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sábado, 23 de março de 2013

Resenha: Vai que Dá Certo



Um rápido apanhado sobre a história



Vai que Dá Certo é a história de Rodrigo e seu fracasso financeiro. Ele é um músico de barzinho casado, em torno dos 30 anos que se vê na pindaíba total quando falta ao trabalho pra farrear com seus amigos de colégio no futebol de final de semana. Sua esposa descobre e o expulsa de casa. Ele percebe que está completamente no vermelho, algo muito diferente do que sonhava em sua adolescência. Assim, ele tenta arrumar um emprego de motorista na transportadora de valores em que trabalha seu primo, Danilo (Lúcio Mauro Filho).

Acontece que Danilo também está insatisfeito com sua vida financeira e planeja um golpe, mas precisa de gente de confiança pra perpretá-lo. É aí que entra (UIA!) Rodrigo, que por sua vez, traz Tonico (Felipe Abib) e os irmãos Amaral (Fábio Porchat) e Vaguinho (Gregório Duvivier) para o grande intento. Danilo tem tudo muito bem planejado, mas não contava com seus comparsas de meia tigela pra executarem seu plano de forma extremamente inesperada. Agora eles vão ter que se virar na frigideira quente pra pagar dívidas com um cara barra pesada, se esgueirar da polícia e tentarem resolver suas vidas. Até mesmo recorrer a seu amigo das antigas, o rico deputado Paulo (Bruno Mazzeo).

Percepções acerca do filme


É um filme de humor nonsense, muito puxado pra Os Normais 2, pelo menos, no que diz respeito a ser uma sequência de acontecimentos inesperados e piadinhas, com o mérito de investir numa comédia de ação. Aliás, o filme é muito movimentado, então, não necessariamente você vai gargalhar o tempo todo, mas ele te instiga a ficar ligado com o pensamento "caracoles, como eles vão sair dessa?" e isso, amigolhes, pra mim, é o mais importante num filme: Manter o interesse do espectador curioso pelo final.

Não vá achando que vai ser só mais uma comédia romântica ou um episódio extenso de Porta dos Fundos, o filme é um thriller com humor (cruel até, às vezes) mas de forma leve, nada que se tenha pena ou raiva, é uma comédia assumida, não leve lenços. E, particularmente, eu acho que o que vale muito positivamente no longa é a fuga do lugar comum, claro, o elenco é todo conhecido da Globo e o humor físico é gritante é uma característica pulsante nessa nova geração de comediantes (menos os americanizados incorretos incorrigíveis), mas é uma comédia doida com sequências inesperadas e quase que gratuitas.

Gosto muito do modo como o diretor Maurício Farias leva a produção de um jeito que parece até que os personagens existem mesmo. O elenco, de uma forma geral, soa muito natural e convence como uma turminha dos tempos de colégio. Clichês, há, como os personagens masculinos serem imaturos ao extremo com uma minoria feminina centradad e madura mentalmente pra fazer o contra-ponto, mas é muito divertido o modo como o filme lida com isso. Quase uma auto-sátira.

O problema mais gritante, pra mim, na verdade, é uma questão de ponto de vista. Eu sou carioca, da capital e sei que meu sotaque é característico, mas não há só um tipo por aqui. Não ficamos no balanço entre o carioca funkeiro e o surfista, temos nuances diferentes, então, acho que o público paulista ou quem conhece bem o sotaque de São Paulo, pode não se sentir tão à vontade quanto o jeito de falar do elenco. Eu, como carioca que sou, não me incomodei, mas é perceptível que cada um deu um caminho pro seu "paulistês", ficando o resultado bem caricato, mas não achei que fosse uma provocação de carioca contra paulistas, como vi em outra resenha.
Na verdade, há uma explicação, Maurício Farias teria mudado o cenário do filme do Rio de Janeiro pra São Paulo porque percebeu que desde a concepção do roteiro, em 1994, até sua conclusão e filmagem, muitos e muitos filmes já se passaram na Cidade Maravilhosa, então houve a mudança. Nada que desabone o filme e não há piadas sobre o estado, pra se concluir que é uma zoação, na minha opinião, mas respeito quem se sinta incomodado, afinal, cada um tem um ponto de vista, mas tento me colocar no lugar alheio pra imaginar.

Conclusão: Essa bagaça é boa?


É, não é de se rir o tempo todo, mas é de se rir muito. "Ah, mas eu sou chato e pra mim comédia tem que fazer rir por duas horas seguidas, e aí?", simples, peça à sua mãe pra fazer cócegas em sua barriguinha. O importante a ser frisado aqui é que mesmo nos momentos mais parados, você se diverte, porque logo depois vem uma piada ou uma cena de ação desembestada, ou até algum diálogo corriqueiro de amigos nerds que não têm assunto. É sem noção como O Homem que Copiava. Repito, o mais legal do filme é sua torcida pra que eles consigam se acertar na vida e sua adrenalina vendo como a bola de neve de trapalhadas te deixa sem imaginar o final. Aliás, o final deixa um gancho pra uma possível continuação. Será que eles têm coragem pra fazer tudo de novo?

Nota 8    

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