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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Caio Fernando Abreu: Fragmentação contemporânea

Ele tinha a personalidade que o fazia usar brincos nas duas orelhas, cabelo colorido e ter sua homoafetividade assumida em plenos tempos da ditadura militar. Esse era Caio Fernando Abreu, o cara que nos deixou há 17 anos (25 de fevereiro de 1996), aos 47 anos (completaria 48 em 12 de setembro). Mesmo assim, é, hoje, uma das mais influentes fontes de auto-ajuda da internet, sobretudo, do Facebook.

A julgar pela quantidade de pessoas que retuítam e compartilham mensagens atribuídas a Caio F. Abreu, chega a ser um tanto quanto irritante, como se fosse uma modinha de gente carente, que quer mostrar mensagens que deveriam ser, no máximo, absorvidas por elas mesmas. Dá uma certa desconfiança também se tudo aquilo é mesmo de autoria do escritor, ou se entrou naquele macete batido de se atribuir frases aleatórias no meio das autênticas pra ganhar credibilidade.

Tipo, eu ponho uma frase minha e uma foto de Clarice Lispector... Claro que essa mensagem vai ter muito menos resistência do que se eu colocar minha cara de tacho ali. Não iam nem dar muita atenção. Eu mesmo divulgo esse blog há mais de 5 anos e só assim, eu achei, nas redes sociais, um público que acompanha esporadicamente - no geral, com exceções - mas não apelei, até porque, enquanto homem de letras, nunca que eu ia querer minhas criações correndo o mundo e não atribuir o crédito a mim mesmo, né? Questão de lógica, justiça e, what the hell, uma certa vaidade.

Caio Fernando Abreu se destacou por não ser apegado a sentimentos que não o faziam bem, sempre escrevendo sobre deixar sofrimentos para trás e seguir em frente com o que há de bom, deixando para depois o avaliar do que pendeu pro bem ou pro mal na balança dos acontecimentos da vida (por isso eu falo que ele se tornou ícone da auto-ajuda num universo onde tudo se propaga muito rápido, como a internet). Confesso que não sou lá muito chegado nisso, mas a coragem que ele representa, tendo até fugido para exílio para não cair nas mãos da ditadura (DOPS). Por isso ele se tornou importante, por representar a própria sociedade, que queria liberdade, mas precisava agir com cautela para não ser calado pela repressão.

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