Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Lobo Mau, Robinho e o predador sexual


Antes de mais nada, só eu pensei em Lobo + Robinho = Lobinho? Hein, hein? Enfim...

A primeira vez que ouvi essa expressão, confesso que não pesquei a referência. Mas assim que parei pra ouvir e ler um pouquinho mais, não foi difícil entender a referência. Mas, vamos por parte, pelo bem da minha escrita e da sua leitura, já que sem separar em tópicos, vai ser uma verborragia incontinente.


Predador sexual

O predador sexual, basicamente tem o comportamento de um predador do reino animal, só que em busca de sexo, em vez de alimento. Isso, bem basicamente. Mas não é complicado enxergar os paralelo: Ambos buscam vítimas que lhes satisfaçam a gula, ambos procuram meios de obter uma vantagem por meio da fragilidade de seu alvo e não se furtam a usar de artifícios até desleais pra conseguir o que querem.

Compare o comportamento de uma onça, que assim que vê uma possível presa, vai lá, corre, escala árvore, dá patada, dá mordida até que ou a vítima foge, ou ela garante o almoço do dia. Um predador faz isso. Ele usa de substâncias, presentes, promessas, faz carinhos, tenta aproximações em locais de pouca exposição até que consiga se chegar em sua vítima.

Importante frisar que não é só em casos mais escandalosos que isso ocorre, como na pedofilia. Muito predador sexual não sai do convencional (ex.: homem-mulher hétero). O modo de agir é que é o problema, não a idade ou gênero do alvo. Existem casos que ocorrem na santidade de um casamento, quando a mulher é submetida a um papel de servidão sexual ao marido, mesmo que não esteja a fim, porque seria “a obrigação da mulher servir o marido”.

Antes, deixa eu te dizer que sim, vejo muita diferença entre um bicho com fome e um ser humano com problemas psicológicos. Não é pra justificar o predador sexual alegando que seria uma necessidade física como de um tubarão mordendo pra sobreviver. Estou só preparando o terreno pra um paralelo atual que vou fazer mais lá pra baixo.

 

Lobo Mau x Chapéuzinho Vermelho

 

Essa é uma das mais gritantes e famosas alegorias à sociedade do mundo. Conto de origem europeia, mais uma das várias adaptações de contos horripilantes dos irmãos Grimm, para um público mais juvenil - e depois de anos, infantilizados pelos estúdios Disney a ponto de todo o background social se perder, ficando apenas uma aventura e musiquinhas, mas estou divagando.

 Chapeuzinho é uma menina com uma única missão: Levar uma cesta de guloseimas para a vovó doente do outro lado de um bosque. Pois a menina, jovem e inocente, consegue se desviar do caminho por causa da lábia de um Lobo. Aqui, temos a capa como simbolismo para a própria inocência da menina, talvez até o hímem de uma virgem (lembrando que em versões antigas, a capa nem sempre é mencionada como vermelha).

 A menina e a avó, poderiam ser uma alegoria da estrada da vida de uma mulher. Mas o Lobo, esse não tem pra onde correr, sempre é visto diretamente como o predador que tá lançando conversinha mole pra engolir Chapéuzinho, vovó, cesta e tudo. Até existe uma camada sim, o lobo pode ser o próprio bicho, animal muito comum em determinadas áreas rurais de quase o mundo todo e que é um valente caçador, mas, lembremos que sua figura é contada na história da menina do gorro vermelho como um ser antropomórfico, ou seja, que se apresenta com a forma humana. Logo...

 

Robinho

 

Robinho, jogador do Santos, foi pego admitindo participar de uma farra onde a moça estava embriagada. O que seu curto entendimento não o fez ver ainda é que estupro não é caracterizado apenas pelo ato violento e físico. Se valer da condição de vulnerabilidade de uma pessoa entorpecida também.

 Fica tentando dar pedalada pra sair de uma situação onde, mesmo sem crédito, muitos já teriam tido a malandragem de se retratar pra poder pelo menos diminuir o prejuíjo. Mas em vez disso ele faz o quê? Se compara a Bolsonaro nas eleições 2018, alegando que todos bateram nele e ele cresceu nas pesquisas (como se fosse aforça de seu carisma e não o clima anti-pt que fez muito doido votar no doido e hoje se arrepender). E ainda dizendo que “infelizmente” existe o movimento feminista.

 Ou seja, ele uma hora diz que mulheres trans (e/ou lésbicas, vai saber a extensão) defendem o feminismo mesmo sem nem ser mulher de verdade e alega que o que falou foi tirado de contexto. Frases que se não foram inventadas do zero, dificilmente tem um contexto geral diferente de um hipócrita que se meteu numa farra e não quer assumir que o que fez foi vergonhoso.

 

Conclusão

 Robinho não é homem de verdade, é só um daqueles falsos moralistas que defendem a família brasileira, acham que dizer que são casados ou da igreja já é carteirada de honestidade e quando são pegos com a boca na botija, querem se fazer de mártires. E nem adianta fazer como a âncora da Record que levantou a bola para os casos de prostituição, porque ser puta não dá o direito do cliente fazer algo que ela não tenha condições de decidir. Assim como a menina de dez anos grávida do tio estuprador, de novo, o foco é desviado para a vítima e não para o agressor. Ele acha que sofre perseguição, mas, pelo contexto do texto geral, é só um lobo em pele de cordeiro. 

Vergonhoso.


quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Rei Leão e a sociedade (nova versão)



Eu tenho uma reflexão – epifania, insight, sei lá – há alguns anos sobre o clássico da Disney, O Rei Leão, e já mencionei por alto em alguns textos, postagens e conversas informais. Segundo minha filha, inclusive, isso ‘acabou’ com sua infância (risos). Pois bem, sempre pensei em transformá-la (a reflexão, não minha filha) em em um artigo devidamente publicado e o momento é agora, com o advento do remake do filme, 25 anos depois.

Não que eu pretenda assistir à nova produção – quer dizer, vou acabar assistindo em algum momento – mas além de não suportar sequer lembrar da morte de Mufasa, acho que a releitura com uma roupagem mais ‘realista’ não me atrai tanto quanto o próprio original. Digo, não acho nada lá que precise de uma atualização para as novas gerações. Ou melhor, acho que o antigo ainda é novo, atemporal, enfim, traços que um verdadeiro clássico precisa para ser considerado um... er... clássico (dah!).

E ainda complemento o raciocínio dizendo que o tal estalo (de percepção da fábula, não do Thanos – Rá!) ganhou contornos sociais mais complexos em minha visão de adulto diante de uma reprise há alguns anos. Veja bem, eu tinha uns 12 anos quando saiu O Rei Leão nos cinemas, então, mesmo com uma trama intensa carregada por uma das animações mais bem feitas que já vi, deu pra perceber que a história fala de responsabilidade, de assumir seu lugar onde você pertence e transformar seu mundo num lugar melhor. Aquele papo de redenção a que todas as obras Disney se propõem a fazer dentro dos passos da Jornada do Herói – ou Monomito – de Joseph Campbell.

E é citando a palavra mito que já digo de cara que a tal reflexão é que além da história do herói que passa por percalços, dúvidas e inseguranças, mas precisa tomar as rédeas de sua própria vida e de seus entes queridos, o período eleitoral de 2018 me deixou, além de muito esgotado psicologicamente, também com a oportunidade de “viajar” em uma interpretação pessoal da vida sobreposta à obra felina dos Estúdios Disney. É, é sobre a sociedade e como ela vê seus líderes. Ocorre-me sempre nessas horas uma piada que meu pai fez sobre essa coisa de novelas trazerem tantas interações pessoais entre pobres e ricos: "Rico convidando pobre pra uma festa? Só se for pra trabalhar".

Observe, no filme, que já no clipe de abertura, todos – TODOS! – os animais da savana africana correm para um evento que, sem enrolações, fica exposto que é o nascimento do filho do rei Mufasa e da rainha Sarabi, o leãozinho Simba, que será apresentado a seus súditos. Para alegria geral, seu Padrinho Rafiki não o arremessa lá de cima (sério, eu achei que era isso que ia acontecer na primeira vez que vi – risos de nervoso). Segue o cortejo.

Mesmo aos 12 anos, eu tinha umas questões de imaginação muito fértil (Fantástico Mundo de Bobby era quase sobre minha infância) e um questionamento que me apareceu na época era porque um babuíno estaria no meio de leões? Isso foi o que me fez pensar que ele ia jogar o filhote de leão lá de cima (e iniciaria uma cena de luta, perseguição e fuga animais – Rá!). Só muitos anos depois eu entenderia que eu não estava ainda imerso no maravilhoso mundo da suspensão de descrença (que é o termo usado pra definir quando você ignora certas normas da vida real pra embarcar na fantasia do filme).

Só que depois de grande e aprofundado em questões sociais, raciais e essas bossas, esse pensamento encontrou bagagem pra se desenvolver. O que eu apresento neste texto. Além de achar que o macaco ia aprontar alguma por fazer parte do grupo que os leões comem e não do que eles fazem amizade e se tornam compadres, reparei um raio de observação maior: O que aquele tanto de zebra, antílope, girafa e elefante comemora? Mais uma boca pra devorá-los? Sim, é uma fábula, um tipo de condução de história que usa animais para representar ações e sentimentos humanos, mas essa alegoria dá essa brecha. Não?

Vamos lá, na suspensão de descrença da minha visão sobre o filme: É a sociedade em sua essência. Temos diversos grupos, classes sociais, raças, etnias, gêneros e transgêneros e sempre tem aqueles grupos que praticamente nascem pra alimentar e os que são alimentados... de carne e/ou de riquezas materiais. Você imagina o filho do churrasqueiro nascendo e a boiada indo lá mugir de felicidade por mais um par de mãos pra conduzir garfos, facas, espetos e machadinhas? Pois na sociedade (sur)real acontece isso. 

Olhe pro lado e veja quantos pobres vibram e até brigam por líderes políticos e religiosos que nem ligam pra eles, apenas os enganam pra manterem sua fonte de renda ou, no caso dos leões, o sustento de sua família. Pois, se esses líderes os defendessem, iriam ironiza-los por 'gostarem de pobre'. Aliás, se você não enxergar os seguidores xiitas das classes opressoras, então, você é um desses. Rá!

Não estou dizendo que esta seja a mensagem oculta do filme, não é uma teoria da conspiração, é uma forma de interpretar em cima de uma obra feita. É quase... ou melhor, é um real exercício de imaginação, com alguma perspectiva forçada, no sentido de que não estou empurrando na mente de ninguém que o que eu penso precisa ser avaliado como representação real. É uma teoria aplicada na realidade. Como dizer que Super Mario é a alegoria da vida onde você pode consumir substâncias, juntar algum dinheiro, comprar coisas e ter cuidado com os obstáculos e criaturas desagradáveis no caminho em busca de quem você ama.

É isso, não quero reinventar a forma de se ver O Rei Leão, só estou dando vazão a uma inquietação que tenho há anos e esse remake já me serviu muito na vida por isso. Talvez eu queria ver a nova versão só porque o elenco está representativo e pop (Alô, Pantera Negra, alô, Marvel! TMJ!), mas é só. Sem o encanto Disney, Zebras e gazelas correm para o lado oposto ao do leão. A vida já é muito difícil com crocodilos, cobras e víboras pra gente ver um filho de rico nascer e correr pra lá pra aplaudir. A menos que sejam celebridades no Instagram. Ninguém resiste! NIN-GUÉM!

Ah, tem a questão do Scar. Ele sim é um leão mais condizente com a realidade. Em um encontro com as hienas – quando ele propõe o plano que vai dar cabo na vida de (R.I.P) Mufasa e espantar Simba pra bem longe do reino, deixando o comando em suas mãos. Aliás, esse universo é bem machistinha, se reparar bem. É sabido que leões são comandados por um líder, mas a rainha em nada conta na história e na ausência do marido e do filho é o cunhado quem assume? Suspensão da descrença, eu invoco você!!!

Hmm... viscoso, mas gostoso!

Mas, voltando, Scar é o vilão. Sim, ainda era um tempo maniqueísta, onde o bem é todo bem e o mal é todo mal. Não sem falhas dos dois lados, mas não há um aprofundamento em porquê Scar se tornou um psicótico egoísta assassino (mas sabemos que ele virou um belo tapete, como propõe Zazu, basta assistir à animação do Hércules, também da Disney). Independente disso tudo, no tal momento que Scar trama seu golpe de estado, ele arremessa um “agradinho” para seus cúmplices. Sabe o quê? Uma suculenta perna de zebra!

E aí, você consegue rever a cena de abertura e pensar em qual delas dançou pra que as hienas tirem seu pequeno petisco? Já imaginou onde está e quem deu jeito no resto do corpo? É isso aí mesmo que você tá pensando. Árvore que defende a motosserra, frango que adora a raposa e gente que chama político corrupto envolvido com criminosos de mito. O ciclo sem fim!

Vocês fora uÓtemos, galera, beijos no cérebro e, caso espirrem, saúde! Hakuna matata!

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O Rei Leão e a sociedade



Vem aí um remake digital do clássico da Disney, O Rei Leão (1994). Bem, particularmente, até tenho alguma curiosidade em assistir, mas não vou procurar. Verei depois, dublado e com cortes na sessão da tarde (ou alguma outra sessão cinematográfica da TV aberta que não sei qual, já que a piada é que não assisto TV aberta). Enfim, acho desnecessário porque o original já disse tudo que precisava dizer e de forma linda e intensa. Aliás, original... (que nem é tããão original assim, já que foi drasticamente chupinhado da animação japonesa Jungle Taitei/Kimba, o Leão Branco), neam?

Mas a questão aqui não é nem isso, é que lá nos tempos da versão clássica, eu não tinha o poder nem a bagagem de observação da sociedade pra elaborar certas ironias que rodeiam minha periclitante psiquê. Lembro de quando a animação estava pra sair e várias fitas VHS que alugávamos ou comprávamos traziam o trailer com aquela belezura de imagem. Mais tarde eu soube que o estudo de paisagens e comportamento dos animais foi minucioso ao ponto de levarem animais para os estúdios a fim de serem retratados nos mínimos detalhes. Um preciosismo que só!

Mas uma imagem que nunca saiu da minha cabeça, mesmo quando eu, infantonerd juvenil em 1994, ainda não contestava os valores da tradicional família brasileira, foi a cena inicial dos animais da savana africana correndo pra reverenciar o filho do rei que acabara de nascer. Claro, pra ser democrático e representativo, era preciso criar laços e funções para diferentes espécie, se não ia ficar chato um montão de leões se engalfinhando e filosofando sobre a natureza e suas responsabilidades... Mas... caras...

Um passarinho é o conselheiro real, um babuíno é o curandeiro e padrinho do príncipe, zebras e girafas comemorando que nasceu mais uma boca pra morder seus lindos pescocinhos. Sim, O Rei Leão é uma bela mensagem sobre a vida continuar e nós seguirmos o fluxo de nossas vidas e responsabilidades, nosso lugar no mundo e quais, quais, quais...  Mas, basicamente, a coisa é retratada como uma grande família, coisa que não é. Aliás, alguém mais reparou que no início, as zebras estão prestando homenagens e algum tempo depois, o tio do guri lança uma perna de zebra para as hienas? Disso que eu to falando.

O normal seria correr pra longe, já que tem mais um predador por perto. O que me fez pensar na sociedade em que vivemos. Quantos pobres defensores de ricos você conhece? Quantas personalidades você não vê por aí sendo adoradas quando demonstram total desprezo pelo público, só aparecendo pra ganhar holofotes e grana? Quantos políticos não são endeusados e até chamados de mitos por gente que faz parte do grupo que eles querem ver pelas costas, na vala ou apenas bancando seu sustento parlamentar? E por aí vai, né? Bolsominion defendendo miliciano, preto adorando celebridade racista, mulher elogiando machista... A presa babando ovo do predador. Síndrome de Estocolmo? (aquela que o sequestrado cria laços emocionais com o sequestrador). Caça e caçador se amando.

É isso. Nas novelas, é frequente alguém rico namorar o pobre com amor verdadeiro e sofreguidão e o mais incrível é que o pobre não tem interesse na grana e o rico não liga para a própria grana. Claro, é muita catarse e vontade de viver nesse mundo idealizado, mas, como diz meu pai, "o dia que o rico convidar o pobre pra sua festa, vai ser pra trabalhar". Assim, finalizo parafraseando a ideia de que uma zebra comemorar o nascimento de um leão, é porque tem pouco amor à própria vida. Mas esse é o ciclo da vida, né? Tem uns que nascem pra morder e outros que nascem pra correr. Se você vai contra sua natureza, não vai ter hakuna matata que te salve.

PS: Ainda acho graça em ver Rafiki erguer Simba em seus braços e eu gritando "NÃO JOGA O LEÃOZINHO LÁ EMBAIXO, CARA!"

PS: Não assistirei. Não vou suportar perder Mufasa em alta definição digital graficamente computadorizada. Nem Animal Planet e Discovery eu aguento ver bicho sofrer.

terça-feira, 16 de junho de 2015

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata - Conflito de uma raça



Como hoje em dia está muito fácil se falar besteira pela internet, até porque internet provém dois fatores muito importante pra besteiras mil se propagarem: 1, ela dá a sensação de valentia e impunidade que nenhuma cachaça braba consegue e 2, ela é igual papel em branco, aceita qualquer abobrinha sem restrição, o que provavelmente dá a ideia de que o emissor/divulgador da falácia pense ser sinal divino de que está certo.



Mas vamos falar de coisa boa, uma das séries que mais permeou meu imaginário infanto nerd juvenil desde o final dos anos '80 e início dos anos '90: X-Men. Pois bem, os 'xisméin' possuem uma historiografia vasta de aventuras espaciais, quebras massa e muito novelão também (porque você pode combater o crime e ter uma D.R antes do churras de fim de semana, não é mesmo?). Então, o que acontece, estou falando de uma aventura especificamente, e no tema que tornou os filhos do átomo referência no assunto: Diferenças e respeito à diversidade. Já falei antes que a mutação genética a que são acometidos (por fatores diferentes, mas com a mesma raiz) pode ser encarada de diversas maneiras na sociedade e esse é o grande barato da série. Sempre achei estranho que um soldadão usando um soro seja herói nacional, mas um adolescente, porque nasceu assim, é odiado (e nem tô falando ainda do Homem-Aranha, visto como ameaça por alguns porque usa uma máscara e escala paredes... bem, seria estranho mesmo).

Entonces, falemos de O Conflito de uma Raça - também conhecido na tradução literal de Deus ama, o homem mata. Nela, o ex-militar, reverendo fundamentalista Stryker (você já o viu nos filmes da franquia cinematográfica como militar) está propondo que se "limpe" a humanidade dos mutantes. Daí, eu retomo o conceito básico da abordagem mutante: a homossexualidade. Muito recentemente um garoto de 14 anos foi brutalmente assassinado só porque era gay e uma foto de uma travesti assassinada há alguns anos está correndo internetES afora como 'a mulher trans que encenou uma crucificação' na parada LGBT, sob comentário do "bispo" que postou como 'justiça divina'. É mentira, falo logo, não era a mesma mulher trans, crucificação não é direito autoral da bíblia e sim um método de tortura muito antigo e isso é uma estupidez. Veja que eles são absurdamente parecidos com um personagem de quadrinhos, meus caros. O irracional personagem alega que é um instrumento de deus pra justificar seu ódio e sentimento de vingança contra quem não lhe fez nada, apenas porque é diferente.

Note que assim como a sociedade média faz com gays, negros, pobres e outros grupos que não estampam a grande mídia como protagonista de novela, os mutantes da ficção são vistos como uma subespécie de humano, acredite, essa é a verdadeira razão para não aceitarmos que um negro seja chamado de macaco, já que isso não é só um apelido - afinal, existem macacos amarelos, brancos, cinzas e outras cores - mas o teor de associar negros a um animal que lembra muito, mas não é gente de verdade é que é o que pega. Assim como ele aponta pra Noturno e desdenha de sua 'humanidade', deixando de lado que é uma pessoa com sentimentos, com desejos, sonhos e personalidade. Quem definiu o que é ser humano? E porque justamente esses 'normais' é que acham que podem definir quem não é? O que os interessa tanto a vida alheia? Sabiam que desde a família real portuguesa que só vem maluco pra cá? Esse conceito de família tradicional não pode ser pré-definido já que fomos governados por um bonachão que andava com comida nos bolsos, uma rainha ninfomaníaca, um príncipe, depois imperador - tarado e muitas outras mirongas. Enfim, falei demais, veja numa página só como Chris Claremont já demonstrava sua preocupação genial com a sociedade há mais de 30 anos atrás (a saga é de 1982, junto comigo, rá!).

Veja na página emblemática, esse diálogo e troque ali, no lugar dos X-men, algum grupo discriminado (mas discriminado mesmo, do tipo que morre por ser o que é e não esse mimimi de 'ain, eu sofro preconceito por ser homem, branco, hétero, etc').



"Graças a você e a pessoas como você, os mutantes têm vivido dias de medo e desespero (...) Será que rótulos arbitrários são mais importantes que o modo como vivemos? E o que dizem de nós, mais importante do que o que realmente somos?" - Scott Summers/Ciclope.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Funk federativo do Brasil

Eu já falei aqui mesmo no blog que respeito e admiro o funk como a voz dos excluídos que ele é. Não, não adianta querer subir num pedestal acima da razão e decidir o que é e o que não vale como cultura. É cultura popular sim e não falo daquela aberração que toma conta dos proibidões, eu falo por exemplo, de Mc Federado e os Lelekes. Todo mundo sabia reclamar ou usar como divertimento seu bordão instantâneo "Aaaah, lelek, lek, lek...", mas quantos sabem que ele, o - agora ex - Mc Federado perdeu tudo o que conseguiu nos poucos meses em que esteve em evidência? Pois é, o jovem perdeu sua música e até seu apelido de infância, devido a uma briga de empresários, o ex e o atual. A briga ficou feia entre Rômulo Costa (o Papai Smurf do funk, segundo eles, por que, pra mim, ele é o Lula do funk, mas deixa pra lá) e Edimar Santana, o antigo Mc D'eddy (Ô, alô, Pirão, alô, alô, Boa Vistão... lembra dessa? Eu posto aqui, logo abaixo).

Resultado, um dos dançarinos ficou com a nova formação de Eddy e o nome original, ganho na justiça, enquanto isso, Rômulo Costa continua milionário, paizão e funkeiro... Mas Paulo Vitor Conceição da Silva, nem Mc Federado é mais. Agora ele e os remanescentes são Os Originais e estão na batalha, tentando não se abater, mesmo com a morte da irmã de Paulo, que precisava de um transplante de rins e a família não teve dinheiro (R$650,00) pra bancar um exame. O dinheiro foi oferecido por Rômulo Costa, mas não chegou a tempo. Então, se deixarmos de lado os preconceitos com o que os justifica, como a banalização d mulher, do sexo, da violência e essas coisas, podemos ver que o funk tem um lado bom, tem esse lado social, cultural. Como o garoto ia sobressair sem o funk? Qualquer possibilidade, mas vivendo em comunidade, é muito melhor que ele emplaque um refrão grudento (e contagiante, pra mim) do que ser um desiludido na vida sem perspectivas.

Falando em funk, nessa onda de manifestos (não vou falar nisso de novo, vou esperar o desenrolar da onda, porque está muito estranho ainda), fique com o melhor funk de todos. Na verdade, é um rap, mas com uma batida de funk e hip hop (aquele fundo musical dramático é o tom que precisava). E, já disse isso no Facebook, se metade dos funkeiros se preocupassem em fazer mais letras assim, o funk não era tão discriminado enquanto cultura. E esse lado de consciência social deveria ser divulgado mais vezes, assim, o pobre não ia ficar arrepiado só de ver sua moda num Esquenta da vida, e sim, teria a tal força que Mc Cidinho fala no rap clássico "O povo tem a força, só precisa descobrir, se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui. Eu só quero é ser feliz...".
Vale muito a pena ouvir até o final. E é impossível não fazer um aceno com a cabeça de 'concordo' a cada lapada que eles dão sobre nossa sociedade decadente brasileira clamando por salvação da alienação.

sábado, 16 de março de 2013

Funk: A voz dos excluídos


Aposto que você, ao ler o título, já torceu a cara e pensou "bleh, funk não é cultura, é p*utaria", mas se você ultrapassou a barreira do preconceito e chegou até essas mal traçads linhas digitais, muito que bem, façamos deste momento um tempo gostoso pra se divagar sobre a cultura e os conceitos envolvidos.

Música Lek Lek
Esse é o hit instantâneo do momento e você tem todo direito de chiar com essa música
grudenta no cérebro, mas admita, isso não é indecente, é só mais um sucesso da última
semana. 
Funk é sim a voz dos excluídos, como o Samba (maiúsculo, de raiz, de fé e de fato), como cantigas de ciranda e canções de ninar. Mas se essa voz é desafinada, feia e até indecente - em muitos MUITOS casos, seria por quê? Pense na problemática da criminalidade, aquele bandido que se faz em zonas esquecidas pelo Estado, em como ele se vê no dilema entre ser discriminado pela sociedade por ser favelado e ser uma autoridade notória dentro da sua comunidade. O que você escolheria, se você não visse chances na vida pra ser uma pessoa de bem, com um emprego respeitável e o sustento garantido para sua família?

Muito fácil dizer que isso não é desculpa, se não, todo favelado seria bandido e não haveria corrupção entre gente rica, o que nos faz remeter ao caráter. Sim, não é desculpa. Também não justifico essa possível inveja dos que têm oportunidades na vida, já que se você não sabe de onde vem seu problem, não é roubando de pobre e trabalhador ou oprimindo sua vizinhança que você vai conquistar respeito. Com certeza medo, mas assim que você cair, vai haver uma festa animada em comemoração ao seu desfecho.

Carolina Macedo, Solange em Fina Estampa, "chegou lá" para admiração
de sua mãe, que do seu mundo, viu com admiração o sucesso da filha, que
cantava sobre ser 10 indo até o chão, mas um fracasso na escola.
A questão aqui é um pouco mais profunda, é sobre o cara que cresce onde não existe educação regular e se houver, você vai passando pra nõ gerar números negativos para o governo, mas a educação mesmo não é ensinada, no sentido acadêmico. Você chega ao ensino médio e mal sabe ler, vai para a escola e lá você não tem desafio, estímulo, só a automatização de um serviço pra inglês ver. O que fazer? Faz igul à menna da novela Fina Estampa, que criou uma letra (?!) falando que preferia rebolar o rabo do que estudar porque não ia se dar bem mesmo na escola.

Então, ao se referir ao funk, procure refletir sobre isso, eles não falam nada de agregador culturalmente pra você que não vive aquela realidade, mas na localidade deles, eles são reis, chegaram lá - como exclama a mãe da referida personagem quando se depara com sua filha recém-fugida de casa na noite pra cantar funk num baile próximo. A glamourização por parte do pobre é natural, é quando você tem um destaque e um reconhecimento. O problema é quando a mídia olha pra isso e usa pra vender, enaltecendo essa cultura 'nem' como se fosse o maior barato. Não é.

Se preocupar com os rumos que os outros que apenas sonham, mas não chegam ao sucesso ninguém quer, apenas fazer das periguetes e dos 'sou f*oda' mais um produto a ser vendido para aqueles que os têm como estrelas e astros. Não, não sou funkeiro, mas admito que algumas dessas músicas me divertem, enquanto estou bebendo na festinha. Isso faz de mim um descerebrado? Não, porque depois eu volto ao meu normal e sigo a vida. Mas tem gente que não é bem assim, só vê aquele jeito, virando meme na internet e ganhando como pode.

Se não tá nem matando, nem roubando, amigo, eduque seus filhos pra que não achem que aquilo é mais que uma ilusão de respeito e mais uma fonte de trabalho e renda. Não espere que o funk eduque ou deseduque seu filho, mostre o que tem de cultural no mundo pra ele, que ele vai ouvir funk como o que realmente ele é: Entretenimento e diversão. as letras indecentes? Isso tem no forró, no pagode, no sertanejo, no rock... Não vamos fazer má publicidade da coisa agora se não fizemos antes, né? Ou façamos de tudo, mas aí, vão te chamar de politicamente correto, o que é assunto pra outra hora.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sociedade Machista é Coisa de Homem! Não?


Já se vai longe o tempo em que os padrões da sociedade foram estabelecidos, mas gostaria apenas de falar um pouco sobre minhas impressões sobre isso antes de entrar no assunto propriamente dito. É importante frisar que os padrões são impostos por um grupo e aceitos pela maioria. Nada de pensarmos que os padrões se formaram e a sociedade foi aceitando. Do mesmo jeito que tradições religiosas - essencialmente católicas - fora designadas com interesses políticos, comerciais e de manipulação social.

É bem verdade que - mulheres, não me matem - o sexo masculino tem uma certa "supremacia". Calma, explico! Não há superioridade alguma aqui, e nem tanto pela força física, ou pelo menos, não diretamente, os machos das espécies animais - e somos um desses grupos - sempre possuíram a função biológica e sociológica de proteger e liderar o bando. Pensemos em como essa evolução se deu naturalmente para o ser humano, quando passamos a formar sociedades com relações e camadas complexas de relacionamentos diversos. Dá pra entender, pelo menos o processo, não as razões para a manutenção dessa fórmula pronta, onde o homem nomeia até a raça humana no geral e a mulher passa a ser a representação da beleza, sensibilidade e tudo aquilo que é bonito, acolhedor, mas não prático, logo, não capaz de reger uma sociedade.

Vamos divagar agora: Com certeza, por auto afirmação, homens decidiram excluir as mulheres do controle da sociedade. Mistificando a figura feminina dos ritos pagãos como algo maligno, acusando as mulheres de possuir dons de bruxaria e a necessidade de se queimá-las e afogá-las - o que aconteceria com negros e suas religiões "primitivas" (não católicas), mas isso eu falo depois, pois ainda me incomoda a ironia de certas religiões evangélicas criticarem tanto o catolicismo e, mesmo assim, agir da mesma maneira que eles agiam há 700 anos. Enfim, uma divagação por vez.

O problema é que não se incinera mais mulheres em praça pública e temos presidentes mulheres por aí. Mas isso não significa que o mundo está equilibrando a balança dos direitos. É preciso mudar com educação, e isso vale também para feministas. Feminismo é algo tão estúpido quanto machismo. Mas, também não é culpa de quem aceita isso? Uma mulher aceitaria pagar o mesmo valor de ingresso que um homem paga numa casa noturna? Aceitaria ir ao trabalho com o corpo todo coberto - já que homens não podem usar chinelos, bermudas ou camisetas? Hein? Será que não há conivência passiva por parte de quem gosta do modelo como está? Existe muita mulher machista por aí, que repete aqueles conceitos de que homem não chora, mulher que não se pinta e não se veste como uma Barbie é um menininho, e essas coisas.

Sou a favor dos direitos iguais, mas será que a sociedade está preparada, ou mesmo com vontade de que haja mudanças? A constituição até prevê que direitos iguais sejam a tônica, mas mulheres e homens são diferentes, quer queiram, quer não. Há concessões aí pra serem analisadas e também acho que uma sociedade funciona melhor quando todos são vistos como partes iguais do todo, ou vamos seguir com o modelo de que mulher tem uma função e homem tem outra. Na verdade, o que importa mesmo é o respeito, independente do lugar a que um gênero tenta relegar o outro. Eu aceito mil vezes que mulheres ocupem os mesmos lugares que os homens, mas é uma transição ousada demais para se pensar do jeito que as coisas são hoje. Há uma série de mudanças na mentalidade das pessoas para se pensar em evolução.

Evolução sem planejamento não dá em nada. É preciso medidas, políticos e ativistas interessados em melhorar as condições da sociedade e não um grupo querendo tomar o lugar do outro. Só trocar as moscas ainda faz a m*erda ser a mesma. Dá nos nervos quando vejo uma mulher dizer que as mulheres é que teriam que controlar tudo, que seria tudo mais bonito e delicado, que mulheres não fariam guerras... como saber? Cuba vivia uma ditadura até que os revolucionários a derrubaram... para instaurar sua própria ditadura... pescou o lance? Resolveu?
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