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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Guerra Civil: O Capitão estava errado



Nas HQ's

A saga Guerra Civil, nos gibis, foi um embate entre pontos de vistas sobre como os heróis deveriam agir. Num infeliz incidente, um vilão causa uma explosão em região escolar, graças à displicência de um grupo de heróis do quinto escalão da Marvel, que participava de um reality show. Com as muitas mortes, sobretudo de crianças, os heróis são questionados sobre quem cobraria deles os prejuízos e consequências de seus atos.

Nisso, Tony Stark vem defendendo que o governo regularize os heróis, para que tenham a quem responder em caso de atos nocivos. Steve Rogers, o Capitão América, fica do outro lado, defendendo que a identidade de um herói e a liberdade de agir é o que define o herói e protege suas famílias e entes queridos. Essa saga dura meses e se espalha pelos mais variados títulos da Casa das Ideias. Ao final, Capitão está tão envolvido em derrotar o Homem de Ferro que tem uma epifania de última hora. ele percebe que está sendo atacado por populares, que, de fora, estão vendo apenas um herói batendo no outro pra vê-lo no chão. O Capitão se rende e percebe que mesmo defendendo algo em nome da justiça, ele acabou brigando por brigar e não lutando por liberdade e justiça. É uma coisa bonita de se ver o conflito ideológico e achei, particularmente, que o final foi perfeito, por mostrar que mesmo nos achando certos, o modo de colocar isso pode nos fazer perder a razão.



 No cinema

O filme Capitão América: Guerra Civil já é bem diferente de sua contraparte na plataforma de origem (quadrinhos). Além do elenco ser muito reduzido em relação às revistas (seria impossível adaptar TODO o elenco Marvel, a menos que existisse uma série só da GC, liberados os direitos de todos os personagens), outras tramas completam o roteiro do filme. Pra começar, além das consequências das ações destrutivas dos Vingadores, aqui também tem os desdobramentos do Soldado Invernal, o assassinato dos pais de Tony Stark e atentados com mortes, sendo uma delas, o Rei T'chaka, de Wakanda (pai de T'Challa, que passa a ser o Pantera Negra).

No fim das contas, tudo está ligado, de alguma forma. Palmas para os Irmãos Russo, que souberam levar um monte de subtramas a uma conclusão coesa e com apenas as pontas soltas que convinham para desembocar em Pantera Negra e Guerra Infinita. O universo Marvel, tal qual Harry Potter, ficava mais e mais sombrio e intenso. Descobrimos que os atentados foram planejados por Zemo, que perdeu a família durante os eventos de Vingadores: Era de Ultron e a culpa recaída sobre Buck Barnes, o Soldado Invernal. Isso levou T'Challa a buscar vingança pela morte do pai e o Homem de Ferro pelo assassinato de seus pais. 

O grande empecilho é que o Capitão América está disposto a tudo pra defender o grande amigo das antigas, além do apreço pelo camarada, ainda parecia ter uma pontinha de consciência pesada por não tê-lo salvo lá na Segunda Guerra Mundial (em Capitão América: O Primeiro Vingador), custando-lhe um braço e a vida, visto que ali ele foi capturado e programado para ser um assassino letal a serviço da União Soviética.

Ma eaê, Saga?

As diferenças modificam o resultado e não é pelo óbvio fato de simplesmente ter mos coisas diferentes. O lance aqui é que essas diferenças mudam o status quo do Capitão. A graça do Capitão nos quadrinhos é que ele foi contra o governo controlar as ações dos herois, ou seja, ele leva o nome e a bandeira do país, mas não segue cegamente o que seu governo manda. Ele tem uma autonomia e um compromisso com algo além de bandeiras, que é a defesa de seus ideais e da humanidade. Colocar o Soldado na equação, fez Steve pender pro lado pessoal, deixando de lado um critério ideológico pra simplesmente proteger o amigo querido.

Enquanto Steve percebe que está vencendo uma luta, mas pelo modo errado, ele se entrega pra responder por suas ações, mas mais por sua consciência por ter virado as costas para seus ideais pra alimentar uma rixa. Já no cinema, Steve chega a entrar em uma luta braba contra o Homem de Ferro pra defender Bucky, logo depois de Stark ter assistido a um vídeo de Barnes matando seus pais. Steve está totalmente de costas pro mundo pra defender um amigo com culpa comprovada por diversos crimes. E não tem redenção. O que vamos ver é que mesmo assim, Steve consegue hospedar Barnes na terra do Pantera Negra e o reencontro só se deu em Eutemato  Vingadores: Ultimato.

Conclusão

Steve Rogers era pra ser o escoteirão da Marvel, aquele que defende o que é certo e ponto. Nesse filme, ele luta contra amigos leais de batalha e da vida pra defender um outro que matou tanta gente e até familiares de um desses amigos. Ok, Bucky tinha sofrido lavagem cerebral, mas Steve simplesmente se colocar entre o mundo e seu amigo foi muito egoísta pra alguém que foi escolhido pra ser o representante do que há de mais puro no coração de quem luta por liberdade e justiça. Lembra da cena da granada falsa no primeiro filme? 

O que seria do mundo se o Superman começasse a enfrentar toda a Liga da Justiça pra proteger uma Lois Lane assassina? Tendeu? Por isso aquela luta final entre Capitas, Bucky e Tony Cachaça é tão tensa de assistir. Relacionamentos estão morrendo ali. A cena que reproduz a capa da edição final dos quadrinhos é linda, mas eu fico triste com esse filme.

Coisas que eu não entendi:

O Falcão apoia o Capitão em tudo, até quando está errado, protegendo um amigo culpado de tudo e de todos. Numa briga generalizada que saiu do controle, ele faz, sem querer, com que o Visão atinja o Máquina de Combate causando-lhe uma queda livre e ferimentos graves. Aí, ele chega pro Tony e diz 'sinto muito'. Tinham esmo que tomar um raiozão nos peito, né? Provoca a m... toda e vem com 'foi mal'.

Na mesma batalha do aeroporto na Alemanha, o Homem formiga chega pro Capitão e dá um caminhão encolhido e um daqueles dispositivos que os aumenta... Porque?! O cara passou um tempo em seu filme até aprender e na hora de fazer, ele manda um cara que nunca usou aquela bagaça? Ê, Homem Formiga, ê, Homem Formiga...

Foi só eu, ou alguém mais também achou que certos golpes foram dados forte demais naquela luta? Digo, você usar uma certa força pra intimidar, até que vai, mas os caras estavam jogando caminhões em cima de personagens que não têm essa força toda. Tipo, Pantera, Viúva, gente que pode ser esmagada, cara!

Até entendo que mantiveram dois pesos pesados fora da briga pra não causar um desequilíbrio muito grande (até então, Thor tinha saído pra procurar as joias do infinito e Hulk o encontraria em Thor:Ragnarok), mas o Visão aparecer já desequilibraria. A Feiticeira não é tão poderosa quanto uma joia do infinito na testa de um sintozoide super poderoso. E ironicamente, todos, a favor e contra o Acordo de Sokovia, estavam causando mais e mais destruição por questões pessoais e uma questão política: A destruição que suas ações causavam. Rá! Eu ri.

Zemo é um vilão legal, meu critério pra dizer isso é que foi um vilão que fez o que vilões devem fazer: Causar desconforto na vida do herói. Vilão físico é legal, mas não resolve. Tem que fazer a trama andar por outras questões que não só derrubar paredes. O embate tem que começar no intelecto. Só não gostei de ser um cara aleatório que perdeu a família e já aprendeu a pesquisar sobre espionagem, história e bases abandonadas do governo. Se ele já viesse de uma família com essa pegada, seria melhor, já preparado pra manipular. Aquela cara de gerente de banco destruindo os Vingadores por dentro não me convence.

E aquela cartinha com um telefone pro Tony no final, hein? Achei que tava todo mundo muito de boa pra quem acabou de se digladiar com amigos por tretas envolvendo assassinatos e manipulações.

ps: O Capitão pegava a jovem sobrinha de seu grande amor da década de 1940... cara, acho problemático isso.

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