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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Eike Bastista, Parte 1: O X determina onde cavar


Dia 10 de outubro, Dia Nacional do Empresário. E, em homenagem a isso, falaremos do empresário do mês: Eike “pai do ano” Batista. Eike já era velho conhecido meu desde fins de adolescência... Não, nunca fui chegas do pitoresco empresário, nem muito antenado com o mundo corporativo assim, é que eu tinha a Playboy de Luma de Oliveira em que ela era perguntada sobre a reação do – então – marido sobre a nudez, mesmo não precisando de grana (sério). Bem, vamos deixar a coleirinha com o nome de Eike pra depois e vamos atentar que existem 5 etapas pelas quais uma empresa passa até se partir ao meio e repousar nas profundezas do Atlântico Norte... não, calmaê, esse foi o Titanic... Mas o histórico é o mesmo. Bem, os passos são excesso de confiança – pelo sucesso obtido, busca indisciplinada por mais, negação de riscos, luta desesperada pela salvação e a entrega resignada à irrelevância. Resumindo o pesquisador estadunidense Jim Coluns: Quem tudo quer, nada tem.

Vamos aos 7 pecados corporativos de Eike. Sim, pecados e não erros, pois, assim como os termos bíblicos, Eike cometeu algo reprovável no comportamento humano que o fez se afundar e, ainda, que parece uma satisfação cometer, mas só traz perda e arrependimento (para os que têm cabeça boa). Não é nada religioso, é só o paralelo, tipo o orgulho ou a gula, que, se você não evita, acaba se arrependendo/pagando depois. Eike fez isso, no caso dela, a vaidade veio em primeiro lugar, mas se analisarmos bem, ele adaptou todos e criou mais alguns nessa presepada empreitada. Eike-pecado!


1º pecado: Assim como uma placa-mãe onboard, Eike concentrou os riscos em vez de espalhá-los. Como um grupo que tenta se erguer todos de mãos dadas, o esforço é grande demais e depois só pode vir uma danada duma vertigem, seguida de uma queda estrondosa. Ele fez da união de suas empresas um esquema de co-dependência - e não uma diversificação de negócios - a ponto de uma afundar a outra, em caso de crise. Com a diversificação, os riscos seriam espalhados entre as 16 empresas, que chegou a ter em seu império, mas o que aconteceu mesmo foi a ligação entre as 5 principais empresas e “o resto”, que dependia intensamente do ‘G-5X’ (apelidinho safado que acabei de inventar). Sendo assim, não dá pra um só elemento salvar outros menores, porque a quantidade faz peso e traz pra baixo ao invés de serem todos erguidos nas costas do maiorzinho. Fez como aquele seu primo pequeno jogando vídeo game: Ele não sabe mexer na coisa, então, sai fazendo o clássico bottom-mash (ato ou efeito de apertar desesperadamente todos os botões desordenadamente) pra ver no que dá e vai se refestelando enquanto dá certo, mas se der errado, filhão, é ladeira abaixo com uma âncora amarrada nos caniços, estilo Leonardo Dicaprio em Titanic.
Jack! Jack! Tinha espaço na madeira sim, seu bobo, pode acordar que eu tava só brincando... tá frio aqui, né? Jack? – Disse Rose, contemplando o estrelado céu noturno do hemisfério norte.

2º pecado: Não protegeu suas empresas de seus próprios defeitos. Como eu sempre digo, o que você faz, sempre vai levar características de sua personalidade. Um criador de empresas nato, mas um gestor eufórico e deslumbrado. Parece até uma coisa boa, você se jogar de cabeça, mas o resultado pode não ser um mergulho esplendoroso, e sim uma queda de cabeça no deck. Pra você que vive a cultura ‘Brasil-país-do-futebol’, é mais ou menos  como aquele time envolvente, que faz uma bela campanha enquanto a maioria ainda está se organizando no início campeonato, mas, assim que os outros pegam o ritmo, você nota que aquele time era só um ‘cavalo-paraguaio’, na gíria, um afobado que se cansa e fica sem fôlego logo após a explosão de alegria. Trouxe executivos de renome, não deu importância a obstáculos e detalhes - que deixariam muito cascudo aí se borrando de preocupação - gastou mais dinheiro nos empreendimentos do que eu na Casa do Biscoito e deu no que deu. Otimismo não é por aí, I-Ke, quando você se levanta muito rápido, tende a sentir o sangue descendo da cabeça na mesma proporção de intensidade. Vertigem. Uma pirueta, duas piruetas (e o colossal tombo). Bravo, bravo!

3º pecado: Arrisco levianamente – mas com o coração quentinho, cheio de amor – que todo mundo conhece alguém, daqueles ‘empreendedores’ que vão pela empolgação e saem convencendo meio mundo de que seus negócios são promissores, saca? Vamos chama-lo de Vendemar (porque serve tanto pra homem quanto pra mulher e ainda vai ser o fio terra condutor de nossa epopeia pelo corpo do gigante grande, grande e bobo). Vendemar é aquele ser que a cada semana tem uma ideia brilhante pra ter seu próprio negócio? Hoje, ele quer vender prendedor de cabelo pra careca, depois, vai vender cerveja na porta do AA, na outra, ele quer vender picolé pra Pinguim no Arpoador Polo Sul... Sacou? Pois é, a diferença entre ele e Eike é que seu amigo não tem milhões, nem poderosos amigos ricos e influentes. Assim, ele criou seu terceiro defeito corporativo: Se deslumbrou com o mercado acionário – claro, empolgado com tanto empreendimento – e não prestou atenção ao setor. Fez previsões e especulações quando o de praxe seria esperar resultados pra divulga-los, enfim, criou um ser bonitinho, mas ordinário.

4º pecado: A venda de parte de uma das empresas BatistX em 2008 a um grupo da gringolândia deu uma garibada no otimismo de Eike. Ele achou que era mole mole pegar, cultivar e vender empresas assim como as máquinas fizeram com o próprio ser humano em Matrix (porque, você sabe, estamos em 2999 e tudo isso é uma ilusão). Enfim, a vaidade não é um pecado, é um castigo, um vício que mais hora ou menos hora você paga. Eike ficou tão besta com seus lucros imediatos que achou que tinha descoberto um belo filão. Chegou a recusar uma oferta de sociedade (7,5 bilhões por 40% dos direitos de exploração de poços de petróleo na Bacia de Campos). Se dividindo o peso com um sócio divide os riscos, o peruquinha (será?) esnobou e quis tudo sozinho (Lady Kate curtiu isso). Não quis se envolver em sociedades ou participações em empresas estabelecidas e comprovadamente rentáveis, nem aproveitou pra fortalecer suas próprias principais empresas. O resultado foi um lucro absurdo inicialmente, mas também uma pesada dívida a ser amargada sem nem um poia pra chorar pitangas, abraçados, degustando um bom vinho Cantina da Serra.

5º pecado: A empresa vem depois do funcionário. É um cânone básico de qualquer grupo: “O todo é mais importante que o indivíduo. Significa mais que a soma de todas as coisas”. Em qualquer lugar você vê uma disputa interna, por exemplo, e sempre há a defesa comum de que tal entidade é maior que tudo isso. Vale para o clube de futebol de Vendemar, vale para escola de samba, vale para a Sociedade do Anel (UIA!), só não valeu para Eike-absurdo. Sabe porque? Porque Eike atraiu o interesse de seus súditos pelos motivos errados. Quem veio para seu reinado o fez pela margem de lucro pessoal bem alta em pouco tempo, mas a empresa mesmo ainda nem tinha dado resultados. Novamente, o problema foi a afobação e uma certeza cega de que se está bem hoje só pode melhorar amanhã. Se fosse pobre, Eike já teria aprendido que a alegria de hoje pode ser véspera de problemas. Nessas horas, não é de todo ruim pensar na possibilidade de o barco afundar. Aí, o mercado de ações aqueceu, as especulações agitaram, executivos negociaram e lucraram milhões, mas não tinha uma gota de petróleo pra dar segurança para a empresa. Sendo assim, assim que um rato é visto correndo para o seco, fica fácil de abandonarem o navio e seu capitão que tenha assistido a Titanic.

6º pecado: Apressado come cru (eu disse cRu). Seria um esquema simples: Se você planta e a árvore cresce forte, na hora de frutificar, nada mais seguro que pegar umas sementes e plantar por perto pra serem uma garantia de que sua produção continuará. Certo? Não para megalomanEike. Ele praticamente plantou várias arvorezinhas, mas pagou seus agricultores com apenas a empolgação, sem ver frutos. Ambição e pressa têm em comum, mas não têm nada a ver se você quer dar certo (UIA!) nos negócios. Sem um único negócio pra dar segurança aos investimentos derivativos, tudo cresce muito rápido, mas tudo passa muito rápido. Eike não teve paciência – ou sagacidade – para esperar passar da arrebentação e já quis nadar como se estivesse em mar aberto. Ou seja, muita energia gasta desnecessariamente e nenhum porto seguro em caso de emergência. Foi como por uma criança de 9 anos pra tomar conta de uma turma inteira na faixa dos 6. Enquanto grupos famosos levaram mais de 30 anos pra se estabelecerem, até terem segurança de investir em outras áreas diversas, Eike abusou do capitalismo e fez como o surfista que se levanta da prancha na primeira onda que vem sem ‘sentir’ o mar. Acaba tomando um caldo por ter ido à crista da onda (é, eu uso essa expressão ainda) sem ter base ou equilíbrio. Não encheu um balde por vez, quis encher tudo logo, daí, quando acaba a água, não há tempo nem dinheiro pra esperar a próxima leva. Garotice.

Tá difícil? Fast food. Dura um pouco mais que seu império de areia e ambição.

7º pecado:  Como eu disse, tudo o que você faz acaba refletindo o que você é, mesmo que apenas um fragmento. Eike se mostrou um otimista deslumbrado e, não só suas empresas, mas também seus contratados demonstraram esse traço, quer por compatibilidade de gênios, quer por conveniência de puxa-saco. Eike promoveu os otimistas e rechaçou os realistas. Teve membro da diretoria sendo afastado das funções por tentar segurar o Eike de ego Batista, que chegava a jogar na cara dos ‘pessimistas’ que ele era o dono, diante de respostas não condizentes com sua ganância. É o grande problema das pessoas convencidas, elas querem tanto ter razão em suas aspirações de sucesso fácil que preferem viver nesse mundinho fantasioso onde o Sol é seu próprio umbigo. A cultura do líder que gosta muito de um puxa-saco, só reconhece o ‘yes, sir’ é o que derruba muita gente e não a incompetência em si. Fica a dica.
Imagina isso, um funcionário demitido porque explicou ao chefe que se ele vendesse um carro ainda sem as portas, o valor seria muito abaixo do que um completo. Parece um didatismo óbvio, mas foi tipo isso que aconteceu. O que não poupou o ponderado funcionário de ter sua parte nas ações enxugada de 53 Mi para 5, devido à queda do gigante de pernas e cabeça fracas. Além, é claro, do afastamento por não mentir pra Deus.

Considerações finais:
Foi o maior esquema de pirâmide financeira do país. Até apostar numa subcelebridade instantânea na carreira musical deve ser menos arriscado. O gigante precoce passou por estágios da vida empresarial e financeira, que muitas empresas levam décadas até, em alguns meses. Bem, muitas analogias foram feitas, mas, em tempos de informática e internet, só posso concluir que I-Ke se empolgou com o advento da banda larga (hmm) e quis baixar todos os filmes e músicas da internet, mas sem se preocupar em particionar o HD, fazer backup ou mesmo um simples e básico antivírus. Se expôs aos mais diversos perigos empresariais e agora, ta aí, deixou de ser a estrela popstar mídia, das finanças e investimentos, pra ser sogro de panicat. Eike-coisa!


Curiosidades
Eike tem em seu círculo social nomes de peso como o bom menino Luciano Huck (sobre esse eu falo depois), Sérgio Cabral Filho, Eduardo Paes e Aécio Neves. Talvez por isso, ele tenha ódio dobrado aos bombeiros. Além dos servidores terem feito aquela mobilização por melhores condições de trabalho e de vida e serem chamados de baderneiros por Cabral (O Sérgio Filho), Luma (sua ex-esposa) se soltou da coleira e foi cair na mangueira nos braços justo de que profissional? Exato! Um legítimo stripper do Village People bombeiro.

Poslúdio inúdio inútil
Sou contra falar ‘Êiqui’ assim como não posso com ‘Big Êipou’.
Se as vendedoras naquele comercial ficaram de bem com a vida por que Fernanda Lima não coube numa calça de criança, imagina aquele seu amigo que a cada semana quer vender um produto barato diferente, quando vir que Eike foi apenas um fanfarrão milionariamente bem relacionado!

Big Eike. Big mistake.



Eike-burro, dá zero pra ele!

Um comentário:

Anônimo disse...

A parceria de Eike com o Rio de Janeiro foi muito benéfica, o governo deve muito a ele.