Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Pabllo Vittar não pode ser representativa e imperfeita?

Pabllo Vittar foi uma grata surpresa que 2017 me trouxe. Primeiro, eu só ouvia o nome e achava que podia ser algum pop-funk-pagonejo qualquer, desses que a gente nem decora, porque vai sumir mais genericamente do que apareceu. Até que vi um clipe de Preta Gil e vi que se tratava de uma drag Queen, ali, montadona, dançando, rebolando e cantando como se fosse normal...

Opa, Saga, peraê, caceta! Como assim ‘como se fosse normal’??? Calma, falei pra te provocar, gafanhoto! Normal sim! ela não estava fazendo um tipo, não era um estereótipo, caricatura e nem alívio cômico do clipe. Era uma artista performando junto a outra artista, no melhor estilo ‘feat.’, daqueles artistas pop da gringolândia (Usher feat. Alicia Keys, por exemplo). E isso foi o que me chocou positivamente. Eu esperando qualquer trejeito mais amalucado e nada! Não era como se o Tirulipa ou o Rodrigo ‘centarro’ Santana estivessem ali pra fazer uma trans como mote de piada.

Pois bem, o que me trouxe aqui pra falar de Pabllo foi desdobramento direto do texto que publiquei aqui, ontem mesmo, sobre a resposta de Tico Santa Cruz a uma crítica debochada de Falcão pra cima da cantora. Eu até já poderia ter falado nisso antes, sobre a representatividade de Pabllo, para o público – e artistas – lgbt, no âmbito pop ‘normal’, e não só no universo gay/trans, como um nicho isolado da sociedade. Se aparecer mais uma nesse estilo, acho que a sociedade teria que rever seu conceito de ‘boate gay’, pois o mundo ia ver que Pabllos são Pabllos e isso não destrói o mundo. Violência, desemprego e hipocrisia, sim, destroem o mundo. Mas, deixa eu voltar ao fio da meada.

Pabllo logo se destacou e muito dessa popularidade veio por ser uma drag. É o peso que se carrega com a fama, sobretudo em tempos de internet a jato, onde toda novidade ganha atenção de forma massiva extrema. O tal peso que falo são as críticas. Sim, todos somos passíveis de erros, de críticas e no mundo do ‘show business’, isso se intensifica. Pabllo não estava imune e não estará. Mas o que pega é que ela ser quem é, e botar a cara, incomoda muita gente que acha que respeita o gay, só porque em vez de pensar em matar, deseja que suma da sua frente, pra um país bem longe e sem câmeras.


Pabllo atraiu críticas pelo seu modo de cantar (opinei sobre isso no outro texto. Aqui, só vou falar sobre sua representatividade). Muita gente caiu pra cima dela, como Falcão fez, mais recentemente, mas a resposta de Tico Santa Cruz foi muito lúcida e elevou o assunto a um patamar muito mais complexo, que está me fazendo analisar o impacto na cultura pop e na própria sociedade. Daí, que eu levanto a questão, seja você a elogiar ou criticar Pabllo: Até que ponto você entende as críticas como análises críticas musicais e até onde o que incomoda parece ser mais o fato de ser uma ‘bicha’?

Digo porque ninguém faz alarde por Anitta alternar miados e gemidos em vez de cantar; não se reclama dessa sertanejarada gritando como se o microfone ainda fosse item de uso exclusivo dos Jetsons, nem do pagodez que uiva (Thiaguinho, apontei pra você agora. Rá!) ou do funk que ou grita ou cochicha. Nenhum desses itens da moda é criticado assim, com esse sorriso “William Waack dizendo coisa de preto”. E é aí que eu desdobro meus questionamentos do parágrafo anterior: Até que nível essas críticas rasgadas a Pabllo são apenas pra pegar carona no ‘meme’, uma onda do momento, e até que ponto é a homofobia escapulindo disfarçada, como gás venenoso vazando pela fresta da parede do ‘moralismo’?

Teve um lance, na série Eu a Patroa e as Crianças, que Michael não podia castigar os filhos por uma regra de reunião de família... Mas, em outro dia, por outro motivo, ele achou a brecha que queria pra retaliar algo que Junior fez. Estava na cara que o pai estava sendo mesquinho, mas mesmo sabendo que não tinha um motivo a ver com outro, ele expôs sua ‘maldade’ e desabafou sua ‘necessidade’ de agir contra seu filho. Pabllo está passando por isso, certamente. Eu passo isso, todo mundo que tem um traço de oprimido social passa por isso.


Desde muito pequeno, dentro de casa ainda, sempre ouvi que deveria ser 150%, sendo os cinquenta a mais só de saída por ser negro. É uma cobrança cruel, pois um branco pode fazer qualquer merda, que não é julgado com peso a mais por sua etnia. Mas se eu errar, vou ouvir ‘tinha que ser preto’ (alô, Waack, eu de novo, passa no RH depois do bacalhau da ceia de natal. Rá!). Pabllo está com esse alvo no peito. Muito mais que ser uma pessoa pública do momento, Pabllo é criticada por ser gay/trans/etc. Note pelos exemplos anteriores que ninguém vem com tanta raiva julgar e criticar o ‘canto’ dos outros (até se critica estilo, letra... mas o cantar, a ferramenta de trabalho? Isso não se faz).


A homofobia, irmã incestuosa do moralismo, grita tão alto que só os cães e conservadores ouvem. Mas e aí? Pabllo não pode ser imperfeita dentro de sua representatividade? Eu já respondo: Pode e deve, pois, se deus quiser, não será a única por muito tempo. Que venham mais que tá pouco, pois sua representatividade até para héteros (sobretudo crianças) é o que pode quebrar a barreira do preconceito subconsciente do senso comum metido a moralista da sociedade. Pabllo é uma pioneira dos novos tempos e ainda vai levar muita sabatina em praça pública, mas sem suor, não tem coroação.

E tem aqueles caras que acham que vão se afirmar como machinho por diminuir um gay/trans, e sentem a necessidade de negar a identidade de gênero dela (e de todas), dizendo que (Pabllo) é homem, se referem a ela como 'ele' e dizem que seu nome é de homem... Quando disserem isso, pergunta pro machão espertão se ele próprio e Pabllo se parecem, porque, na teoria do moralista, é tudo homem igualmente. Rá!

Ah, e se você é o tipo que diz 'não ter nada contra', mas morre de medo de ser associado a gays, fique tranquilo, você não é necessariamente um hipócrita homofóbico manso, é só mal informado e talvez, um pouquinho covarde. Mas ainda há tempo, defender, respeitar ou apenas reconhecer os direitos de gays não te torna gay. Te torna humano, cidadão. 

sábado, 23 de dezembro de 2017

Falcão, Pablo Vittar, Tico e as críticas respondidas


Falcão, o cantor nordestino, não o vocalista d'O Rappa, fez críticas a Pablo Vittar, sobre sua performance cantante. Tico Santa Cruz saiu em defesa da cantora e os dois têm sua razão, mas precisam analisar mais minuciosamente a questão, pois um ponto de vista mais lógico passa e se alimenta necessariamente nos dois pontos de vista, na minha opinião. Concordo com Tico Santa Cruz ao defender a importância de Pablo Vittar na representatividade trans na sociedade e na cultura pop... Palmas e o Tocantins inteiro para a artista! (mas defender seus desafinos e falsetes pode ser uma arapuca que queimará o filme lá na frente. Sabe, daquele tipo que ganha o respeito pelo lado social, mas perde pelo lado artístico?).


E o pior de tudo é que a maioria nem sabe diferenciar. Tem homofóbico que nem entende de música criticando, tem lgbt defendendo falhas técnicas e artísticas confundindo arte e representatividade... Enfim, ainda não se preparou a sociedade pra debater o assunto sem vícios, maldades e discernimento das particularidades do tema. Mas é legal que se levante a questão hoje, pra que o assunto amadureça e, um dia, tomara, possamos conversar sobre isso como tem que ser, isto é, de modo a comportar essa fatia da sociedade de modo a serem vistos como cidadãos e cidadãs trans e que isso signifique a normalidade no que diz respeito a aceitarmos que existem pessoas diferentes do protagonista da novela e que ser diferente não é um crime e nem diz respeito a ninguém, restando o respeito da população em geral.


Minha preocupação mesmo é que na ânsia de se legitimar um importante passo de representatividade gay/trans, o lado musical fique blindado no velho clichê, já citado, de um lado não aceitar críticas achando que é tudo homofobia, muito menos o outro lado achando que tudo se defende porque é gay/trans. Isso só esvazia o bojo do rico assunto a tratar e corre o risco de aceitarmos apresentações cantadas assim:

Defesa contra crítica não pode ser blindagem contra críticas. Não sei se Falcão usou de alguma homofobia pra criticar, pois conheço gente bem ruim que tá aí na praça há tempos e só agora que ele resolveu bater no alvo da vez, Pablo... Ou só agora que ele falou em Vittar que a mídia deu destaque pra por lenha na fogueira e vender com a polêmica, vai que ele já criticou outros e ninguém deu atenção...... Por outro lado, eu, particularmente, vi performances da cantora que me deixaram desconfortável quanto à afinação e respiração. Não sou nenhum expert em técnicas vocais, mas pegar em microfone pra cantar e conviver com cantores de ocasião ou estudiosos, ah, isso eu sei. Mas a discussão saudável é importante nesses detalhes. Fontes: http://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2017/12/falcao-critica-pabllo-vittar-criatura-pra-cantar-mais-ruim-do-que-eu.html https://extra.globo.com/tv-e-lazer/musica/tico-santa-cruz-defende-pabllo-vittar-apos-criticas-de-falcao-22218086.html

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Papai Noel pode ser negro?



Não sei se é real a história que acompanha essa imagem, de que teriam se queixado num shopping a respeito do papai noel negro de lá... Mas como toda vez que se mexe na etnia de um personagem originalmente caucasiano, vem um monte de nazista dizer que "se fosse preto e colocassem um branco vocês não iam gostar", apenas respondo:

A maioria dos personagens famosos de hoje, foram concebidos há muito tempo, quando a cultura geral só enxergava o branco como consumidor. Hoje a diversidade é palpável pra todos os lados e faz-se necessário, cultural e comercialmente, variar para criar identificação nos diversos subgrupos do grande grupo de consumidores cidadãos.

Ah, e sobre tornar o pantera negra em branco, por exemplo, não seria o mesmo. Personagens brancos são criados assim a toque de caixa, porque é o 'normal'. Já um personagem negro, indígena, japonês, etc, é criado para representar aquele grupo social. Ser branco, pro capitão america ou pro homem de ferro não faz diferença como ser negro é importante pro pantera ou o super choque.

Papai noel não existe. Não vai deixar de te dar presente porque algum negro se fantasiou assim. Rá.

William Waack é oficialmente demitido da Rede Globo por comentário racista



Então, aconteceu o que já era pra ter acontecido. Willian Waack demitido oficialmente da Rede Globo, após um vídeo de bastidores vazado em que o ‘jornalista’ emite comentário racista. Em comunicado oficial, assinado pelo próprio Waack e pelo manda-chuva do jornalismo de lá, Ali Kamel, a emissora se diz contra racismo ezzZZZZZZZ.... toda aquela conversa que eles mandam mais como formalidade do que outra coisa. É como um deputado chamar o outro de excelência e logo antes ou logo depois, chamar o cara de safado, saca? Só fala pra amenizar a bomba, mas não é o que fala seu coração. Falsidade, politicagem, chame do que quiser, é babaca de qualquer forma e a gente não se engana.

Mas como eu não to aqui pra tapar esgoto aberto com lenço perfumado, vamos observar o tom da hipocrisia dessa atitude meramente política. Vamos? Vamos. Primeiro, o vídeo:


Agora, o tal comunicado:

"Em relação ao vídeo que circulou na internet a partir do dia 8 de novembro de 2017, William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais.Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças.Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito.

A TV GLOBO e o jornalista decidiram que o melhor caminho a seguir é o encerramento consensual do contrato de prestação de serviços que mantinham.A TV GLOBO reafirma seu repúdio ao racismo em todas as suas formas e manifestações.E reitera a excelência profissional de Waack e a imensa contribuição dele ao jornalismo da TV GLOBO e ao brasileiro.E a ele agradece os anos de colaboração".



Agora, vamos analisar, sabendo que a coisa foi escrita pelo jornalismo que vem ditando o certo e o errado há mais de 5 décadas no país de forma áudio-visual. Ou seja, enquanto jornalista formado, estou bem vacinado pra palavras bonitas e nem espírito natalino compreensivo se espera de mim, já que nem sou dado a essas religiosidades, muito menos hipocrisias sócio-comerciais pra me tornar legal apenas em dezembro. Vamos lá(rrr).

“(...) William Waack reitera que nem ali nem em nenhum outro momento de sua vida teve o objetivo de protagonizar ofensas raciais”. Como assim, nem ali e em nenhum outro momento? Ele xinga alguém que buzinou grosseira
mente próximo ao estúdio (até aí, eu xingaria também, pois buzina não resolve nada, só irrita). Mas, gratuitamente, ele atribui o ato deselegante a ‘preto’, numa certeza de que somente uma pessoa negra faria aquilo que causaria inveja a qualquer cartomante, dado o poder de dedução e adivinhação, pra não dizer perseguição também, pois o que a raça negra fez a ele pra gerar esse ódio e desprezo? Foi ali e deve ter sido em outros momentos sim, já que quem pensa assim não o pensa só uma vez. Seguindo...

“Repudia de forma absoluta o racismo, nunca compactuou com esse sentimento abjeto e sempre lutou por uma sociedade inclusiva e que respeite as diferenças.Pede desculpas a quem se sentiu ofendido, pois todos merecem o seu respeito”. Repudia negros, na tradução, né? Sempre lutou por uma sociedade inclusiva dele e da turma que o defende, que provavelmente, pensa igual e não apenas defende um amiguinho. Quem defende racismo, está defendendo a si mesmo, com medo de ser o próximo denunciado a levar um flagra. Já até escrevi aqui mesmo no blog outros momentos de ‘glória’ de Sr. Waack, como quando atribuiu o assassinato do guitarrista Dimmebag Darrel à ‘violência que seu próprio heavy metal incita’, ou seja, preconceituoso e metido a moralista.


Diego Rocha.
Depois, o segundo parágrafo todo é uma confirmação das mentiras do primeiro, e dando aquela aquecida de pano, dizendo do valor profissional do cara e a suposta política de inclusão de diversidade cultural da emissora. Sobre isso, olha, melhorou muito pra comunidade negra desde A Cabana do Pai Tomáz, quando a protagonista negra tinha seu nome preterido por brancas apenas porque a emissora achava que ia afastar o público (diante do silêncio de todos os seus colegas; e da própria emissora, diante do patrocinador)... Mas é só ligar a TV que a gente vê que a emissora não tem 10% de negros em suas produções. Protagonistas, então, nem pensar. Raridades até quando o contexto retrata classes mais pobres (onde somos maioria certa, por reflexo do pós-escravidão, mas falo disso outra hora).

Conclusão: Bem feito pro Waack, pois racismo é crime e se não for processado, ao menos levou um chute elegante no... trabalho (Rá!). E parabéns a Diego Rocha Pereira, ex-operador de VT que divulgou o flagra. Se teve receio de perder o emprego antes, tendo sido demitido num corte de pessoal posterior (olha a barca!), fez mais do que certo em externar a ofensa sofrida ao viralizar esse lixo de racismo. Não, a ofensa não foi direcionada a ele pessoalmente, mas quando se fala assim, ofendem a todos nós, nos atribuindo um juízo de valor pejorativo e, o pior, com um sorriso triunfante no rosto.

Diego Rocha, o divulgador do vídeo-chave.
Não tem essa de ser bom jornalista. Você perdoaria o Maníaco do Parque porque era um bom patinador? Se você releva um crime por amizade, ou por admiração, então, você é cúmplice. Talvez, até seria o próprio criminoso. Só não foi flagrado. Ainda. Imagina quantos não estão se borrando agora com esse medo. Meu professor de radiojornalismo, Alexandre Ferreira, da Rádio Globo, diga-se, sempre nos alertou para os cuidados com o que se fala num estúdio, seja por gravação ou por transmissão ao vivo.  

P.S.: Ali Kamel, o diretor Thanos do jornalismo global, possui um livro chamado 'Não Somos Racistas'. Daí, a hipocrisia explodindo na ponta do nariz, daí, ele torcer esse mesmo nariz para nós, ramificações do Movimento Negro Unificado.

P.S.: Acho que ele quis dizer 'NÓS Somos Racistas', mas todo racista sabe que é crime, então se esconde nessas falsidades, pois o sistema os apoia e lhes dá o benefício da dúvida.

Fontes:

https://noticias.bol.uol.com.br/ultimas-noticias/entretenimento/2017/12/22/apos-comentario-racista-william-waack-e-demitido-da-globo.htm

https://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/11/09/nao-postei-antes-por-medo-de-ser-demitido-diz-editor-do-video-com-waack/


sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O homem perfeito é o produto da mídia que reflete a sociedade em que vivemos



O mundo é louco e a prova disso é que eu concordo com Luana Piovani em algo de nível ideológico. Vou explicar. Há algumas semanas, li uma notícia dessas, de celebridades e seu mundinho de nárnia, e a referida atriz falava sobre essa imagem desnecessariamente difundida de perfeição do ‘ator’ e apresentador Rodrigo Hilbert.

Independente de ela já ter namorado o rapaz, antes de ele se casar com Fernanda ‘só por que eu sou branquinha’ Lima, o que ela falou dá para uma bela reflexão. Ok, a linha de raciocínio que vou abordar não é bem a mesma que Piovani indicou mencionar, mas até aí, não atrapalha. Vamos lá? Vamos.

Primeiro, o mais óbvio: Não existe perfeição. O conceito é, nitidamente, um... er... conceito! Uma teoria, um ideal imaginado, algo tão subjetivo que seria impossível de se aplicar a todos de maneira padronizada. E se formos olhar de modo genérico, dizer que o tal é o... er... o tal, o ‘homão da porra’, teremos que avaliar os valores da sociedade que contribuíram para a construção desse mito moderno-contemporâneo/meme de internet. Vamos lá? Denovo: Vamos.


Vamos começar pela arte: Não é um grande ator, visto que fez umas figurações e comerciais antes da fama. Dizer que é bonito, segundo os padrões estéticos também é muito tendencioso e esse escopo ‘família’ e tals é, muito possivelmente um personagem feito pra vender a imagem do cara perfeito, confiável, o garoto-propaganda ideal. E isso tudo diz alguma coisa da sociedade que vivemos e da sociedade que a mídia quer impor e manter. Mas o que não é dito também transmite e reforça esses ideais.

Vamos pelo óbvio: A propaganda funciona de verdade em cima de paradigmas, ou seja, de ideias já pré-concebidas (tipo creme dental e balas de menta que são vendidas com a ideia de que o bom hálito vai atrair beijos), então, os anunciantes precisam segurar o senso comum nesse gesso mental. A mídia não ia funcionar e nem formar opinião se todos mudassem de ideia sobre o que é ‘normal’. E se mudar, eles mudam junto. Por exemplo, há alguns anos, seria inimaginável um casal gay ser representado numa novela sem ser uma caricatura, conforme parte da sociedade abriu a mente, hoje, gays aparecem como pessoas normais e não estereótipos do Casseta & Planeta.

Sendo assim, vemos que Rodrigo Hilbert, o belo, perfeito, educado, família... é um estereótipo também, só que do tipo ‘positivo’. Aquele que a sociedade foi acostumada pela TV a achar o mais confiável. Ele é branco, casado, hétero, não se fala em religião, o que conota não ser de algum culto ‘alternativo’ e, parece, sabe ciudar bem da parte gastronômica da casa.
 
Veja bem, Lázaro Ramos é tudo isso, além de ativista de causas sociais, canta, dança, representa, apresenta e... cadê? Só há espaço pro boneco de cera? Lázaro Ramos é tudo que se admira em Rodrigo Hilbert e significa muito mais no campo artístico, que é o que deveria interessar primordialmente, mas é negro, né? Não se faz alarde com seu lado família. E olha que sua esposa famosa é igualmente mais relevante em nossa cultura contemporânea. Pra começar, combate o racismo em vez de se colocar no lugar ‘não tenho culpa de ser branca’ e não fica ostentando babás negras como mucamas da vida moderna enquanto se faz de sonsa (lembra quando preteriram Lázaro e Camila Pitanga pelo casal loiro no sorteio da copa?).

É isso. Lázaro Ramos e Taís Araújo são muito mais que um casal de comercial de margarina, preparados para ser os queridinhos brancos da sociedade racista em que vivemos. São artistas talentosos e seres humanos admiráveis. Mas a sociedade de mentalidade provinciana brasileira ainda não tem capacidade geral pra entender ou mesmo perceber isso. Em grupos, até conseguimos ver, mas quando o tal do gigante adormecido é quem tem que abrir os olhos... aí, é pura bagunça.

Tem gente que acha que esse tipo de observação é inveja ou insegurança da auto-estima masculina, mas vamos lá... seria como se sentir inseguro por causa do Thor ou do Superman... Um modelo de perfeição europeu (sim, os EUAsis foram colonizados e povoados pelo velho e invasor continente). Um molde euro-ariano-cara-de-rato que não deveria ser tão bajulado no país de maior população negra fora do continente africano. Esse é só UM dos traços de desigualdade e desvantagem que nós, negros, passamos, frente aos privilégios dos brancos. Reflita. 

Disney, Marvel, Fox e essa zorra toda



Quando a Marvel esteve na m... ela vendeu os direitos de várias de suas marcas para outros estúdios para pagar dívidas e não falir. Com isso, não podia usar alguns de seus mais lucrativos personagens de quadrinhos nos cinemas, como Homem-Aranha (vendido à Sony), Quarteto Fantástico e X-Men (vendidos à Fox).


A ironia é que a Marvel, sem seus medalhões, começou a apostar em personagens famosos nas HQs, mas não tanto fora delas, como Homem de Ferro (sua primeira empreitada, em 2008). E a coisa de certo! Reergueu a carreira de Robert Downey Jr. e alavancou o Vingador Dourado ao primeiro escalão dos heróis na cultura pop (sério, nas HQs ele é bem um fdp narcisista e manipulador, não esse adorável mimado dos filmes).


Mas a questão aqui é como a Disney/Marvel vai se virar tendo de volta seus pesos pesados, já que seu universo cinematográfico está bem fundamentado nos não-famosos. E não é só questão de adicionar que tá tudo certo. Deu certo com o Homem-Aranha, porque o personagem simplesmente nunca tinha sido mencionado até esse acordo que o trouxe até os Vingadores.


Mas com o universo mutante a coisa se complica mais. Não só pela zona que é a cronologia dos filmes (personagens que mudam de ator, cara, etnia e idade de um filme pra outro), mas por uma política que só posso classificar como birra, por parte da Marvel.

Acontece que não tendo os mutantes à disposição (Wolverine, X-Men, Deadpool, Magneto, etc), a Marvel Comics (quadrinhos) fez uma verdadeira 'limpa' em seu conteúdo mutante. Mercúrio e Feiticeira Escarlate continuaram irmãos (porque também fazem parte do universo dos Vingadores), mas deixaram de ser filhos mutantes de Magneto e sim, humanos geneticamente modificados, filhos de ciganos, por exemplo.

Muitos mutantes fora mortos, desapareceram ou tiveram suas origens alteradas pra deixarem de ser mutantes. E sabe porquê? Porque não era interessante para a Marvel investir no sucesso de uma franquia lucrativa que não lhe traria grana e sim para outro estúdio, no caso, a Fox, no caso, recém comprada pela mesma Disney que comprou a Marvel há alguns anos.

Isso causou alguns acertos como o investimento em franquias totalmente desacreditadas, como os Guardiões da Galáxia. No estilo franco-atirador, a Marvel levou fé e se deu bem com os próprios Vingadores, que não eram tão badalados assim nas HQs (não no nível da Liga da Justiça, da DC/Warner). Aliás, graças a esse universo, nasceram até os Agentes da S.h.i.e.l.d, liderados por Phil Coulson, personagem criado exclusivamente para o cinema e que agradou tanto que já foi incorporado aos quadrinhos.

Agora é que são elas: A Marvel tanto fez para sufocar os mutantes que até investir em absurdos, como substitui-los pelos Inumanos, ela fez... Mas, e agora que os filhos do átomo voltaram? Até o Quarteto foi posto de lado e separado nos gibis, pra nã alimentar a concorrência... Aguardemos os próximos capítulos.



PS.: Com a compra dos estúdios Fox, pela Disney, agora temos, num mesmo conglomerado: Fox (Os Simpsons, Family Guy), Marvel (Vingadores, X-Men), Lucasfilm (Star Wars, Indiana Jones) e Pixar (Toy Story, Os Incríveis), sem contar com a própria galera do camungongo que possui um cachorro de estimação e anda com um outro cachorro e um pato. 

Cuidado pra não descobrir que aquele seu vídeo bêbado na festinha também pertence á Disney. Ou ao vereador Waldisney.


PS²: Se eu fosse o Pateta, denunciava o Mickey por escravizar um da minha raça. Se bem que se eu fosse o Pateta, não perceberia por ser muito... er... Pateta. Rá!




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Melhores do Ano, Ivete e Juliana Paes





Não assisto TV aberta – voluntariamente – há anos. E, desde que saí do BackOffice do atendimento ao telespectador da globo, em 2012, reduzi bastante a cota de audiência involuntária também. Mas tenho esbarrado em tantos comentários sobre o recente prêmio Melhores do Ano, do Domingão/Globo, que até formulei teorias, claro, baseado na época que eu ainda assistia a esses eventos com cara de ‘amigo oculto da firma’.

Bem, acontece o que já falei aqui várias vezes, quando falo sobre modismos e massificação de mídia. O que acontece é que essas premiações dão controvérsia nos resultados e aí, começam veículos de comunicação (jornais, sites, revistas, programas de TV, etc) a levantarem como polêmica pra atiçar o burburinho da audiência, sobretudo dos fãs, que entram em guerra por seus ídolos do momento. Ah, e atraem a atenção de enxeridos como eu também. Rá!

Vamos valorizar um negro ganhando, pois
não é sempre. Dá-lhe Jonathan Azevedo.
 Bem, tudo começou, pra mim, quando vi artigos, fofocas digitais e comentários na web sobre duas ‘polêmicas’: A vitória de Ivete Sangalo como melhor cantora e a NÃO vitória de Juliana Paes como melhor atriz. Teve também Faustão sendo Faustão, e ganhando o prêmio do inconveniente do ano, por insistir em chamar Pablo ViTTar de Pablo ViLLar e por fazer piada de gordo com ele e Marília Mendonça (deixando-a nitidamente desconfortável), mas vamos nos ater aos prêmios.

Primeiro, o mais óbvio. Ivete, segundo alguns blogueiros e internautas, não teve a relevância que justificaria ser a cantora do ano de 2017. De acordo com essa corrente de opiniões, seu destaque maior veio por estar grávida de gêmeas e por ter assumido a cadeira de jurada/técnica no The Voice Brasil. Isso, pelo que falaram, não seria mérito pra ganhar como cantora. Ok, segura ae, que eu já volto nisso.

Segundo, temos a Bibi Perigosa de Juliana Paes dando o que falar, mas perdendo pra Paolla Oliveira, a ourta protagonista da mesma novela. Segundo a própria Juliana, ela já saiu de casa naquele clima de ‘já ganhou’ e, sei lá o que ela prometeu pros filhos, disse que chorou e sentiu um buraco no peito quando pensou na frustração dos pequenos em casa.

Bem ,sobre os dois casos, bastaria argumentar que é uma votação aberta ao público e que não obedece a critérios técnicos, apenas à emoção de cada fã clube e sua disposição de perder horas na vida pra tornar gente famosa e rica ainda mais vaidosa e popular na mídia. Ainda, tudo tem aquela cara de festinha de fim de ano da empresa, onde você pode não ganhar o prêmio, mas tá no emprego, então, uma cestinha com frango congelado você leva. É tudo de casa, parafraseando um nome de programa da própria emissora. Pior seria se as opções englobassem todos que atuaram em cada categoria. Já pensou, não ser uma premiação apenas no âmbito globo/associados (gravadoras, canais pagos, afiliados, sites parceiros).

Em suma, se Ivete ganhou na frente de Anitta e Marília Mendonça, isso só prova que as modinhas ainda não têm bagagem pra superar quem tem uma carreira de algumas décadas e uma legião de fãs sólida. E se Juliana, que é bem mais atriz que Paolla Oliveira, perdeu na globo, já to sabendo que receberá prêmio da crítica na mesma categoria, agora na virada pra 2018 em outra instituição mais abrangente.

Na ponta do lápis e no frigir dos ovos, é tudo uma tempestade num dedal com água. Uma guerra de vaidades de fãs enquanto seus ídolos continuam ricos e famosos. Lembre-se: Enquanto algum parente ou amigo seu chora pra receber o salário em dia, Luan acaba de comprar um jatinho de $17 milhões. Mas, anime-se, o possante pode ir de sampa ao Chile sem precisar fazer paradas. Yey! ¬ ¬ 



P.S,: Artistas negros continuam sendo minoria absoluta nesses ambientes, porque não recebem papéis relevantes o suficiente pra disputar ou mesmo criar sua base de fãs. Sendo assim, continuo não dando a mínima a esses espetáculos de exclusão do negro abertos à mídia. Se não me vejo representado, não dou ibope.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Homem rebate atitude racista e recebe aplausos



Sabe aquelas atitudes de rebeldia contra o racismo que de tão simples e diretas chegam a ser desconcertantes? Do tipo que a gente fica entre o êxtase e o “caraça! Queria estar lá, se não pra fazer, pelo menos pra presenciar e abraçar o irmão”.

O que aconteceu

Emmit Eclass Walker, nosso herói negro representativo do momento, estava lá na fila do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, Washington, esperando numa fila pré-embarque para a República Dominicana, onde passaria seu aniversário, quando surge uma moça branca cuspindo racismo e classismo como um cão com hidrofobia. Mas a(s) resposta(s) que ele deu... Olha, vou reproduzir, em tradução livre, o diálogo que Emmit reportou em seu Facebook, porque não teria graça apenas contar no que deu:


Ela: Com licença, acredito que você esteja no lugar errado. Você precisa nos deixar passar. Esta fila é de embarque prioritário.

Emmit: Prioridade significa Primeira classe, certo?

Ela: Sim... agora, me dê licença. Eles vão chamar vocês todos quando nós embarcarmos.

Emmit: (esfreguei meu cartão de embarque na cara dela) Pode relaxar, dona, estou no lugar certo e há mais tempo. Então, você pode embarcar depois de mim.



Ela: (insistentemente) Deve ser militar ou coisa assim, mas nós pagamos pelos nossos assentos, ainda assim, você deveria esperar.

Emmit: (também insiste) Que nada, sou muito grande pra forças armadas. Sou só um preto com dinheiro!




Todos na fila de pré-embarque começaram a aplaudir. (risos)



Percebe a audácia do racista? Ele acha infantilmente que tem que ser o privilegiado. Não conseguindo de primeira, apela pro senso comum de que o negro está em alguma condição de assistencialismo social. E, em último caso, simplesmente acha que deve ter o privilégio de qualquer forma. É dessas pessoas que acham ainda que o lugar do negro é no fundo dos ônibus estadunidenses.


Enfim, palmas, muitas palmas, para Emmit Walker e que venham mais exemplos às redes, porque reagir e responder a um racista é coisa pra se viralizar e servir de exemplo pros nossos, pra responderem com firmeza e sem nervosismo, e pra eles, pra saberem o que os espera quando abrirem o falador pra destilar racismo. Estaremos preparados. 

Enquanto isso... keep Walker!





Fontes:

https://www.bet.com/news/national/2017/12/06/this-man-s-viral-clapback-at-a-white-woman-who-tried-to-tell-him.html?linkId=45586106

https://www.facebook.com/emmit.walker?hc_ref=ARRjr-4I_07R9qQ7LHPf-tirgVt90sy-uevbOhQRi-jk4qfWoPDXe8Vt6lEKoTeeLrs&fref=nf

https://oglobo.globo.com/sociedade/americano-negro-rebate-com-estilo-mulher-que-questionou-por-estar-na-fila-da-primeira-classe-1-22162405

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Naldo Benny encrencado por agressão à esposa

Naldo Benny (sobrenome artístico mais estúpido, caras) foi acusado de agressão por sua esposa, a famosa ex-Mulher-Moranguinho. Bem, não é bom falar sem base e eu não conheço o casal pessoalmente pra saber efetivamente como é a rotina, mas dá pra pegar um perfil por alto.

Vamos começar com os noticiários de alguns anos pra cá, muito provavelmente de 2010, 2011 pra hoje. Naldo saiu do ostracismo e ganhou uma mídia legal (um pouco antes de investirem numa tal Mc Anitta) e parecia o grande astro pop da vez. Fez tudo que todos fazem: Renegou a raiz funkeira, se auto-intitulou pop, fez referências a astros pop internacionais e... sobre isso, eu falo mais no final do texto. Aguarde e confie. Ah, só não esqueceu do passado pra fazer momento piegas com a perda do irmão e parceiro, Lula e a infância pobre, que todos gostam de ostentar antes de falar coisas como ‘não saio de casa por menos de 150 mil’.

Oras, o que se viu foi uma carreira meteórica desandar entre noticias de shows vazios no exterior, a adição desse sobrenome com direito a bonés e roupas com a inscrição e uma falta de tato em responder internautas (até gestos pouco gentis o bonitão lançou). Ah, e numa pequena guerra particular com um ou outro colunista de fofocas, saíam notinhas – cifradas ou diretas – dando conta de que o relacionamento com Moranguinho tinha altos e baixos... brigas públicas e até a famosa história de que a moça teria se aposentado dos palcos para ser a esposinha bela, recatada e do lar, mediante, diziam na época, um certo numerário, estilo dondoca.

E é aí que pego carona. Afora o flerte com a música gospel, que não passou de uma foto sem contexto (um suposto batismo) com Thales Roberto e um tal passado familiar evangélico, vimos o cantor perder a mão da carreira até sumir da mídia... Mas, antes, quem também não lembra que ele foi notícia quando sua ex-esposa, Branka, que estava com ele desde a adolescência, começou a falar.

 



A moça falou muito nos jornais sobre como agenciava a carreira do queridão e só parou quando contratou a, então dançarina, Mulher-Moranguinho, para estrelar um clipe com o artista e ele a trocou pela rebolativa modelo-fruta. Nessa época, também veio o adolescente Pablo, filho do primeiro casamento a público mandar diretas e indiretas sobre a traição do pai e o modo afastado com que exercia a paternidade. Só mudou quando, talvez pra não pagar pensão, o cara levou o filho pra dentro de casa, convivendo com sua atual, que o garoto jurava odiar pelo que ajudou a fazer com sua mãe.


Complicado, né? Agora, que denunciar assédio e violência – principalmente contra a mulher - está muito em voga – graças à Iansã – o rapaz é dedurado pela esposa e aparece chorando... Ah, Naldo, se agrediu, quem tem a vez de chorar é ela. Deixa de ser fominha. 

Pelo menos a ela coube denunciar. Já é bem justo e que sirva de exemplo. Pra homens abusivos e mulheres oprimidas. Agora não adianta falar que tá arrependido ou abalado. Como eu falo numa canção minha: 'desculpa não é pra pedir, desculpa é pra se evitar'.


E já vejo os coleguinhas de cela do Naldo mandando pra ele: "Se joga, se joga, joga no meu colo e vem... Se joga, meu amoooor....". Ixi, não vai ter vodca, nem água de coco que dê jeito pro astral ficar lá no alto, em cima, alto, em cima, em cima, em cima... Rá!


Que deselegante!
Ps: Lembra que falei que voltaria no assunto das referências pop internacionais? Pois é, uma tecla muito martelada pelo Naldo era de sua admiração - e imitação descarada frequentemente - por Chris Brown... Tá ligado? O prodígio pop que agredia sua, então namorada, Rihanna? Falo mais nada. Aliás, uma reflexão:

Famoso artista pop negro em decadência, de origem pobre e que volta à mídia nas páginas policiais, tentando argumentar arrependimento depois de agredir a moça famosa com quem vive...

É, Naldo, não parecia tão séria a sua admiração por Chris Brown. Tente imitar mais o Will Smith na próxima.

Ps²: Alguém notou o trocadilho do título? E por falar em naldo, piada... vamos com a melhor:



Fontes:

https://extra.globo.com/famosos/naldo-chora-em-video-pede-perdao-mulher-apos-denuncia-de-agressao-22162236.html

https://extra.globo.com/casos-de-policia/naldo-acusado-de-agredir-moranguinho-com-golpe-dado-com-garrafa-22163841.html

https://extra.globo.com/famosos/naldo-esta-muito-abalado-arrependido-chora-tempo-todo-diz-amigo-22160995.html

https://extra.globo.com/casos-de-policia/tres-dias-apos-agressoes-justica-determinou-que-naldo-se-afastasse-de-moranguinho-22158165.html

Claudia Milllk com K?



Coisa de 4, 5 anos atrás, a modinha era as funkeiras – e demais ‘artistas pop’ se entregarem de vez às letras desafiadoras de egos. Sabe, aquelas em que meninas xingam outras meninas na disputa de atenção dos meninos bêbados da balada (que, por sua vez, só estão vendo um pedaço de carne dando mole no salão) e essas coisas.

Pois bem, ainda tem gente batendo nessa tecla, como se já não fosse bem infantilóide em adolescentes, mulheres feitas aderem a isso porque inegavelmente, o público jovem é o maior consumidor de modas de mídia. Pode ser apelativo e sem inspiração, mas não é crime, certo? Mas... e quando a coisa sai do limite? E quando em vez de repetitivo, a coisa descamba pra imitação descarada?

Pois é, é o que Claudia Leitte aprontou agora. Depois de surgir como um clone de Ivete Sangalo, tentar uma carreira internacional macarrônica, apelar se auto-intitulando ‘nega lora’, e ser a jurada mais ‘meme’ do The Voice e do mundo, Milllk vem com essa abordagem, um tanto, defasada de ‘lacradora’. Amigas minhas, fãs de Karol Conka há tempos, já usavam essa expressão, entre outras, desde esses 4, 5 anos.

Veja só a recente ‘Lacradora’, de Claudia e a anterior ‘Lista Vip’, de Conka, respectivamente. Veja que Ivete Jr. nem se importou em criar outra palavra pra, quem sabe, dar seu próprio estilo em algo reciclado. Pra quê, né?

"Lacradora":
Copo na mão
E as inimigas no chão
Copo na mão
E as inimigas no chão
Claudinha lacradora
Dando nas recalcadas
Enquanto a gente brinda
Elas tomam pisão





"Lista Vip":
O nome 'tá na lista então é só chegar
Arrasei meu look sei que vou causar
Drink na mão, inimigas no chão
Pisando firme, sente a pressão
Só falo uma vez preste atenção

Uma vez preste atenção


Não há impedimento de uma certa repetição de padrão, ainda mais quando a abordagem dá retorno financeiro e midiático, mas, gente... Imitar versos inteiros onde nem dá pra dizer que são expressões de amplo uso popular? Até Anitta, que já é um mexidão diluído de várias tendências pop internacionais segue uma linha minimamente própria.

Em suma, perseguir o sucesso não é proibido, mas a exemplo de Latino, essa busca por atenção já caiu na galhofa. Latino ainda teve um tempo que se preocupou pelo menos, em imitar quem não era tão conhecido (ele tem uma coreografia antiga baseada em Everybody, dos Backstreet Boys), pois se beneficiava no atraso que as novidades tinham pra chegar aqui antes da internet explodir como fenômeno da comunicação descentralizada. Milllk, nem isso. Ou tá presumindo errado que o público não tem internet – nem TV paga – ou já entrou no desespero da ura da febre do rato da subcelebridade carente de ficar em evidência.


Se for pra citar a irmãzinha Karol, vamos assim: Já que é pra tombar, tombei... de vergonha alheia.



Fonte: http://entretenimento.r7.com/blogs/odair-braz-jr/criticas/plagio-lacradora-sera-que-claudia-leitte-nao-aprende-nunca-07-12-2017/

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A linda negra Titi contra a abominável socialite inútil



Tem gente que acredita que o problema no Brasil não é racial e sim, social... Bem, eu já escrevi aqui várias vezes que se vivemos em sociedade, todo TODO problema que afete um grupo inteiro dessa sociedade, É NECESSARIAMENTE um problema social. E o racismo existe aqui desde que o primeiro português pisou nessa terra. Primeiro, foram os nativos daqui, chamados vulgarmente de índios, e depois com o negro, já que o povo africano não veio pra cá em férias ou pra buscar oportunidades de emprego na região administrativa mais próxima. Veio pra cá escravizado, ou melhor, foi sequestrado pra cá para trabalhos forçados e todo tipo de violência física, psicológica e ideológica existente.

Dito isso, vamos ao assunto principal: Titi. A filha adotiva do casal branco global Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbanck. Essa última ocorrência (falo assim, porque racismo é crime previsto em lei) de uma socialite qualquer aí, ofendendo a menina em sua negritude, é só a mais recente (até o momento). Lembro que cheguei a escrever um texto duvidando da autenticidade de Giovanna em fazer uma matéria para o Domingão do Faustão no Malawi, África. Duvidei da emoção toda com as crianças, o que me soou demagogia ou aquela emoção que você tem fora e não leva pra casa. Fica meu solene pedido de desculpas por isso, afinal, vemos tantos brancos ‘bem intencionados’, mas que não nos respeitam, tratando da própria imagem de bonzinho (quando acontece) que fiquei com os dois pés atrás.

Aí, o casal adotou uma menina que participou da tal matéria e eu pensei: “É, me ferrei nessa, mas gostei!”. Gostei porque eu já tinha a plena noção de que isso ia acontecer. Uma menina negra adotada por brancos famosos... Já teve de um tudo nesses últimos 2 anos. Teve gente pra dizer que eles são lindos demais pra adotar uma ‘negrinha’, que a criança deveria ser ao menos brasileira e outras baboseiras ofensivas. O que Titi vem sofrendo nos 2 anos que vive aqui no Brasil é o que todos nós, da melanina acentuada, vivemos todos os dias de todos os anos de nossa vida. 

Voltando um pouco ao lance do ‘problema social’, muita gente acha que o Pelé, por exemplo, não sofre racismo porque é rico e famoso... Mas sabemos que não é bem assim, né? Veja Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão), Barack Obama (aquele mesmo) e a própria Titi. Gente rica e famosa que sofre racismo, porque o ódio não está na classe social ou no recheio da carteira/conta bancária, está no ranço social histórico de que o negro é feito pra ser menos, pra ser o serviçal, ou no máximo, o braço forte e o esportista/artista talentoso (pra ser roubado na apropriação cultural branca que nos rouba pra ganhar dinheiro, diga-se).

Mas a coisa toda ganha ares bem mais graves quando acontece com um famoso. Quando somos nós, pretos pobres, periféricos falando, somos os neuróticos, os ‘malcolm x’, ouvimos coisas do tipo  ‘vocês veem racismo em tudo’, ‘é só uma opinião’ e essas besteiras de quem nitidamente tá defendendo o racista ou por ignorâncias ou por má fé. Agora, quando é com a filha de um famoso, um lindão colírio capricho global, aí a coisa muda. Até quem nem sabe o conceito de racismo diz que ‘é um absurdo em pleno século 21 ainda ter racismo’, como se racismo fosse uma moda que passa. Racismo é a estrutura da sociedade, desde que trouxeram negros escravizados, desde que ‘libertaram’ os negros escravizados, mas não levantaram um dedo pra inseri-los nas sociedade como cidadão, desde que esses negros largados ao deus dará, formaram moradias irregulares, chamadas depois de favelas, desde que o governo promoveu a expulsão dessa camada da sociedade dos centros urbanos pra periferias e subúrbios... enfim, tendeu, né?

Mas não estou reclamando, só acho irônico que precise ser com a filha de um casal famoso pra ter noticiário amplo. No dia a dia, saem notícias como essa frequentemente na internet, nos facebooks e blogs da vida... Nem precisa procurar tanto. E se pensarmos nas vezes que isso acontece no cotidiano... Olha, esse povo defensor da igualdade de ocasião ficaria tão enojado que até poderia abandonar a causa pra não ter que ver isso. Mas, ei, nós não temos essa opção, certo? Mesmo que ignoremos, vamos passar por isso na pele. E vejo com bons olhos que pelo menos o branco defendendo a filha preta ganhe visibilidade. Do jeito que estou calejado, ainda desconfio que futuramente isso vá virar uma parte blindada, tipo, o único espaço onde vão noticiar, deixando o preto do ‘todo dia’ escondido. Ainda mais a globo, onde um diretor de jornalismo conseguiu produzir um livro chamado ‘não somos racistas’. Como fica sua cara agora, Ali Kamel? Percebeu o mundo à sua volta? Vai parar de ignorar ou fingir que não notou?


No mais, palmas para Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbanck e que coma todas as porcarias do mundo na cadeia pra aquela inútil que achou que tava abafando tratando como defeito a lindeza de negritude que a menina Titi é. Alguém mais pensou aí em algum projeto de lei que permite psicólogos e psiquiatras reverterem mentalmente um racista? Porque se alguém pensou em 'cura gay' e muitos defenderam, porque não pensam em 'cura do racista', já uqe racismo sim, mata, violenta e prejudica a sociedade como um todo. É só. Racistas não passarão.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Black Friday começou com venda de escravos negros?



Amores e amoras, vamos evitar a divulgação dessa lenda de que o Black Friday vem da venda de negros escravizados nos EUAses e tals... não há QUALQUER referência histórica de que o evento descende diretamente da venda de pessoas como propriedade. Isso só enfraquece nossa luta, pois estaremos fazendo como aquela galera que repassa mentiras por face ou zap achando que tá recebendo atenção e likes por prestar um grande serviço. Não passa de fofoca, essa que é a verdade.

Antes de repassar, por mais impactante que seja uma informação, precisamos pesquisar de onde saiu, quem disse e se tiver nomes – que geralmente esses boatos não informam, vamos ao Google, pelo menos, pra localizar esse nome, ver se existe mesmo, se é algo atual, se não foi distorcido. Tá chei ode gente desocupada e maldosa por aí que só quer ver o mundo pegar fogo enquanto compartilha suas mentiras. É uma trollagem, no mínimo e quem cai, cai ingênuo, mas não isento de responsabilidade.

No máximo, segundo li, o termo pode passar por racista por usar aquele senso comum de associar a palavra preto/negro a algo ruim, como é o caso da cotação do preço do ouro nos EUAses de mil oitocentos e tal, mas não referente diretamente à escravidão. Aliás, foi criado depois da abolição de lá.

O Black Friday já foi motivo de informação até de que teria sido criado bem após a escravidão nos EUAses, durante a década de 1960 e teria relação com o feriado de Ação de Graças de lá. Enfim, até voltarei a pesquisar melhor isso, mas por hora, como não tenho certeza, não vou repassar. Viu coo funciona? Não tenho certeza, não digo por aí que é verdade.

E ainda tem o pior: A gente pode passar o vexame de ser questionado por alguém realmente curioso e não ter de onde confirmar. Canso de ver isso e dá uma vergonha alheia danada. A pessoa treme, gagueja, tenta desconversar, dá palpitação e, por fim, admite que não sabe. Mas ainda tenta sair com alguma desculpa tão vergonhosa quanto a postura inicial de mentir achando que tá sendo o porta-voz da novidade no mundo da internet.


Apenas não. Black Friday não tem comprovação histórica. Não passemos por mentirosos e neuróticos só porque a palavra negro/preto está estampando algo. Não nos arrisquemos a dar razão aqueles que falam que inventamos o racismo ou que ‘vemos o racismo em tudo’.