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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Hook: A Volta do Capitão Gancho


Primeiro, já vou botando o pé na porta! Essa mania bichada de dar “subtítulos” aos nomes de filmes estrangeiros já é escrota, mas essa nem sentido faz. Quem assistiu a Hook, pode até não ter ligado, mas eu sou um daqueles chatinhos que reparam em quase tudo. Capitão Gancho, no filme de 1991, na verdade, vai a Londres e seqüestra os filhos do – agora – crescido Peter. Assim, ele chantageia o garoto que não queria crescer a comparecer à Terra do Nunca (Neverland, em Inglês, sem Michael Jackson) Sim, quem volta, na realidade, é Peter Pan, pois, havia encarado o desafio de crescer na vida real e normal. Mas isso não o impediu de casar com a neta da Wendy... Queria entrar pra família de qualquer jeito, huh?

Confesso que quando era um infante e cheguei ao cinema, queria ver Peter Pan como nos desenhos que assistia, o garoto rebelde, que podia fazer qualquer coisa, inclusive voar, só por querer e por ter pensamentos em coisas legais. E meio que me decepcionei ao ver que Peter era um advogado egoísta e workaholic que se afastava da mulher e dos filhos por causa do trabalho, onde era muito requisitado. Putz, era pra eu ver o cara fazer o que todo garoto de 9 anos sonhava e ele faz exatamente o contrário? Bandido! Mas, calma que não é uma crítica, era apenas a mentalidade de um menino de 9 anos que criou uma determinada expectativa e não a teve correspondida, pelo menos a princípio. Mas tem mais por baixo desse pano.

O que eu não tinha entendido, pelo menos não da forma como só pude fazer depois de adulto, é que o filme é uma metáfora quase literal. Peter é, nesse filme, o Peter Pan da vida real. Assim como qualquer um de nós, ele ficou velho e bobo, curtiu a infância com tudo o que tinha direito, mas chegou a hora de crescer, pois, o mundo não pararia só pra ele brincar eternamente. E esse processo só se dá de forma fantasiosa porque é um filme de Steven Spielberg. Aliás, um filme dos melhores momentos de Steven Spielberg, que sempre soube captar com sensibilidade esse climão de aventura fantástica que, quem tem uma criança interior viva, adora.
 
Então foi isso, Peter Banning (seu sobrenome “real” no filme), chegando à Terra do Nunca, viu que a vida por lá seguiu de uma forma adaptada à sua ausência, logo, os meninos perdidos e Sininho aprenderam a viver da imaginação e a combater Gancho. O pior de tudo, Jack, filho de Pan, passa a simpatizar com Gancho, pois, o mesmo sabe que cordas puxar e deixa o menino à vontade, coisa que seu pai não o fazia por ter se tornado um disciplinador rígido. Peter precisa se reencontrar com sua criança interior e ele consegue, acessa lugares e objetos daqueles velhos tempos até fazer ligação com suas alegrias contemporâneas que ele havia deixado passar despercebido, como seu casamento e seus filhos.

Pronto, Pan, agora, já sabe voar de novo, lembra como era debochar e se divertir de vez em quando, sem pensar no futuro. Mas ele sabe que existe, essa é a diferença agora, pois, seu filho está confuso e ele precisa resgatá-lo assim como sua filha, pois, há muito o que se recuperar em termos de tempo e demonstrações de sentimento para/com a família. Enfim, Hook é uma bela lição de como não devemos deixar o tempo passar por nós sem aproveitá-lo. Mais ainda, não é porque crescemos que não podemos lembrar e brincar. Nostalgia não, mas lembrar com carinho de coisas boas nos revigora.  

Fora que, pô, por muito tempo eu aprendi essa lição de que bastava pensar positivo pra coisas boas acontecerem... Mas acho que eu ainda penso assim, lá no fundo... e... wait! É isso mesmo!

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