Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Gibis e o tempo.


Sempre fui fã de revistinhas (na época era o mais comum no chamado “formatinho – daí o nome) de super-heróis . Aquela coisa de ser um ser humano e poder fazer coisas fantásticas era emocionante para mim (assim como para tantos nerds crescidos como é o meu caso hoje em dia).

O meu preferido na infância e parte da adolescência era o espetacular Homem-aranha. Logo ele porque era um “produto” diferenciado no mercado. Não tratava-se de um extra-terrestre com poderes quase divinos nem um outro caso de herói idealizado (volto nesse ponto em outro post). Era a vida de um nerd que tinha que conciliar sua vida de nerd (nerd, mas não chegava a ser um daqueles típicos losers estadunidenses) com seu “trabalho” de defensor da população de Nova York. Era quase uma novela com poderes especiais (Falar nisso, estou tentando acompanhar Caminhos do coração na record pra falar sobre isso depois).

Mas o motivo deste post é fazer um apanhado geral dos gibis ao longo da história. Pois bem, antes eram seres com poderes especiais e uma tremenda abnegação doando seus dons para os que precisavam de ajuda. Com o tempo, as histórias, que eram infanto-juvenis, foram deixando de ter um ritmo ingênuo para terem incluídos temas mais sérios (aliás, ingênuos é modo de dizer, pois naqueles tempos idos Superman e Capitão América batiam em “japas” na segunda guerra e Batman adotava adolescentes de 13 anos para matarem, às vezes com armas de fogo, os facínoras de Gothan City). Nos anos 70 as ficções científicas fantasiosas de semi-deuses salvando gatinhos de cima das árvores (e depois, sobre prédios, satisfeitos da vida com olhares contemplativos no horizonte) ganharam elementos inovadores (talvez porque o antigo público jovem crescia e fazia-se necessário uma certa evolução). Por exemplo, a fase clássica onde o Arqueiro verde se juntava a seu melhor amigo, o Lanterna verde (Hal Jordan) para desbravarem seu próprio país (Os Euases, oras!) a bordo de uma caminhonete. Mas heim?! Nada de robôs gigantes ou seres do espaço sideral? Ma Cuma, Bátima?

O fato é que, além dessa idéia por si só já ser espetacularmente simples e atrativa, alia-se à inclusão da descoberta do Arqueiro de que seu pupilo, Ricardito (no original: Speedy, mas vai entender) estava no fundo do poço por causa do vício em drogas. Hoje em dia é comum um herói morrer e voltar depois, ou se recuperar de lesões graves na coluna e tals... mas naquela época? Imagina a revolução. Como se a globo resolvesse fazer suas novelas com palavrões ou pessoas em casa usando roupas simples e chinelos...aheiuaheuiahei

Depois da simples luta do bem contra o mal e dos temas mais pesados, chegamos aos anos 80 que teve várias revoluções, mas nada que chegasse ao ponto do que viríamos na de 90. De repente, o “Bátima” adota um adolescente rebelde pra ser o novo Robin (O primeiro cresceu e virou Asa noturna – acho que era que nem os Menudos, fez 16, RALA!). Só que o novo parceiro (UIA!) do morcego era um perfeito pestinha e foi morto pelo Coringa depois de uma votação dos fãs. Tá, crianças sendo mortas por lunáticos ainda é assim-assim pra você? Depois o próprio morcego tem sua espinha fraturada ficando relegado a uma cadeira de rodas por um tempo. Aí, o Superman é morto na base da porrada por uma criatura conterrânea sua e a Tia May (do aranha), então? Credo, como a velhinha já ressucitou! Tia May cortou um pedaço de unha e dali nasceu Chuck Norris!!! Aeuhaiuehaiuehaiu

Bem, fora o fato de que tudo era pra se angariar uns cascalhos a mais nas vendas, lendo tudo aquilo era bem radical. Claro que tudo se normaliza depois (pra depois, denovo, outra crise se instalar e tudo voltar ao normal...denovo denovo!)

Agora vou falar de uma história que me chocou pela frieza com que lida com o comportamento de quem usa máscaras pra se esconder e o tal motivo que impede as pessoas de descobrirem que um óculos e uma cueca vermelha são a diferença entre Clark Kent e Superman (por exemplo). Já entrando nos anos 2000(só eu acho essa expressão peculiar?) a tal série se chama Crise de identidade e começa com o assassinato de (ATENÇÃO SPOILER) Sue Dibny, esposa do homem elástico. Ela foi morta por um tipo misterioso e o final nem é lá essas coisas, mas o que se desenrola no meio. Alguns heróis da antiga formação da Liga da Justiça misteriosamente foram atrás do Dr.Luz...Mas porquê, você perguntaria, porquê o cara uma vez há tempos estuprou a tal mulher. Só que todos perguntaram como o vilão fez aquilo se era um perfeito idiota. Acontece, meu caro gafanhoto, que ele era terrível naqueles tempos e foi o primeiro que ameaçou atacar as famílias dos heróis. Com medo de possíveis retaliações, a Liga recorreu à magia para lobotomizar o mequetrefe fazendo com que esquecesse de sua própria capacidade e poder. Todos ficaram escandalizados com os métodos da heróica equipe de heróis idealizados, mas o pior foi admitirem que durante a manipulação, Batman apareceu e também foi submetido a tal intervenção para não recriminar os colegas (fora as insinuações que as pessoas só sabem o que querem saber, pois o Super poderia perfeitamente saber com seus super sentidos, mas nunca falou sobre). Só que o melhor detetive do mundo recuperou a memória daquele momento com o tempo e a Liga se desmantelou por falta de confiança... é, rapá, briga de cachorro grande...

Na próxima eu continuo a analisar as histórias de heróis e outros desdobramentos. Inté!

Nenhum comentário: