Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Ex-Jogador francês campeão da Copa de 1998 vem ao Brasil para palestras sobre racismo

Lilian Thuram, ex-jogador de futebol francês (que esteve em campo na vitória da França sobre o Brasil na Copa de 1998) está no Rio, onde ministrará uma série de palestras sobre racismo, através de seu empreendimento, Foundation Lilian Thuram – Éducation Contre le Racisme (Fundação Lilian Thuram – Educação Contra o Racismo).

Fundada em 2008, quando o atleta se aposentou, aos 36 anos, a Fundação tem por objetivo disseminar a igualdade étnica através da Educação Infantil. Por isso, sua visita ao Brasil o leva a escolas (Ginásio Olímpico Félix Mielli Venerando, no Caju e CIEP Governador Leonel Brizola, em Niterói), comunidades (Complexo do Alemão) e centros culturais de motivos Afro (Circuito de Herança Africana, na Gamboa), além do Museu de Arte do Rio (MAR).

O ex-jogador, nascido em Guadalupe, ex-colônia francesa, é um ativista pelos direitos dos negros e contou uma passagem de sua infância, quando foi vítima de racismo na escola, quando tinha 8 anos. Havia um programa de TV popular, na França, em que duas vacas protagonizavam: “Era um desenho animado com duas vacas. A branca era esperta e a negra, burra. Meus colegas de escola me apelidaram com o nome da vaca negra.”.




Ele ainda alerta para o racismo cotidiano, aquele que traz o ranço da escravidão, que passa subliminarmente a ideia de que o negro é mais forte que o branco fisicamente, enquanto o branco tem superioridade intelectual, mas o que o deixou “de bobeira” foi outra coisa.

Ao ser informado que um homem negro fora confundido com um assaltante e preso maldosamente sem ter seus direitos mais básicos respeitados, o ex-zagueiro ficou chocado duas vezes. Uma, porque se espantou com o caso de racismo em si e outra, aquela que me faz decepcionar com meu próprio país, que desfez a imagem de país multiétnico que o Brasil tinha em sua visão.



“Isto aconteceu no Brasil? (...) Então, o Brasil ainda sofre um grande problema com racismo, mesmo com a libertação dos escravos há mais de cem anos”, constatou. Isso porque ele não vive aqui, senão, ele iria achar que nem é pra tanto, que o negro é que vê racismo em tudo (ignorando que uma societade baseada em sistema escravista tem isso como natural, portanto, normal).

Thuram foi o jogador que mais vestiu a camisa francesa.
Bem, no frigir dos ovos e secar dos panos de prato, ele ficaria chocado mesmo é com a apatia e hipocrisia com que o tema ‘racismo’ é tratado aqui. Já vi vários casos de racismo nos EUAses, África do Sul e até na França, de Thuram, mas em todos esses lugares há uma luta declarada contra esse pensamento retrógrado que é a desqualificação de uma parte específica da sociedade por sua etnia e histórico de sofrimento.

Não é apenas diferenciar a cor da pele, pois, um branco chamado de branquelo, por exemplo, não diferiria em nada de um negro chamado de crioulo, se, ao longo da história, os dois tivessem nascido em pé de igualdade, cabendo apenas a meritocracia definir quem se daria bem e quem não. Mas, sabemos que foi justamente o branco que foi lá dominar por meio da força e manobras políticas a população negra.

Portanto, racismo não é destacar a cor de pele de alguém de forma pejorativa, é se valer de um sistema social que não explica – e muitos nem perguntam – mas determina lugares de ocupação conforme o ‘perfil’ do cidadão.
Em Português, seu livro se traduz:
Minhas Estrelas Negras.

Nenhum comentário: