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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Todo Mundo Ama NeyMártir



A imagem de um jogador de futebol, jovem e habilidoso, no chão foi dolorida até pra mim que não gosto desse menino do pessoal do marketing. Não gostei de quando ele provocou a demissão de Dorival Jr, ainda pelo Santos (por tê-lo substituído), não gostei quando ele fugiu à sua negritude alegando ter um tom de pele que só se encontra na paleta de cores do Photoshop e não gostei de quando ele fez uma foto comendo uma banana como se fosse um oportunista solidário ao racismo sofrido por um colega (já tendo sido vítima das mesmas ofensas). Mas também não gostei de vê-lo caído e chorando de dor. Mas, tenho coisas a falar que não são o convencional, não ligo pra esse ufanismo futebolístico e também não sou de revanchismo. Pra mim, Neymar apanhou como você leva aquele golpe da porta que um colega abre pelo outro lado sem ver você.



Claro, isso não tira a brutalidade do golpe, e minha comparação foi pouco mais que medíocre, só pra enfatizar a potencialidade que ela tinha de ser provocada/sofrida por qualquer um. 'Futebol é esporte de contato, não 'guenta, vai jogar vôlei'. Essa é uma das máximas que mais gosto, pois se é errado se agarrar e se acotovelar na área esperando um cruzamento - e quase ninguém reprime isso - não dá pra fugir a um tropeção ou empurrão na disputa por posse de bola. Sabemos também que o jogo, dadas as estatísticas sobre equipes faltosas, só poderia dar nisso. Digo, porque se o Brasil tem a seleção mais caçada em campo, sofrendo 95 faltas até o momento, já cometeu 96. Isso, porque a Colômbia é a segunda mais agredida (84) e a terceira mais faltosa (empatada com a Holanda, com 91).

Isso reforça minha inútil teoria de que o que aconteceu com Neymar aconteceria com qualquer um. Neymar, já no primeiro jogo, deu uma cotovelada num croata enquanto a bola estava no alto. Foi desleal, levou cartão amarelo e causou pânico contra Camarões pela possibilidade de levar outro e ficar suspenso nas oitavas de final. Ninguém chorou naquela oportunidade. Ele é leve e tem o hábito de se jogar, provocar e responder provocações, como qualquer outro jogador, então, gente, sem martirização. Ele é garotão, é só cuidar da saúde e da imagem que ele sai dessa novinho em folha. Vai continuar sem caspa, vendendo desodorante, cueca, carro, celular e sorvete de tamarindo na propaganda.



Dureza é aturar o fato de que o racismo à brasileira se manifesta novamente, ofendendo e até ameaçando, não só Zuniga, como sua família. Num momento de desaforo, vem esse pessoal que se acha superior e começa a usar a negritude de uma pessoa como defeito pra ofender e diminuir a dignidade dele e da família dele. Caras, ele tem uma filha pequena e ela já entrou na roda das ofensas. Perdeu-se qualquer razão de reclamar, esse povinho aê. É a pior ironia do mundo ver que a vontade de defender um jogador, esse suposto amor à pátria de chuteiras demonstra justamente o ódio à etnia que compõe mais de 50% da própria população. Essa gentinha ainda usa os mesmos textos decorados pra xingar até jogador brasileiro quando comete erros (lembra do gol contra do Marcelo?). Tentam dizer que não somos gente, mas eles não são humanos. Não moralmente.

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No apanhado geral? Já cansei do mesmo assunto batido, da martirização de um, do racismo contra o outro (o colombiano Zuniga) e dos dois lados querendo o fígado do juiz. Vamos ver o que o outro lado da fronteira pensa? Pois bem, a teoria colombiana dá conta de que a lesão de Neymar está mais para a queda do jogador durante a comemoração do gol de Thiago Silva do que na joelhada de Zuniga. Confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha, pois, sabemos, eu adoro esse tipo de teoria contestatória. Jogadores se provocam, peladeiros de churrasco de final de semana se provocam, Superman ficou fraco (o Pinguim jogou kriptonita) e o pintinho piu, piu, piu. Dessa vez, deu m... e m... acontece. É só isso.

Teoria colombiana questiona causa da lesão de Neymar

Fontes: EXTRA, CORREIO NAGÔ e EXTRA.

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