Crônicas, divagações e contestações sobre injustiças sociais, cultura pop, atualidades e eventuais velharias cult, enfim, tudo sobre a problemática contemporânea.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Tocha Humana negro no cinema



"Ain, ele é negro, não pode", "Ain, é porque o Obama é presidente", "Ain, isso é cota"... E mais um monte de mimimi racista irracional (perdão pela redundância). Primeiro, sim, ele é negro, o ator Michael B. Jordan foi escalado pra viver Johnny Storm/Tocha Humana na próxima investida na franquia Quarteto Fantástico. Tendo em vista que o personagem sempre foi loiro nesses, sei lá, 50 anos de Quarteto, até quando sua primeira versão era um robô auto-inflamável.



Pois bem, vamos falar sobre a segunda questão: Interpretação. Não sabemos nada sobre a interpretação que vem aí, assim como não sabíamos como Robert Downey Jr, se sairia, e acabou virando um Tony Stark até mais carismático que o original dos quadrinhos. Um outro exemplo, ainda mais emblemático sobre isso é o ator Chris Evans, que atualmente vem a cada filme se firmando mais como Steve Rogers/Capitão América na franquia própria e nos Vingadores. Evans, caso você tenha distraído nível ninja master, era o próprio Tocha dos filmes anteriores, sendo irmão de Sue Storm, Jessica Alba, naquela oportunidade. Oras, Jessica Alba não é branca, mas não teve essa chiadeira, né?



"Ma, Saga, porque quando um personagem é interpretado por um negro chiam tanto?". Eu sei, mas não sei. Ou melhor, sei porque reagem assim, mas não sei porque isso acontece. Tenho a teoria de que nerds, assim como o senso comum conservador, não gosta de mudanças pra não sair de sua zona de conforto e ter que buscar novos conhecimentos, porque não saber tudo de um universo, significa não ter domínio sobre algo, o que pra muitas pessoas é tudo na vida. Então, quando você vê negros andando livremente por onde só andava branco ou coisa assim, isso demonstra pro conservador que existe um mundo aí com muito mais informação do que o que ele absorveu, mas esse papo tá ficando muito psicoterapêutico. Vamos voltar ao noticiário.

Image result for tocha humana chris evans jordan

Como eu sempre falo, o que não pode é mudar o cânone original do personagem. Não poderia haver um Bátema fútil e vestido de tartaruga (Bats, lembra?) ou um Homem-Aranha rico e esnobe usando poderes pra ganhar dinheiro. Não seriam, respectivamente, Bruce Wayne e Peter Parker. Mas se forem negros ou índios... acho muito válido até que sejam diversificados. Um exemplo é no já citado Homem-Aranha, que em sua versão 'ultimate' é negro de ascendência latina, Miles Morales. Aliás, está se falando por aí que uma próxima investida no aracnídeo de nossos corações pode ser protagonizada pelo menino Morales. Ele é um garoto pobre com uma vida social pra cuidar e sua responsabilidade em ajudar quem precisa com os dons que possui. ISSO É HOMEM-ARANHA, sacou? E um negro pobre de subúrbio é um Peter Parker tão bom quanto um branco pobre de subúrbio, saca? Tem que ser o garoto lidando com sua vida pessoa e sendo 'atrapalhado' pela identidade secreta.



Mas se muda a etnia e a etnia não é o que faz o personagem ser quem é... "Ain... mas se o Pantera Negra fosse branco, vocês iam dizer que é racismo". Sim, mas não pela mudança de etnia em si, mas pela mudança do cânone que constrói o personagem. Por exemplo, Peter (Parker) e Johnny (Storm) são jovens de Nova York, um talento científico, meio tímido e o outro, um fútil garotão playboy. Tanto faz se são brancos ou negros, Peter é o típico nerd loser dos filmes adolescentes e Johnny é uma "Paris Hilton de calças". Agora, T'challa, o rei de Wakanda, que leva o título nobre de Pantera Negra, esse TEM que ser negro. Não que nós, negros, não gostemos que mudem os poucos negros dos quadrinhos, mas porque estamos falando aqui de um governante de um pequeno país fict´[icio na África. Neste caso, ser negro é parte fundamental do personagem, assim como a Tempestade, que se não for uma jovem queniana que cresceu em dificuldade e toda a história restante dela, não faria sentido.



Veja os X-Men, por exemplo, os mutantes são o maior exemplo de inclusão, porque é parte fundamental de um mutante Marvel ter a carga de discriminação na sociedade. É uma série que vislumbra debates sociais (bem bagunçada hoje em dia). Tá certo, não sei porque só os filhos do átomo são discriminados num universo onde metade da população do mundo ganhou poderes estranhos até por radiação e não são odiados como os caras que já nasceram com seus poderes de mutação genética, mas enfim... Hugh Jackman não se parece em nada com o Wolverine dos quadrinhos. Alto, com pinta de galã... em nada lembra o baixinho peludo e brucutu selvagem das HQs. Mas o anti herói de passado confuso, humor seco e bom coração disfarçado de mau humor está ali. Não virou outro personagem, apenas uma nova versão dele. E acho que é isso que está acontecendo com o Tocha.



O finado Michael Clarke Duncan, que fez um excelente Rei do Crime no tosco filme Demolidor: O homem sem medo, de branco nas HQs, virou negro e continuou o frio e cruel mafioso do submundo de Nova York. É isso. Como o próprio Michael B. Jordan falou, o mundo é um pouco mais diversificado na mídia em 2015 do que era na década de 1960, quando o universo Marvel despontou nessa leva que está agora nos cinemas e Netflix (Homem-Aranha, X-Men, Quarteto Fantástico, Os Vingadores, Luke Cage, Demolidor, etc). Se Sue é irmã adotiva, seja lá qual for a solução que vão dar pra essa diferença racial, não me interessa, desde que seja algo plausível. Eu, por mim, ainda acho que seria mais legal que os irmãos Storm fossem, os dois, negros. Qual seria o problema? O Quarteto sempre teve esse clima família, então seria muito justo. Imagina, o Coisa com origem hispânica ou indígena... Os X-Men tiveram isso e alguns dos personagens mais queridos dos quadrinhos não são estadunidenses natos, brancos, de 1,90m de altura e olhos claros.



E existem outros exemplos recentes, como Jamie Fox ter se tornado Elektro (Homem-Aranha) e Idris Elba sendo Heimdal (Thor). Sem esquecer Nick Fury (Samuel L. Jackson). Tem também o vindouro Esquadrão Suicida, com um Pistoleiro negro (Will Smith). Mas, no geral, gostei muito da proposta e já aguardo possíveis confirmações para o antes citado Miles Morales no cinema, ou numa série e também, o filho do Will Smith como possível Super Choque (essas coisas eu só acredito depois que tem trailler). Isso é representatividade. Um branco não sente falta porque, numa festa á fantasia, por exemplo, ele pode ir fantasiado com mil opções. O negro não tem essa gama toda de personagens, então quando pinta uma opção, é menos uma 'ué, mas o herói não é preto' pra mostrar que não podemos usar a fantasia que bem entendermos, porque até aí seremos 'postos no nosso lugar' de exclusão e mera plateia.



Um comentário:

Lucas Carvalho disse...

eu ainda acho que seria melhor inventar personagens negros novos ou novos filmes de personagens negros ja existente do que fazer herois brancos negros ja que logo vao mudar para brancos de novo e tambem por que seria da hora ver um filme solo do pantera negra,spawn,super choque,lanterna verde (joe swtewt) e sobre o homen aranha negro seria bom fazer um filme que tem tanto o peter quanto o miles moralies sendo os dois o protagonista do filme ( seria epico)