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sábado, 19 de outubro de 2013

Críticas fazem Walcyr Carrasco mudar cabelo de menino negro

Bem que este artigo poderia se chamar "A Novela do Preconceito 2: Chovendo no molhado" , mas não sou muito fã desse tipo de repetição. Sabe do que mais eu não sou fã? Da mídia aberta que maldosamente prega uma mitológica democracia racial, defendendo valores da classe dominante, conservadora e ditadora. Eu falei há bem pouco tempo, sobre a ausência de negros na TV, inclusive me dei ao trabalho de ir a três sites de novelas só pra comprovar que os elencos não têm sequer 10% de negros. Isso já seria um absurdo de irreal para o Brasil, mas para a classe elitizada (a que tem sua imagem vendida como o normal e corriqueiro de toda a população) até que vai.

Esse é um tema recorrente, porque a atitude "deles" é recorrente, então, sempre há um novo modo de se analisar a situação do negro na TV. Da última vez, vi uma discussão sobre aquela aberração que o autor de Amor à Vida, Walcyr "avoado" Carrasco emitiu, de que o gordo sofre mais preconceito que o negro. Bem, o pai do protagonista é gordo, vários personagens são gordos, gordinhos, parrudos e afins, aliás. Mas você já viu essa discussão em algum lugar? Não. E porque? Porque o gordo é ignorado? Não, ao contrário, o gordo está devidamente inserido na mídia. Pode não ser protagonista e, muitas vezes, ficar relegado ao clichê 'comilão-sedentário-alívio cômico', mas, ainda assim, você vê vários pela TV. O preconceito contra o gordo é estético, não é uma questão de dominação e desprezo por descendentes e representantes de uma etnia.

Bom, dito isso, vamos ao assunto principal: O preconceito hipócrita... aliás, não, decidi que não vou mais tratar a negação do racismo como falta de informação histórica, isso é racismo, é crime, é desvio de caráter e toda maldade merece ser combatida. Fique por aí e você vai entender. Antes, deixa só eu contextualizar, o autor-magia diz que gordo é o novo negro e pretende expor essa ferida da sociedade pra acabar com o preconceito. Oras, o Ninho (Juliano Cazarré) teve seus dreads retirados porque, segundo um pessoal aí, a rejeição ao personagem estava diretamente ligada ao visual "sujo" do riponga (o fato de ser um mané e ter sequestrado a própria filha não conta). Então, chegamos à cereja do bolo: O menino negro que está para ser adotado pelo casal Niko e Eron terá uma mudança na cabeleira do personagem, de novo, por aceitação... Engraçado, tanta coisa que gera reclamações e nada muda, mas os seus cabelos... Quanta diferença!

A Globo segue, promove e determina a política geral da mídia aberta e conservadora de negar o racismo e programar as mentes menos contestadoras pra achar que isso é só um detalhe ali no canto (assim como fazem com o próprio negro). Então, por aceito, entenda 'menos traço de negro na sua TV'.


O que essa enquete sobre outra novela tem a ver? É que é isso que aparece logo abaixo da notícia no site da jornalista Patrícia Kogut (confira aqui). Ou seja, uma mudança descaradamente preconceituosa numa novela e o que o público vai opinar é sobre o fim de uma personagem de outra produção. 'Mas, o que isso tudo tem a ver, Saga? Pô, você reclama de um monte de coisa de uma vez!', espera, gafanhoto, vou chegar lá agora. E, até o momento que acessei à notícia - cerca de 10 horas após a publicação - não havia nenhum comentário... pode ser coincidência, mas acho que não é um assunto que se fale muito, e se alguém criticar a atitude, corre o sério risco de ser chamado de 'patrulha'.

O debate sobre diversos preconceitos nunca acontecem, como por exemplo, em Salve Jorge, uma protagonista, moradora de uma comunidade, foi interpretada por uma 'morena', já a negra era sua melhor amiga, a outra negra era o alívio cômico, enfim, o negro é programado a entender que seu lugar não é na TV, não é fora da sua vidinha 'Esquenta' na filosofia 'ganha-se pouco, mas tudo, bem, a gente se diverte'. Esse é o lugar do negro, segundo a mídia. Mas, o interessante é que a referida jornalista vem a ser esposa do diretorzão Ali Kamel, o autor de Não Somos Racistas (aquele livro, saca?). E o que isso tudo tem de relacionado?

Bem, jovens, se a gordofobia é um fenômeno maior que o racismo, se La Kogut noticia a mudança no visual de um personagem com cabelo afro e é esposa de um negacionista do racismo, bem, podemos concluir que é mesmo uma ideologia pré-determinada a exterminar referências à raiz negra desse país, não? Ah, então eu sou paranoico? Se não, vejamos, numa recente matéria sobre a importância de se abordar a gordofobia pra trazer o tema ao debate, La Kogut deixa escapar mais uma vez que sim, o que interessa à mídia, ela traz à baila, o 'resto', é terminantemente ignorado. Ou isso tudo é só uma grande coincidência? Claro que não. Veja a sequência de frases e me diga se não é muita cara-de-pau não falar de racismo, fingir que não nota que só tem um ou outro negro até nos núcleos pobres e a obra incomodamente inesquecível do tubarão da Globo.

Primeiro veio a notícia sobre o cabelo do menino negro da novela, abaixo, você vê uma frase da notícia sobre o debate da gordofobia, então você vê, de novo, porque a cultura imposta pelos meios de comunicação que dominam a informação aqui (e que se liga em você!).

2 comentários:

Rosangela Lambiase disse...

É tão racista essa mídia que na propaganda do Rexona Clinical, não há uma única mulher padrão elite tipo branca e loira. Não é elitista transpirar, isso é coisa de gente moreninha ou negra!!!

Henrique (Men) disse...

Os Estados Unidos que é considerado o Pais mais Racista do Mundo. Mas depois de muitas lutas lá, hoje existe muitos filmes com herois negros, cantores famosos negros, Jornalistas e apresentadores negros. No Brasil o negro só faz papel em novelas e filmes de bandido, não existe apresentadores de Programas de TV negros, não existe Jornalistas apresentadores ou reporteres de Rua em TV negros, ou seja até parece que o Brasil fica na Europa. Até a Record (dita TV dominada por evangélicos) tem a mesma linha de raciocionio de Preconceito Racial das demais emissoras e agencias de Propagandas preconceituosas Brasileiras. Simplificando hoje o Brasil negro só serve pra ser pagodeiro e ou então Jogador de futebol e olha lá hein!, porque ja estão escolhendo jogador branquinhos e cheirosos pra os clubes de grandes massas.