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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Rosa Parks dá rolezinho no busão

"Começou num ônibus. Em 1º de dezembro de 1955, ela
mudou o curso da história e nos inspirou a todos
".
Rosa Parks, em 1955, recusou-se a levantar de seu assento num ônibus para ceder lugar a uma pessoa caucasiana e isso gerou revolta, pois até os veículos coletivos eram locais de opressão ao negro, relegado aos assentos nos fundos do veículo. Há quem diga que ela só estava cansada, mas como ela e seu marido, Raymond faziam parte de uma associação para o progresso das “pessoas de cor”, acho muito provável que tenha rolado um “incomodado que se mude”. Sendo ou não essa a origem, o fato é que ela desencadeou um boicote aos ônibus de Monterrey, estado do Alabama (EUA), depois veio a luta pelos direitos civis dos negros, liderada, entre outros, por Martin Luther King Jr., o mesmo que apoiou a atitude veicular da senhora Parks. “Ao menos, diga: Eu sou negro com muito orgulho”, dizia o pastor militante.

Bem, feita a intro, nossa história começa quando, ainda em 1955, Rosa Parks se encaminhou com seu marido para Hill Valley, onde ela sabia que aconteciam coisas estranhas. Lá, investigou e conheceu Emmet Brown, cientista com fama de imortal, pois é famoso desde o Velho Oeste estadunidense, mas não parecia ter mais que uns 50 anos. Enfim, conversa vai, conversa vem, Rosinha e Raimundão conseguem financiar a adaptação de um ônibus para que ele possa viajar no tempo (algo parecido já tinha acontecido, quando Graham Bell o financiara para que criasse o telefone, mas é boato, dizem). O fato é que o casal Parks conseguiram viajar e resolveram partir para o futuro, onde, segundo eles, o racismo já teria sido extinto.

Ficheiro:Rosa Parks Bus.jpg
Ônibus de Monterrey onde Rosa Parks fez história.
Pularam para 2013 e notaram que um erro de cálculo os levou ao Brasil, chegando em São Paulo, se depararam com uma cena bizarra, parecia uma revista pós-rebelião em um presídio, mas eram jovens pobres – de maioria negra – frequentando um shopping de luxo. Ela notou que uma família negra não tinha sido abordada, mas logo percebeu que essa, não fazia parte do mesmo padrão sócio-econômico que os outros, o que gerou julgamentos preconceituosos, inclusive, de negros na mesma condição que a família não importunada pela polícia. A alegria da elite é ver negros se comportando como ela espera, ou sendo o pobre dócil e festivo nos guetos ou fiéis imitadores de sua maquiada etiqueta. Tem que saber se comportar pra chegar lá, é mentira essa de que racismo acaba com uma conta bancária parruda.

Rosa olhou para seu marido e se indignou, Raymond chegou a se indagar: “Meu Deus, o que fizemos do sonho do irmão Martin?! Nem unidos somos, por causa de dinheiro!“. Com um pouco de esforço, conseguiram se informar sobre nossa sociedade e continuaram sem entender como uma sociedade implanta na mente de sua população que consuma tudo a qualquer custo – até financiado – mas, quando aqueles que sustentam o país tentam mostrar que também são cidadãos livres, logo são rechaçados pela elite e seus cães de guarda. Rosa até olhou em volta e procurou carros com mangueiras, bombas de gás e balas de borrach... ela viu tudo isso pronto para ser usado. Rosa e Raymond Parks chegaram à conclusão de que a opressão só se adaptou, pois não havia shoppings em sua época, mas tão logo foram criados, serviram de mais uma ferramenta de exclusão social.

Ficheiro:Rosaparks.jpg
Rosa Parks junto a Martin Luther King Jr.
Rosa percebeu também que seu país, os EUAses, sempre são citados, junto à África do Sul, quando brasileiros querem deixar de lado o racismo enquanto pauta de debate, com o argumento de que aqui isso não existe porque nunca fora oficializado, nunca houve segregação por aqui. Ela concluiu que esse é o motivo de falarem que o problema social é unicamente financeiro no Brasil, por isso esse problema está longe de ser solucionado pelas camadas sociais que podem reverter isso de forma mais efetiva, cabendo a missão cultural de ensinar a população a ela mesma. Sendo assim, Rosa e Raymond seguiram a recomendação primordial de Doc. Brown, para não interferirem num tempo que não é deles e seguiram de volta.


Destruíram sua máquina do tempo para que não se sentissem tentados a mudar o que viram de errado, ou mesmo se revelando o casal militante que revolucionou a luta negra nos EUAses. Ainda veriam Martin Luther King Jr. e Malcolm X serem assassinados, as lideranças políticas dos Panteras Negras e tantas outras coisas que deram gosto de ver em prol da construção cultural da identidade negra. Rosa Parks faleceu em 2005, de causas naturais.

"Você não tem que ficar receoso sobre o que você está fazendo, quando é o certo".

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