Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

F.R.I.E.N.D.S.: A Maior Série Clichê de Todas TODAS


E ainda assim, das mais queridas. Senti falta de críticas sobre a série que não fossem preconceituosas por ser feita nos EUAses, nem essa babação dos fanboys/girls que não enxergam defeitos no que eles gostam. Primeiro de tudo, é uma série adolescente. Sim, embora os personagens sejam adultos, seu modo de lidar não condiz muito com a “regularidade” de jovens a caminho dos 30. Isso está mais para quem está a caminho dos 20 (no geral, não se trata de um documentário). Mas estou psicanalisando, nada de compromisso com a verdade ou pesquisas de opinião.


O que comprova a teoria do parágrafo anterior é a imaturidade dos personagens. Mesmo Ross, que fora casado e já começa a série se preparando pra ser pai, age feito um nerd de escola de filme dos anos ’80, vivendo um amor patético platônico com quase 30 anos. E esquece isso assim que Chandler e Joey dizem: Cara, siga em frente com sua vida. Ah, tá bom. Estabilidade emocional pra quê, né? Logo depois (situação comum na série) tudo vai por água abaixo, quando Chandler deixa escapar para Rachel que Ross era apaixonado por ela desde a adolescência. Rachel agora está gamada nele. Hein?! E resolve ir recebê-lo no aeroporto, pois Ross havia viajado para uma pós-graduação na China. Só que ele retorna com uma namorada chino-americana. 

Rachel demonstra uma característica, a partir dali, que será uma constante em seu comportamento: o egoísmo típico de uma patricinha mimada (como a invejinha dos amigos que chegam perto de casar e tals). Ela fica praguejando pelas costas porque queria estar com Ross. O que depois a gente vê que era só o capricho de uma maluquete que chora pelo que não tem. Mas quando engatou (UIA!) o namoro não agüentou ter que dar atenção a ele. Se deslumbrou com o novo emprego – aliás, muito bom, hein! Vivia à custa do papai rico e foi ser garçonete porque não tinha qualificação nenhuma, além de entender de roupas caras. O próximo passo? Óbvio: Consultora de moda para ricos na Ralph Lauren.

Ross, enciumado com o deslumbramento de Rachel pelo cara que lhe arrumou o emprego, acaba estragando o clima e Rachel pede um tempo. Eles “terminam” (não, estavam ON A BREAK!) e Ross se relaciona com outra. Aí, Rachel resolve que devem voltar e se zanga por ele ter dormido com outra. Ela quis terminar, beleza. Ela quis voltar e ele deveria estar esperando. Ok. Ok? E depois o chefe ainda admite que gostava dela, mas não falava por1que ela namorava outro e ela nem pra se tocar? Ê, Rachel, ê, Rachel!

Isso se repete quando Ross se apaixona pela inglesa Emily e resolve se casar. Phoebe não pode ir até a Inglaterra porque está prestes a parir os trigêmeos de seu meio irmão (isso sim é originalidade!). Rachel resolve ir até a Inglaterra pra dizer a Ross que ainda o ama só pra ser honesta. PQP, Rachel? A série é sua, né? Ficou amiga dos produtores cedo! Um adendo, um momento genial foi a participação de Hugh Laurie (o pai do Stuart Little eterno Dr. House), em que ele é colega de voo de Rachel e joga na cara dela o quanto ela é egoísta e péssima amiga por ir atrapalhar o casamento do cara. Além de tudo, pelo que o passageiro invocado entendeu, sim eles estavam ON A BREAK! Mágico.

Rachel chega, não se declara, mas Ross estraga tudo dizendo seu nome no lugar do nome da noiva. O casamento acaba e Rachel ainda quer passar por cima da fossa dele pra perguntar se o acontecido significava que ele ainda a amava. Mas o mais legal não foi isso, vamos falar de coisa boa vamos falar da tekpix, foi nessa sequência que Chandler e Monica iniciaram seu relacionamento – que termina em casamento com gêmeos adotivos – esse sim o relacionamento legal da série. Adulto e sem idas e vindas de ciuminhos, joguinhos de “pros x contra” ou intriguinhas de terceiros interessados. Outra coisa, a série não só é da Rachel, como é feminista. Uma série tão clichezenta e a mulher termina como mãe solteira e bem sucedida que deixou de ir a Paris pra ficar, claro, na última hora, com seu grande amor, Ross. Aposto que terminaram de novo depois de uma semana.

Agora como tanto clichê tornou Friends uma das séries mais rentáveis e carismáticas? Mérito de tudo isso é pro elenco. Sem dúvida, um achado. A química entre eles e o carisma salvaram a série de ser só mais um besteirol americano. No geral – e hoje, à distância – dá pra perceber nas eternas reprises da Warner que a série não ficou datada (fora os penteados e figurinos das primeiras temporadas, bem fincadas nos anos ’90). Friends é sim um produto de qualidade, mas não pela criatividade do roteiro ou originalidade. É uma preciosidade sim, porque soube remexer clichês mais do que batidos da dramaturgia estadunidense de forma a organizar de modo interessante. Tanto é, que a trilha sonora da abertura do piloto da série era Shinny Happy People (do R.E.M). Tem até a ver, mas você acha que poderia ter sido diferente? 


Nenhum comentário: