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domingo, 7 de abril de 2013

Levante neo-nazista silencioso vindo por aí?!

Pode ser paranoia da minha parte - e algumas pessoas até concordaram comigo - mas o que tenho notado ultimamente é um apego demasiado a conceitos já ultrapassados há muitas décadas. Fatores religiosos, ideológicos e culturais fazem com que pessoas com todos os interesses do mundo - menos o bem estar geral da nação - se sintam no desejo de ingressar em cargos eletivos públicos para porem em prática interesses do grupo que os apoiou a chegarem lá.

É o caso de militares nos anos de chumbo de nossa pátria ou até essa onda de religiosos no poder. E não falo só dos felicianos ou malafaias da vida, falo de gente como Jair Bolsonaro, franco defensor da ditadura militar tanto quanto inimigo das causas das minorias - sobretudo, dos gays. Isso porque ele falou "por engano", imagina se ele expusesse tudo o que defeca pensa em sua mente. Há décadas esse cara tá lá e é declaradamente um opositor de uma enorme parte da população... Como pode isso? Sinal que tem apoio de uma outra parte que simpatiza com sua filosofia.

E aí, é o que eu penso, nesses manifestos e o número de gente que simples e cegamente defende seu líder religioso preferido - como se o cara não fosse um ser humano normal com o mesmo potencial de ligação com seu deus particular - e acaba defendendo ideias distorcidas de uma lei religiosa que não é a que rege o país, contrariam a Constituição Federal pra defender textos modificados de 2000 anos atrás e, nessa, o mais  grave, na minha opinião: Atacam com seu conservadorismo e ignorância pessoas próximas, pessoas que consideram-se amigas. E isso, amigolhes, pra mim, é o mais triste.

Quando você se depara com alguma declaração preconceituosa feita ou apoiada por algum(a) camarada seu é de lascar, bro. Vem um sentimento de decepção, de traição que magoa por um momento, mas pasa logo depois que eu penso que preciso ser fiel aos meus ideais e racismo nenhum, homofobia nenhuma ou intolerância religiosa nenhuma vai me abalar à depressão. Vai, ao contrário, me impelir a falar ainda mais alto e, se for pra me resignar, que seja de pé e com a cabeça erguida. Como diz Jean Wyllis, quando uma minoria estigmatizada intenciona sair de sua condição socialmente imposta de subalterno pra reivindicar direitos constitucionais, incomoda os acomodados conservadores - de todas as idades.

Assim como um fanático sem cérebro defende seu líder e transfere pra ele sua capacidade de pensar, eu defendo os meus. Recentemente eu dei apoio irrestrito a uma amiga de internet quando ela foi vítima de racismo e cyberbullying e conseguimos alguns resultados positivos contra os racistas em questão. Também sou de defender o feminismo, a naturalidade da homossexualidade, sabe por quê? Porque eu não preciso ser gay ou mulher pra desejar que o respeito se faça presente, até porque sou negro e sinto na pele um ódio latente que só um negro pode saber. Daí, minha teoria de que quem acha que racismo foi só uma ondinha da escravidão e que hoje todos somos iguais no cotidiano, só pode estar de sacanagem ou cinismo.

"Ai, nem posso mais fazer piada de preto que me chamam de racista, mimimi, bobobó...". É isso mesmo, cara, tenha muito receio de fazer uma piada racista, homofóbica ou machista, porque o respeito tem que vir de algum jeito, nada mais de "ah, é assim mesmo"  porque não é. Nunca um caucasiano foi perseguido e agredido por ser caucasiano, nunca um hétero foi espancado por ser hétero ou um homem apanhou de um grupo de mulheres porque foi considerado frágil e inferior. Nosa luta não é por comemoração ou favores, é por respeito igualitário. E nossa educação tem culpa nisso, porque hoje se fala muito que é ineficiente no setor público, mas eu estudei em escola particular e faculdade particular... E não é muito mais bonito.

Sabe porque falo isso? Porque assim como nomes de ruas e demais instituições só o lado do opressor é valorizado, não tem história da cultura negra, indígena ou não-católica. Somos acostumados a achar que o negro só participou ativamente da história como escravo, achamos natural que a tv mostre um Brasil branco, católico, rico e feliz. Por isso quando um negro tenta algo a mais na vida do que se contentar em "ganhar" a liberdade, incomoda. Por isso que o gay é acusado de tentar deturpar os valores da sociedade, sendo que não é o gay qye abandona filhos em lixeiras, mas tentam se unir e garantir direitos a seus companheiros e adotar crianças que foram abandonadas de algum jeito.

Defesa da família? Que guerra um gay causaria casando-se? Se liberarem você acha que isso vai transformar o Brasil numa suruba LGBT? Barra Music é liberado pra quem quiser ir lá, mas só vai quem gosta, não é? Então, a comparação foi tosca, mas o casamento gay é isso aí. Vai casar quem quiser, quem for gay e não vão fazer isso no quintal da sua casa, vai ser onde eles escolherem. Seu Deus disse pra amar o próximo, mas você condena, quem ama não julga. Mas babar ovo do seu líder você baba. E não escrito no mundo que defenda essa postura. Já coloquei medo sem querer em gente próxima por falar dessa minha teoria conspiratória de um silencioso levante neo-nazista, sob o disfarce de religião/ideologia (até porque Hitler se dizia protegido e servo de Deus).

Fiquemos atentos, estão tentando manter o Brasil na retrógrada ideologia medieval. Pegar um Delorian e voltar para aquela época e deixar o mundo evoluir e a sociedade continuar mudando ninguém quer, né? Querem enriquecer enganando otário e excluindo camadas da sociedade para a marginalidade.

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