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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil É REAÇA!

Estava dando umas pinceladas nesse tal Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil (ou algo assim) e percebi que ele deveria se chamar Guia Politicamente Reacionário, pois, ele tem um viés de contestador, uma aura transgressora e quebradora de velhos conceitos engessados, mas ele só vem confirmar preconceitos. Não é um livro de história “verdade doa a quem doer”, é só uma forma pseudo-jornalística de se incitar o leitor a manter seu pensamento (?!) do jeito que o sistema quer. Sistema? Que sistema? Esse que está aí e te faz enxergar a vida como normal, como se tudo que está do jeito que está tivesse nascido no universo assim, como se os fatos narrados nos livros fossem uma historinha do passado que não deixou lembrança nem herança. Sim, REACIONÁRIO, amigolhes, é um reaça de marca maior. É o Eike Batista dos reaças: É muito menos poderoso do que pensa, acha que domina o mundo, não é lá essas coisas, para uma mente que filtre o que lê com o raciocínio realmente contestador, além dos frutos que gera, que, na falta de um argumento de defesa plausível, protege e alega “é preconceito porque eu sou RICAAAA!”.

Quem aprendeu na escola tudo como a titia cocota ensinou, com aqueles clichês como ‘descobrimento’, ‘abolição’ ou ‘democracia’, realmente vai achar que esse livro mete o pé na porta, põe o pau a faca na mesa e diz a verdade que ninguém teve coragem de dizer. Mas, só ataca um lado e defende outro. Pensa bem, Zumbi ganhou escravos e uma ascendência tribal de um clã de saqueadores escravagistas afro-africanos (era um ninja silencioso, com certeza, não?); os índios é que acabaram com a Amazônia desmatando e vendendo tudo, o europeu/português foi o povo bem intencionado que tentou alertá-los quanto ao mal que estavam fazendo contra ao meio-ambiente (say: WTF?!) e por aí vai. Deu pra ver a inversão de valores? NÃO?! Vamos um pouco mais adiante, então: O que se passa por transgressor e acidamente sincero é, na verdade, um mantenedor de preconceitos que já vêm arrastados pela sociedade desde sempre. É tipo o papo imbecil que alega que não há porque lutar contra o racismo ou que cotas são preconceito invertido, como se o negro tivesse regalias e não um resgate histórico por ter saído das senzalas de mãos abanando enquanto o europeu veio e ganhou terras pra cultivar (fator básico pra você não conhecer muitos fazendeiros negros).

Aí, fica assim, quem já não achava que existia racismo no Brasil, agora, já pode começar a “defesa” de seu ponto de vista com ‘Ah, mas o negro é que tinha escravos, o negro é que é racista’. Estou falando sério, dê uma olhada no artigo sobre escravidão ou sobre Zumbi no Wikipédia, por exemplo, que serve de ponto de partida pra muitas pesquisas por aí. Vai estar lá falando majoritariamente que Zumbi foi um escravagista que se mantinha conivente com comunidades próximas a Palmares e subjugava sua própria raça. Percebem? Minando a simbologia de Zumbi para a luta negra contra o racismo, muitos racistas latentes e ignorantes de rebarba se sentem representados pra culpabilizar o negro pelo racismo e pela escravidão - desde Mamma África. O velho papo de que racismo existe, mas ninguém vê, porque o negro é paranóico, recalcado e preguiçoso, porque prefere roubar do que trabalhar. Além dos já citados índios matadores da natureza e até Jango, sim, João Goulart, em quem muita gente levou fé na presidência da república foi acusado de não ser tão bonzinho assim como se diz nos livros. Engraçado é que o corsário Cabral (o Pedro, não o Sérgio) não chegou e iniciou toda a dominação, colonização, as agruras e desagruras a que a igreja católica infligiu aos nativos, verdadeiros donos dessa terra. Outros povos estiveram por aqui e não tentaram espremer as riquezas naturais do chão pra enriquecer a coroa (portuguesa, com certeza), fora a cisma com qualquer coisa que lembre comunismo.

Sim, comunismo parece ser o verdadeiro alvo desse jornalista Narloch. Não exatamente o negro, mas ele acusa Palmares de ser um modelo de comunidade marxista defendido pelos comunas ao longo dos tempos, então, parece ter se sentido na missão de “abrir os olhos” da nação quanto a esses facínoras comedores de criancinhas (pensei que seria a próxima ‘verdade’ a ser abordada, mas não veio... fiquei frustrado). Pensando bem, os índios também viviam em configurações parecidas, autônomos e cagando para o sistema europeu que se impunha pela força. Claro, a história mostra que nem todo índio lutou pelos seus, tribos se aliaram aos dominadores, assim como muito negro preferiu viver uma ilusão de regalias sob as botas de seus senhores do que refugiado no meio do mato, mas daí a inventar essas figuras de ‘bicho-papão’? Pera lá, é só ver quem está no comando do país até hoje e quem é escondido da mídia -apanhando e morrendo pelas ruas e favelas - como se fosse mesmo minoria e não mais de 50% da nação. E dizer que isso é resultado de um comportamento errado (chato, feio e bobo, ai, ai, ai) e criminoso? É como escrever revelando que não existe Papai Noel, ou que índios e negros não vão ganhar presentes, empregos ou casas porque fizeram bagunça e não obedeceram a mãe pátria durante o ano.


Enfim, isso parece uma grande piada à toa, pois, como os comediantes da ‘nova geração’ (que soltam pipa e jogam bola), se traveste de revolucionária, mas mantém o senso comum exatamente onde está, com toda mesquinharia e preconceitos. E, como os porta-vozes de uma nova geração sedenta por sinceridade (cof falta de criatividade e educação cof), a primeira defesa é “não pode me contestar, isso é censura”, como se ‘piada’ fosse a senha para “estou acima do bem e do mal”. Oras, se eu der uma porrada na cara de alguém, vou ser preso e responder por agressão, no mínimo vou pagar por isso e ficar proibido de chegar perto de minha vítima, logo, se palavras também ofendem, como que um tipo desses não quer sanções disciplinares cabíveis? Os tempos mudaram e a noção de respeito só evolui. Não é transgressor defender preconceitos e posar de revolucionário. Ser politicamente incorreto é, na verdade, ser reacionário, é fazer pose de pobre orgulhoso que acha que tudo é assim mesmo e um dia vai melhorar. Ou pior, é algum abastado que quer fazer a cabeça de sua classe e o povão vai na onda. É um direitista, com certeza. Carochinha pra chamar atenção, mas nenhuma aplicabilidade social se você nasceu depois de 1945 e não tem Hitler num poster no quarto. 

E, no próximo volume, já espero a verdade sobre os Smurfs. Sim, eles são comunistas também. Small Men Under the Red Father. Papai Smurf está de olho, hein, REAÇA!!

2 comentários:

Andrew disse...

Que texto horrivel, dificil aceitar que a sua opinião aprendida na escolinha marxista esteve errada todo esse tempo?

E outra, qual o problema em ser reacionario? O livro pode sim ser encarado como reacionario, pois leva uma reação de nojo a toda nossa história cheia de mentiras e histórias contadas para o bom esquerdista achar lindo. Ser reacionario é isso, reagir contra o corrupto, o mentiroso e contra aquele que quer derrubar o que é harmonioso e respeitoso pra todos.

Com todo respeito, mas há mesmo a necessidade de dizer que vc é negro no seu perfil quando há uma foto? rsrs

Esse tipo de autoafirmação apenas faz o real preconceito aparecer.

E o livro é ótimo, e vc é a prova que ele deu certo, pois causou birrinha em um esquerdista.

Fernando Sagatiba disse...

O problema em ser reacionário é o mesmo em ser egoísta. Pra você está tudo correndo bem e sua reclamação é algo genérico que nem você sabe o que é, mas precisa se rebelar com o que não conhece e nem se incomoda no frigir dos olhos. Mas isso é problema seu.

Não preciso dizer que sou negro, mas me posiciono enquanto militante preocupado com a sociedade que acha normal ter gente rica passando ao lado de gente ue nem casa tem. E o livro é ótimo, só não soube se vender bem, pois não avisa que é um livro de humor duvidoso. Não deu certo, pois a fonte de pesquisa é quase um 'ouvi por aí'. Nada sério e não causou birrinha, no máximo um desconforto. Como um mosquito chato.