi por passar anos em frente à TV que eu também achei que nunca seria considerado bonito, inteligente ou legal. Eu nunca fui aqueles estereótipos da TV, nem da capa da revista e nem era tão caricato quanto os estereótipos em que poderia me encaixar, como o negro engraçado da turma.

Do estereótipo, vem o julgamento de bom/mau, feio/bonito, etc. Desse julgamento, vem o preconceito, que gera a discriminação. E quando se trata de negritude, de juízo de valor de acordo com a etnia predominante, esse processo se chama racismo. É só reparar, fazer piada com preto sempre é mais fácil, sempre é mais fácil achar que o bandido é o preto, o favelado é que é significância de atraso social na cabeça da sociedade hipócrita, que acha que o cara vai pra favela porque quer e não a sociedade que criou essa situação. São os ritmos negros que as pessoas atribuem ao sexo banalizado, falta de planejamento familiar e é a religião afro que é vista como suja e demoníaca.


Racismo, preconceito e discriminação não são a mesma coisa, assim como música, dança e canto também não, mas esbarram na mesma matriz de conversa (já fui melhor nas analogias).

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