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terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O Clone das Ìndias


Eu sei que o BBB9 vem antes, mas tenho mais urgência para o que virá depois do final de A Favorita. Acontece que a novela do autor João Emanuel Carneiro será substituída por outra (ou seria mais uma?) de Glória Perez. Até aí, nada de mais, pois as novelas se sucedem numa obrigação absurda e carente de inspiração (quase sempre), já que se escreve pra manter o público hipnotizado e não lembrar que novela e futebol não nasceram na gente e o mundo seguiria normalmente sem isso. Mas, como as novelas são feitas em escala industrial, lá vem outra e, não bastasse ter todos os elementos das anteriores, ainda promete dar um revival nos fãs da inesquecível O Clone.

Bem, é bem verdade que a obra ainda nem estreou, mas as chamadas dão uma idéia do que será, pelo menos a primeira fase (sempre tem uma). O negócio (da China? Não, país e horário errados) é que as chamadas já mostram a marca registrada de Glória Perez: Alguma cultura diferente da nossa, um casal de culturas ou famílias diferentes (ou rivais) que precisam lutar contra todos os obstáculos para viverem seu graaande amor. A Juliana Paes está uma indígen... indiana perfeita (no visual, só depois de ver a interpretação podemos ver como ela se sai). Mas, se fosse pro Marrocos e se convertesse ao islamismo, será que não adotaria o nome muçulmano de Jade?

A verdade, é que – não com o mesmo talento, paciência e contrato – você também pode pegar um avião e, em menos de duas cenas, tomar (UIA!) o caminho das Índias – que, por sinal, poderíamos chamar de caminho do clone, ou ainda, rastro do clone. Digo isso porque, se você cismar que tem que escrever uma novela – porque, depois de malhação, todo mundo é ator, todo mundo é autor - seus problemas acabaram! Chegou o “Curso relâmpago para roteiros de novelas da Glória Perez”. Bem, se quiser o curso completo, me liga que eu informo formas de pagamento e o precinho salga... camarada, mas, por enquanto, fique com os principais itens:

- Famílias rivais -> Seja por culturas conflitantes, ódio entre os pais ou alguma outra questão polêmica (idades diferentes e tals), não importa, o amor tem que parecer impossível.

- Questões de cunho social -> Consciência social é uma marca de várias novelas. Glória Perez não deixa isso de lado. Alerta para doenças, violência contra crianças, perigos da internet, etc, etc...

- Serviço cultural -> Como eu disse antes, culturas diferentes da nossa. Mas, só uma por novela, você não vai querer desperdiçar as idéias. Ah, e o legal é reservar espaço para os patriarcas das famílias. Os coroas adoooram seus discursos tradicionalistas sempre em comparação – quase sempre pejorativa – aos nossos hábitos e jeitinhos.

- Diversos -> No geral, não esqueça o casal combinando de fugir – e sendo frustrado – as passagens de tempo, a filharada que cada protagonista poderá arranjar enquanto estiver separado, as chantagens emocionais dos rivais amorosos. Sempre há a abordagem informática na jogada. Desde os tempos de internet, quando lan houses estavam longe de serem populares, até os tempos de Orkut, second life e outros. Dança, muita dança típica, mas não esqueça de fazer a cultura de fora parecer ditatorial. Com flexibilidade de comportamento não se escreve uma boa história de amor impossível. ;)

No fim das contas a gente se pergunta: Será que será (mas, hein?) um clone indiano de O Clone? Será que, no futuro, vamos nos referir às obras novelísticas da senhora Perez como “O Clone Marroquino” e O Clone Indiano”? E o mais importante, será que as (já) reclamações vão influenciar (bagunçar) o andamento da trama? Escolha um país oriental e mãos à obra. Podem me cobrar se não for nada disso, aliás, pode debitar do valor que você vai pagar pelo curso. Inshalá!

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