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terça-feira, 16 de junho de 2015

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata - Conflito de uma raça



Como hoje em dia está muito fácil se falar besteira pela internet, até porque internet provém dois fatores muito importante pra besteiras mil se propagarem: 1, ela dá a sensação de valentia e impunidade que nenhuma cachaça braba consegue e 2, ela é igual papel em branco, aceita qualquer abobrinha sem restrição, o que provavelmente dá a ideia de que o emissor/divulgador da falácia pense ser sinal divino de que está certo.



Mas vamos falar de coisa boa, uma das séries que mais permeou meu imaginário infanto nerd juvenil desde o final dos anos '80 e início dos anos '90: X-Men. Pois bem, os 'xisméin' possuem uma historiografia vasta de aventuras espaciais, quebras massa e muito novelão também (porque você pode combater o crime e ter uma D.R antes do churras de fim de semana, não é mesmo?). Então, o que acontece, estou falando de uma aventura especificamente, e no tema que tornou os filhos do átomo referência no assunto: Diferenças e respeito à diversidade. Já falei antes que a mutação genética a que são acometidos (por fatores diferentes, mas com a mesma raiz) pode ser encarada de diversas maneiras na sociedade e esse é o grande barato da série. Sempre achei estranho que um soldadão usando um soro seja herói nacional, mas um adolescente, porque nasceu assim, é odiado (e nem tô falando ainda do Homem-Aranha, visto como ameaça por alguns porque usa uma máscara e escala paredes... bem, seria estranho mesmo).

Entonces, falemos de O Conflito de uma Raça - também conhecido na tradução literal de Deus ama, o homem mata. Nela, o ex-militar, reverendo fundamentalista Stryker (você já o viu nos filmes da franquia cinematográfica como militar) está propondo que se "limpe" a humanidade dos mutantes. Daí, eu retomo o conceito básico da abordagem mutante: a homossexualidade. Muito recentemente um garoto de 14 anos foi brutalmente assassinado só porque era gay e uma foto de uma travesti assassinada há alguns anos está correndo internetES afora como 'a mulher trans que encenou uma crucificação' na parada LGBT, sob comentário do "bispo" que postou como 'justiça divina'. É mentira, falo logo, não era a mesma mulher trans, crucificação não é direito autoral da bíblia e sim um método de tortura muito antigo e isso é uma estupidez. Veja que eles são absurdamente parecidos com um personagem de quadrinhos, meus caros. O irracional personagem alega que é um instrumento de deus pra justificar seu ódio e sentimento de vingança contra quem não lhe fez nada, apenas porque é diferente.

Note que assim como a sociedade média faz com gays, negros, pobres e outros grupos que não estampam a grande mídia como protagonista de novela, os mutantes da ficção são vistos como uma subespécie de humano, acredite, essa é a verdadeira razão para não aceitarmos que um negro seja chamado de macaco, já que isso não é só um apelido - afinal, existem macacos amarelos, brancos, cinzas e outras cores - mas o teor de associar negros a um animal que lembra muito, mas não é gente de verdade é que é o que pega. Assim como ele aponta pra Noturno e desdenha de sua 'humanidade', deixando de lado que é uma pessoa com sentimentos, com desejos, sonhos e personalidade. Quem definiu o que é ser humano? E porque justamente esses 'normais' é que acham que podem definir quem não é? O que os interessa tanto a vida alheia? Sabiam que desde a família real portuguesa que só vem maluco pra cá? Esse conceito de família tradicional não pode ser pré-definido já que fomos governados por um bonachão que andava com comida nos bolsos, uma rainha ninfomaníaca, um príncipe, depois imperador - tarado e muitas outras mirongas. Enfim, falei demais, veja numa página só como Chris Claremont já demonstrava sua preocupação genial com a sociedade há mais de 30 anos atrás (a saga é de 1982, junto comigo, rá!).

Veja na página emblemática, esse diálogo e troque ali, no lugar dos X-men, algum grupo discriminado (mas discriminado mesmo, do tipo que morre por ser o que é e não esse mimimi de 'ain, eu sofro preconceito por ser homem, branco, hétero, etc').



"Graças a você e a pessoas como você, os mutantes têm vivido dias de medo e desespero (...) Será que rótulos arbitrários são mais importantes que o modo como vivemos? E o que dizem de nós, mais importante do que o que realmente somos?" - Scott Summers/Ciclope.

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