Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Diário de um banana no Bradesco de Cascadura


Hoje, amigos, é um dia atípico pra mim, Fernando Garcia, o Sagatiba. Não, nada a ver com sexta-feira 13 e essas coisas. Hoje é um dos raros dias em que realmente conseguem me tirar do sério. E o problema tem nome, ou melhor, tem ‘presença’: Bradesco. Nome completo? Bradesco de Cascadura.

Bem, o meu diário de um banana relato começa com uma simples ida ao banco, há algumas semanas. Pra resolver um problema que eles mesmos criaram, ou melhor, deixaram acontecer, se não por incompetência, por má fé mesmo. Ocorre que o lugar onde trabalho possui um convênio com a entidade do capiroto, forçando fazendo com que seus funcionários abram contas-salário junto à mesma. Mas, aí, existe um direito do cliente de migrar seus ganhos para uma conta corrente à sua escolha, a portabilidade (saca, aquela coisa que bancários odeiam ouvir e chegam a tomar como ofensa pessoal). Pois bem, eu já tinha passado por isso em outra empresa e uma funcionária do banco de lá me orientou ‘isso é um direito seu que eles evitam te falar, mas não podem te negar’. Claro, se é um direito, mesmo que eu não exercesse, não poderia me ser alienado. Fui e fiz, peguei um papel com a moça do meu banco (tão solícita que nem me deixou ir pro atendimento regular, providenciando o documento em minutos mesmo auxiliando outros com dúvidas e senhas).

Enfim, entreguei esse documento no Bradesco na última semana de fevereiro e meu salário, que é bom, não foi transferido, comprovo com extrato da minha conta corrente. Fui à empresa e lá não havia problemas, pois, me imprimiram um comprovante de depósito na conta-salário. Liguei para o Bradesco e me informaram que a tal portabilidade (a essa altura, já um sonho maior que a casa própria) nem havia sido computada. Fui orientado a ir à agência pra ver o que houve, além da evidente falta de comprometimento do banco com um cliente. Pois é aí que começa a minha sexta-feira 13 (não que eu seja supersticioso, mas calhou de ser neste dia e calhou de ser um baita azar me ver ligado a esse banco bizarro). Quer ver como se começa uma manhã de mau humor? Fique por aí, se tiver estômago.


Ainda aqui? Lá vai. Chego ao banco Bradesco de Cascadura por volta das 10h20 e sento na poltrona para aguardar o atendimento do gerente. Havia apenas um rapaz já sendo atendido e um senhor antes de mim aguardando também. Fiquei lá, mexendo nos cabelos, no zap e coisa assim. O rapaz nem parecia estar resolvendo algo, parecia mais um camaradaço do gerente batendo papo e com uma pena de ir embora que eu já tinha chutado ele mentalmente pra fora dali duas vezes. Foi lá o tal senhor e nem ficou 10 minutos, acho. A moça – a mesma que já tinha aceito meu documento de portabilidade falando que tudo estava encaminhado da outra vez – lembrou de mim e confirmou que meu atendimento deveria ser com o gerente mesmo. Bleh, fez diferença nenhuma, mas pelo menos dessa vez, acho que ela não tinha como me enganar de novo. Alívio.

O gerente termina de atender o velhinho e levanta e sai. Fiquei só olhando. Ele volta pra mesa, a moça me autoriza a ir falar com ele... ele nem senta, pega a mochila, mas ao me ver parado esperando, me dá bom dia e pergunta se é só com ele que eu preciso falar (?!). Digo que sim, pois me falaram que era só com um gerente. Ele olha bem no meu cabelo Black (?!) e avisa que está indo pra uma reunião. Fiquei olhando, ele me chamou pra uma salinha pra ver o que houve. Depois de se inteirar da situação, fez aquele rodeio perguntando se eu não queria ficar no Bradesco e blá, blá, blá... Expus meu argumento sem paciência por dentro, mas com meu famoso ar diplomático de indiferença e frieza. Daí, ele me explica que eu precisaria sacar o dinheiro desse mês e os próximos viriam pela portabilidade. Ou fazer uma daquelas transferências externas gerando uma taxa, porque seria complicado pra ele fazer a portabilidade... Joguei-lhe uma granada na boca mentalmente.


Oras, senhor Flávio (acho que é isso, porque ouvi um funcionário falar, pois se apresentar que é educado, nada), o senhor é um gerente de banco e eu sou um cliente sendo sacaneado a olhos vistos por falta de competência e má vontade do banco Bradesco (não sei em que proporção cada ato está) e o senhor é que tem uma situação complicada? Complicado é ficar sem salário porque nem a birosca do cartão me deram. Tá bonito pro senhor? Em todo caso, já fiz reclamação no site do banco e vou buscar quantos ambientes eu puder pra relatar essa insensibilidade racista desse banco, pois ainda me atravessa a garganta lembrar do olhar pro meu cabelo e todas as vezes que falaram comigo como se eu não entendesse o que está acontecendo. Banco Bradesco de Cascadura, tem um lugar certo no inferno pra gente ruim de jogo que nem vocês.

Volto lá no início da semana que vem e não garanto que não vá tirar satisfação de racismo, mas tenho mesmo que ir pra pegar meu salário desse mês, pois, não pude ficar na longa fila, dada a hora, que com certeza me atrasaria pro trabalho, e, ironicamente, eu seria demitido por atraso. Mas, queira Zambi, será a última vez que piso naquela espelunca da má fé, pois se eu voltar lá vai ficar muito feio e meu problema emocional vai me atacar depois de tantos anos (literalmente parte do meu cabelo cai).


 Bradesco mais perto de você?

Um comentário:

sonia nascimento disse...

fogo nesse gerentezinho excludente , racista de merda!!!!!!!!