Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

TOP 6 Itens do discurso de Bolsonaro na ONU

Biroliro deu vergonha até no Pinocchio.


Biroliar contou mais mentira que aquele seu amigo de masculinidade frágil metido a garanhão de festa? Sim. A internet reagiu, Tweets fazendo barulho e nossa vergonha mais internacional que a fama do Pelé. Fato. Mas queria apenas, não defender, mas compreender algumas falas de bolsoshower sobre Amazônia, desemprego, pandemia, corrupção, 7 de setembro e a
uxílio-emergencial.

 

Vamos lá ao TOP 6 Itens do discurso de Bolsonaro na ONU, comentados.

 

6 – Amazônia

 

Birovírus disse que o desmatamento diminuiu. Acho que deve ser verdade, pois com tanta queimada que tá tendo, não deve ter sobrado muito pra se devastar de maneiras mais variadas.

 

5 – Desemprego e pandemia

 

Sobre esses temas, a resposta é tão simples quanto foi a afirmação dele: NENHUMA RESPONSABILIDADE! Ou seja, nenhuma tem tanta verdade quanto alguma, ou seja, a mesma responsabilidade nula com que trata do vírus, ele trata do desemprego. Auxiliando ambos a se propagarem.

 

4 – Corrupção

 

Moleza essa também. Ele diz que não houve sequer um caso de corrupção no governo dele. Vamos ignorar seus tantos ministros que já caíram e até fugiram do país pra focar na palavra corrupção. Nuna é usada diretamente, já reparou? No Brasil, pegam mesmo os apelidinhos jocosos, debochados. Então, realmente, corrupção nem tanto, mas rachadinha, desvio de dinheiro público pra uso pessoal, compra de mercadorias supérfluas pra uso próprio e os quatro filhos famosos investigados pela PF... ah, isso tem.

 

3 – Tratamento precoce

 

Além de tentar emplacar essa modalidade criminosa de venda de remédio inútil, bolsoliro ainda fica alardeando que ele usou e melhorou na mesma hora. Além de sem comprovação, a coisa é de uma mentira doentia. Ele precisa de tratamento mental. Sério.

 

2 – 7 de setembro

 

Ele falou que foi a maior manifestação da história. Só não falou que dois dias depois ele mesmo pediu ajuda a um antigo rival pra redigir um pedido de desculpas pra não levar mais um processo do STF por dentro da venta cloroquinada.

 

1 – Auxílio-emergencial

 

U$ 800,00?? OITOCENTOS DÓLARES?! Na moral. Essa não dá nem pra fazer piada. A piada já é essa. E de mau gosto. Outro dia não queria liberar nem R$ 200,00. Quem dera, quem precisa receber em dólares – que tá altíssimo graças ao próprio excrementíssimo.

 

Vocês, eu não sei, mas se me perguntarem na rua, eu evoco minha ancestralidade angolana. Sei que a bisa ia preferir. Porque Brasil mesmo, olha, já vinha estranho, mas tá muito ruim.

 

Fonte: Buzzfeed

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Daiane dos Santos se emociona com medalha de prata de Rebeca Andrade


 Em 2009, uma menina negra chamada Rebeca Rodrigues de Andrade pode treinar por um dia com sua referência na ginástica: Daiane do Santos, que havia visitado o centro de treinamento de Rebeca, em Guarulhos-SP, de onde a menina é.


Daiane já era referência no esporte e se destacava, não só pelo talento, mas por resultados e o pioneirismo em ser a primeira negra a realizar esses grandes feitos que encantaram o Brasil. Quem esquece seu brilho ao som de Brasileirinho? O duplo mortal carpado e outras bossas que não sei mesmo especificar, só admirar.


E agora, a jovem Rebeca arrasa, ganha medalha ao som de Baile de Favela e Daiane se emociona (não só ela, né, mas vamos lá se não eu choro de novo). Isso significa que as referências estão concretando uma estrada pra outras, hoje, crianças, olhares e se inspirarem.


Pode parecer algo frívolo pra muitos (congelados por dentro em todos os sentidos), mas quando alguém mostra um feito, o normal é que aquilo inspire a todos, mas quando quem faz é de um feitio que não está sempre naquele lugar de exposição, aquilo inspira toda uma gama de gente que nem pensava em estar ali. Ou se pensava, era um sonho distante, porque ninguém igual tinha chegado ali.


Basta lembrarmos que a atriz Whoopi Goldberg se admirou quando viu Nichelle Nichols como Uhura em Star Trek em um cargo de tripulação que não subserviente. Quer dizer, negras até aquela época, eram empregadas ou escravas, mas uma tripulante viajante do espaço? Então, é isso. Rebeca viu Daiane abrir um caminho feito de terreno baldio até virar uma estrada e agora, está seguindo brilhante. 


A minha irmãzinha (não, não conheço Daiane pessoalmente, é que temos os mesmos sobrenomes e quase a mesma idade, rá!) não poupou na emoção ao vibrar com a medalha de Rebeca (que, diga-se, ainda pode ganhar outras, essa foi só no individual artístico). 


"A primeira medalha do Brasil num Mundial de Ginástica foi negra. A primeira medalha do Brasil na Ginástica feminina foi negra. Isso é muito importante. Diziam que a gente não podia estar nesses lugares”, comemorou Daiane ao ver o desempenho de Rebeca.

Porque a Rússia está como ROC na olimpíada de Tóquio 2020?

Uma coisa que acho que muita gente já reparou, mas não sabe o porquê é o motivo de os atletas da Rússia estarem representando uma bandeira “aleatória” sem nome, apenas com a sigla ROC. Mas você já se perguntou isso? Titio Saga dá uma moral. 

 É que em 2019, um escândalo aconteceu quando a Agência Mundial Antidoping (WADA, em Inglês) averiguou que um laboratório em Moscou estava adulterando amostras pra evitar a confirmação de doping de atletas. A punição foi que o país ficaria proibido de participar de competições internacionais. 

 Mas a restrição não proibiu todos os russos. Acontece que a imposição punitiva só determinava que não se usasse a bandeira, o nome e o hino do país. Então, quem não estava sob suspeita de doping em 2019, ficou liberado pra competir, desde que se submetendo à regra. 

 Com isso, os atletas russos não envolvidos em casos de doping podem participar de competições internacionais, mas sem usar bandeira, nome ou mesmo o hino do país e tudo aquilo que eu já falei. Então, ficou combinado que a Rússia não estaria de cara limpa, por assim dizer, sendo formado, assim, um comitê olímpico russo. Por isso o nome ROC (Russian Olympic Commitee, em Inglês). 

 As cores estão lá, com anéis olímpicos e a chama na bandeira do comitê e nos uniformes. Mas o “hino” tocado é o Concerto Para Piano Nº1, de Tchaikovsky. E a proibição vai até o final de 2022. Ou seja, até lá, seja a atual Olimpíada, Copa 2022 e Olimpíada de Inverno de 2022, a coisa ainda tá russa... quer dizer, restrita. Rá! Rússia mesmo, com nome, bandeira e hino, em jogos olímpicos, só em 2024. 

 Achei legal, porque um país ser punido de forma administrativa e institucional é o justo, por demonstrar má fé em seus procedimentos, mas isso não poderia afetar os atletas e comissões que disputavam suas modalidades de forma honesta. Já pensou, punir todos os atletas por erros de alguns? Então, a novidade de 2022 foi essa e não uma nova denominação como eu pensava. Risos. 

 Ah, vai que teve outra mudança geopolítica e eu não tava sabendo. Ainda mais neste contexto, num país que já disputou competições com o nome de URSS/USSR, ou, popularmente, União Soviética. É, sou desse tempo também. Rá! Bons jogos.

Goleira Bárbara é vítima de ofensas e reage nas redes sociais

 

Bárbara, à esquerda e Andréa, à direita. Note como até na escolha da imagem, a foto de Bárbara é séria e suada e a de Andréa é leve e sorridente. Tendencioso é pouco.

Estou aqui pra falar sobre um estudo, uma ciência, uma arte que a comunicação exerce através de pequenos, ou melhor, sutis detalhes, pra influenciar na opinião pública. E isso tem uma origem lá nos não tão idos tempos da escravidão. Nos tempos do império portugodescendente, havia um costume que tem até hoje de atribuir a brutalidade ao negro e a sensatez pacífica ao branco.


Isso nos traz à recente discussão entre Bárbara, goleira da seleção, e Andréa Pontes, canoísta paralímpica, quando a da canoa fez piadocas sugerindo trocar a goleira do futebol pela do handebol pro Brasil ser campeão. Sem falar de seu próprio esporte, ela atiçou a atenção braba da goleira e foi aí que tudo começou. Todos noticiando que Bárbara foi quem discutiu na internet. Ok, eu sei que o nome dela é o mais forte no momento, mas o modo como estão conduzindo, é além de só pegar o hype.


Mas o que tá pegando, Saga?


Eu fico impressionado com o nível tendencioso com que alguns colegas da comunicação julgam fingindo que não julgaram. E desta vez, vou ter que meter o dedo na ferida. Por dedo, entenda minha opinião pessoal com viés sociológico numa questão que envolve uma mulher negra.

 

Veja bem, Bárbara foi ofendida de maneira agressiva por um jornal holandês, depois, foi motivo de ironia/chacota pela paratleta branca que nem é de sua modalidade, e ainda fez piada sugerindo que a troca da jogadora por outra de um outro esporte. E como bônus, foi chamada de “cheinha”. E uma reportagem do jornal O Globo tem a pachorra de dizer coisas como “apesar dos 33 anos”, claramente induzindo a opinião pública a ver a mina como problemática e imatura. Outra chamada do mesmo jornal sobre o caso diz que Bárbara foi “pivô” de uma treta e essas coisas... Na moral, ser pivô de alguma situação, implicaria que quem procurou a briga foi Bárbara. Andréa Pontes que fez isso, usando o nome de uma colega atleta pra fazer risadas questionando o talento e forma física da goleira. Reagir de forma verbal contundente, como Bárbara fez, não é ser a nega barraqueira "apesar de não ser uma garotinha" que não aceita crítica, é legítima defesa. E direito de resposta, se me permite a carona na legislação.

 

Avalie quando você é alvo de alguma piada maldosa, você poderia reagir apenas desejando paz, ou até nem falando nada. Mas num momento de expectativa por um bom desempenho, é muito natural que os nervos estejam na adrenalina. Rebater pode ser o método de autodefesa de Bárbara e precisamos respeitar isso. Não tem orientação nem “apagação” de incêndio da “sempre confiável” CBF que segure. Até porque já declararam que é uma discussão de cunho pessoal e não se meteram. Quem é o repórter pra dizer que Bárbara é que é a insubordinada intransigente geniosa explosiva? O que não pode é noticiar a parada já com um subtexto de julgamento pra cima de quem respondeu a uma provocação. E quem começou a conversa? Se não pode ser imparcial, disfarça, né, mano? Eu sempre fui adepto do jornalismo opinativo pra não cair nessa falsidade.

 

Sempre é isso: Existe uma branca e uma preta discutindo. A branca sequer é mencionada, mesmo sendo quem atirou a primeira pedra e a preta é insinuada no texto como a barraqueira. O jornalismo precisa perder ainda muitos vícios pra poder inserir suas notas de opinião dentro de notícias, aparentemente, imparciais. Lembra do jovem que foi acusado de roubo de uma bike e tanto os acusadores/caluniadores racistas quanto o ladrão branco foram deixados de lado pra se investigar o proprietário preto? Pois é. É isso. Quando as pessoas forçam uma barra injusta com alguém, provocam um dano psicológico imenso no injustiçado. Talvez seja essa a intenção mesmo. Aí, quando o injustiçado se revolta, tomam medidas de punição, alegando que a pessoa é instável emocionalmente. Coisa que, aliás, foi falada na tal reportagem, alegando que a moça tem um histórico de não aceitar orientações da federação.

 

É aquele papo: Quando o negro não aceita os grilhões, ele que é o rebelde, e não o fazendeiro que faz todo o papel do algoz. Se eu sou amigo da Bárbara, óbvio que eu ia ser a turma do ‘deixa-disso’, pra preservar sua concentração na competição. Mas, na boa, totalmente entendo – e sei bem como é – ser questionado por quem não interessa em coisas que me são preciosas. Lá vai o Brasil sacrificar uma goleira, que joga com mais 10 em campo. Barbosa feelings. E olha que o Brasil tá na briga, hein. Nem é o caso de culpá-la por ter feito algum lance duvidoso... Mesmo caso de Barbosa, em 1950. Ninguém tá crucificando os que tomaram de 7 da Alemanha em 2014. É muito complicado tentar trabalhar em um espaço de visibilidade e ainda ter que lidar com biscoiteiro de internet. Aliás, biscoiteiro não, o nome disso é troll, né? Ainda mais vindo de gente que vive na mesma condição. Quando errar também – que ninguém tá isento disso – vai apelar pro quê? Que foi praga de quem você ofendeu antes? Que foi a torcida contra? Olha... Só rezando, viu?

 

Não dá é pra meterem esse papo de que “protagonizou discussão na internet com atleta paralímpica”. Fica parecendo que ela pegou uma inocente moça com necessidades especiais e surrou a coitadinha em público. Deficiente também debocha e também precisa receber a resposta proporcional ao agravo. É constitucional. E só pra deixar bem estabelecido aqui: Não foi a Bárbara quem discutiu, bateu boca ou tretou na internet. Ela reagiu ao que não gostou e está totalmente no direito. Se poderia ter agido diferente, aí, é coisa dela, já que só quem sente sabe o que vive. Quem sai lá do mundo da lua pra falar gracinha é que deve se responsabilizar pelas besteiras que fala... e que ouve, por consequência.


Jogar o peso da responsabilidade de uma briga na preta que reagiu legitimamente pra defender a própria honra ainda é objeto de uma verdadeira engenharia a que estamos sujeitos nessa sociedade. e se denunciamos, reagimos ou tornamos público, chamam de mimimi. Mas é aquele negócio, quem fala assim não está alienado do seu preconceito, só está incomodado com o fato de ser confrontado. Não duram um minuto sem chiar quando são criticados. Querem falar, mas não foram educados pra ouvir. Quando ouvem, falam que a gente anda nervoso demais. Que peguem fogo de dentro pra fora.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Comedy Central não admite negros em seu elenco fixo?

 


Vamos falar de comédia. A comédia, assim como o rock, quando chega no Brasil, vira consumo e execução do branco classe média. Talvez por isso tanto comediante se sinta ofendido ao ser criticado por piadas com negros, gays, mulheres, nordestinos, mendigos e pobres de uma maneira geral, afinal, o que eles não podem fazer, né? Não estão acima da lei, do bem e do mal?

 

Aí, observo o canal Comedy Central e lembro que parei de assistir há uns 10 anos por só ver muito branco fazendo piada com pobre, claramente um universo que não conheciam, apenas reforçavam estereótipos e ponto. Mais crianção da turma do fundão do que engraçado. Me afastei. Sem contar a limitação criativa a story telling de sexo, drogas e uma pobreza que não viveram, mas como muitos estão com grana hoje, aí, é aquela forçada de superação pessoal que só a Marimar pra dar um tento. Falam do que podem, né, gente?

 

Aí, voltei a assistir, zapeando, por que reprisam séries negras (Will Smith, Michael Kyle e Chris) e até um especial de stand up de temática Black Power... e só. Se não for como visita, ou reprise gringa, não tem representatividade no canal. Veja os programas de elenco fixo as culpas do Cabral e da Carlota. Parece pré-requisito: Olha, tem que ser branco, hétero e cis. E não é por falta de comediantes negros não, hein. Como confirma o próprio especial Black (embora uns e outros ali e na pista nem se lembrem que são pretos).

 

Ah, eles estrearam, há pouco tempo, uma espécie de mesa redonda, onde tem um negro: O ex-jogador Vampeta. Mas essa participação não conta bem como representatividade, porque além de nunca ter abordado o assunto, o dito cujo está ali por ser ex-jogador e não um comediante, né?

 

Deveriam mudar o nome pra So White Comedy Central, ou Comedy So White.

Depois não vai estranhar quando um fizer piada racista e outros defenderem dizendo que ele não foi, porque em seu convívio, isso é super normal.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

É só uma opinião... É só isso mesmo?

 


O que é opinião?

 

Em diversos dicionários, opinião é algo que se relaciona intimamente (UIA!) com julgamento. Em geral, é a maneira de pensar algum assunto. Ou seja, opinião é, necessariamente um pensamento estabelecido, um julgamento pessoal sobre algo ou alguém. E, quando esse pensamento é disseminado por uma classe dominante de forma massiva, essa opinião se torna uma espécie de regra, tradição, costume. Vamos arredondar esse conceito na expressão mais conhecida pra descrever: Senso comum. O senso comum não tem nada a ver com lei, tanto que racismo é crime, mas tanta gente pratica e se safa de boas. Por que a lei mesmo, as pessoas querem burlar, mas se sua bisavó tinha medo de um relâmpago ser atraído pelo espelho da penteadeira... mel dels, desconstruir isso dá até azar.

 

O problema da opinião é que muita gente acha que só porque tem direito a ter, quer sair comunicando por aí e, pior, acha que não pode ser contestado. Sim, a gente pode emitir uma opinião e alguém achar uma m... essa é a opinião de quem te ouviu, entende? O que não pode haver é a falta de respeito. Tem gente que é tão desrespeitoso que quer impor sua opinião na vida dos outros. Estamos no mês do Orgulho LGBTQIA+ e o mês mal começou, e já nos deparamos com (sub-)celebridades repassando vídeo de religioso conservador defendendo homofobia. Um exemplo particular é o que vejo em alguns grupos dos quais faço parte por motivos de força maior.

 

Uma leve mudança numa logo de grupo de zap em homenagem à diversidade, cega tanto os conservadores que a gente tem que explicar que uma referência ao arco-íris (símbolo da luta LGBTQIA+) não altera uma logo, um avatar, muito menos a bandeira de uma instituição. A certeza de que não quer essas cores por perto é tão agressiva, é uma aversão tão grande, que o racional perdeu pra repulsa... E, bem, tenho uma notícia pra te dar, se você pensa e age assim e diz que é só sua opinião... Bem, segundo diversos dicionários, uma forte aversão, um medo irracional da presença de algo se chama FOBIA. E um medo irracional de ter LGBTQIA+ por perto é... Acertou, miserávi, você tem homofobia. Que é uma rejeição que não faz o doente sofrer, faz a vítima, no país que mais mata gays no mundo.

 

Opinião não é pra quem tem, é pra quem conhece o assunto. Só odiar vai fazer você reproduzir aquelas frases feitas de sempre e isso, hoje em dia, é refutado tão facilmente quando ligar um carro. Aliás, a opinião do preconceituoso é isso. Um carro. Velho e fora de uso. Aí, quando o esperto vai usar, ele tem certeza de que funciona, mas vai ficar na pista e se pá, ainda passa vergonha.   

Rafa Kalimann, Caio Castro, Patrícia Abravanel, Claudio Duarte e a homofobia enrustida

Todos os envolvidos nesta colagem já largaram seu chorume homofóbico.

Rafa Kalimann vive derrapando entre pagar de fada sensata e ficar dando uma de isentona (o que é o mesmo que defender o atual desgoverno). Caio Castro é isento até no que faz (ator que não curte ler, né?), mas convive com Grazi, outra isentona assumida, mas que vestiu muito camisa da CBF num passado recente de manifestações pelo governo que acabou com o ministério da cultura.

 

Patrícia Abravanel, dispensa apresentações, né? Já pagou mico dançando em manifestação do boze ao lado do Tirulipa e do veio da Havan, e isso não tem dois meses. Além do maridão ser daqueles bolsominions capacho mesmo, de repassar fake news e discurso de ódio. E os três restantes, então, não tem nem o que falar... Aliás, de um ainda tem.

 

O terceiro da direita (que irônico o termo, não?) é um pastor chamado Claudio Duarte. E ele é o protagonista do tal vídeo publicado e  defendido pelos distintos acima, mas criticado pela comunidade LGBTQIA+. No vídeo, o pastor usa de lábia de líder religioso carismático pra destilar homofobia e eu explico por quê eles se acham tão injustiçados pelas críticas.

 

Primeiro, como não há ódio direto, palavras violentas e ameaças, acham que estão apenas dando (UIA!) uma opinião descompromissada. Fingem que respeitam, mas se você analisar, a pessoa não diz que respeita APESAR de, ela deixa claro que preferia que você nem existisse, mas se existe, também não vai matar.

 

É o tipo de gente que quando vê violência contra o gay, vai tentar justificar que a vítima deu motivo se assumindo, se expondo na rua ou na internet. No mais, fico com a resposta de Tiago Abravanel, de que opinião é sobre o que beber, sobre a roupa que vai usar. Sexualidade é respeito. Algo fora disso, já é homofobia. Já é discurso de ódio.

 

Deixa os outros serem. Não é da sua conta. Não gosta de namoro entre pessoas do mesmo sexo, não namore pessoas do mesmo sexo. Pra finalizar, acho realmente que quem se incomoda, não odeia o gay, só odeia que não teve a mesma coragem de sair do armário por medo de preconceito. Aí, preferiu ficar do lado do opressor pra apedrejar quem acha que é fraco.

Ironicamente, esse é o tipo do homofóbico que é enrustido. Em que sentido, Saga? Ah, aí, é com você decidir. É uma questão de opinião. Rá!

terça-feira, 1 de junho de 2021

Mulher é presa por injúria racial, mas liberada após pagar fiança de mais de 2 mil reais no RJ

 


Ana Paula de Castro Batalha é o nome da ‘princesa’ que consumia no Baródromo (Maracanã) e, diante de uma conta errada, entregue por uma garçonete negra, xingou a mesma de ‘negra fedorenta’ e a acusou de tentar passar-lhe a perna.

Primeiro de tudo, o nome e a cara que tem que aparecer numa notícia de crime é a do criminoso e não da vítima, beleza? Então, preservo a funcionária. Mas a racista... foi presa. O bar publicou uma nota de repúdio, mas não é sobre isso que eu ia falar. É a partir disso.

A criminosa foi enquadrada por injúria racial que, ao contrário do racismo, tem fiança. Pagou mais de R$ 2.200,00 e saiu, depois de ter sido confrontada por clientes próximos, também negros, a quem ofereceu mais racismo e homofobia. Sobrou até pra outra funcionária (nordestina), ofendida com xenofobia. Quer dizer, um ser humano maravilhoso, né?

Mas a reflexão que lanço é a seguinte: Aquela turma que sai em defesa de branco, que acredita em racismo reverso... Agora estão em silêncio, percebe? Quem está quieto diante de coisas assim, que ocorrem todo dia, mas espera novembro pra dizer que somos todos humanos. Cadê?

O Brasil é um grande centro de gerenciamento de ‘síndrome de mucama’. Vê a negada levar no lombo toda hora e acha normal, justo até. Mas se um branco quebra uma unha, mel dels, vamos salvar essa alma injustiçada pela vida. Parabéns pela raiz bem germinada, Europa.

Fogo nos racistas. E todos os seus simpatizantes. Me empresta a manopla, Stark. Por essa causa, eu me sacrifico.

PÁ! Todos os racistas e simpatizantes correndo em chamas e a gente esguichando gasolina neles. Rá!


quinta-feira, 20 de maio de 2021

Brasil: Como a Copa de 1994 me fez mais patriota que Bolsonaro

 


O Brasil é um país de trajetória única no mundo. Em vez de ter subdivididas as terras invadidas por Portugal, como aconteceu com os demais países do continente americano conquistados pela Espanha, também foi usado como mera mina de extração de riquezas e não como uma espécie de sub-reino colonial (a princípio). E foi a única colônia a sediar uma côrte inteira (família real valente com preto e amarelaça pra outros europeus). Tanto que se você reparar bem, o “povo” daqui é o único que não é chamado por sua origem de nascença, e sim de uma forma que é resquício da primeira função das terras brasilis. Vou explicar: Enquanto um cara nascido no Uruguai é um uruguaio, mostrando que ele é parte orgânica daquele território ou na Venezuela, é venezuelano, dando a mesma ideia, de forma um pouco diferente, as pessoas nascidas aqui recebem o gentílico da função que tinham os portugueses que vinham aqui roubar explorar as terras invadidas colonizadas: Brasileiro.

 

Pode reparar, o sufixo ‘eiro’ não dá a ideia de alguém que nasceu em algum lugar, dá a ideia do que essa pessoa exerce na vida. Se eu sou aquariano, é porque nasci sob o signo de aquário (mesmo quem não acredita nisso, apenas acompanhe o raciocínio), Superman é kriptoniano, se fosse na França, francês e etc... Pescou que quem nasce é “ano”, “ês” e algumas variações que têm sempre em mais de um país, mais de uma situação, de acordo com a origem do gentílico, como “enho” (hondurenho), “ense” (canadense) e outros (austríaco, marroquino), mas todos presentes em mais de um país, ou lugar em geral. Brasileiro não é gentílico de quem nasce em algum lugar. É atribuição, como madeireiro, carpinteiro, ferreiro, ou ainda, a ideia de algo transitório, como estrangeiro, passageiro, saca? Mas vou falar sobre gentílicos em outra hora. Veja dentro do próprio país, tem o paraibano, o alagoano, o rio grandense (do sul e do norte) e tem o mineiro. Sacou a diferença? Parece que quem nasce em Minas Gerais, assim como no Brasil, recebe uma profissão e não um nome. E compare que Brasil é a abreviação de Terra do Pau-Brasil, assim como Minas Gerais já diz que o lugar não é uma estadia e sim, um posto de trabalho. Tá compreendendo? 

 

E falando em sufixo do gentílico ‘ano’, temos baiano, como Bebeto. O baiano, o baianinho, com passagens marcantes  por Flamengo, Vasco, La Coruña e Botafogo. Em dupla com o carioca Romário (olha aí, Saga, carioca não é ‘ano’ nem ‘ês’ – mas é ‘ense’, de fluminense, do estado em que nasceu, rá!)... Voltando, Bebeto e Romário já eram proeminentes estrelas na Copa de 1990, a primeira que me lembro bem, mas não lembro de tudo. 3 anos depois, a dupla saiu da reserva da seleção pra titulares absolutos e desde as eliminatórias (com direito à primeira derrota da história para a Bolívia e a inovação de entrar de mãos dadas mostrando garra e comprometimento) até a copa de 1994, eu vivi uma das melhores fases da vida. Eu tinha 12 anos no momento que gritamos ‘é tetra’ com Galvão Bueno e passei a ter gosto não só pelo futebol como pela bandeira brasileira. Ayrton Senna tinha marcado aquele ano dois meses antes, com sua morte na pista e a história estava sendo presenciada por  mim ali.

 

Eu me sentiria um grande patriota, talvez se fosse um brasilês ou brasiliano, mas como brasileiro, eu percebi na mesma época que gostar do país por causa de futebol não significava nada para a polícia. Eu, maior menino criado por vó a leite com pêra e ovomaltino, quase fui levado por policiais sei lá pra onde e nem imagino pra quê, no meio de uma multidão de funkeiros que descia de um ônibus onde eu estava com meu pai, pronto a me levar pra casa, depois de um dia dos pais maravilhoso com o lado paterno da minha família. Daquele fatídico momento “Will e Carlton abordados na estrada em Um Maluco no Pedaço” até o grandioso e esforçado tetra, os hormônios adolescentes falaram mais alto e só importava ser campeão. A primeira Copa que o Brasil faturava desde o histórico tri em 1970. Que coisa grandiosa. Eu não achava uma participação da seleção tão marcante desde a derrota pra Argentina em 1990, com Maradona atraindo toda a marcação pra si e tocando pra um livre Caniggia driblar Taffarel e tocar pro gol, eliminando a gente nas oitavas-de-final.

 

Daí pra frente, tivemos a ascensão de Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos e Cia nos jogos olímpicos de Atlanta (1996) e quando chegou em 1998, na copa da França, a seleção já tinha o histórico de grande potência de novo, mas entrar de mãos dadas já era cafona, o que marcou mesmo aquela seleção eram os milionários salários em clubes gringos e o marketing individual em pontuais atletas, meros outdoors humanos dos patrocinadores. A seleção chegou popstar na França e a gente lembra no que deu, né? Aquela fake news que a cada derrota é atualizada com nomes do momento pra dizer que esse entregou, aquele se revoltou e forçou uma expulsão, o outro que negociou o momento histórico pra acalmar o país da vez que tivesse vencido o Brasil. E como muita gente adora uma teoria da conspiração, outros gostam de um imediatismo sensacionalista e tem os que só não conseguem acreditar quando perdem, esse texto ganhou fôlego até 2014, no fatídico 7x1, porque ninguém queria acreditar que a seleção de Neymarketing e Cia era tão vulnerável. Mas em 2018, não teve nada de mais, quem mais fazia os poucos gols da seleção eram jogadores de defesa e até o ufanista Galvão Bueno ficou mais pistola que aquele canário da zueira e fez desabafos, puxões de orelha e protestos.

 

A questão é que eles levaram 20 anos pra se convencer de que o Brasil é só uma seleção e a única adaptação que teve aos tempos foi o marketing. Futebol mesmo não tem. Nem souberam voltar ao futebol moleque e nem conseguem jogar direito como o europeu e seu ritmo mais cadenciado e dinâmico. Talvez o Flamengo, desde 2019. Pior pros “meninos” de 30 anos que se envolvem mais com orgias, escândalos fiscais e sexuais do que com a bola no pé. Em 1998 eu já questionava se eu não era patriota, por ter dado mais atenção ao futebol regional (Vasco campeão da Libertadores 1998 que o diga). Falei no Flamengo de 2019, porque o português Jorge Jesus trouxe uma linguagem diferente, que deu tão certo que ele voltou pra zoropa e não deu em nada e o time que estruturou está ganhando até hoje. E por falar em Brasil, Portugal, futebol e tals...

 

É por isso que eu não me considero patriota. O futebol teve sua época muito massa, mas hoje, como em 1970, época em que Bolsonaro acha que o Brasil era melhor (pra ele, talvez), o futebol deu um hiato de alienação social e a internet veio pra evitar que aquele horror chamado ditadura se repita. E é com essa visão, de que os que se dizem mais patriotas são os que mais espancam e matam familiares, mais se envolvem em mutretas milionárias – e até com assassinatos de político e amizades com milicianos – é que eu parafraseio alguém que não lembro, mas li há algumas semanas: Para ser patriota, eu tenho que, neste momento, odiar o meu país. Pensa bem, o Brasil foi construído pela mão do negro que o português explorou e quando fingiu que libertou, fez de tudo pra não ser incluído como cidadão. 500 anos depois, ainda somos massacrados em todas as frentes físicas e mentais e eu tenho que amar essa liderança política? Falta muita noção e reparação até eu pensar nisso.

 

Então, é isso, o futebol me enganou que eu podia ser patriota, mas vem a vida real e mostra que patriota é só quem é beneficiado pelo país. Eu to bem lá pra baixo dessa pirâmide. Ser patriota é esperar quando essa onda de m... passar.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

5 Coisas que colocaram Paulo Gustavo no panteão dos grandes humoristas

 

Paulo Gustavo ficou muito famoso, obviamente, por Dona Hermínia, personagem de sua criação, baseado em sua própria mãe, Déa Lúcia. Mas isso é chover no molhado.


O que tô aqui pra falar é que o humorista fez das suas até chegar nesse patamar de ser conhecido pela simples menção de seu nome em qualquer ambiente, dos mais variados.


A questão aqui é enumerar como foi sua escalada até esse lugar de sonho de todo ator, de todo artista em geral, que é chegar a uma carreira sólida e admirada sendo apenas si próprio.


1 - INVESTIMENTO EM DONA HERMÍNIA

Criar a personagem seria ficar aquém do que esta colocação merece. Porque criar personagem é fácil. Não é fácil criar personagem original e bom, tô dizendo que é fácil criar. Eu mesmo crio uns três por dia. Rá! Falando sério, quando ele percebeu que tinha um algo mais em uma personagem que, ironicamente, é justamente nada de mais, ali, ele já era uma estrela em ascensão. 

2 - O APROVEITAMENTO DO SUCESSO NO TEATRO

Conforme Dona Hermínia se tornou promissora, o monólogo Minha Mãe É uma Peça a glorificou. Através de uma estrutura simples (e bem feita, não pense que era desleixo), o mais importante da personagem era justamente conversar, literalmente, com todo tipo de público. A grande sacada foi entreter milhares de pessoas com aquilo que mais as identifica, que são relações familiares.

3 - ENTREVISTAS COM JÔ SOARES

O próprio ator falou, em uma as entrevistas a Jô Soares, que já era conhecido por algumas pessoas como o "menino do Jô", provavelmente por pessoas que o conheciam das entrevistas, mas não do trabalho, do personagem, etc. Eu era um, lá pelos idos de 2009, um pouco antes, ou um pouco depois, acho. Ali, o ator experimentou a fama além dos teatros, como ele próprio e o carisma pegou.

4 - A FRANQUIA MINHA MÃE É UMA PEÇA

Se nos teatros a Dona Hermínia já tinha levado milhões a suas reflexões e desabafos, foi nos cinemas que ela ganhou de vez o Brasil. Era muito fácil deduzir que um sucesso nos teatros, sendo adaptado para os cinemas, repetiria as boas performances. Foi muito melhor, gerou duas continuações, esta última, a maior bilheteria nacional de todos os tempos.

5 - O CONJUNTO DA OBRA

Não mencionei de forma separada seu programa solo/stand-up 220 volts/Hiperativo nem suas grandes participações em humorísticos, porque ali ele já estava sendo ele mesmo, no sentido de estar totalmente à vontade em quaisquer encarnações. Quero mencionar aqui, sua evolução, pois, se no começo fazia tipos até controversos (blackface, bullying, gordofobia, etc), o ator soube se reconhecer um artista em constante evolução - e em desconstrução. 

CONCLUSÃO

Seja por formar uma família linda que transborda vontade de viver ou por máximas como "Rir é um ato de resistência", Paulo Gustavo vai deixar saudades, mas antes termos tido alguém expoente assim do que não ter tido inspiração pra seguir em frente. Paulo se tornou um ícone da comédia, da representatividade e só me faz pensar em quantos armários não estremeceram com sua aparição em público e quantas pessoas não se reavaliaram em relação ao sentimento que diziam ter por entes queridos LGBT e a verdadeira prática do amor e da família. Revolucionou sem tomar pra si o cetro do transformador de mundos e sem bajular carreiras. Nunca teve esse ar messiânico que muitos têm sem metade da expressão que teve e mesmo assim comoveu até artistas internacionais com sua partida.

Que esteja em um caminho de luz e paz e muita força pra família!

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Treta nas eleições dos EUAs: Jennifer Aniston x Kanye West

 


Jennifer Aniston, a eterna Rachel Greene da famosa série Friends, foi até a internet pedir que seus fãs não votem no rapper/socialite Kanye West. Aniston disse que não encontrava mais maneiras de dizer que não é engraçado votar em West e o cantor reagiu dizendo que seu trabalho mais famoso, a série Friends nunca teve graça.


Olha, eu concordo com os dois, num sabe? Realmente Kanye West é daquelas figuras doidas que podem acabar fazendo expressiva votação só pela sacanagem de um eleitorado zueiro. Pensa só, quantos doidos você já não viu ganhando eleições só porque o povo que votou em maioria, tava de birra em votar nos candidatos de sempre? Eu sou carioca, e uma clássica eleição daqui do RJ foi em 1988, quando numa candidatura de brincadeira, o famoso e folclórico Macaco Tião, do Jardim Zoológico carioca, quase foi eleito prefeito. Falo mais disso em outra hora, mas o fato é que muitos já se beneficiaram disso.


Aniston, a única do elenco de Friends a ter tido uma carreira ainda com brilho e relevância desde 2004, ano do fim da série, é uma pessoa engajada, sendo participante de diversas frentes de ativismo social, como caridade para órfãos, institutos de tratamento de câncer, causas LGBTQ+ e por aí vai. Dá pra entender porque ela não vê nenhuma graça em um rapper/socialite com problemas de comportamento e opiniões conservadoras se candidatando a qualquer coisa, né?


Ma Saga, e a tal da treta? Concordou com os dois, mas ficou do lado de quem? Olha, jovem, Friends é uma das séries mais alienadas do mundo. Meia dúzia de playboy branco vivendo seus grandes dramas de gente trabalhadora com pais ricos. Nenhuma diversidade, assuntos tratados com imaturidade e um dos maiores exemplos é o próprio personagem de Aniston, a menina que deixa de ser patricinha pra virar garçonete e numa mentira de currículo, arranja emprego numa renomada loja de departamentos e moda. Quem nunca, né? Antes da metade eu já não me importava se Rachel e Ross iam voltar, e até torcia pra eles nunca mais se verem. 


Por outro lado, West sempre demonstrou um comportamento errático e, nos casos que teve uma regularidade, foi para atos polêmicos, como invadir palco pra protestar contra premiações ou declarações estranhas se não pra chamar atenção, talvez por demonstração de algum descontrole psicológico. 


Mas o fato é que Friends é um troço sem graça que terminou há mais de 15 anos e a atriz que representa a série nessa discussão, está muito mais antenada do que sua personagem. Nossa, mas anos-luz. E a vida é feita do agora, mesmo que o passado conte pra dar direção e aprendizado. Hoje, Jennifer Aniston defende a vida social, o direito ao respeito a pessoas que ainda hoje não podem andar livremente sem o risco de levar um pisão no pescoço até a morte ou um tiro nas costas. E West... bem, é um preto rico, famoso e conservador, né? 


Não posso salva-lo só porque ele chamou um filho de North West (Norte Oeste ou Noroeste). Quanto a isso, tivemos aqui Gonzaguinha que teve uma filha Com Sandra Pêra e a registrou Amora Pêra. E era dos nossos. Então, na discussão dos gringos pop, votei na Rachel.  



terça-feira, 20 de outubro de 2020

Lobo Mau, Robinho e o predador sexual


Antes de mais nada, só eu pensei em Lobo + Robinho = Lobinho? Hein, hein? Enfim...

A primeira vez que ouvi essa expressão, confesso que não pesquei a referência. Mas assim que parei pra ouvir e ler um pouquinho mais, não foi difícil entender a referência. Mas, vamos por parte, pelo bem da minha escrita e da sua leitura, já que sem separar em tópicos, vai ser uma verborragia incontinente.


Predador sexual

O predador sexual, basicamente tem o comportamento de um predador do reino animal, só que em busca de sexo, em vez de alimento. Isso, bem basicamente. Mas não é complicado enxergar os paralelo: Ambos buscam vítimas que lhes satisfaçam a gula, ambos procuram meios de obter uma vantagem por meio da fragilidade de seu alvo e não se furtam a usar de artifícios até desleais pra conseguir o que querem.

Compare o comportamento de uma onça, que assim que vê uma possível presa, vai lá, corre, escala árvore, dá patada, dá mordida até que ou a vítima foge, ou ela garante o almoço do dia. Um predador faz isso. Ele usa de substâncias, presentes, promessas, faz carinhos, tenta aproximações em locais de pouca exposição até que consiga se chegar em sua vítima.

Importante frisar que não é só em casos mais escandalosos que isso ocorre, como na pedofilia. Muito predador sexual não sai do convencional (ex.: homem-mulher hétero). O modo de agir é que é o problema, não a idade ou gênero do alvo. Existem casos que ocorrem na santidade de um casamento, quando a mulher é submetida a um papel de servidão sexual ao marido, mesmo que não esteja a fim, porque seria “a obrigação da mulher servir o marido”.

Antes, deixa eu te dizer que sim, vejo muita diferença entre um bicho com fome e um ser humano com problemas psicológicos. Não é pra justificar o predador sexual alegando que seria uma necessidade física como de um tubarão mordendo pra sobreviver. Estou só preparando o terreno pra um paralelo atual que vou fazer mais lá pra baixo.

 

Lobo Mau x Chapéuzinho Vermelho

 

Essa é uma das mais gritantes e famosas alegorias à sociedade do mundo. Conto de origem europeia, mais uma das várias adaptações de contos horripilantes dos irmãos Grimm, para um público mais juvenil - e depois de anos, infantilizados pelos estúdios Disney a ponto de todo o background social se perder, ficando apenas uma aventura e musiquinhas, mas estou divagando.

 Chapeuzinho é uma menina com uma única missão: Levar uma cesta de guloseimas para a vovó doente do outro lado de um bosque. Pois a menina, jovem e inocente, consegue se desviar do caminho por causa da lábia de um Lobo. Aqui, temos a capa como simbolismo para a própria inocência da menina, talvez até o hímem de uma virgem (lembrando que em versões antigas, a capa nem sempre é mencionada como vermelha).

 A menina e a avó, poderiam ser uma alegoria da estrada da vida de uma mulher. Mas o Lobo, esse não tem pra onde correr, sempre é visto diretamente como o predador que tá lançando conversinha mole pra engolir Chapéuzinho, vovó, cesta e tudo. Até existe uma camada sim, o lobo pode ser o próprio bicho, animal muito comum em determinadas áreas rurais de quase o mundo todo e que é um valente caçador, mas, lembremos que sua figura é contada na história da menina do gorro vermelho como um ser antropomórfico, ou seja, que se apresenta com a forma humana. Logo...

 

Robinho

 

Robinho, jogador do Santos, foi pego admitindo participar de uma farra onde a moça estava embriagada. O que seu curto entendimento não o fez ver ainda é que estupro não é caracterizado apenas pelo ato violento e físico. Se valer da condição de vulnerabilidade de uma pessoa entorpecida também.

 Fica tentando dar pedalada pra sair de uma situação onde, mesmo sem crédito, muitos já teriam tido a malandragem de se retratar pra poder pelo menos diminuir o prejuíjo. Mas em vez disso ele faz o quê? Se compara a Bolsonaro nas eleições 2018, alegando que todos bateram nele e ele cresceu nas pesquisas (como se fosse aforça de seu carisma e não o clima anti-pt que fez muito doido votar no doido e hoje se arrepender). E ainda dizendo que “infelizmente” existe o movimento feminista.

 Ou seja, ele uma hora diz que mulheres trans (e/ou lésbicas, vai saber a extensão) defendem o feminismo mesmo sem nem ser mulher de verdade e alega que o que falou foi tirado de contexto. Frases que se não foram inventadas do zero, dificilmente tem um contexto geral diferente de um hipócrita que se meteu numa farra e não quer assumir que o que fez foi vergonhoso.

 

Conclusão

 Robinho não é homem de verdade, é só um daqueles falsos moralistas que defendem a família brasileira, acham que dizer que são casados ou da igreja já é carteirada de honestidade e quando são pegos com a boca na botija, querem se fazer de mártires. E nem adianta fazer como a âncora da Record que levantou a bola para os casos de prostituição, porque ser puta não dá o direito do cliente fazer algo que ela não tenha condições de decidir. Assim como a menina de dez anos grávida do tio estuprador, de novo, o foco é desviado para a vítima e não para o agressor. Ele acha que sofre perseguição, mas, pelo contexto do texto geral, é só um lobo em pele de cordeiro. 

Vergonhoso.


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Até que a Sorte nos Separe 3: O Amor Salvou o Brasil


Seguindo a linha "vou falar de filmes aleatórios", me deparei com um belo exemplar daquilo que chamo de "ideia show, execução bleh". Até que a Sorte Nos Separe 3 - A Falência Final é um grande exemplo disso. Porque, veja, de 2000 pra cá, dois anos após o lançamento do oscarizável, e tocante,  Central do Brasil, tivemos Cidade de Deus e Tropa de Elite (I e II), entre outros. Alguns destes foram fenômenos históricos de popularidade e outros bem esquecíveis. MAs este aqui chama à atenção por ser muito mal aproveitado.

Tino e família voltam neste longa já calejados pelas perdas financeiras que tiveram na vida. Tino está cada vez mais Homer Simpson (que emburrece a cada episódio pra gerar mais piadas pastelão). Se ainda fosse emburrecer pra ser uma sátira ao cidadão comum, com as ironias, acertos e erros a que está suscetível em nossa sociedade, seria um ganho. Coisa que, aliás, o próprio Homer era no começo, tendo virado pretexto apelão de entretenimento fácil bem depois de ter feito o nome de sua família ganhar o estrelato na (antes contra-)cultura pop.

Bem, depois de ter virado simplesmente um cara gordo que fala feito garoto mimado e fazendo piadas de peido, sexo, careca e outras intelectualices, Tino consegue ser atropelado enquanto vendia biscoito na beira da estrada. A 'sorte' dessa vez, é que o autor (culposo) do atropelamento é o filho do cara mais rico do país. Uma óbvia referência a Thor Batista, que atropelou e matou um ciclista há alguns anos (saindo de boas do processo) e seu pai, Eike Batista. A mãe do jovem é uma socialite ex-modelo, numa nítida referência à Luma de Oliveira.

E o filme ensaiava um rumo meio desengonçado desse plot, até ali, interessante. Mas o filme deixa de parecer esquentando pra encontrar seu auge pra se tornar o tal desperdício de ideias que falei lá no começo. Os diretores Roberto Santucci e Marcelo Antunez pareceram ter escolhido o caminho fácil para o país onde até alguns anos atrás, ainda usava como piada mulheres seminuas e piadocas sobre escatologias, palavrões e pastelões. Nada contra, só acho que isso deveria estar a serviço de alguma informação. De preferência, cumprindo o papel do humor, que é a quebra das expectativas.

Por exemplo, aqui não tem uma história bem estruturada, mas poderia. Um cara acostumado ao fracasso consegue se reerguer com apoio do sogro milionário da filha mais velha e acaba falindo ele e o país. Plot interessante, pra quem já viu os dois primeiros filmes da franquia. Mas, na última hora, descobrimos que as trapalhadas de Faustino apenas desmascararam uma trapalhada maior e muito mais séria do tal sogro da filha, Rique Barelli. É exatamente isso que acontece, mas a coisa é conduzida de uma forma tão pasteluda que só consigo pensar que é um episódio mais alongado d'Os Caras de Pau (co-estrelado por Leandro Hassum também).

É complicado mesmo fazer humor pensando em inteligência e referências, já que o povo brasileiro é condicionado há séculos, a se alimentar do que é mais fácil e mais mastigado. Culpa de um sistema educacional que não nos leva a questionar, ou mesmo refletir. Senso comum impera e quem gosta de um filme pra pensar minimamente, fica sem. Vai assistir séries, onde o público é mais seleto. Cinema brasileiro é pra arrancar dinheiros de bilheteria e não se pode arriscar perder um Homer sequer de ingresso com piada que depende de questionar e interpretar. Boa alguém peidando ou fazendo careta aê.

E é assim por umas duas horas. Vemos um plot maneiro ser desperdiçado em virtude da fácil aceitação e vendas de bilhetes. Mas até nisso, há uns exageros bem bizarros. Como é que pode o mecânico Adelson aceitar voltar a seu alter-ego Jaques (o estilista) porque a cliente é a musa da Playboy Malu Carmo (esposa de Rique), os dois agirem como se não se conhecessem, e no final, acabam descobrindo que são conterrâneos de Nova Iguaçu, tendo sido até namoradinhos na adolescência? Explica essa porra, Bátema!

Outras incongruências:

- Gosto totalmente duvidoso o momento que Tino e Amauri vão até a presidenta Dilma Houssef. Piadas com as tais "pedaladas fiscais", até que vai, mas usar termos como 'mulher-sapa' pra fazer trocadilho entre o análogo 'homo-sapiens' e piadinhas sobre a sexualidade de uma mulher só porque ela não é uma dondoca ou um símbolo sexual foi de uma sexta-sérizice sem tamanho.

- Não entendi até hoje, porque Tino fica tão impressionado com o boneco que Amauri traz no carro, pra 'enganar' bandidos. Essa mesma piada foi feita no primeiro filme. Aqui, ela só foi - desnecessariamente - estendida. Qual é, já entendemos a piada com o brinquedo lembrar Chuck (O Brinquedo Assassino). Agora, precisaram fazer o boneco ganhar vida numa alucinação de Tino.

- Aliás, esse final do filme começa uma sucessão de soluções fáceis tiradas dos... umbigos dos produtores que dá dó. Olha só a sequência:
---> O país vai ser apagado do mapa econômico mundial
---> Nora, a auditora fria e calculista, revela isso pouco antes de dizer que precisa de sexo com Amauri
---> O casamento de Teté e Tom é transferido pro sítio do avô do noivo
---> Daniel Filho dá um sermão genérico culpando ricos e pobres pela crise
---> Juninho, filho do meio de Tino, revela que tem muita grana por views em seu canal de games no Youtube e dá de presente pra irmã poder casar
---> Teté e Tom discutem porque ambos esconderam segredos um do outro e Teté foge
---> Tino bêbado vai atrás de Teté que fugiu pro aeroporto
---> Tino convence Teté de que ficar com quem se ama durante uma crise é o melhor a se fazer  ---> Nora, que estava perto deles, decide que o Brasil não merece ser apagado da economia

Na moral, o filme começa com uma analogia às trapalhadas nas decisões imprudentes de Eike Batista e termina com uma agente do FMI da vida cancelando uma penalização econômica porque presenciou o amor de uma família e decidiu que todos merecem uma segunda chance. hahahaha

Numa próxima eu falo de O Candidato Honesto 2 ou O Suburbano Sortudo pra falar de um melhor aproveitamento de uma ideia de humor político e social. Este aqui, confesso que assisto sempre que passa, mas não perco de vista que é bem ruinzinho.

Fique sempre pra assistir aos erros de gravação. Kiko Mascarenhas com crise de riso é contagiante. Queria vê-lo num episódio do UTC qualquer hora dessas. Rá!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Guerra Civil: O Capitão estava errado



Nas HQ's

A saga Guerra Civil, nos gibis, foi um embate entre pontos de vistas sobre como os heróis deveriam agir. Num infeliz incidente, um vilão causa uma explosão em região escolar, graças à displicência de um grupo de heróis do quinto escalão da Marvel, que participava de um reality show. Com as muitas mortes, sobretudo de crianças, os heróis são questionados sobre quem cobraria deles os prejuízos e consequências de seus atos.

Nisso, Tony Stark vem defendendo que o governo regularize os heróis, para que tenham a quem responder em caso de atos nocivos. Steve Rogers, o Capitão América, fica do outro lado, defendendo que a identidade de um herói e a liberdade de agir é o que define o herói e protege suas famílias e entes queridos. Essa saga dura meses e se espalha pelos mais variados títulos da Casa das Ideias. Ao final, Capitão está tão envolvido em derrotar o Homem de Ferro que tem uma epifania de última hora. ele percebe que está sendo atacado por populares, que, de fora, estão vendo apenas um herói batendo no outro pra vê-lo no chão. O Capitão se rende e percebe que mesmo defendendo algo em nome da justiça, ele acabou brigando por brigar e não lutando por liberdade e justiça. É uma coisa bonita de se ver o conflito ideológico e achei, particularmente, que o final foi perfeito, por mostrar que mesmo nos achando certos, o modo de colocar isso pode nos fazer perder a razão.



 No cinema

O filme Capitão América: Guerra Civil já é bem diferente de sua contraparte na plataforma de origem (quadrinhos). Além do elenco ser muito reduzido em relação às revistas (seria impossível adaptar TODO o elenco Marvel, a menos que existisse uma série só da GC, liberados os direitos de todos os personagens), outras tramas completam o roteiro do filme. Pra começar, além das consequências das ações destrutivas dos Vingadores, aqui também tem os desdobramentos do Soldado Invernal, o assassinato dos pais de Tony Stark e atentados com mortes, sendo uma delas, o Rei T'chaka, de Wakanda (pai de T'Challa, que passa a ser o Pantera Negra).

No fim das contas, tudo está ligado, de alguma forma. Palmas para os Irmãos Russo, que souberam levar um monte de subtramas a uma conclusão coesa e com apenas as pontas soltas que convinham para desembocar em Pantera Negra e Guerra Infinita. O universo Marvel, tal qual Harry Potter, ficava mais e mais sombrio e intenso. Descobrimos que os atentados foram planejados por Zemo, que perdeu a família durante os eventos de Vingadores: Era de Ultron e a culpa recaída sobre Buck Barnes, o Soldado Invernal. Isso levou T'Challa a buscar vingança pela morte do pai e o Homem de Ferro pelo assassinato de seus pais. 

O grande empecilho é que o Capitão América está disposto a tudo pra defender o grande amigo das antigas, além do apreço pelo camarada, ainda parecia ter uma pontinha de consciência pesada por não tê-lo salvo lá na Segunda Guerra Mundial (em Capitão América: O Primeiro Vingador), custando-lhe um braço e a vida, visto que ali ele foi capturado e programado para ser um assassino letal a serviço da União Soviética.

Ma eaê, Saga?

As diferenças modificam o resultado e não é pelo óbvio fato de simplesmente ter mos coisas diferentes. O lance aqui é que essas diferenças mudam o status quo do Capitão. A graça do Capitão nos quadrinhos é que ele foi contra o governo controlar as ações dos herois, ou seja, ele leva o nome e a bandeira do país, mas não segue cegamente o que seu governo manda. Ele tem uma autonomia e um compromisso com algo além de bandeiras, que é a defesa de seus ideais e da humanidade. Colocar o Soldado na equação, fez Steve pender pro lado pessoal, deixando de lado um critério ideológico pra simplesmente proteger o amigo querido.

Enquanto Steve percebe que está vencendo uma luta, mas pelo modo errado, ele se entrega pra responder por suas ações, mas mais por sua consciência por ter virado as costas para seus ideais pra alimentar uma rixa. Já no cinema, Steve chega a entrar em uma luta braba contra o Homem de Ferro pra defender Bucky, logo depois de Stark ter assistido a um vídeo de Barnes matando seus pais. Steve está totalmente de costas pro mundo pra defender um amigo com culpa comprovada por diversos crimes. E não tem redenção. O que vamos ver é que mesmo assim, Steve consegue hospedar Barnes na terra do Pantera Negra e o reencontro só se deu em Eutemato  Vingadores: Ultimato.

Conclusão

Steve Rogers era pra ser o escoteirão da Marvel, aquele que defende o que é certo e ponto. Nesse filme, ele luta contra amigos leais de batalha e da vida pra defender um outro que matou tanta gente e até familiares de um desses amigos. Ok, Bucky tinha sofrido lavagem cerebral, mas Steve simplesmente se colocar entre o mundo e seu amigo foi muito egoísta pra alguém que foi escolhido pra ser o representante do que há de mais puro no coração de quem luta por liberdade e justiça. Lembra da cena da granada falsa no primeiro filme? 

O que seria do mundo se o Superman começasse a enfrentar toda a Liga da Justiça pra proteger uma Lois Lane assassina? Tendeu? Por isso aquela luta final entre Capitas, Bucky e Tony Cachaça é tão tensa de assistir. Relacionamentos estão morrendo ali. A cena que reproduz a capa da edição final dos quadrinhos é linda, mas eu fico triste com esse filme.

Coisas que eu não entendi:

O Falcão apoia o Capitão em tudo, até quando está errado, protegendo um amigo culpado de tudo e de todos. Numa briga generalizada que saiu do controle, ele faz, sem querer, com que o Visão atinja o Máquina de Combate causando-lhe uma queda livre e ferimentos graves. Aí, ele chega pro Tony e diz 'sinto muito'. Tinham esmo que tomar um raiozão nos peito, né? Provoca a m... toda e vem com 'foi mal'.

Na mesma batalha do aeroporto na Alemanha, o Homem formiga chega pro Capitão e dá um caminhão encolhido e um daqueles dispositivos que os aumenta... Porque?! O cara passou um tempo em seu filme até aprender e na hora de fazer, ele manda um cara que nunca usou aquela bagaça? Ê, Homem Formiga, ê, Homem Formiga...

Foi só eu, ou alguém mais também achou que certos golpes foram dados forte demais naquela luta? Digo, você usar uma certa força pra intimidar, até que vai, mas os caras estavam jogando caminhões em cima de personagens que não têm essa força toda. Tipo, Pantera, Viúva, gente que pode ser esmagada, cara!

Até entendo que mantiveram dois pesos pesados fora da briga pra não causar um desequilíbrio muito grande (até então, Thor tinha saído pra procurar as joias do infinito e Hulk o encontraria em Thor:Ragnarok), mas o Visão aparecer já desequilibraria. A Feiticeira não é tão poderosa quanto uma joia do infinito na testa de um sintozoide super poderoso. E ironicamente, todos, a favor e contra o Acordo de Sokovia, estavam causando mais e mais destruição por questões pessoais e uma questão política: A destruição que suas ações causavam. Rá! Eu ri.

Zemo é um vilão legal, meu critério pra dizer isso é que foi um vilão que fez o que vilões devem fazer: Causar desconforto na vida do herói. Vilão físico é legal, mas não resolve. Tem que fazer a trama andar por outras questões que não só derrubar paredes. O embate tem que começar no intelecto. Só não gostei de ser um cara aleatório que perdeu a família e já aprendeu a pesquisar sobre espionagem, história e bases abandonadas do governo. Se ele já viesse de uma família com essa pegada, seria melhor, já preparado pra manipular. Aquela cara de gerente de banco destruindo os Vingadores por dentro não me convence.

E aquela cartinha com um telefone pro Tony no final, hein? Achei que tava todo mundo muito de boa pra quem acabou de se digladiar com amigos por tretas envolvendo assassinatos e manipulações.

ps: O Capitão pegava a jovem sobrinha de seu grande amor da década de 1940... cara, acho problemático isso.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

A mulher na ciência de The Big Bang Theory


Há 5 anos, a ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência em 11 de fevereiro. A data é para celebrar e encorajar mulheres e meninas no maravilhoso mundo da ciência, onde, pasmem, também existe machismo, diferenças salariais absurdas e todo aquele pacote que o mundo ominado por homens traz de desvantagens pra elas e vantagens pra nós (eles, no caso, já que o homem branco se sai melhor nesse mundo do que os negros, mas essa é outra questão e estou divagando mais que o normal...).

A questão é que um grande espelho para a data seria a série, recentemente encerrada (em 2019), The Big Bang Theory (TBBT, a partir de agora). É que a série surgiu com aquela promessa de mostrar ao mundo aberto como era o - supostamente - restrito mundo dos nerds. Não foi. Nem no começo, como já escrevi várias vezes aqui, facebook, instagram e em qualquer outro lugar. A série batia e abusava do estereótipo machista do nerd-menino-grande-sem-traquejo-social e tudo que já vimos em personagens nerds de filmes e séries na história. Sério, todos TODOS os nerds dessa série são esquisitos, multialérgicos, com problemas de relacionamento com os pais e machistas. 

Sério, quantas vezes Howard assediou Penny e na única vez em que teve o que merecia (levou um sonoro fora que o pôs em seu lugar de predador sexual metido a engraçado), Leonard foi lá pedir que ela fosse se desculpar por ter deixado o meninão magoado. Sério? E ela ainda casou com esse cara ao longo da série? E nem vou começar a falar do machismo tóxico do Dr. Hofstadter, que passou 12 anos induzindo sua amada a não ter amigos homens, sempre dar satisfações de sua vida pessoal e se curvar ao que ele achava conveniente pra poder ficar tranquilo e confiar nela. Ah, e Sheldon sempre fazendo questão de ofender sua inteligência e suas vestimentas.

Falei esse tempo todo sobre machismo porque, logo depois, na série, entraram duas personagens, que se tornaram fixas: Bernadette e Amy. Cientistas mulheres para uma melhor representatividade, ok? Not ok! Primeiro, a série (no caso, a produção) sempre subestimou as mulheres. Leslie Winkle era uma cientista independente de homens (na verdade, até virou o jogo e manipulou alguns dos personagens homens) e quantas vezes ela apareceu? Alguém reparou que ela simplesmente sumiu? Teve também aquela cientista-escritora que se hospedou no apê de Leonard e Sheldon e só serviu de objeto sexual de alguns protagonistas. E sem contar as outras que pouco ou nada acrescentaram (incluindo a assistente de Sheldon, sempre sendo explorada e humilhada e a reitora da Caltech, alvo de comentários racistas que, parece, a série empurrou como piada), temos as duas protagonistas. 

Vamos ver, Amy surgiu como uma piada da série, uma resposta ao questionamento de Howard e Raj de se havia algum par perfeito para Sheldon no universo. Ela veio através de um site de encontros e depois foi adicionada ao elenco principal. Mas a neurocientista Amy Farah Fowler passeou de um relacionamento intelectual com Sheldon para uma colegial deslumbrada feliz em ser amiga de Penny, wannabe de BFF com Penny e depois, tarada e louca para casar com Sheldon. Claro, também se tornou a "consciência" de Sheldon, a todo momento repreendendo seu comportamento arrogante e tóxico para/com seus amigos. Não fez o menor sentido, já que ela era tão desligada do trato social quanto ele, e ele que nunca mudou, mas ela evoluiu em tempo recorde num grupo onde ele já frequentava há anos antes dela... mas deixa quieto, os fanáticos vão dizer que a vida tem dessas coisas. E não está errado, só que numa série, é claro que isso foi pré-determinado conforme o roteiro pedia.

Bernadete era a namoradinha de Howard e evoluiu para a mãe dos filhos dele. Até aí, tranquilo, o lance é que ela não pensava em ser mãe e ele insistia (mesmo plto reaproveitado mais à frente por Leonard e Penny). Aí, ela engravida duas vezes. Mas esses dois casos só demonstraram que apenas confirmavam o machismo da série, ao invés de ameniza-lo. Pois, Amy ficou louca para casar e casou, Bernadete era uma proeminente microbióloga e se tornou a mãe dos filhos do engenheiro. E o pior é que no episódio em que tinham a chance de palestrar em escolas para meninas se motivarem a adentrar na ciência, a série colocou os marmanjos na missão e as cientistas vestidas de princesas Disney num parque. Tá de sacanagem, né? Mas isso não foi o pior. O pior eu conto no parágrafo a seguir.

No final, quando já tínhamos certeza de que a primeira mulher do elenco principal nunca teria mesmo um sobrenome próprio, adotando o do marido, ela que deixou bem determinado que não queria filhos, foi engravidada pelo roteiro preguiçoso e apelão, ao passo que Amy ganhou um Nobel. Parece maravilhoso, né? Mas nem tanto. Ao ganhar o prêmio, a preocupação de Amy era de não ser tão bonita quanto as mulheres admiradas pela beleza no mundo. Logo ela que já tinha manifestado seu posicionamento de que uma cientista não tem que usar atributos estéticos para ser admirada. Foi até num episódio em que Bernadete joga na cara dela que ela só pensa assim por não ser bonita. Não teve jeito, Raj (desperdiçado da homofobia racista da série) lea a Senhora Cooper para um banho de loja.

E é isso, a mulher na ciência pode muito mais que ser contador de piadas forçadas, arrogantes e preconceituosas numa série de estereótipos pejorativos. 
  

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Fernanda Gentil diz respeitar homofobia e racismo, desde que não batam



Fernanda Gentil causou alvoroço alguns anos atrás quando se revelou homossexual e chegou a enfrentar a homofobia na internet de forma elegante, sutil, porém firme. Quem não lembra do: “Sapatão!”/“Oi, fala!” e de quando ela explicou que a criação de um filho não depende da sexualidade de quem o cria e sim do caráter que vai ser passado. Pô, eu achava isso de uma lindeza tamanha! Tava no mesmo nível de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank enfrentando racismo por ofensas sofridas pela filha. Só que o tempo passa e como diz Harvey Dent – umas mil vezes, em Batman: O Cavaleiro das Trevas – “Ou você morre cedo como herói ou vive o bastante pra se tornar um vilão”. Era algo assim, não lembro, mas estou divagando...

Digo, Tiago Leifert, por exemplo, parecia ser uma cara nova e legal no esporte da Globo, do tipo que falava não esquentar a cabeça com nada porque no ano seguinte, começava tudo de novo e não tinha porque brigar por time de futebol, por exemplo. Aí, ele começou a criticar atletas que levavam para os campos, quadras e pistas suas manifestações sociais. Pegou mal, já que um homem branco, rico e famoso não tem o direito de onde e quando negros devem fazer seus protestos pelo que sofrem na vida. Até porque, se esporte e política não se misturam, porque se canta o hino nacional antes de competições? Então, Tiaguito ainda aprontou mais. Criticou ferrenhamente participantes do BBB que levaram para a casa vigiada suas questões de militância até que passou a levar seu discurso aberto e pessoal de que ‘representatividade não leva a nada’ (te falei que ele só criticou os negros, né?). Já pensou se eu, homem, começasse a dizer às mulheres que exigir respeito e igualdade é perda de tempo? Que tipo de babaca tendencioso eu seria? Mas, graça Olodum, eu não! Já outros...

Então, Tiago não só foi grosseiro com uma jovem militante como usou argumentos fracos e pouco educados de que ela deveria falar dela e não de sua militância. Ela explicou bem que sua militância era por algo que fazia parte dela, que é ser negra. Mas o sinhozinho não gosta do descendente do povo escravizado no passado reclamando, né? Vai atrapalhar seu jogo de vídeo game. A cereja do bolo é que em uma edição seguinte, Leifert – lembra que ele era o descolado e cuca fresca há menos de dez anos? – elogiou uma vencedora do BBB com o discurso de que ela tinha coragem e coisas do tipo... A saber, era uma participante que passou a edição falando livremente que duvidava que um morador de favela não usasse drogas, que a religião afro era algo pra se temer ou que um playboy criminoso não o parecia por ser branco. Tiago defendeu a pessoa que falou isso na noite da premiação. Entendeu o padrão? Negros, calem-se e racistas, parabéns! Provavelmente as congratulações foram por ganharem dos negros.

Aí, aparece Fernanda Gentil e, recentemente, sem revelar em quem votou na última eleição presidencial, que ninguém vai impedi-la de usar essa ou aquela camisa (numa clara referência à camisa da CBF). Disse também que seu partido é o Brasil. Mas esse nem é o pior. Ela apoiar Luciano Huck (bolsominion assumido) em dizer que não votou no PT e nunca votaria? Tranquilo, o PT governou por um bom tempo e trouxe coisas boas e ruins, como toda administração, mas não é o único partido. E gente rica geralmente não vota em quem ajuda o pobre. Eles querem ajudar lá de suas salas confortáveis, prestando algum assistencialismo em troca de audiência, mas não querem um desenvolvimento social real. No apagar das câmeras, é só voltar à sua mansão e sua boa vida. Nada disso me incomoda tanto hoje... HOJE! Mas realmente me gerou inquietação ela, gay assumida, dizer que respeita quem acha beijo gay um crime e quem é racista, desde que o preconceituoso não agrida os alvos do seu ódio.

Existe um mundo de coisa errada nessa fala que, pra mim, é o mesmo que dizer ‘estupra, mas não mata’. Vou tentar enumerar as implicações de uma fala tão desastrada e condescendente com crimes de ódio:
1)      O primeiro e mais básico é que racismo e homofobia são crimes, portanto, você dizer que respeita, está, basicamente respeitando criminosos. É o mesmo que dizer que respeita sequestradores, traficantes, estelionatários, feminicidas e grande elenco.

2)      Ao dizer que entende essa galera, você embasa seus discursos que, no mínimo, podem começar com ‘a Fernanda Gentil concorda, então tá certo’, assim como usam negros comprados por racistas com ‘ele é negro e fala isso, então você que te errado’.

3)      Fernanda, pra ser realmente Gentil, precisa – URGENTEMENTE – entender que discurso de ódio também é crime e também afeta as pessoas. Só de ouvir ou ler alguma ofensa, ameaça, etc, o psicológico das pessoas fica afetado. Palavras também transmitem crimes. Veja que ameaçar alguém pode te levar pra cadeia pelo perigo que oferece à vítima.

4)      Já que falamos em palavras e vítimas, é muito fácil para ela defender o discurso de criminosos porque é branca, rica e famosa. Dificilmente ela sente o ódio violento físico. Ela não faz parte do grupo mais vulnerável, aquele que não vai adiantar pedir pra não apanhar. Tem gente morrendo aos montes na rua só por ser negra, só por ser gay.

Enfim, é isso. Não me interessa se ela votou no bolsomala ou se ela odeia o PT só porque sim. Mas validar discurso de ódio e tentar se passar por moralmente consciente ao pedir que ‘não vai bater’ é um desserviço à sociedade. Se era pra chamar atenção, valia muito mais o fazer em defesa e não ao respeitar que não respeita um grupo do qual ela mesma faz parte.

Às vezes, ao tentar ser isento demais, o ser humano comprova que defende o lado opressor. Mas tem vergonha de falar e receber críticas mais pesadas. Era melhor que ficasse quieta seguindo seu próprio conselho "é só não bater". Ela chegou a fazer uma retratação pelo Instagram. Não vou julgar, esse texto é uma reação à publicação que gerou a polêmica, mas o velho papo de que a edição desfavoreceu é aquilo, né? Sempre é possível, nem sempre provável. 



sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Young Sheldon e a contradição com The Big Bang Theory


The Big Bang Theory (a partir daqui, TBBT) ainda estava no ar com seus roteiros preguiçosos, personagens desleixados e atuações no piloto automático quando estreou Young Sheldon (a partir daqui, YS). YS tem a premissa de ser o 'episódio 1' da vida do personagem que mais se destacou em TBBT. Um spin-off (série derivada de outra), um 'Sheldon begins', se preferir... enfim...

Ela, pelo que Sheldon descreve ao longo de TBBT, seria quase um 'Todo Mundo Odeia o Sheldon', pelo modo sarcástico com que lembra de passagens de sua infância, mas não é bem o que parece quando assistimos à produção. Veja bem, vou separar aqui algumas falas e situações narradas por Sheldon pra ver se bate, ok? Ah, é necessário que você tenha algum conhecimento prévio das duas séries pra entender melhor o que vou falar. Se não conheces, pode ir lá que eu espero.

O pai

Vamos começar pela maior mudança entre uma série e outra. Não ligo que o mesmo ator que interpreta George Cooper tenha participado de TBBT como um antigo bully de Leonard porque atores interpretam, logo, estamos vendo a cara do cara, mas poderia ser qualquer um, é apenas uma personagem, uma personificação, não a realidade, ok? Já estava doido pra falar isso desde que surgiram as teorias - piadas, na minha opinião - de que o pai do Sheldon perseguia seu melhor amigo. Sheldon reconheceria o próprio pai e não teria a mesma idade que ele, mas estou divagando...

A questão é que Sheldon já falou que seu pai era um bêbado, fã de esportes, preguiçoso, sem educação e grosseiro e que vivia em pé de guerra com a esposa (mãe do protagonista). Discurso reforçado pela própria Mamãe Cooper em várias ocasiões onde dizia que seu marido não era lá grandes coisas na vida e na família. Mas o que vemos em YS é que George Cooper é um pai amoroso e atencioso. Tem lá sua predileção pelo primogênito, por também ser fã de esporte, mas tenta lidar sempre da melhor maneira com seu filho gênio precoce e até procura meios de entende-lo. Bem diferente do brucutu que o forçava a assistir football caçoando de sua natureza mais intelectual ou mesmo debochando de seu nome, sugerindo que esta foi uma escolha da mãe.

A mãe

A mãe é a primeira que notamos a diferença. Ou o furo de roteiro também a afetou, como uma eleição presidencial vencida por fake news, ou, no mínimo, o tempo a transformou em uma versão amarga dela mesma. Até que não seria uma explicação ruim, faz até sentido, na verdade, hein. Mas, convenhamos, se os roteiristas não se preocupam em lembrar que Penny no começo era de Omaha e depois de Nebraska ou que Sheldon tinha alergia a gatos e logo depois coleciona bichanos pra suprir a falta da namorada... bem... não foi o caso, certamente.

A Dona Cooper, interpretada, em YS, pela filha da atriz que a interpreta em TBBT (laços de família), é uma fanática religiosa, de discurso bem direto, meio grosseira de tão sincerona, mas ainda assim, uma mãe cuidadosa. Ela meio que serve ao estereótipo de quem nasce e cresce em regiões interioranas, conservadoras de cultura e religião. Mas em YS, ela é bem mais delicada, fiel à sua igreja, mas longe da beata que usa religião pra destilar preconceitos. O que aconteceu com você, Mary?

A Vovó

Aqui existe outra contradição, mas ao contrário. Ao passo que as pessoas cruéis descritas em TBBT, ganham versões 'reais' mais amenas, a avó de Sheldon passa pelo efeito inverso. A avó, sempre descrita como aquela avó de comercial de margarina, em TBBT, na série derivada, ela tenta ensinar Sheldon a jogar, dá conselhos e é uma versão um tanto quanto mais 'malandra' da própria mãe do protagonista. Nada daquela situação de mimar seu 'torta de lua'.

George Jr e Missy

Os irmãos também não correspondem. Sim, eles zombam de Sheldon, mas nem são tão cruéis e nem burros como uma porta, como a mãe descreveu em um episódio de TBBT. O irmão mais velho não o persegue com brincadeiras cruéis, servindo até como conselheiro, vez por outra e a irmã gêmea, na verdade, já foi até manipulada em um 'experimento' onde o pequeno cientista quer testar uma teoria usando-a como cobaia.

Conclusão

Acho que Sheldon é um babaca em quaisquer versões que forem apresentadas. Se lembrarmos daquela temporada de TBBT emque ele se preparava pra casar com Amy, ele só aceitou a imposição da mãe de convidar seu irmão por esta não poder ir, pra alguém representar a família. Ele narrou algumas crueldades do irmão que Leonard descobre não ser verdade. Ficando claro que Sheldon é que abandonou a família quando saiu de casa para estudar e trabalhar e nunca mais voltou, deixando a mãe e a irmã para que o irmão mais velho cuidasse após a morte precoce do pai. Até na escola, em YS, o menino é um mala que trata a todos com a mesma petulância antissocial da série-mãe. E mesmo assim, não aparece sendo agredido ou perseguido. E se fosse, até que justificaria algum adolescente faze-lo, não por ser certo, mas por ser um comportamento típico de adolescente em retaliação.

Se repararmos na construção do personagem - e que, no sentido da arrogância, foi basicamente o mesmo, sem evoluções, do começo ao fim - podemos concluir que Sheldon não gosta da própria família e que seus amigos só o aturam por forçação de barra do roteiro. Leonard aceitar, faz sentido, pois é um bocó que aprendeu a seguir ordens de quem não tem muito amor por ele - vide seu relacionamento com sua própria mã e depois com Penny. Já foi dito que Howard e Raj só estavam ali por serem amigos de Leonard e as namoradas vieram a reboque.

Mas nada justificaria o tanto de piadas e zombarias que os amigos fazem se não o odiassem de verdade. Na verdade, é exatamente isso que me passa, uma relação de amizade tóxica em que uma parte não respeita a outra, mas todos são malas demais para se relacionarem com mais alguém, porque ninguém teria saco pra manter uma relação tão próxima. Aliás, TBBT é a mesma coisa que How I Met Your Mother e sua antecessora, Friends. Tudo um grupo de gente que se você conhecesse na vida real, manteria distância. Afinal, quem gosta de panelinhas além das pessoinhas que as formam?

Mas, voltando, ou Sheldon é cruel demais ao falar da família em TBBT ou ele amenizou seus traumas de infãncia em YS, pra não traumatizar que ouve suas histórias (sim, se você não assistiu ainda, ele narra em off, como Chris Rock em Everybody Hates Chris). Claro que as abordagens são diferentes para públicos diferentes. TBBT é mais pop, mais clichê - e mais sem graça também. Sério, tira as risadas e você vai ver que é só um grupo falando difícil com os mesmos trejeitos e com o mesmo timming. YS é mais família, tem uma montagem mais fluída, orgânica e te deixa perceber, mas escolher o que achar engraçado. Não é tão pastelão, mas tem lá seus próprios clichês, como a liçãozinha no final dos episódios e momentos fofura ao som de uma trilha sempre feliz.

No geral, Young Sheldon cria uma grande sensação de 'ele mentiu pra nós'. Não soa como a mesma história. Parece aquela pessoa que cada vez conta a história de uma forma e você não sabe bem qual versão é verdade, se é que tem uma versão verdadeira. 


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