Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Jojô Toddynho e o tiro no preconceito


Mês passado aconteceram duas coisas interessantes na minha vida... eu sei, falando assim, parece que minha vida é um tédio, mas tô falando de duas coisas diretamente ligadas ao assunto que tratarei aqui e agora, ok? Rá!

Pois bem, li que Jojo Toddynho estaria já definida como a autora do hit do verão carioca de 2018: Que tiro foi esse. Primeiro, pensei que era uma daquelas forçadas de barra da mídia pra fazer vender um produto só na lábia, como aqueles camelôs que te empurram uma mercadoria 'pra acabar', sendo que tem uma caixa novinha pra abrir escondida. Ou ainda, pensei que poderia ser aquelas ondas de influência de público médio, tipo 'espalha que todo mundo gosta que as pessoas vão se sentir na necessidade de gostar também' e aquelas coisas de paris.

Mas não... quer dizer, até tem esse apelo da mídia e o pessoal do marketing trabalha pra isso, mas tem algo mais nesse hit. É uma moça pobre, preta e gorda, então, já tem todo meu apoio e prestígio, afinal, ela é uma fiel representante da camada social a qual pertenço e ver alguém sair de baixo pra mostrar a cara com algo que não violenta física ou psicologicamente ninguém, é sempre um prazer. Mas a galera do contra vem dizer umas coisas que, pelamordedeus...

Como eu disse, a música tem algo mais, ela gerou um meme: As pessoas se filmam simulando cair 'de tiro' no início da música. E é aí que entra o primeiro ponto do mês passado. Eu, que já tinha ouvido falar na música, nunca tinha visto o tal meme acontecendo, mas fui tocar numa festa em que o dj do intervalo teve que repetir a intro da canção umas 15 vezes pra que vários participantes - adultos e crianças - fizessem a tal brincadeira. Só um adendo: Ri bastante da cara do dj, mal disfarçando o constrangimento. Então, lembrei que vi gente criticando que era uma apologia ao crime, banalização da violência, ou até que só o susto do gesto inusitado já perturbava.

Ora, gente... O refrão fala em tiro, mas dá pra notar já no começo que é uma gíria pra algo no sentido de 'arrebentou a boca do balão' (gíria velha, mas que dá uma noção do sentido do meme atual). E as pessoas caem no chão no sentido de que ficaram tão impressionadas que não só o queixo, mas a pessoa toda tombou de admiração. Aliás, falando em tombar, 'tombar' é um gíria nova - popularizada por Karol Conka e que tem o mesmo sentido, mas em primeira pessoa, partindo de quem fala. Pra resumir, uma pessoa que 'causa um tombamento', ela vai ouvir dos amigos 'que tiro foi esse, viado?', sacou? Ou você vai dizer que 'tombar' é incentivas as pessoas a se jogarem no chão, literalmente?Então, segurem as tarraquetas quanto ao suposto mal da violência sendo ensinada através de Jojô Maronttini (nem ela sabe de onde saiu esse sobrenome artistico, mas entendo ela, pois eu também não poderia usar oficialmente o nome de uma bebida - marca registrada - para fins comerciais próprios).

Já que vimos que Jojô Toddynho/Maronttini não inventou a violência urbana com um bordão irônico, vamos ao outro ponto: Escrevi questionando as críticas da sociedade de que os tempos de hoje estariam muito imorais, que antigamente não era assim. Sei, no país que foi fundado por invasores europeus e que trouxe africanos escravizados há mais de 500 anos, HOJE é que a sociedade está condenada... Na música é a mesma coisa. Vivemos no país onde um grupo criado, há mais de 20 anos no estado mais negro fora da África (Bahia) 'enalteceu' a figura da loira e da morena enquanto as próprias eram vistas como bundas rebolativas em canções de duplo sentido... Também tivemos uma cantora que há 40 anos rebola e geme entre programas de auditório e pornochanchadas e sertanejos nascidos em centros urbanos fazendo pose de playboy caipira que só bebe e transa...

Pabblo Vittar e Karol Conka
No fim, é aquele negócio, ninguém questiona que Renato Russo falava 'gosto de meninos e meninas', mas Pabblo Vittar 'é uma bichona escrota'. Ou, mais antigo, quando surgiu o 'quadradinho de quatro', tinha um monte pra fazer piadinha de que o Bonde das Maravilhas teria aprendido a contar até quatro por isso, sem analisar que 'quadradinho' era um movimento de quadris e pernas, um passo ensaiado e não a figura geométrica. Tanto é que o tal quadradinho pode ser feito em pé ou de quatro. É uma questão de posição do corpo na hora da dança e não de geometria avançada.

Mas tem muito disso, quando a arte parte do povo, a sociedade joga m... de cima pra baixo pra esculachar quem já passa a vida penando em trabalhos duros e pouca grana. Quando um pobre alcança uma evolução social, parece errado pra essa gente que gosta de falar 'tinha que ser pobre'. É bem verdade que há muito pouco de contestação social nas músicas mais populares. Vemos o funk e o pagode, por exemplo, querendo usar o que o rico usa, querendo provar pro vizinho que sabe curtir a vida com o que a mídia ensina como o bonito, mas quase não vemos um desses popstars questionando: 'ae, porque um país tão rico tem tanto pobre?'.

Bonde das Maravilhas
Mas é coisa que a própria sociedade (alta) ensina e a mídia massifica. Qual é a cultura geral? De que dinheiro não traz felicidade e o pobre vai achando que muito dinheiro na mão é pra gastar e que não dá certo. Olha como Lula foi tratado enquanto presidente do país sendo o presidente que criou ou pos pra funcionar direito inúmeras maneiras de ascensão das classes mais baixas... Mas estou divagando...  Em outra hora eu entro pra valer (UIA!) no assunto. Por enquanto, vamos dançar conforme a música ou não, você tem o direito de não dançar, só não encha o saco tentando desdançar dos dançantes.

Aguardando os próximo capítulos, onde vão falar que 'sambar na cara' é apologia a agredir os outros com um pisão na face. Quanta bobagem. Agora veja uns exemplares.

O original.


O meme







quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Grande Pensadora Valesca Popozuda e o Preconceito Social

Num futuro fascista (não, não é hoje, ainda!) a sociedade é programada a se comportar do mesmo modo monótono e produtivo que deixa a camada dominante da sociedade tranqüila e despreocupada. Esse é o cenário de Equilibrium (2002), filme que traz o ‘Bátema’, Christian Bale, como John Preston, um policial do sistema que se rebela e vai tirar satisfações com o líder (uma espécie de Hitler), que é inacessível e só aparece fazendo longos discursos de obrigações sociais por telões nas ruas. A verdade é que o líder já morreu há tempos e um membro do governo mantém as aparências pra que a sociedade não mude.

 

Assim é a nossa sociedade, não é? Qualquer manifestação que fuja ao que a elite determinou como certo é rechaçada e criticada com eufemismos ofensivos como ‘coisa de pobre’, ‘favelado’, entre outros. O Funk está nesse grupo. Já reparou que se falar em Funk, as pessoas já torcem a cara e não enxergam nada de bom? Pois é, ignoram que se as pessoas falam errado ou citam realidades de violência e alienação sexual é porque ali o Estado não chegou, ou seja, a conclusão óbvia é que a exclusão daquela camada da população por parte do governo gera esse tipo de manifestação. Você não veria nem uma Anitta da vida cantando Funk (e depois renegando até o Mc do nome artístico) se não fosse a grana que isso dá. Até porque a menina má parece ser aquele tipo de pobre que odeia pobreza e despreza o passado no apagar das câmeras.


Mas o papo aqui não é Anitta, é Valesca, essa sim, uma autêntica funkeira e assunto na internet recentemente, mas não só pelo Beijinho no Ombro, ou melhor, também por isso. É que Popozuda foi citada numa questão de prova como ‘grande pensadora contemporânea’. Antes, eu friso, pra mim, pareceu mais um deboche do que uma homenagem daquele professor de filosofia da rede pública no Distrito Federal (barbas de molho MODO ON), mas a questão toda é a repercussão nas redes sociais. Aliás, esse é o grande mérito do professor, conseguiu levantar o debate (sendo deboche ou não) e não entrou em didatismos. Apenas jogou o assunto na berlinda. 

Todo mundo se escandalizando com a diva funk na prova e eu injuriado que escreveram seu nome com W e não V.
Como era de se esperar, todo mundo adora criticar o Funk associando-o à evasão escolar, gravidez na adolescência, violência e causa da IV Grande Guerra (aquela que virá em 2056 e que unirá a antiga União Soviética a Marte). E, além do preconceito social inerente, pessoas acham impensável que um artista do Funk seja considerado pra uma questão de prova – e que não é como exemplo negativo a NÃO ser seguido. Pois bem, Valesca pode não ser a mais poética das cantoras e a questão nem pareceu ter um propósito, estando mais para modelo ‘receita de miojo no ENEM’ do que uma bola levantada para reflexões existenciais, mas o que é gritante é a necessidade de se esculachar o Funk, a ‘coisa de pobre’.


Por exemplo, Gilberto Gil e Caetano Veloso, dois dos maiores nomes de nossa música, já admitiram que ouvem Funk, que gostam de elementos ali presentes. Tom Zé, já fez até análise de estrutura métrica de um funk e também são contemporâneos de muita gente da ‘boa música’, argumento dos intelectualóides que separam gosto musical por classe social de origem. Provavelmente apoiados por aqueles que ouvem todas as mazelas gramáticas, mentais e sociais em outros idiomas e acham que porque não entendem o que estão cantando e ouvindo, estão isentos de críticas.



Isso nos faz voltar ao início do texto, quando esperamos John Preston (Bale) aparecer pra destronar esse líder morto que deixou um legado de comportamento mental que não nos pertence, apenas foi imposto de maneira sutil pelos meios de comunicação em massa, como se fosse nossa vontade, mas é a deles. Identificação com um gênero musical ou outro é uma coisa, agora, cagar regra para o que é certo ou errado na música, só vale se você for corrigir um cara que promete tango e toca valsa, ok? Certo e errado na construção de gosto não cabe, pois é como dizem: Gosto é como umbigo, cada um tem o seu.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Funk federativo do Brasil

Eu já falei aqui mesmo no blog que respeito e admiro o funk como a voz dos excluídos que ele é. Não, não adianta querer subir num pedestal acima da razão e decidir o que é e o que não vale como cultura. É cultura popular sim e não falo daquela aberração que toma conta dos proibidões, eu falo por exemplo, de Mc Federado e os Lelekes. Todo mundo sabia reclamar ou usar como divertimento seu bordão instantâneo "Aaaah, lelek, lek, lek...", mas quantos sabem que ele, o - agora ex - Mc Federado perdeu tudo o que conseguiu nos poucos meses em que esteve em evidência? Pois é, o jovem perdeu sua música e até seu apelido de infância, devido a uma briga de empresários, o ex e o atual. A briga ficou feia entre Rômulo Costa (o Papai Smurf do funk, segundo eles, por que, pra mim, ele é o Lula do funk, mas deixa pra lá) e Edimar Santana, o antigo Mc D'eddy (Ô, alô, Pirão, alô, alô, Boa Vistão... lembra dessa? Eu posto aqui, logo abaixo).

Resultado, um dos dançarinos ficou com a nova formação de Eddy e o nome original, ganho na justiça, enquanto isso, Rômulo Costa continua milionário, paizão e funkeiro... Mas Paulo Vitor Conceição da Silva, nem Mc Federado é mais. Agora ele e os remanescentes são Os Originais e estão na batalha, tentando não se abater, mesmo com a morte da irmã de Paulo, que precisava de um transplante de rins e a família não teve dinheiro (R$650,00) pra bancar um exame. O dinheiro foi oferecido por Rômulo Costa, mas não chegou a tempo. Então, se deixarmos de lado os preconceitos com o que os justifica, como a banalização d mulher, do sexo, da violência e essas coisas, podemos ver que o funk tem um lado bom, tem esse lado social, cultural. Como o garoto ia sobressair sem o funk? Qualquer possibilidade, mas vivendo em comunidade, é muito melhor que ele emplaque um refrão grudento (e contagiante, pra mim) do que ser um desiludido na vida sem perspectivas.

Falando em funk, nessa onda de manifestos (não vou falar nisso de novo, vou esperar o desenrolar da onda, porque está muito estranho ainda), fique com o melhor funk de todos. Na verdade, é um rap, mas com uma batida de funk e hip hop (aquele fundo musical dramático é o tom que precisava). E, já disse isso no Facebook, se metade dos funkeiros se preocupassem em fazer mais letras assim, o funk não era tão discriminado enquanto cultura. E esse lado de consciência social deveria ser divulgado mais vezes, assim, o pobre não ia ficar arrepiado só de ver sua moda num Esquenta da vida, e sim, teria a tal força que Mc Cidinho fala no rap clássico "O povo tem a força, só precisa descobrir, se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui. Eu só quero é ser feliz...".
Vale muito a pena ouvir até o final. E é impossível não fazer um aceno com a cabeça de 'concordo' a cada lapada que eles dão sobre nossa sociedade decadente brasileira clamando por salvação da alienação.

sábado, 11 de maio de 2013

Anitta é invejada pelos funkeiros? Vá se catar, recalque!A despeito do que a mídia empurra

A despeito da mídia que empurra essas coisas no povão que aceita tudo
qual a contribuição desses dois para seus respectivos campos de atuação?
Orgulho é uma lástima. Orgulho vem de uma necessidade de se manter uma pose que você sabe que não tem. Então, começa o problema, por que o orgulho é aquela necessidade de se manter na visão alheia como se fose esse personagem que você criou - e que ninguém pediu. Tá, talvez alguns tenham sido impostos pela sociedade, como homem que não tem medo, nem chora, mulher que não admite ser valente pra não ser discriminada, idoso que não pode sair pra se divertir porque está velho, etc... Eu sei que isso acontece, já vi muito marmanjo doido pra dançar um funk e não fazê-lo por medo de críticas, mulher querendo se jogar na pista bolada com o que vão pensar dela ou mesmo nerd se fazendo de burro pra não sofrer bullying.

Mas o que eu quero com essa introdução (UIA!) tããão graaande (UIA!²)? Simples, dizer que esse tipo de máscara social auto-imposta só serve pra que muitos levem isso tão a sério que acabam acreditando que pensam daquele jeito mesmo. Machismo, homofobia, racismo, antissemitismo, tudo isso veio de alguma ideia de algum grupo lunático com nuances supremacistas, mas o que eu vou falar aqui é u pouco mais íntimo, um pouco mais palatável, e bastante corriqueiro. Falo de uma palavra que já se tornou clichê nos facebooks da vida, que é 'recalque'. 

Pessoas são tão orgulhosas e cheias de empáfia que se acham acima do bem, do mal e das críticas. E isso já
O convencido, o mais convencido e o... quem?
é bem comum nos pseudo-artistas de Facebook que desejam ser amados com suas milhões de fotos carentes de 'curtir' e frases de efeito de auto-ajuda, imagine, então, o que não passa na cabeça de um artista que sabe que não tem esse pé de meia todo, mas que é garantido pelo apelo popularesco e apoio de grandes patrocinadores? 

É o (não) exemplo da modinha do funk do momento: Mc Anitta (morra de angústia com creme pingando na ponta dos cabelos, vou chamar de Mc mesmo). A exemplo de Mc Naldo (é Mc, astro pop era Michael Jackson), Cláucia Millk e pequeno Thiago uivador, essa moça já se encontra naquele patamar do deslumbramento em que repete bordões clássicos de quem não quer parecer arrogante, mas quer manter uma pose como se estivesse acima de críticas. Ela diz que sofre preconceito por não ser de favela e que isso é raivinha porque ela se deu bem. 

Chorando sobre o Leitte derramado, a moça
comparou público do Rock in Rio 2011 a Hitler
por uma suposta vaia "suspremacista". A vaia
aconteceu, mas porque o show não agradou,
mas é mais fácil dizer que é culpa da plateia.
Bem, quando chegar nessa mesma época do ano que vem e ela ainda for considerada um fenômeno, eu calo minha boca, mas por enquanto, tanto ela quanto os anteriormente citados são bons vendeores de ingressos de boates e casas de show, mas sem consistência alguma. As mesmas músicas que eles reciclam entre eles mesmos e o pior discurso do mundo. Porra, inveja? Raivinha? Preconceito? Vá se catar, né? Já até vejo nos livros de história, como o povo dela foi perseguido e humilhado por 300 anos de escravidão, ou pela dominação de sua nação pelo fundamentalismo religiosos... Enfim, nem vou continuar no sarcasmo porque jovem desse jeito ela ainda vai falar muita m*erda, melhor guardar pra mais tarde. Quem não lembra do jogador jogada do pessoal do marketing Neymar? Todos enchem a bola do garoto, mas ele aparece mais pra divulgar desodorante, carro e namorada ex-atriz mirim que tenta se firmar não sendo mais uma gracinha de criança.

O que essa gente toda faz além de ter dinheiro? São amados? Queriam eles, mas a verdade é que quem não tem segurança no próprio taco acaba precisando ostentar sua 'felicidade' pra esfregar na cara dos outros e pensar que estão sendo invejadas por isso. Sério, se você se acha invejado a ponto de falar isso em público, você quer ferir as pessoas com isso e não tem nada a ver com uma arte feita para o entretenimento. É a típica pessoa que quando não está sendo o centro das atenções tende a se incomodar com quem está nesse lugar de destaque e fica invejando. Aí, quando se vê no centro, acha que todos são iguais a eles.

Anitta, vá se catar de novo, antes que eu me esqueça e preconceito com patricinha, estudante de
Calma que essa é fácil, ele explicou depois que não disse que mudou a
história do samba, ele mudou "UM POUCO" só. Faz-me rir
Ele era uma porra dum moleque quando esse estilo mela cueca apareceu,
no máximo mudou foi o pijama e a fronha.
administração e estagiária da Vale não é preconceito, é consciência. Você está deslumbrada, mas não precisa bancar a menina pobre que realizou o sonho de vencer na vida com sua música. Modinhas passam e nem o Conglomerado Globo Marinho vai te sustentar pra sempre. Nem ele, nem a Recópia tentando puxar sardinha pro próprio lado. Quem não é, não se sustenta. Você ofereceu sua vida "sofrida" pra algum excluído da sociedade? posto que trocariam facilmente, pois o funk é uma forma de ter voz para o pobre, para o favelado. Assim como o Samba, o funk foi pego pra ferramente da indústria do entretenimento da clase média, o que acaba afastando de suas raízes, e o resultado é esse: Uma branquitude se chega pra ganhar dinheiro e ainda acusar o povo de onde essa cultura foi usurpada de invejoso.

Vá te catar de novo, bando de recalcado! 

Veja a entrevista do produto de mídia AQUI.

sábado, 16 de março de 2013

Funk: A voz dos excluídos


Aposto que você, ao ler o título, já torceu a cara e pensou "bleh, funk não é cultura, é p*utaria", mas se você ultrapassou a barreira do preconceito e chegou até essas mal traçads linhas digitais, muito que bem, façamos deste momento um tempo gostoso pra se divagar sobre a cultura e os conceitos envolvidos.

Música Lek Lek
Esse é o hit instantâneo do momento e você tem todo direito de chiar com essa música
grudenta no cérebro, mas admita, isso não é indecente, é só mais um sucesso da última
semana. 
Funk é sim a voz dos excluídos, como o Samba (maiúsculo, de raiz, de fé e de fato), como cantigas de ciranda e canções de ninar. Mas se essa voz é desafinada, feia e até indecente - em muitos MUITOS casos, seria por quê? Pense na problemática da criminalidade, aquele bandido que se faz em zonas esquecidas pelo Estado, em como ele se vê no dilema entre ser discriminado pela sociedade por ser favelado e ser uma autoridade notória dentro da sua comunidade. O que você escolheria, se você não visse chances na vida pra ser uma pessoa de bem, com um emprego respeitável e o sustento garantido para sua família?

Muito fácil dizer que isso não é desculpa, se não, todo favelado seria bandido e não haveria corrupção entre gente rica, o que nos faz remeter ao caráter. Sim, não é desculpa. Também não justifico essa possível inveja dos que têm oportunidades na vida, já que se você não sabe de onde vem seu problem, não é roubando de pobre e trabalhador ou oprimindo sua vizinhança que você vai conquistar respeito. Com certeza medo, mas assim que você cair, vai haver uma festa animada em comemoração ao seu desfecho.

Carolina Macedo, Solange em Fina Estampa, "chegou lá" para admiração
de sua mãe, que do seu mundo, viu com admiração o sucesso da filha, que
cantava sobre ser 10 indo até o chão, mas um fracasso na escola.
A questão aqui é um pouco mais profunda, é sobre o cara que cresce onde não existe educação regular e se houver, você vai passando pra nõ gerar números negativos para o governo, mas a educação mesmo não é ensinada, no sentido acadêmico. Você chega ao ensino médio e mal sabe ler, vai para a escola e lá você não tem desafio, estímulo, só a automatização de um serviço pra inglês ver. O que fazer? Faz igul à menna da novela Fina Estampa, que criou uma letra (?!) falando que preferia rebolar o rabo do que estudar porque não ia se dar bem mesmo na escola.

Então, ao se referir ao funk, procure refletir sobre isso, eles não falam nada de agregador culturalmente pra você que não vive aquela realidade, mas na localidade deles, eles são reis, chegaram lá - como exclama a mãe da referida personagem quando se depara com sua filha recém-fugida de casa na noite pra cantar funk num baile próximo. A glamourização por parte do pobre é natural, é quando você tem um destaque e um reconhecimento. O problema é quando a mídia olha pra isso e usa pra vender, enaltecendo essa cultura 'nem' como se fosse o maior barato. Não é.

Se preocupar com os rumos que os outros que apenas sonham, mas não chegam ao sucesso ninguém quer, apenas fazer das periguetes e dos 'sou f*oda' mais um produto a ser vendido para aqueles que os têm como estrelas e astros. Não, não sou funkeiro, mas admito que algumas dessas músicas me divertem, enquanto estou bebendo na festinha. Isso faz de mim um descerebrado? Não, porque depois eu volto ao meu normal e sigo a vida. Mas tem gente que não é bem assim, só vê aquele jeito, virando meme na internet e ganhando como pode.

Se não tá nem matando, nem roubando, amigo, eduque seus filhos pra que não achem que aquilo é mais que uma ilusão de respeito e mais uma fonte de trabalho e renda. Não espere que o funk eduque ou deseduque seu filho, mostre o que tem de cultural no mundo pra ele, que ele vai ouvir funk como o que realmente ele é: Entretenimento e diversão. as letras indecentes? Isso tem no forró, no pagode, no sertanejo, no rock... Não vamos fazer má publicidade da coisa agora se não fizemos antes, né? Ou façamos de tudo, mas aí, vão te chamar de politicamente correto, o que é assunto pra outra hora.

sábado, 14 de julho de 2012

Jovens E Os Relacionamentos Contemporâneos


Valeu pra aprender. O cara bucha que larga das amizades por causa de mulher, leva um chute e quer beber até afogar as mágoas. É esse tipo que acha que pode ensinar sobre o amor. Esse é meu sarcástico resumo de Valeu Pra Aprender. A música é animadinha, mas quando você não está na festinha e presta atenção na letra, só dá pra pensar assim: “(...) ficar ouvindo um bostinha de 20 anos dando aula de relacionamento (...)”. Trecho do Vlog do Fernando sobre relacionamentos. Aquele simpático e mordaz senhor que faz brilhantemente seus monólogos acerca dos assuntos cotidianos mais em voga (abaixo, o dito cujo).

Relacionamentos e o modo como o jovem se relaciona com seus... er... relacionamentos. Enfim, o trocadilho foi mais safado que modelo marombada dizer que sua profissão é 'personalidade do carnaval'. 

Falo de jovem, porque todos sabemos que, a despeito dos eventuais tiozões presentes ali, esses são ritmos da garotada. O sertanejo universitário (O.o), o funkeiro, o pagodeiro (não samba), o micareteiro, todos eles vivem como se estivessem num comercial de creme dental: Tem que beijar alguém pra sua vida fazer sentido. Quando a maturidade emocional é a mesma de um avestruz, estar solteiro vale como falha. Uma demonstração de que não é desejado ou que não é capaz de conquistar ninguém (talvez por isso, tanta gente namore, mas não deixa de sair pra pegação. Curtir a vida parece que se resume a beber e “pegar”, mas sem perder o status de “em um relacionamento”.

No mais, vivemos num mundo tão globalizado que o que se tem em comum nas diversas camadas da sociedade é a cachaça e o sexo. Você age como uma vadia e reclama que só encontra safado? Você sai com os amigos pra “mostrar quem manda” nas meninas e acha que é o máximo? Sério, vão se catar! 
Vejo uma garotada que cresceu no tamanho, mas ainda vive aquela realidade infantilóide de disputa entre meninos e meninas. Só que com sexo, bebida e música (?!) descartável de qualidade duvidosa na jogada.
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