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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Análise de Letra: Lado Oposto (Maurício Baia)

Esse texto, na verdade, é um ensaio sobre Lado Oposto, canção gravada por Baia & Rockboys - que eu conheci há anos; e tocada até hoje por Maurício Baia. Coloquei o link para a letra da música, pois, se eu juntar aqui, ficaria um texto tão grande que muita gente nem ia tentar acompanhar por ver muitas palavras e poucas figuras. Enfim, sociedade na era da informação e as pessoas ainda não gostam de ler nem nos livros... Não sou eu que vou tentar entender como não gostam de ler no computador.

Enfim, vamos lá. A letra já começa dizendo que sempre tem um pra dizer qual é o certo a se fazer. Sempre um padrão apresentado a seguirmos para estarmos em perfeita harmonia com o que se criou e o que foi aceito pela massa na sociedade. Gentilmente, Baia diz que sabe o que  ´'pra fazer", mas conscientemente quer experimentar outras alternativas de ser sem ter que ir pelo caminho fácil do que já foi criado por outros. Ele quer fazer algo que todo mundo espera só pra passar despercebido na multidão usando de um pré-determinado "bom gosto". Quem escolheu a referência para esse gosto genérico ser considerado bom? Esse gosto padrão é tão perfeito que não sobra espaço pra nenhum outro que seja bom, só que de outro jeito? Pessoas são tão iguais assim?

Galileu e a "Santa (?!) Inquisição.
A segunda "fase" da letra já vem com um tapa de luva de metal na fuça da sociedade. Ele cita Galileu Galilei e a atribulada carreira do cientista. Galileu saiu do cômodo pensamento imposto pela igreja católica e reviveu uma hipótese anterior, de que o Sol era o centro do universo, não a Terra. Passou por problemas com o Santo Ofício (inquisição) por heresia. Mas ele é lembrado e respeitado até hoje por seus feitos pela física e astronomia. Ele só se tornou relevante para a sociedade quando usou seu conhecimento e opiniões em frente. Viu que precisava dizer e disse. A lei e a ordem mudam conforme os tempos, até onde somos desobedientes simplesmente e a partir de quando deixamos de ser rebeldes para sermos inovadores em valores ultrapassados? Vale pensar diferente pra ver opções interessantes.

Maurício Baia, hoje em dia, em carreira solo.
Antes de falar na terceira estrofe, registro qui que não sei exatamente se Baia teria usado a palavra "desapercebido" por hábito de linguagem ou se foi metódico em sua ironia. "desapercebido" é diferente de "despercebido", quando o primeiro significa alguém desatento e o segundo é, de fato, algo ou alguém que passou sem percebermos. Enfim, ele fala que "desapercebido", um sujeito passa pela vida, no bolo de pessoas que estão por aí o tempo todo e trabalha, se diverte, faz e acontece em coisas que não foram determinadas por ele mesmo. Acaba procurando alternativas dentro do que foi convencido a achar que era liberdade, casos extraconjugais, ilegalidade, subversão... Se quem canta a música é louco por querer ver algo além do que é 'permitido', o que é o cara que aceita viver sem ter decidido o que seria da própria vida?

Na última estrofe, ele já diz abertamente que não aceita como certo o que as pessoas dizem por que todo pensamento chega por meio de um interlocutor. Se um pensou e os outros concordaram, beleza, mas isso não cria uma obrigação de que só aquele pensamento seja o certo. É UM pensamento, não dá pra se conformar que no meio de 7 bilhões (disse BILHÕES!) de pessoas, só aquela "meia dúzia" é que sabe como tudo deve funcionar (talvez o erro seja esse, menos gente entrando para o clube da opinião própria do que deveria... hmm... talvez cotas obrigatórias para este contingente, mas estou divagando). Tendo essa liberdade de pensamento, é natural que se desconfie de autoridades - e seus seguidores - que acham prepotentemente que são a referência social do mundo, mas são tão passíveis de erros quanto qualquer um. Baia diz, no finalzinho, que abre mão da felicidade corriqueira, fácil de se seguir pra poder pensar de forma autônoma e escolher o que lhe cabe por conta própria.


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