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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Debate eleitoral


Bem, na reta final para o primeiro turno das eleições municipais de 2008, nos deparamos com uma novidade relativa ao processo eleitoral no que diz respeito aos debates. Casos específicos de Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Fortaleza – com um pequeno a(r)dendo para São Luís, que está para ser decidido o assunto que vos falo). Trata-se de cidades que não terão os tradicionais debates promovidos pela TV Rede Globo com os principais candidatos – destacados nas pesquisas de opinião.

Primeiro, o motivo: A legislação eleitoral (sabiamente, na minha humilde opinião) decidiu, basicamente, que, ou todos os candidatos do certame participam do debate, ou nenhum. E, nas cidades destacadas no parágrafo anterior, foi exatamente isso que aconteceu... ou NÃO aconteceu. Por exemplo, no RJ, um candidato e em Sampa, foram uns cinco, dos oito concorrentes. Não quiseram assinar um acordo proposto pela emissora dos Marinho onde se acertaria que os cinco/seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas encomendadas seriam os escolhidos para responder e trocar farpas em rede televisionada.

Da parte dos candidatos que foram contrários, o lance é a influência das pesquisas encomendadas. Eles ficariam de fora, impedidos de argumentar e expor suas idéias ao vivo por que não figuraram entre os preferidos dentro de pesquisas de opinião - que não têm nada a ver com a vida real. Pensa bem, como decidir quem vai poder mostrar mais sua campanha na TV através de estatísticas não reais? Todos os cidadãos eleitores ativos e decididos foram entrevistados? Se (claro que) não é assim, existe consistência nessa escolha? Os candidatos escolhidos não foram postos lá pela decisão da maioria. Se uma mínima parcela do eleitorado decide quem vai debater, porque as urnas, então? Vamos logo decidir o(a) novo(a) prefeito(a) e parar de perder tempo!

O argumento da Rede Globo é o de que a legislação eleitoral pratica impedimento da liberdade de imprensa com esse proceder. Segundo a emissora que tem tudo a ver com você, perde-se o direito a mostrar propostas dos (seis principais) candidatos num debate claro e direto para ajudar na escolha do público. Não à toa, os candidatos contrários estão na parte de baixo das pesquisas. Por que têm poucos eleitores? Talvez, mas é certo que seriam impedidos de fazer seus jabás. Não seria impedir o direito à campanha? Por que só alguns poderiam e não todos?

Ainda tem o seguinte: A Rede por onde a gente se vê, em nota divulgada à imprensa, me pareceu indignada com a justiça eleitoral e com os candidatos que se recusaram a facilitar para os concorrentes mais ‘pop’. Para o canal onde a festa é sua, (a festa é nossa é de quem quiser, quem vier) seria impraticável um debate com mais de seis candidatos, pois a experiência teria mostrado que assim, não haveria um aproveitamento satisfatório do tempo. Ou seja, em troca de tempo hábil na programação, mais da metade dos candidatos do município do RJ (por exemplo) não teriam direito a discutir suas propostas com os concorrentes e/ou com quem fizer a mediação.

Os debates do segundo turno estão garantidos. SE os segundos turnos estiverem garantidos.

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