Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Psicanalisando: Os Mutantes (não a banda)


A bagulho mais clichê e canastrão desde o surgimento do “estilo” de pagode mela-cueca (e sua versão com guitarra, comumente chamado ‘emo’). Não, não estou falando de malhação (não ainda), nem das chamadas de filmes da sessão da tarde. Mas, também, trata-se de uma galerinha irada que apronta as maiores confusões numa aventura cheia de loucuras e agitos da pesada. Falo de (argh!) Os Mutantes.

Sério, meu prêmio para tramas e textos repetitivamente estúpidos (o Troféu-Babaquice ´09, se preferir) já tava indo – como é de praxe, tradição, pompa e circunstância – para Malhação, saca, aquela novelinha que não mostra uma academia há trocentos anos e ainda mantém o nome besta. Por mais uma temporada com “atores” crus e enredos pífios e banalizadores da natureza humana, a novelinha da Globo merece sempre, pelo menos uma menção honrosa – ou horrorosa – pelo controle de (falta de) qualidade da atraçãozinha que produz rostinhos bonitinhos – ou só pop – para o mundo e superlota o mercado de atores sem necessidade. Mas, Os Mutantes é algo pior. Chega a ser maligno o modo como o troço é feito e a falta de capricho – ou só cara de pau mesmo – que apresenta. Gente do céu, é muito ruim. De um amadorismo que nem o SBT consegue com a insossa Revelação (que tem um motivo pra ter ido pra frente... Ma, Oooeeee, vai pra lá, vai pra lááá).

‘Os Mutantes’ surgiu como uma descarada tentativa de pegar carona no sucesso de séries importadas bem como Lost, Heroes e tals. Quando ainda era uma novela (é, quando acabou, virou série. Igualzinho aos mutantes dos gibis que nunca morrem de verdade) a bagaça já dava indícios de que seria de uma canastrice ímpar. Dava pra notar todos os elementos copiados: prisioneiros numa ilha sem chance de fuga, pessoas com poderes especiais lutando umas contra as outras, cientistas loucos produzindo seres alterados geneticamente e por aí vai. Aí, começou a putaria: Vampiros, lobisomens, dinossauros, extraterrestres e outras coisas igualmente mal e ridiculamente exploradas. O nome original era “Caminhos do Coração”... clichê como “Amor e Intrigas”. Nomes genéricos e que descreveriam todas as novelas do mundo. Agora é só “Os Mutantes (por um tempo, com o complemento do nome original)”. E os textos são tão bobos que constrangeriam até os caras do Casseta – já fomos bons nisso – e Planeta. Coisas como “Pega leve, delegado, violência só gera violência” ou “Nossos irmãos são os melhores amigos que temos”. Putz, cara, e como duram... não sei se é por serem ruins ou se são longos mesmo.

Enfim, eu não assisto e passei pelo canal por acidente. Mas, como estão anunciando as últimas semanas da trozoba, resolvi ver a quantas andava o negócio. Só pude perceber que incluíram gêmeos malvados e coisas como “liga do bem” e “mutantes do mal”. Ah, a “liga do bem” faz uma espécie de oração antes de irem para a ação. Não sei como não aproveitaram o largo filão e não nomearam a protagonista de “boazinha” e sua irmã gêmea do mal como “gêmea malvada”. A novela, aliás, série, poderia se chamar “série” e a Record poderia se chamar “emissora de televisão”. Talvez por ter metade do elenco da Globo, e muita gente que pintou em Malhação, o nível simplório seja natural para os produtores. Agora o que me surpreende mesmo é a quantidade de nomes que aparecem nos créditos como “escritores”. Aff, deve ter uma dezena de nomes e só saiu aquilo?! O.O .

Seguindo o lance da clichezada e das frases feitas compradas em camelô, eu digo: Drogas, tô fora!

Nenhum comentário: