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sexta-feira, 8 de março de 2013

O absurdo do feminismo: Luta por direito igualitário


Muito fácil é dizer que não é pra ter um dia só especial para as mulheres, mas que todo dia seria dia delas. Muito fácil, cômodo, demagogo e preconceituoso. O dia 8 de março não é o dia internacional da mulher porque elas precisam de um dia, ideia que seria facilmente refutada com simples argumentos de que todos somos iguais ou o quanto mulheres são importantes na nossa criação, desde a geração, gestação e educação. Moça, isso é ser machista. Aliás, uma reflexão de fim de parágrafo: Já parou pra pensar em como as mulheres são criadas pra ser perfeitas donas de casa, e não para ter uma vida aventureira como pilotar carros, motos e aviões ou simplesmente trabalhar fora?

O caso é que o dia em si já foi comemorado em datas diferentes, meses diferentes, etc. Mas, institucionalizou-se no dia 8 de março a partir da Revolução Russa (apesar das diferenças do calendário gregoriano para o Juliano, sendo neste último o dia 23 de fevereiro). O dia foi marcado como o símbolo da luta da mulher trabalhadora russa e início da supracitada revolução em 1917. O dia cairia em desuso, e, estando obsoleto politicamente, ganhou vertentes comerciais, quando os homens tinham por tradição presentear e homenagear as mulheres, tal qual o dia das mães ou o dia dos namorados. O dia, com o significado social da luta por respeito igualitário, veio a ser resgatado com a revolução feminista, já na década de 1960.

Na boa, claro que é mais uma data comercializada, como o natal, o próprio dia das mães ou a páscoa. Fato, os valores dessas datas foram deixados de lado porque vendem muito bem. Agora, vou falar para aquelas mulheres-bibelô, que reclamam não ter o respeito dos homens, mas usam de datas assim pra se sentirem adoradas, como troféus ou artefatos similares: Moça, você é machista. É como a mulher que reclama de situações tipicamente femininas, com o argumento de que se não obedecerem certos hábitos, os homens não vão gostar. Ou como a mulher que exige respeito igualitário, mas aceita as regalias que a sociedade do patriarcado oferece, como descontos em casas noturnas e o conjunto de cuidados masculinos chamado cavalheirismo.

Apenas para motivos de esclarecimento, não, o feminismo NÃO é uma tentativa radical e separatista de tomar o poder do patriarcado. Não é uma oposição ao machismo, embora, de certa forma, seja sim um intento de tirar alguns direitos dos homens, como, por exemplo, o direito masculino de comandar a vida feminina, de decidir o que faz de uma mulher santa ou puta, enfim, deixa os machistas perdidinhos sem poder direcionar as mulheres para onde bem querem pra se sentirem infantilmente superiores. A coisa não é um golpe de estado, tente ver o lado da Mulher-Maravilha, ela sai de uma ilha onde só as mulheres comandam para mostrar ao mundo machista o paradoxo de ser uma diplomata – nascida na Grécia, terra da democracia – com todo o aparato físico e psicológico para guerrear se preciso. Claro, o traje dela é um pouco machista demais, mas isso é explicado pelo fato de ela ter sido concebida por um homem.
 
Curiosidade momentânea: Esse homem é William Mouton Marston, nada menos que o criador do polígrafo – o famoso aparelho “detector de mentiras”, que serviu de protótipo mecânico para o laço da verdade da maravilhosa. Teria ele concebido a ideia de um herói que triunfasse sobre o mal com um diferencial, não seria com os punhos, mas com a diplomacia, a verdade e a justiça. Teria dito Elizabeth, sua esposa: Ótimo, mas faça-lhe uma mulher. Juntando isso ao potencial educativo de um personagem assim, nasceu Diana, amazona, diplomata e princesa de Themiscyra. Aquela que veio criada para mostrar ao mundo o potencial do novo modelo de comportamento feminino e seu lugar de valor no mundo. Como uma igual, ou você nunca reparou que ela é das raras super-heroínas com poderes e origens próprias? Quantas mais não são apenas versões femininas de heróis já pré-estabelecidos?

Mulheres, vamos lutar contra os padrões opressores da sociedade, mas colaborem, porque é muito fácil defender seus direitos iguais, mas aceitar cuidados e favores da sociedade só porque são mulheres, é como estampar no sutiã roxo uma placa de cores vivas com os dizeres: SEXO FRÁGIL – ESTE LADO PARA CIMA. Sendo assim, mulheres-fruta/comida/objeto não estão aqui relacionadas, por serem instrumentos a serviço do machismo, embora, as portas estejam abertas para quando resolverem lutar pela sua dignidade ao invés de usar seu corpo para ganhar em cima do regime que as trata como pedaços de carne.

2 comentários:

Anônimo disse...

Esse Dia Internacional da Mulher não devia ter surgido nunca. É tão DEPRECIATIVO que chega a me AGREDIR, me HUMILHAR, me FERIR! Parem de ficar homenageando elas, porque elas NÃO MERECEM. São além de feministas, são COVARDES, LÉSBICAS, ASSASSINAS, e acima de tudo, DESPREZÍVEIS, uma AMEAÇA á humanidade! CHEGA!!!

Fernando Garcia, Sagatiba disse...

Caro anônimo, não sei qual o seu problema quanto às mulheres, mas o feminismo não é como o machismo, as semelhanças param pelo termo - realmente parece uma simples afronta, mas não é - procure entender antes de destilar esse ódio irracional. Trata-se de uma militância por respeito igualitário, o que poderia acabar com o cavalheirismo, isso sim um destrato que 'coisifica' a mulher. Feminismo não enaltece, reconhece o potencial feminino tanto quanto o machismo. O mundo "civilizado" sempre foi machista e até hoje não sei o que tem de tão maravilhoso, que tal caminharmos todos juntos, já que ninguém nasce com etiqueta de melhor ou pior?