Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Metal e o diabo


Sempre que vejo um fã de metal se achando o próprio satã eu penso:

- Meu filho, você acha que seu artista preferido anda de capa com um a taça de sangue na mão quando vai às compras (talvez de um bode), por exemplo?

Dani Filth em momento de intimidades
com um ursinho.
Eu tenho um dvd do Cradle of Filth onde Dani Filth, o vocalista, arremessa bexigas d'água da janela do hotel ao lado de integrantes da equipe. E ainda saíam rindo pra que não fossem flagrados pelos transeuntes.

É o problema de gêneros e produtos direcionados para a juventude. Tudo o que é novo atrai, se o novo é subversivo, então, aí é que se torna de conhecimento obrigatório. Música, drogas, sexo e toda sorte de assuntos que te despertam uma curiosidade irresistível quando se está saindo da infância e se está buscando um estilo ou uma tribo própria.

Em um livro que tenho aqui em casa (juro que procurei, mas o danado sumiu como que por obra do... er... deixa pra lá), trata-se da biografia do Black Sabbath - pelo menos até idos de 2000 ou 2002, época do lançamento. Mentes mais impressionáveis podem comprar essa ideia de que eles queriam introduzir o mundo da escuridão num público maior, mas EI! Aloou! Eram jovens rebeldes com criações católicas querendo se chocar e chocar o alheio. A coisa mais fácil - e até clichê - é um jovem querer impressionar fazendo o contrário do que a sociedade gostaria de vê-los fazendo.

É daí, também, que vem o Punk, por exemplo. Com temática muito mais leve do que a básica do metal (porque "só" aborda sexo, drogas, rock n' roll e alguns delitos), o Punk trouxe a cultura do 'faça você mesmo' - mais tarde seguida pelo pessoal do grunge, quando o cara não quer ficar estudando música e instrumentos pra ser um astro, só quer fazer aquilo que achava legal os seus ídolos fazendo.

Black Sabbath liderado por Ozzy, que cultuava o inimigo de
nossas almas naquele exato momento, tentando removê-lo
de dentro de seu coleguinha.
Enfim, voltando à vaca fria, no referido livro sobre a eterna banda do Ozzy, pra explicar o significado do nome - e, porque não, da cultura - Black Sabbath, ele falava algo próximo à ideia de que era só ver a m*rda de mundo em que se vivia com guerras, conflitos, ditaduras e tals e entender porque aqueles jovens ingleses preferiram abordar temas pesados e sombrios, que refletiam seus sentimentos acerca daquela realidade, do que falar de amores e flores, como a maioria.

Sei lá, por sempre ter visto o Black Sabbath como o lado negro da moeda que traz o Led Zeppelin no lado iluminado, eu nunca tive medo ou vontade de ouvir a banda só pra pagar de bad boy. Nunca quis assustar, pra mim é isso mesmo, liberar pensamentos e energias pesadas através de riffs bem, mas beeem pesados. Então, vampirinho da capa do satã, passe maracujina em seu rabinho sombrio, porque temáticas de letras são tão subjetivas quanto livros ou filmes de terror. Você não pode achar que aquilo é o cotidiano dos caras. Ou você acabará como aqueles doentes mentais que atacam pessoas, igrejas e outras idiotices sem utilidade para o mundo. Da mesma forma que conservadores vão te acusar de bruxaria.

Valeu, poser servo da escuridão. Agora fique com o clássico que lançou o lado obscuro do Heavy Metal. Tente não molhar as calças.