Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Novelas em 7,5 passos


Bem, amigolhes, venho falar sobre novelas, saca? Aqueles seriados compridérrimos que se revezam com as mesmas situações e personagens? (Em alguns casos, até repetem nomes de personagens – Susana Vieira e Regina Duarte que o digam). Vou enumerar algumas situações-clichês que não podem faltar para essas produções:

1 - Comece a novela com fatos anteriores ao tempo normal da trama. Passagens de tempo são legais pra variar o elenco e movimentar a história como se fosse uma nova. (E você sente que conhece o pessoal há tempos)
2 - Mostre um casal bem água-com-açúcar se apaixonando à primeira vista. E alguém (maléfico, claro) que se apaixona por uma das partes do casal e trama ‘as mais loucas confusões’ para vê-los separados.

3 - Golpes... golpes são o ‘must’ (!!!). E todos eles podem figurar lá à vontade. O golpe da barriga (o exame falso de gravidez é sensacional – todo mundo faz facilmente), o golpe do baú (já repararam que os casamentos já valem apenas com um ‘Sim’?) e outros.

4 - Irmãos gêmeos... como diria Gilberto Braga (autor de Celebridade e Paraíso tropical, entre várias), tem que ter um bom e um mau! Sem comentários.

5 - Vilões precisam: Ficar cegos ou paralíticos, se curarem e fingir que não sararam; colocar drogas ou armas entre os pertences dos protagonistas e armarem alguma depois de um ‘boa noite, Cinderela’. Sem essa de não matar, enlouquecer ou prender o vilão no final da novela. Ou, você mostra a bandidagem se dando bem... é politicamente incorreto, mas, o público aplaude porque é bem real.

6 - Dobradinha ‘negros e pobres’. Com negros, você gera uma situação de discussão racial e com pobres, social. Obviamente, vamos ter acusações de crimes e golpe do baú, além das humilhações costumeiras. (Sem contar novelas de época). E não posso deixar de comentar como pobres e ricos são amigos na TV. (Como diria PapaiGarcia: “Ricos chamam pobres pras festas...pra trabalharem!”)

7 - E, por fim, se isso tudo ficar repetitivo, para dar uma oxigenada na rotina, reúna uma dúzia de pseudo-desconhecidos numa casa repleta de câmeras (sem um roteiro aparente, não esqueça, deve parecer natural – humpf, como se alguém agisse naturalmente sabendo que estão filmando). Não pode faltar o ‘mocinho’ (bleh!), o casal-água-com-açúcar, o vilão manipulador e um fofoqueiro que fique lá e cá pra gerar discórdia, algum drama de quem sofreu horrores na vida e a corrida por muito...muito dinheiro. Ah, deixe o público participar. Atrai audiência.

0,5 – Menção honrosa para os grandes e misteriosos assassinatos e/ou crimes. Pode ser o assassinato de alguém que sacaneou metade do elenco, pode ser a explosão de um grande estabelecimento, algum assassino serial... E não esqueça as doenças/deficiências em algum personagem de destaque. Faça o público chorar, ter pena... ganhe sua emoção! ha-ha .

Em tempo, nomes não precisam ser criativos, por exemplo, a Record tem uma novela no ar chamada "Amor e intrigas"... o que eu acho? Esse nome resume todas as novelas. ha-ha²!


FGarcia® Não vê, muito, novela porque uma história que leva mais de 10 horas (cof Senhor dos anéis cof) pra ser contada não pode ter coesão.

2 comentários:

André disse...

Não poderia passar e deixar de comentar! Fernando concordo com vc em gênero, número e grau! Novela é sempre a mesma coisa, tire isso pela malhação, um casal se apaixonando e um vilão querendo separá-los e assim vai, passa o tempo e as histórias continuam as mesmas! Sem contar que, sempre que algo realmente interessante vai acontecer, o capítulo termina e aí só no dia segunte ou segunda feira, sei lá. Vc já deve ter percebido isso mas já notou que todo mundo na trama tem algum grau de parentesco ou amizade, por menor ou mais distante que seja?!?!?!? É revoltante a que nível chegamos, a qualidade da tv aberta brasileira é ridícula, fica muito difícil assitir! No mesmo horário do repórter regional(RJTV) em outro canal passa o programa da furacão 2000, é incrível como as pessoas deixam de assistir o repórter e de saber o que se passa neste Estado caótico para ver aquele bando de gente pulando e gritando.
Do jeito que está fica difícil!

FGarcia® disse...

É, meu camarada, é como diz um trecho da música 'Até quando' do Gabriel, o pensador:

" ...a programação existe pra manter você na frente... na frente da tv, que é pra te entreter, que é pra você não ver que o programado é você!"
(Vendo essa parte da música no clipe fica 'feLomenal'! hahahahaha